Sites estatais têm dificuldade para voltar após interrupção generalizada
Os principais sites de notícias da Coreia do Norte, páginas do Ministério das Relações Exteriores e um servidor de e-mail sofreram falhas repetidas de conexão após uma interrupção iniciada por volta das 11h, horário da Coreia, em 20 de outubro de 2026. Na tarde de 21 de outubro, 42 sites que usam o domínio .kp do país estavam inacessíveis ou instáveis, dificultando o acesso de pessoas no exterior a informações oficiais.
Conteúdo
- Sites estatais têm dificuldade para voltar após interrupção generalizada
- Como a interrupção se desenrolou
- Servidores de endereços dão uma pista técnica
- China e Rússia oferecem rotas para o mundo exterior
- Falhas de energia, manutenção e ataques estão entre as causas possíveis
- Por que um pico de tráfego e um ataque DDoS são diferentes
- Boatos se espalham enquanto páginas oficiais ficam difíceis de acessar
- Interrupções anteriores mostram diferentes formas de falha nos serviços
- Pontos principais
O serviço de monitoramento Pingdom registrou que o site da Agência Central de Notícias da Coreia ficou indisponível durante 19 das primeiras 24 horas após o início do problema. Isso corresponde a cerca de 79% do período. Outros sites tiveram períodos de acesso ainda menores, com aproximadamente 10 minutos de disponibilidade registrados na manhã de 21 de outubro.
A interrupção afetou quase ao mesmo tempo organizações com funções diferentes. Além da Agência Central de Notícias da Coreia, ou KCNA, os serviços afetados incluíram os jornais Rodong Sinmun e Minju Joson, a emissora internacional Voice of Korea, o portal de informações Naenara e a companhia aérea estatal Air Koryo. O portal DPRK, que lista sites oficiais norte-coreanos, também ficou inacessível.
O servidor de e-mail SMTP da Silibank, na Coreia do Norte, parou de responder aproximadamente no mesmo horário. SMTP é o sistema que os servidores usam para encaminhar e-mails entre si. A falha ampliou a interrupção, que deixou de afetar apenas a leitura de notícias ou o acesso a páginas do governo e passou a atingir também um serviço usado para correspondência eletrônica.
O padrão amplo direcionou a atenção para a infraestrutura compartilhada por esses serviços, incluindo conexões internacionais, equipamentos e sistemas que direcionam os navegadores aos endereços dos sites. Breves períodos de restabelecimento do acesso foram seguidos por novas falhas, tornando a recuperação irregular, em vez de uma única volta à normalidade.
Como a interrupção se desenrolou
O Ministério da Unificação da Coreia do Sul foi citado em relatos que descreveram uma interrupção inicial de cerca de oito horas em 20 de outubro, seguida de uma aparente recuperação por volta das 20h. Essas descrições aproximadas deixam alguma incerteza quanto ao horário da primeira recuperação. As conexões falharam novamente por volta das 23h, e os problemas continuaram no dia seguinte.
A sequência principal, em horário da Coreia, foi:
- 19 de outubro: A mídia estatal norte-coreana informou que Kim Jong Un visitou uma exposição de roupas e calçados em Pyongyang, acompanhado da esposa, Ri Sol Ju, e da filha, Ju Ae.
- 20 de outubro, por volta das 11h: Vários sites oficiais e o servidor de e-mail da Silibank ficaram inacessíveis aproximadamente ao mesmo tempo.
- 20 de outubro, por volta das 20h: Os principais sites pareceram se recuperar brevemente após uma interrupção inicial descrita como tendo durado cerca de oito horas.
- 20 de outubro, por volta das 23h: As falhas de conexão voltaram.
- 21 de outubro, pela manhã: Outros sites afetados tiveram apenas cerca de 10 minutos de acesso registrado, enquanto o servidor de e-mail ficou acessível por aproximadamente cinco minutos.
- 21 de outubro, à tarde: As falhas generalizadas continuavam, apesar do acesso intermitente a partir de cerca das 11h30.
Algumas conexões caíam a cada um ou dois minutos, mesmo quando era possível acessar as páginas inicialmente. Foram observados problemas de acesso na Coreia do Sul e nos Estados Unidos, o que indica que a interrupção ia além da conexão de um único país com a Coreia do Norte.
Em 22 de outubro, dizia-se que a interrupção entrava em seu terceiro dia consecutivo. As medições mais detalhadas diziam respeito a 20 e 21 de outubro, incluindo falhas que continuavam às 13h de 21 de outubro. Os breves períodos de acesso durante esse intervalo davam aos usuários apenas oportunidades limitadas para obter informações.
Servidores de endereços dão uma pista técnica
Empresas de segurança da Coreia do Sul examinaram informações públicas de roteamento e o Sistema de Nomes de Domínio, conhecido como DNS, para acompanhar as falhas repetidas. As informações de roteamento descrevem os caminhos que o tráfego da internet pode percorrer entre redes. O DNS traduz o nome de um site no endereço numérico da internet de que um computador precisa para se conectar a ele.
A análise constatou que os servidores responsáveis pelo domínio de nível superior .kp estavam respondendo, enquanto os servidores de nomes de nível inferior, que gerenciam os endereços de sites individuais, não estavam. Em termos simples, a primeira parte da busca pelo endereço podia funcionar, enquanto uma etapa posterior, necessária para localizar um site específico, falhava.
Assim, um visitante pode encontrar uma página indisponível mesmo quando parte do sistema mais amplo de endereços continua funcionando. Uma falha na infraestrutura usada por muitos sites pode fazer com que diferentes organizações desapareçam da internet ao mesmo tempo.
A combinação de problemas no DNS, reconexões repetidas e um servidor de e-mail afetado coloca a infraestrutura compartilhada no centro da investigação. O efeito concreto para os usuários era simples: saber o endereço correto do site muitas vezes não bastava para acessar o serviço.
China e Rússia oferecem rotas para o mundo exterior
As conexões externas da Coreia do Norte à internet há muito dependem de um conjunto limitado de rotas. A rede de Ryugyong-dong usa conexões fornecidas pela China Unicom, da China, e endereços de internet associados à Cenbong, operadora de rede sediada em Hong Kong.
A TransTeleCom, da Rússia, atua como provedora alternativa de internet desde 2017. Desde 2023, o tráfego fornecido pela China e pela Rússia também passa por uma rede suplementar sediada nas Filipinas, que dá suporte à rede de Ryugyong-dong.
Rotas alternativas oferecem mais de um caminho possível para o tráfego. Sua utilidade, porém, depende dos equipamentos e serviços ao longo desses caminhos. Mesmo com várias rotas, todas ainda podem depender de um dispositivo, uma fonte de energia ou um servidor de endereços em comum antes de o usuário chegar a um site.
A duração prolongada da interrupção, apesar dessas alternativas, torna especialmente relevante identificar onde ocorreu a falha. Um problema que afetasse uma parte compartilhada do sistema poderia atingir ao mesmo tempo sites de jornais, de um ministério e de uma companhia aérea. O padrão observado chamou a atenção para a rede de Ryugyong-dong e para a infraestrutura que a conecta a provedores estrangeiros.
Falhas de energia, manutenção e ataques estão entre as causas possíveis
As autoridades norte-coreanas não haviam divulgado explicações para a interrupção nem um cronograma para a restauração completa. A causa continuava sem solução: entre as possibilidades estavam uma conexão defeituosa, problemas nos equipamentos, instabilidade no fornecimento de energia, manutenção ou um ataque externo. Nenhum atacante havia reivindicado publicamente a responsabilidade, e as autoridades sul-coreanas disseram não ter informações que confirmassem um ataque cibernético.
Park Chan-am, diretor-executivo da empresa sul-coreana de cibersegurança Stealien, apontou o fornecimento de energia como uma possível explicação para as interrupções e o restabelecimento repetidos do serviço. Segundo ele, a instabilidade elétrica poderia fazer roteadores na fronteira ou equipamentos de comutação desligarem e ligarem de forma intermitente.
Os roteadores direcionam dados entre redes, enquanto os equipamentos de comutação os transferem entre dispositivos conectados. Quando esses equipamentos ficam sem energia, muitos serviços podem se tornar inacessíveis ao mesmo tempo. Quando a energia volta, as conexões podem ser retomadas brevemente antes de outra interrupção.
Park também disse que uma interrupção em junho do ano anterior havia sido avaliada como um problema interno, e não como um ataque externo. Sua explicação para o padrão atual se concentra no funcionamento dos equipamentos e na energia necessária para mantê-los operando.
A manutenção é outra possibilidade, sobretudo se envolver tráfego que chega pela China. A Coreia do Norte já deixou sites indisponíveis por períodos prolongados enquanto reorganizava sua presença na internet. A duração desta interrupção, porém, foi maior do que normalmente se esperaria de uma manutenção de rotina.
Por que um pico de tráfego e um ataque DDoS são diferentes
Um aumento repentino no número de visitantes legítimos pode sobrecarregar um site. Um ataque de negação de serviço distribuído, geralmente chamado de DDoS, inunda deliberadamente um servidor ou uma conexão com tráfego vindo de muitas fontes, impedindo o acesso de usuários comuns. Ambos podem causar lentidão nas páginas, falhas de conexão e períodos de indisponibilidade total.
Empresas de segurança levantaram a possibilidade de que um ataque tenha visado a infraestrutura usada para gerenciar endereços de sites ou uma conexão compartilhada por vários serviços. Um ataque nesse nível poderia afetar muitos sites simultaneamente, em vez de apenas uma página de notícias.
O interesse pelo paradeiro de Kim Jong Un também levou a sugestões de que um número excepcionalmente alto de pessoas tentava acessar sites de notícias norte-coreanos. Algumas poderiam estar procurando relatos ou fotografias de sua visita à exposição.
Os serviços afetados, porém, iam muito além das notícias. O Ministério das Relações Exteriores, a Air Koryo, portais de informações e um servidor de e-mail também tiveram problemas. Esse alcance mais amplo reforça a atenção à infraestrutura comum a vários serviços, em vez da demanda por uma notícia específica.
Boatos se espalham enquanto páginas oficiais ficam difíceis de acessar
Afirmações sem comprovação de que Kim Jong Un havia morrido circularam nas redes sociais estrangeiras por volta da época da interrupção. Entre as alegações estava a de que ele havia sofrido uma hemorragia cerebral e sido levado a um hospital em Pequim. Segundo relatos, autoridades sul-coreanas de relações exteriores e segurança disseram não ter encontrado informações que sustentassem a história.
Enquanto isso, a mídia estatal norte-coreana publicou fotografias e relatos de uma visita de Kim a uma exposição de roupas e calçados em Pyongyang, em 19 de outubro, acompanhado de Ri Sol Ju e Ju Ae. Esses relatos deram aos leitores informações específicas sobre sua atividade pública enquanto os boatos circulavam na internet.
A KCNA continuou distribuindo notícias por meio de seu serviço de notícias durante as falhas do site. Isso permitiu que relatos oficiais chegassem aos destinatários por outro canal, mesmo enquanto as páginas públicas estavam inacessíveis. A continuidade das transmissões também tornou menos provável a hipótese de um desligamento intencional destinado a interromper toda a divulgação para o exterior.
Para os leitores no exterior, a dificuldade prática era que os locais habituais para consultar declarações norte-coreanas estavam frequentemente indisponíveis. A produção de notícias e o acesso aos sites funcionavam de maneiras diferentes: o material ainda podia ser transmitido enquanto as páginas públicas usadas para lê-lo continuavam fora do alcance.
Interrupções anteriores mostram diferentes formas de falha nos serviços
A Coreia do Norte sofreu outra grande interrupção da internet no fim de 2014, após a controvérsia sobre o ataque hacker à Sony Pictures envolvendo o filme The Interview, que retratava um plano para assassinar Kim Jong Un. Um relato detalhado descreve sites inacessíveis por cerca de 10 horas durante um ataque atribuído a hackers ativistas não identificados; descrições mais amplas mencionam uma interrupção que se estendeu por vários dias.
No início de 2022, o hacker americano Alejandro Caceres, conhecido na internet como P4x, realizou ataques DDoS que interromperam sites e serviços de e-mail norte-coreanos. Esses ataques são um precedente específico de um agente externo afetando mais do que apenas páginas da web.
O relato de Park sobre a interrupção em junho do ano seguinte aponta para um mecanismo de falha diferente: problemas operacionais internos. Em conjunto, esses episódios mostram por que é importante identificar os equipamentos afetados, o padrão do tráfego e as condições de fornecimento de energia para determinar como o serviço foi interrompido.
O impacto imediato da interrupção de outubro se concentrou na presença pública da Coreia do Norte na internet. Leitores estrangeiros perderam o acesso confiável a notícias oficiais, informações governamentais e páginas da companhia aérea, enquanto a interrupção do e-mail afetou outra via de comunicação. A continuidade das transmissões pelo serviço de notícias preservou um canal separado para a divulgação estatal, mas o acesso público permaneceu intermitente.
Pontos principais
- A interrupção começou por volta das 11h, horário da Coreia, em 20 de outubro de 2026, e afetou 42 sites que usam o domínio .kp da Coreia do Norte.
- O Pingdom registrou que o site da KCNA ficou indisponível durante 19 das primeiras 24 horas, cerca de 79% do período.
- O servidor de e-mail da Silibank também falhou, com apenas cerca de cinco minutos de acesso registrados na manhã de 21 de outubro.
- A análise de segurança constatou que os servidores de nível superior .kp respondiam, mas havia falhas nos servidores que gerenciam os endereços de sites individuais.
- Entre as possíveis causas estavam falhas de conexão ou de equipamentos, interrupções no fornecimento de energia, manutenção e ataques DDoS.
- A KCNA continuou transmitindo notícias por meio de seu serviço de notícias enquanto era difícil acessar os sites públicos.
- A Coreia do Norte não havia divulgado uma causa oficial nem um cronograma para a restauração completa.






