Tajiquistão busca empregos melhores no país enquanto remessas de migrantes chegam a 46% do PIB

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Tajikistan Seeks Better Jobs at Home as Migrant Transfers Reach 46% of GDP

Uma economia em crescimento ainda depende de rendimentos obtidos no exterior

O Tajiquistão precisa de cerca de 1,4 milhão de empregos na próxima década, enquanto o dinheiro enviado para casa por cidadãos que trabalham no exterior correspondeu a aproximadamente 46% do produto interno bruto do país em 2025, segundo estimativas do Banco Mundial. O desafio é criar empresas que possam pagar o suficiente para que mais pessoas escolham trabalhar no próprio país.

Conteúdo
  1. Uma economia em crescimento ainda depende de rendimentos obtidos no exterior
  2. O que o dinheiro enviado por migrantes representa para as famílias
  3. A pobreza caiu segundo duas medidas diferentes
  4. O alerta remonta a 2019
  5. Projetos trouxeram avanços, mas os obstáculos para as empresas persistiram
  6. Por que um crescimento mais rápido pode gerar poucos empregos
  7. O salário importa tanto quanto as vagas
  8. Energia e um programa de reformas de US$ 100 milhões
  9. Projeto de lei sobre migração trata de proteção e retorno
  10. Principais pontos

O Conselho de Diretores do Grupo Banco Mundial discutiu um novo quadro para os anos fiscais de 2026 a 2032 em 3 de junho de 2026. Suas três prioridades são energia limpa segura e acessível, uma força de trabalho saudável e com melhores competências, e investimentos privados que criem mais empregos e empregos melhores.

O Marco de Parceria com o País apoia a Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2030 do Tajiquistão. Ele combina o apoio da Associação Internacional de Desenvolvimento, que financia o desenvolvimento em países mais pobres; da Corporação Financeira Internacional, que apoia empresas privadas; e da Agência Multilateral de Garantia de Investimentos, que oferece garantias para investimentos.

Gael Raballand, gerente do Grupo Banco Mundial para o Tajiquistão, descreveu o objetivo da parceria renovada:

O Tajiquistão fez avanços importantes nas últimas duas décadas. Para preservar e ampliar essas conquistas, nossa parceria renovada busca ajudar o país a fazer a transição para um modelo econômico mais sustentável, impulsionado por energia limpa, capital humano mais forte e mais investimentos privados, para gerar mais empregos e empregos melhores para a população,

Segundo dados oficiais, o Tajiquistão registrou crescimento econômico médio anual superior a 7% na última década. Ainda assim, a importância contínua dos rendimentos de migrantes mostra por que o novo marco se concentra na renda que as pessoas podem obter dentro do país, além do crescimento da produção total.

O que o dinheiro enviado por migrantes representa para as famílias

As remessas, ou seja, o dinheiro que migrantes enviam para casa, pagam por alimentação, educação, moradia e outras necessidades das famílias. Elas também apoiam lojas, construtoras e empresas de serviços, ao aumentar o dinheiro disponível para as famílias gastarem.

O Banco Mundial estima que essas transferências corresponderam a 39% do PIB em 2023, 49% em 2024 e 46% em 2025. O PIB mede o valor dos bens e serviços produzidos dentro de um país. Comparar as transferências com o PIB mostra a dimensão do dinheiro que chega do exterior em relação à produção doméstica.

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Parte desses gastos chega aos produtores locais, enquanto outra parte é usada para comprar produtos importados. Uma família pode ganhar mais segurança financeira graças ao trabalho de um parente no exterior, mesmo que o país continue dependendo da produção estrangeira para muitos dos bens que essa família compra.

A Rússia continua sendo um dos principais destinos dos trabalhadores tajiques. Mudanças no emprego, nos salários ou nas regras migratórias russas podem, portanto, afetar as famílias no Tajiquistão por meio de remessas menores e da redução dos gastos. As autoridades russas endureceram os controles migratórios e impuseram restrições adicionais a estrangeiros após o ataque de março de 2024 à Crocus City Hall.

Cidadãos tajiques também buscam trabalho no Cazaquistão, na Belarus, nos Emirados Árabes Unidos, no Catar, no Kuwait, na Coreia do Sul, no Japão e no Reino Unido. Ampliar as oportunidades no país daria aos trabalhadores outra opção, sem eliminar a renda que a migração proporciona atualmente.

A pobreza caiu segundo duas medidas diferentes

O comunicado do Grupo Banco Mundial afirma que a taxa nacional de pobreza do Tajiquistão caiu de 56% em 2010 para menos de 20% nos últimos anos. Os dados que usam o limite internacional de pobreza de US$ 4,20 por dia mostram uma redução de 55% em 2010 para 14,8% em 2025.

A medida nacional usa o padrão de pobreza definido pelo próprio país. A medida internacional usa a paridade do poder de compra, método que ajusta os dados às diferenças entre o que o dinheiro pode comprar em cada país. Cada indicador mede a pobreza com base em seu próprio limite, o que explica a diferença entre os percentuais.

As remessas ajudaram as famílias a melhorar seu padrão de vida. O desafio para a política econômica é tornar esse avanço mais seguro, ampliando a renda gerada pelo emprego doméstico, além dos rendimentos de migrantes.

Attiya Waris, especialista independente das Nações Unidas em dívida externa e direitos humanos, abordou esse desafio após uma visita oficial ao Tajiquistão em 2026. Ela reconheceu os avanços na redução da pobreza, no crescimento econômico e na infraestrutura, mas pediu a criação de empregos dignos e produtivos no país.

Waris apontou a agricultura e o processamento de alimentos, o turismo sustentável, o processamento de minerais e a economia digital como áreas que merecem investimentos. Ela também pediu investimentos em educação, formação profissional, acesso à internet e financiamento para pequenas e médias empresas, com atenção especial às mulheres e aos jovens que enfrentam baixos salários, poucas opções de emprego e falta de serviços sociais.

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O alerta remonta a 2019

O Memorando Econômico sobre o País do Banco Mundial, publicado em maio de 2019 com o número de relatório 130045-TJ, já havia recomendado que o Tajiquistão avançasse para um modelo de crescimento impulsionado por empresas privadas e exportações. O documento recomendou direcionar mais renda proveniente de remessas para investimentos privados.

O memorando registrou remessas equivalentes a 38% do PIB em 2017, com cerca de 90% provenientes da Rússia. As transferências haviam caído 45% no total entre 2014 e 2016, à medida que a economia russa desacelerava, causando uma falta repentina de recursos para o Tajiquistão.

Na época, as empresas privadas respondiam por cerca de 15% dos investimentos, 30% da produção industrial e 13% dos empregos formais. As empresas estatais dominavam a produção industrial, enquanto o ambiente de negócios limitava a atividade privada.

Os dados sobre emprego eram especialmente reveladores. O crescimento econômico médio anual de 6,8% entre 2007 e 2017 veio acompanhado de um aumento líquido de apenas 1,1% ao ano no número de empregos, ou cerca de 23.364 vagas por ano. A população em idade ativa crescia aproximadamente 3% ao ano.

A sequência de esforços de política pública agora abrange vários períodos:

  • Maio de 2019: O memorando econômico do Banco Mundial pediu mais investimentos privados, exportações e criação de empregos.
  • 2019–2023: A estratégia de parceria anterior priorizou o capital humano, as instituições públicas e o desenvolvimento do setor privado. Sua vigência foi posteriormente prorrogada até 2024.
  • 3 de junho de 2026: O Conselho do Grupo Banco Mundial discutiu o marco de parceria para os anos fiscais de 2026 a 2032.
  • Julho de 2026: O Banco Mundial aprovou uma doação de US$ 100 milhões para apoiar reformas econômicas.
  • 2030: A projeção é que as reformas apoiadas ajudem a gerar mais de 92 mil empregos adicionais, com salários melhores.

A continuidade chama a atenção: sete anos após o diagnóstico anterior, os investimentos privados e o emprego produtivo continuam entre as prioridades centrais. O novo marco concentra recursos em problemas que projetos anteriores ajudaram a enfrentar, mas não resolveram.

Projetos trouxeram avanços, mas os obstáculos para as empresas persistiram

O período anterior da parceria trouxe avanços na saúde, na educação, na proteção social e na energia. Programas também apoiaram empresas rurais, melhoraram alguns aspectos do ambiente de negócios e simplificaram certos procedimentos administrativos.

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Um projeto de comercialização agrícola registrou avanços na atividade comercial entre quase 21 mil beneficiários, superando a meta inicial de 12.500. O projeto apoiou 1.458 empresas agrícolas, diante de uma meta de 1.500, alcançando cerca de 97% do objetivo.

Esses resultados mostram um caminho prático para ampliar a produção nacional: ajudar fazendas e empresas agrícolas a transformar sua produção em mais atividade comercial. O processamento de alimentos pode ampliar essa cadeia ao criar demanda por produtos agrícolas, instalações de processamento, embalagens e transporte.

Segundo avaliações do Banco Mundial, as empresas ainda enfrentam incertezas na aplicação das leis tributárias, riscos para os direitos de propriedade, acesso limitado a financiamento e forte presença do Estado na economia. Uma empresa que avalia comprar novos equipamentos ou ampliar sua equipe precisa de regras previsíveis e financiamento acessível.

A pandemia de COVID-19, a instabilidade regional e as mudanças nos vínculos econômicos com a Rússia também afetaram a implementação. Parte dos recursos foi redirecionada para responder à crise, e alguns projetos perderam ritmo. Ainda assim, segundo estimativas do banco, as remessas corresponderam em média a quase metade do PIB entre 2022 e 2025, mantendo os rendimentos do exterior no centro das finanças das famílias.

Por que um crescimento mais rápido pode gerar poucos empregos

Segundo estimativas do Banco Mundial citadas em avaliações anteriores, cerca de 130 mil jovens ingressam no mercado de trabalho do Tajiquistão a cada ano. A necessidade projetada de 1,4 milhão de empregos na próxima década reflete tanto a chegada de novos trabalhadores quanto a necessidade de ampliar as oportunidades para quem já está em idade ativa.

Investimentos em mineração podem aumentar consideravelmente a produção e, ao mesmo tempo, empregar relativamente poucos trabalhadores. As minas exigem máquinas, equipamentos e infraestrutura caros; por isso, um grande aumento nos investimentos pode gerar um crescimento menor no número de empregos.

O Banco Mundial identificou uma concentração dos investimentos privados nas indústrias extrativas e uma transição lenta de trabalhadores da agricultura para empregos mais produtivos na indústria e nos serviços. A agricultura emprega muitas pessoas, mas a baixa produção por trabalhador limita a renda que o setor pode oferecer.

Produtividade é a quantidade que um trabalhador produz em determinado período. Equipamentos melhores, eletricidade confiável, competências úteis e acesso a clientes podem ajudar uma empresa a produzir mais. Isso lhe dá uma base mais sólida para pagar salários maiores.

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Grandes projetos de infraestrutura podem apoiar esse processo quando as empresas usam a nova capacidade para expandir suas atividades. A contribuição duradoura desses projetos para o emprego depende, em parte, das fábricas, fazendas e empresas de serviços que se desenvolvem em torno deles. O Banco Mundial estima que cerca de um quarto da força de trabalho tajique vai para o exterior em busca de emprego, o que ilustra a dimensão das oportunidades necessárias no país.

O salário importa tanto quanto as vagas

O salário nominal mensal médio no Tajiquistão chegou a 3.507,67 somonis em julho de 2026, alta de 21,6% em relação ao ano anterior, segundo a Agência de Estatísticas ligada à Presidência. Salário nominal é o valor pago antes de se considerar a variação dos preços.

A remuneração mensal média variava bastante entre os setores: 2.365 somonis na saúde e nos serviços sociais, 2.812 somonis na administração pública, defesa e seguridade social, e 3.739 somonis na educação. Um aumento no número de vagas terá apelo limitado para alguns trabalhadores se os salários disponíveis não forem suficientes para atender às necessidades de suas famílias.

Um estudo realizado no outono de 2023, com participação do gabinete da ouvidoria de direitos humanos de Moscou, entrevistou 900 migrantes do Tajiquistão, do Uzbequistão e do Quirguistão, incluindo 300 cidadãos tajiques. Os participantes tajiques relataram ganhos mensais médios de 49.691 rublos, sendo 56.083 rublos para os homens e 40.297 rublos para as mulheres.

Esses dados se referem a uma amostra de Moscou em 2023, enquanto os números nacionais abrangem trabalhadores de todo o Tajiquistão em julho de 2026. A migração também gera despesas com moradia, documentos e vida longe da família. A avaliação diagnóstica do Banco Mundial permite comparar trabalhos semelhantes: alguns migrantes tajiques empregados na construção, no comércio e nos serviços na Rússia ganham pelo menos três vezes mais do que em ocupações equivalentes no país.

Para os trabalhadores que avaliam suas opções, a decisão envolve tanto conseguir um emprego quanto a renda que sobra depois das despesas. Para oferecer salários melhores no país, as empresas precisam conseguir manter remunerações mais altas por meio de uma produção e de vendas mais fortes.

Energia e um programa de reformas de US$ 100 milhões

O novo marco de parceria inclui apoio à Usina Hidrelétrica de Rogun, além de iniciativas em educação, saúde, água, saneamento e adaptação climática. Uma eletricidade mais confiável pode reduzir a escassez sazonal e ajudar as empresas a manter seus equipamentos em funcionamento.

Os investimentos privados também fazem parte desse processo. Para transformar o aumento da oferta de eletricidade em bens e serviços competitivos, os produtores precisam de financiamento, competências, transporte, conexões digitais e acesso a clientes.

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A doação de US$ 100 milhões aprovada em julho de 2026 apoia reformas nos setores digital, de aviação e de energia. As medidas previstas tratam de concorrência, regulamentação, transparência no apoio estatal e condições para investidores.

O Banco Mundial estima que as reformas apoiadas possam ajudar a gerar mais de 92 mil empregos adicionais, com salários melhores, até 2030. Esses números são resultados projetados das reformas. Para que esses empregos se concretizem, as empresas terão de investir, expandir as atividades e contratar.

O financiamento faz parte de uma relação de desenvolvimento mais ampla. Quando o marco foi anunciado, a Associação Internacional de Desenvolvimento financiava 25 projetos no Tajiquistão, no valor total de US$ 1,93 bilhão. A carteira da Corporação Financeira Internacional era de US$ 69 milhões e apoiava sete clientes do setor privado.

Projeto de lei sobre migração trata de proteção e retorno

A câmara baixa do Parlamento do Tajiquistão, a Majlisi Namoyandagon, aprovou por unanimidade um novo projeto de Lei sobre Migração apresentado pela ministra do Trabalho, Migração e Emprego, Soleha Kholmahmadzoda. A proposta deve substituir a lei de 11 de dezembro de 1999.

O projeto prevê um sistema unificado de informações migratórias, regulamentação de empresas privadas que organizam empregos no exterior, proteção para migrantes e suas famílias e medidas de apoio ao retorno e à reintegração. Também abrange migração interna e ambiental, reassentamento e grupos vulneráveis.

A legislação ainda precisa ser aprovada pela Majlisi Milli, receber a assinatura do presidente e ser publicada oficialmente para substituir a lei vigente. Não foram informadas datas para essas etapas restantes, e o texto integral do projeto não estava disponível para análise.

A proposta trata da gestão da migração e da proteção das pessoas. O marco econômico trata das oportunidades disponíveis antes de elas partirem e depois de voltarem. Juntas, as iniciativas se concentram em um objetivo concreto: tornar o emprego no país uma opção financeiramente viável, protegendo ao mesmo tempo os cidadãos que continuam trabalhando no exterior.

Principais pontos

  • As remessas corresponderam a cerca de 46% do PIB do Tajiquistão em 2025, segundo estimativas, ante 49% em 2024.
  • O marco do Grupo Banco Mundial para os anos fiscais de 2026 a 2032 prioriza energia limpa, saúde e competências da força de trabalho e investimentos privados.
  • Segundo estimativas do Banco Mundial, o Tajiquistão precisa de cerca de 1,4 milhão de empregos na próxima década.
  • O salário mensal médio no país chegou a 3.507,67 somonis em julho de 2026, com diferenças consideráveis entre os setores.
  • Uma doação de US$ 100 milhões para reformas apoia mudanças que, segundo projeções, podem ajudar a gerar mais de 92 mil empregos adicionais, com salários melhores, até 2030.
  • Um projeto de lei sobre migração aprovado pela câmara baixa ainda precisa de aprovação adicional, assinatura e publicação.
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