Tajiquistão cria cadastro policial de videntes, clientes e familiares

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Tajikistan Creates Police Registry of Fortune-Tellers, Clients and Relatives

Cadastro policial vai além dos videntes

O Ministério do Interior do Tajiquistão está criando um cadastro policial unificado que abrange videntes, pessoas que oferecem feitiçaria e outros serviços ocultistas, profissionais do sexo, pessoas com dependência de drogas e alguns de seus clientes e familiares. O anúncio, divulgado em 21 de outubro de 2026, afirma que as pessoas incluídas no registro ficarão sob monitoramento constante, e que suas informações serão repassadas às autoridades competentes mediante solicitação.

Conteúdo
  1. Cadastro policial vai além dos videntes
  2. Quem pode ser incluído no cadastro?
  3. O que o monitoramento constante significa para os moradores
  4. O que mostram os dados da fiscalização
  5. Como a campanha se desenvolveu
  6. Multas, penas criminais e trabalho obrigatório proposto
  7. Atividades religiosas e cura popular também estão no escopo
  8. Deputado russo apoia a iniciativa
  9. Principais pontos

O ministério descreve a medida como um esforço para prevenir a superstição, a adivinhação, a feitiçaria e outras formas de fraude. Seu alcance vai além das pessoas acusadas de vender serviços fraudulentos: clientes, familiares próximos e pessoas próximas também podem ser incluídos.

O anúncio vem após medidas anteriores contra praticantes e clientes. Em 2024, o ministério anunciou planos para registrar clientes de videntes e feiticeiros, inclusive com fotografias. Em julho de 2025, vieram as multas para quem os procurasse. O novo cadastro reúne esses esforços ao monitoramento de vários outros grupos.

Dados policiais indicam a dimensão da fiscalização já em curso. O Ministério do Interior registrou 604 casos de adivinhação e feitiçaria em todo o Tajiquistão no primeiro semestre de 2026. Em Dushanbe, a capital, o departamento do Ministério do Interior identificou 93 casos de adivinhação no mesmo período e abriu processos criminais contra cinco pessoas.

Assim, para os moradores, a mudança imediata vai além de um alerta contra pagar por uma previsão ou por um suposto feitiço. O ministério também adverte que o contato com as pessoas incluídas no cadastro pode levar alguém a constar de um registro policial, fazendo a medida alcançar o cotidiano de clientes e familiares.

Quem pode ser incluído no cadastro?

A lista do ministério inclui videntes e feiticeiros, homens e mulheres, figuras itinerantes que chama de pseudo-mulás, profissionais do sexo, seus clientes e familiares próximos, pessoas com dependência de drogas e outros envolvidos em atividades semelhantes. A descrição original também inclui curandeiros populares cuja reputação as autoridades consideram questionável, pessoas envolvidas com cafetinagem ou distribuição de drogas e pessoas próximas a elas.

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Um mulá é uma figura religiosa muçulmana. Ao usar o termo pseudo-mulá, as autoridades se referem a pessoas que acusam de se apresentar falsamente como autoridades religiosas. Outras descrições da iniciativa incluem figuras religiosas sem a formação formal pertinente.

O serviço de imprensa do ministério detalhou as categorias e o monitoramento previsto no anúncio:

Para prevenir a adivinhação, a feitiçaria e outras atividades fraudulentas, os sobrenomes e nomes de videntes, feiticeiros, pseudo-mulás itinerantes, prostitutas, seus clientes e familiares próximos, pessoas com dependência de drogas e outras envolvidas em atividades semelhantes são inseridos em um banco de dados especial do Ministério do Interior. Essas pessoas ficarão sob monitoramento constante.

A referência a clientes e familiares próximos tem consequências especialmente importantes. Ela inclui no cadastro pessoas que procuram esses serviços e pessoas ligadas a elas por parentesco, ao lado das acusadas de oferecê-los. A categoria final, outras envolvidas em atividades semelhantes, deixa a lista aberta para além dos grupos mencionados expressamente.

O que o monitoramento constante significa para os moradores

O Ministério do Interior afirma que os órgãos de segurança pública manterão vigilância contínua sobre as pessoas incluídas no banco de dados. As informações serão fornecidas a órgãos governamentais competentes quando estes as solicitarem. Portanto, o cadastro funciona tanto como registro policial quanto como fonte de informações pessoais para outras autoridades.

O ministério também incorporou a recomendação para evitar essas pessoas à sua mensagem pública. Seu serviço de imprensa pediu aos moradores que mantenham distância dos grupos listados, associando o risco de inclusão em um registro policial a danos à reputação da pessoa perante a família:

O Ministério do Interior recomenda aos cidadãos que mantenham distância das categorias de pessoas listadas, para não acabar em listas especiais de registro nem manchar o próprio nome perante os filhos.

Para um cliente, o alerta significa que pagar por um serviço pode trazer consequências que vão além de perder dinheiro. Para familiares e pessoas próximas, significa que a relação com alguém incluído no cadastro pode, por si só, atrair a atenção oficial. O anúncio combina uma medida policial com um apelo público baseado na reputação e no respeito familiar.

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O que mostram os dados da fiscalização

O total nacional de 604 casos informado pelo Ministério do Interior abrange ocorrências de adivinhação e feitiçaria identificadas entre janeiro e junho de 2026. O número de 93 em Dushanbe diz respeito a casos de adivinhação identificados pelas autoridades da capital nesses seis meses.

Com base nos totais divulgados, os 93 casos de Dushanbe correspondem a cerca de 15,4% dos 604 casos nacionais. A categoria nacional inclui tanto adivinhação quanto feitiçaria, enquanto o número da capital se refere especificamente à adivinhação. Ambos os dados situam o novo cadastro em uma campanha de fiscalização que já estava em andamento antes do anúncio de outubro.

As autoridades de Dushanbe também informaram que foram abertos processos criminais contra cinco pessoas. Um processo criminal envolve investigação e persecução, durante as quais as autoridades apuram uma suposta infração e podem levar o caso à Justiça. Procedimentos administrativos geralmente tratam das infrações com sanções como multas, por meio de um processo jurídico diferente.

A distinção importa porque os dados da fiscalização contabilizam coisas diferentes: 93 ocorrências de supostas atividades e cinco pessoas sujeitas a processos criminais. Os moradores podem se deparar com várias etapas de atuação estatal, da inclusão no cadastro a uma sanção administrativa ou uma investigação criminal.

Como a campanha se desenvolveu

O anúncio de outubro vem após uma série de medidas dirigidas a praticantes, clientes e pessoas que alegam ter autoridade religiosa. A cronologia mostra como a campanha se expandiu do registro de clientes para um cadastro unificado que abrange várias categorias.

  • 2024: O Ministério do Interior anunciou que clientes de videntes e feiticeiros seriam registrados em um arquivo policial com fotografias.
  • Julho de 2025: Começaram a ser aplicadas multas a quem procurasse videntes.
  • Janeiro a junho de 2026: As autoridades registraram 604 casos de adivinhação e feitiçaria em todo o país. Dushanbe registrou 93 casos de adivinhação e abriu processos criminais contra cinco pessoas.
  • 21 de outubro de 2026: Foi divulgado o anúncio do banco de dados unificado, que prevê o monitoramento de praticantes, clientes, familiares e outros grupos listados.

A política anterior de registro de clientes ajuda a explicar por que eles têm destaque no novo anúncio. A abordagem do Tajiquistão mira tanto a demanda por esses serviços quanto as pessoas que os oferecem. A inclusão de familiares e pessoas próximas amplia ainda mais esse alcance, trazendo relações pessoais para o âmbito do monitoramento policial.

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Multas, penas criminais e trabalho obrigatório proposto

As multas administrativas relatadas para as atividades visadas pela campanha variam de cerca de US$ 270 a US$ 340. Reincidências no período de um ano podem resultar em multas próximas de US$ 680. Clientes de videntes e feiticeiros também podem ser responsabilizados, tornando a decisão de contratar um serviço juridicamente relevante para ambos os lados da transação.

A multa mais alta relatada é o dobro do limite de US$ 340 previsto para uma infração inicial. Esses valores em dólares são conversões usadas para descrever as sanções, e não os valores expressos na moeda do Tajiquistão.

As descrições do regime de fiscalização também incluem detenção administrativa e a possibilidade de processo criminal em caso de reincidência no período de um ano, com pena de até dois anos de prisão. Mudanças propostas ao Código de Infrações Administrativas permitiriam a imposição de trabalho obrigatório por até seis meses para casos de feitiçaria, adivinhação, cura popular e ensino religioso ilegal. Trabalho obrigatório é uma atividade imposta como punição legal.

Vários detalhes operacionais e jurídicos continuam pouco claros: o anúncio não informa quantas pessoas já foram registradas, não estabelece regras para excluir um nome ou contestar uma inclusão e não define com precisão o que significa monitoramento constante. As descrições dos seis meses de trabalho obrigatório também variam entre uma alteração proposta e uma sanção já disponível; não foi especificada uma data de aprovação nem o próximo prazo legislativo.

As autoridades tajiques também estão agindo contra figuras religiosas sem a formação pertinente e pessoas descritas como tendo estudado no exterior com teólogos radicais. O anúncio do cadastro menciona especificamente pseudo-mulás itinerantes, colocando alegações de autoridade religiosa ao lado da adivinhação e de outras práticas que o ministério descreve como fraudulentas.

As autoridades apresentaram a campanha como uma resposta a práticas encontradas em todo o Tajiquistão, inclusive em Dushanbe. Os números da fiscalização na capital mostram que as atividades que atraem a atenção policial também estão presentes no principal centro urbano do país.

A cura popular aparece nas descrições tanto do cadastro quanto das sanções de trabalho propostas. O relato original se refere a curandeiros cuja reputação é considerada questionável, enquanto as mudanças administrativas propostas citam a cura popular ao lado da feitiçaria, da adivinhação e do ensino religioso ilegal.

O alcance combinado importa para quem busca ajuda. Uma visita a alguém que oferece uma previsão, uma suposta cura sobrenatural ou orientação religiosa pode envolver categorias que as autoridades estão abordando por meio da mesma campanha. Para os praticantes, a política inclui alegações de cura ou de autoridade religiosa em um sistema de registro policial e possíveis punições.

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Deputado russo apoia a iniciativa

Vitaly Milonov, membro da Duma Estatal da Rússia, apoiou a iniciativa do Tajiquistão e afirmou que a Rússia poderia adotar uma abordagem semelhante. A reação leva o anúncio a um público político além do Tajiquistão.

Milonov descreveu o cadastro em termos elogiosos:

Um projeto muito bom.

O parlamentar russo já defendeu restrições a serviços esotéricos. Em 2023, propôs proibir a publicação de horóscopos e a venda de cartas de tarô. Na primavera de 2025, disse que os promotores deveriam agir contra videntes e pessoas que se apresentam como magos.

O apoio dele relaciona o banco de dados do Tajiquistão à sua campanha em curso por restrições mais severas na Rússia. No próprio Tajiquistão, a medida concreta é o plano do Ministério do Interior de coletar nomes, monitorar as pessoas listadas e compartilhar informações com as autoridades competentes, ampliando uma campanha já existente contra praticantes e clientes para incluir um círculo maior de familiares e pessoas próximas.

Principais pontos

  • O Ministério do Interior do Tajiquistão está criando um cadastro unificado que abrange videntes, feiticeiros, profissionais do sexo, pessoas com dependência de drogas e outros grupos mencionados.
  • Clientes, familiares próximos e pessoas próximas também podem ser incluídos no monitoramento.
  • O ministério afirma que as pessoas listadas ficarão sob monitoramento constante e que suas informações serão compartilhadas com as autoridades competentes mediante solicitação.
  • As autoridades registraram 604 casos de adivinhação e feitiçaria em todo o país no primeiro semestre de 2026. Dushanbe registrou 93 casos de adivinhação e processos criminais contra cinco pessoas.
  • Clientes podem sofrer sanções, enquanto mudanças administrativas propostas incluem trabalho obrigatório por até seis meses.
  • O anúncio não esclarece os procedimentos de registro e exclusão nem o significado prático do monitoramento constante.
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