Restrições nas escolas vêm antes do limite nacional de idade
O Azerbaijão restringiu o acesso ao TikTok nas escolas e filtrou conteúdos relacionados a crimes, drogas e violência, afirmou o vice-ministro da Ciência e Educação, Firudin Gurbanov, no Fórum da Família, em 21 de outubro de 2026. O anúncio ocorre enquanto o país se prepara para introduzir restrições mais amplas às contas de redes sociais de menores de 16 anos.
Conteúdo
- Restrições nas escolas vêm antes do limite nacional de idade
- O que as escolas bloqueiam
- Como as medidas foram desenvolvidas
- O que muda para crianças e adolescentes
- Como funcionariam as verificações de idade
- Plataformas enfrentam exigências de cadastro e fiscalização
- Preocupações com os limites do conteúdo nocivo
- Gurbanov também destaca os benefícios do acesso on-line
- Principais pontos
Durante o fórum, intitulado Família na Era Digital: Novas Fronteiras da Transformação, Gurbanov disse que as escolas restringiram mais de 200 categorias ou itens de conteúdo nocivo. Ele pediu que as famílias continuem supervisionando o uso da internet pelas crianças fora da escola.
As medidas nas escolas já estão em vigor. As restrições nacionais às contas devem entrar em vigor em 5 de agosto de 2027, conforme a legislação aprovada em 30 de junho de 2026. Menores de 16 anos serão impedidos de abrir contas em redes sociais designadas, enquanto o cadastro de pessoas de 16 a 18 anos exigirá o consentimento de um dos pais ou responsável legal.
Gurbanov já havia descrito o sistema de filtragem escolar durante discussões parlamentares em 8 de junho. Portanto, suas declarações de outubro descrevem uma restrição existente, embora não tenha sido informada uma data precisa para sua implementação.
O que as escolas bloqueiam
Gurbanov descreveu as restrições ao TikTok como parte de uma filtragem mais ampla do acesso das crianças à internet na escola. A filtragem significa que a conexão de internet da escola impede os usuários de acessar determinados serviços ou conteúdos.
O vice-ministro citou crimes, drogas, violência e temas semelhantes entre os conteúdos restringidos. O número principal apresentado foi de mais de 200 temas, categorias ou itens de conteúdo nocivo; outra descrição de suas declarações de outubro mencionou quase 200 páginas que promovem terrorismo e drogas. A lista exata e a unidade contabilizada não foram divulgadas.
Gurbanov, vice-ministro responsável pela ciência e educação, explicou a justificativa durante o fórum:
Esses materiais continham conteúdos relacionados a crimes, drogas, violência e questões semelhantes. É claro que essas restrições não devem se limitar apenas às escolas. As famílias também devem monitorar as crianças para garantir que fiquem longe desses conteúdos e plataformas.
O alcance prático de um filtro escolar depende da conexão usada pela criança. Uma restrição na rede da escola controla o acesso por essa rede. Os anúncios não explicaram se as escolas também aplicam controles a dispositivos que usam dados móveis pessoais nem como cada escola fiscaliza as restrições.
Como as medidas foram desenvolvidas
As restrições nas escolas do Azerbaijão e a legislação mais ampla sobre redes sociais seguiram cronogramas distintos. O Ministério da Educação já filtrava o acesso enquanto os parlamentares ainda discutiam as regras nacionais.
As principais datas mostram como as medidas se articulam:
- 30 de outubro de 2018: o Azerbaijão aprovou sua principal lei de proteção às crianças contra informações nocivas.
- 1º de janeiro de 2020: a lei de proteção às crianças entrou em vigor.
- 8 de junho de 2026: Gurbanov informou, em uma reunião conjunta de comissões parlamentares, que o TikTok estava bloqueado nas escolas e que o acesso das crianças à internet era filtrado.
- 30 de junho de 2026: o Parlamento aprovou as novas emendas sobre redes sociais como Lei nº 431-VIIQD.
- 5 de agosto de 2026: a legislação foi publicada, e o presidente Ilham Aliyev assinou um decreto de implementação que atribuiu responsabilidades de fiscalização.
- 21 de outubro de 2026: Gurbanov abordou as restrições escolares no Fórum da Família.
- 5 de agosto de 2027: está prevista a entrada em vigor das restrições de idade para redes sociais, 12 meses após a publicação.
A reunião das comissões em junho reuniu os órgãos parlamentares responsáveis por direitos humanos; família, mulheres e crianças; e política jurídica e organização do Estado. Eles discutiram mudanças no Código de Infrações Administrativas, na Lei de Informação, Informatização e Proteção da Informação e na Lei de Proteção das Crianças contra Informações Nocivas.
Para as famílias, a questão imediata é o acesso na escola. As regras nacionais posteriores dizem respeito à possibilidade de as crianças se cadastrarem e manterem contas nas plataformas abrangidas, inclusive quando estiverem fora da escola.
O que muda para crianças e adolescentes
A legislação eleva para 16 anos a idade mínima para ter contas nas redes sociais designadas. Isso são três anos a mais do que a idade mínima de 13 anos geralmente adotada por muitas plataformas. Instagram, Facebook, TikTok, X e Snapchat estavam entre os serviços citados durante a discussão do pacote.
Também se espera que as contas existentes passem por verificações de idade. As contas cujos titulares não tiverem a idade confirmada deverão ser excluídas. Assim, uma criança que já usa um serviço abrangido poderá ter de passar por uma nova verificação, em vez de simplesmente manter uma conta aberta antes da entrada em vigor das regras.
Usuários de 16 a 18 anos estarão sujeitos a outro conjunto de exigências: consentimento e supervisão dos pais, medidas especiais de segurança, limites para conteúdos e publicidade e restrições relacionadas à geolocalização. Geolocalização é uma informação que pode revelar onde uma pessoa ou seu dispositivo está.
Osman Gunduz, especialista em tecnologias da informação e comunicação, criticou a escolha dos 16 anos como limite. Ele mencionou adolescentes que já programam, administram negócios, criam startups e participam de competições internacionais. Sua preocupação é que uma regra criada para proteger crianças mais novas também possa restringir atividades úteis de adolescentes mais velhos.
Gunduz argumentou que as discussões internacionais têm se concentrado mais na proteção de crianças menores de 13 anos. O limite mais alto do Azerbaijão estende a proibição de contas a crianças de 13, 14 e 15 anos, submetendo um grupo maior à restrição.
Como funcionariam as verificações de idade
Havva Huseynli, chefe do setor de cooperação e comunicação do Serviço de Segurança Eletrônica, descreveu um processo de verificação proposto que envolve dados de cartões bancários, endereços de e-mail e números de celular. A verificação do cartão poderia incluir o bloqueio temporário de valores enquanto as informações são conferidas.
A verificação de idade é o processo de confirmar se um usuário atende a um requisito etário. Ela pode envolver mais informações do que simplesmente pedir que alguém informe a data de nascimento em um formulário de cadastro. Huseynli disse que os dados pessoais seriam usados exclusivamente para a verificação e excluídos imediatamente caso não fosse possível confirmar a correspondência.
O ônus prático recairá tanto sobre as plataformas quanto sobre os usuários. As plataformas precisarão de sistemas para verificar idades, enquanto os usuários talvez tenham de fornecer informações para manter as contas ativas. As descrições do processo não apresentaram um procedimento completo para corrigir uma verificação malsucedida ou recuperar uma conta excluída após uma tentativa de verificação sem sucesso.
Os pais de adolescentes de 16 a 18 anos também terão um papel formal no cadastro. O consentimento deles passará a ser uma condição para o acesso aos serviços abrangidos, em vez de ficar apenas sujeito às regras de cada família.
Plataformas enfrentam exigências de cadastro e fiscalização
O novo marco exige que as plataformas abrangidas se cadastrem no Azerbaijão ou estabeleçam um escritório de representação local. Também determina que respondam às solicitações de órgãos estatais em até cinco dias úteis.
O Ministério do Desenvolvimento Digital e Transportes terá a principal função de supervisão. Alguns poderes previstos no artigo 13-4.4 da lei de informação serão exercidos em conjunto com o Serviço de Segurança do Estado. Em outras funções, o ministério atuará na condição de Agência Nacional de Cibersegurança, e não por meio de uma entidade jurídica separada.
O Ministério da Ciência e Educação e o Comitê Estatal para Assuntos da Família, das Mulheres e das Crianças também receberam atribuições em ações de conscientização e educação. O decreto de agosto, portanto, integra políticas escolares, familiares e de regulação digital, além de órgãos de segurança, ao marco de fiscalização.
As multas mudaram entre as versões preliminar e aprovada. As discussões sobre o projeto mencionavam multas de 100 mil a 300 mil manats azerbaijanos. As sanções aprovadas, descritas na atualização de agosto, estabelecem multas de 15 mil a 50 mil manats para pessoas jurídicas, dependendo da infração e de sua reincidência.
Por exemplo, deixar de responder a uma solicitação oficial em até cinco dias úteis ou fornecer informações distorcidas acarreta multa de 25 mil a 30 mil manats para a empresa. As infrações às regras de uso seguro são punidas com multas de 35 mil a 40 mil manats, que sobem para 45 mil a 50 mil manats em caso de reincidência no prazo de um ano.
A fiscalização também inclui proibições de publicidade, reduções graduais no tráfego de internet e bloqueios. A redução de tráfego, muitas vezes chamada de limitação de velocidade, torna um serviço mais lento ou difícil de usar. Essas medidas podem afetar o acesso de forma mais direta do que uma penalidade financeira.
Preocupações com os limites do conteúdo nocivo
O advogado de direitos humanos Yalchin Imanov questionou como as autoridades definem os temas nocivos abrangidos pelos filtros escolares. Sua preocupação era que categorias amplas ou pouco claras pudessem incluir fontes alternativas de informação e debates públicos.
Imanov, ao comentar as restrições e as propostas legislativas, afirmou:
"não sabemos quais temas específicos são proibidos, ou seja, quais são os temas perigosos. Não está claro a que temas se refere a expressão \"mais de duzentos temas perigosos\", e isso pode ser usado de forma abusiva pelas autoridades".
Imanov também criticou a falta de debate público sobre os projetos de lei. Ele alertou que restrições apresentadas como medidas de proteção às crianças poderiam ser usadas para limitar o acesso a fontes alternativas de informação.
O pacote legislativo mais amplo amplia as justificativas para bloquear temporariamente recursos da internet sem decisão judicial. Entre as justificativas listadas estão insulto e difamação, violações de privacidade, promoção de narcóticos e desinformação que represente ameaça à segurança pública.
Essas disposições vão além do cadastro de contas de crianças. Elas conferem às autoridades poderes mais amplos sobre o acesso à informação on-line, tornando centrais para a aplicação das regras a redação das categorias proibidas e os procedimentos usados para aplicá-las.
Gurbanov também destaca os benefícios do acesso on-line
Em suas declarações de junho, Gurbanov reconheceu que as redes sociais podem ajudar crianças a se comunicar, participar da vida pública, obter apoio social e se expressar. Ele também associou o uso problemático à depressão, ansiedade, cyberbullying e outros efeitos nocivos.
O vice-ministro descreveu a tarefa como proteger as crianças e, ao mesmo tempo, permitir que aproveitem as oportunidades digitais. Segundo ele, isso exigia esforços conjuntos do governo, das empresas de tecnologia, das escolas, dos pais e das próprias crianças.
No fórum de outubro, Gurbanov também abordou a experiência do fechamento das escolas durante a pandemia. O ensino on-line apoiou a educação, disse ele, enquanto a redução do contato presencial criou dificuldades para o desenvolvimento social das crianças.
Suas declarações colocam duas necessidades concretas ao lado das restrições: manter as crianças afastadas de conteúdos nocivos e preservar oportunidades de aprendizado e comunicação. As escolas já aplicam filtros; famílias e plataformas agora se aproximam do prazo de agosto de 2027 para a adoção de um regime muito mais amplo de controle de contas.
Principais pontos
- O acesso ao TikTok é restrito nas escolas do Azerbaijão, afirmou o vice-ministro Firudin Gurbanov em 21 de outubro de 2026.
- As escolas também filtram conteúdos relacionados a crimes, drogas, violência e outros temas nocivos.
- Gurbanov já havia descrito as restrições escolares às comissões parlamentares em 8 de junho.
- As regras nacionais previstas para 5 de agosto de 2027 impedirão menores de 16 anos de abrir contas nas redes sociais designadas.
- O cadastro de usuários de 16 a 18 anos exigirá o consentimento dos pais ou responsáveis legais.
- As plataformas abrangidas estarão sujeitas à verificação de idade, a exigências de cadastro local, a multas e a possíveis restrições de acesso.
- Críticos manifestaram preocupação com categorias de conteúdo pouco claras, o acesso de adolescentes mais velhos e os poderes mais amplos para bloquear informações.






