Alta exposição e lacunas na supervisão da IA
Noventa e três por cento das organizações filipinas entrevistadas pela Cisco sofreram um incidente cibernético que interrompeu os negócios nos 12 meses anteriores, e quase metade enfrentou ataques envolvendo inteligência artificial. Ainda assim, apenas 59% estavam muito confiantes de que conseguiriam detectar e responder caso um agente de IA utilizado por elas fosse comprometido.
Conteúdo
- Alta exposição e lacunas na supervisão da IA
- O que a pesquisa avaliou
- Como a IA está mudando as ameaças
- Equipes têm ferramentas, mas não uma visão compartilhada
- Por que é difícil justificar os gastos com segurança
- A IA também ajuda os defensores a agir mais rápido
- O que os defensores mais fortes fazem de diferente
- Orçamentos maiores exigem decisões mais rápidas
- As datas e os detalhes que ainda faltam
- Principais pontos
Os resultados, divulgados em 19 de outubro de 2026, mostram um país com desempenho acima da média global na avaliação de defesa da Cisco, mas que ainda enfrenta problemas cotidianos: equipes que trabalham isoladas, informações espalhadas por diferentes sistemas e métricas de segurança difíceis de entender para os executivos.
As organizações filipinas obtiveram média de 70 pontos em 100, ante 64 na comparação global. Dezessete por cento se enquadraram na categoria mais forte da Cisco, chamada de Defensores Incansáveis, mais que o dobro da proporção global, de 8%.
As conclusões sobre defesa incansável da Cisco situam esses resultados em um problema mais amplo: atacantes e defensores estão adotando IA, mas as organizações muitas vezes têm dificuldade para coordenar as pessoas responsáveis por usá-la e controlá-la.
O que a pesquisa avaliou
A pesquisa abrangeu 8 mil profissionais de segurança em 30 mercados. A Satori Experience conduziu o levantamento em abril e maio de 2026, com abordagem duplo-cega, e a Sandpiper concluiu a análise e o relatório. Diretores de segurança da informação representaram 27% dos entrevistados.
A Cisco avaliou as organizações em três áreas: cobertura, ou seja, o grau de proteção dos sistemas; velocidade, isto é, a rapidez com que implementam controles e respondem; e atrito, que corresponde às barreiras internas que atrasam as ações. O atrito representou metade da pontuação, enquanto cobertura e velocidade corresponderam a um quarto cada.
Seis em cada dez profissionais disseram que uma barreira organizacional, e não uma limitação técnica, teria sido o fator que mais melhoraria a resposta a um incidente recente. Por isso, a pesquisa atribui peso considerável à forma como as pessoas trabalham em conjunto, além das ferramentas que utilizam.
Como a IA está mudando as ameaças
Os entrevistados filipinos relataram uma prevalência de incidentes disruptivos maior que a da amostra global: 93%, ante 91%. No mundo, segundo a Cisco, 35% envolveram um ataque relacionado à IA, em comparação com quase metade no resultado das Filipinas.
A IA pode ajudar atacantes a produzir mensagens convincentes, examinar softwares em busca de vulnerabilidades e automatizar etapas de uma campanha. Assim, um ataque que envolva IA pode recorrer a métodos conhecidos executados com mais rapidez ou em maior escala, e não necessariamente a um tipo de invasão totalmente novo.
Os agentes de IA geram outra preocupação porque podem executar tarefas e realizar ações por meio de softwares conectados. Um agente de segurança pode examinar alertas ou ajudar a investigar atividades suspeitas. Se for comprometido, o acesso e as permissões que possui passam a fazer parte do problema que a equipe de segurança precisa conter.
A confiança dos entrevistados filipinos na capacidade de detectar e responder ao comprometimento de um agente ficou cinco pontos percentuais acima do índice global de 54%. Mesmo assim, 41% dos entrevistados locais não faziam parte do grupo que declarou ter confiança muito alta, o que deixa uma parcela significativa insegura quanto à gestão desse risco.
Equipes têm ferramentas, mas não uma visão compartilhada
Apenas 41% dos entrevistados filipinos disseram que as equipes de segurança, redes e TI trabalhavam de forma coordenada, com visibilidade e ferramentas compartilhadas. Em um recorte mais restrito, que abrange equipes de cibersegurança e redes, o índice foi de 43%.
Essas áreas lidam com diferentes partes de um mesmo incidente. A equipe de segurança pode identificar comportamentos suspeitos, a de redes pode precisar restringir conexões e a de TI talvez tenha de restaurar sistemas afetados. Informações compartilhadas e responsabilidades bem definidas ajudam a coordenar essas ações.
Trinta e sete por cento dos entrevistados filipinos disseram que informações importantes passaram despercebidas porque os dados continuavam inacessíveis. Outros 32% gastaram mais tempo reunindo e conciliando informações entre sistemas do que enfrentando ameaças. Na prática, os profissionais dedicavam um tempo valioso da resposta a montar um quadro do que havia acontecido.
Entre as conclusões publicadas pela Cisco estava o relato de um diretor de segurança filipino, não identificado, que descreveu a fragmentação das informações durante a primeira hora de um incidente. O diretor defendeu uma comunicação centralizada e um registro único compartilhado para apoiar decisões mais rápidas.
Por que é difícil justificar os gastos com segurança
Cinquenta e três por cento dos entrevistados filipinos disseram que as métricas de segurança eram técnicas demais para convencer os executivos. Vinte e oito por cento tinham dificuldade para transformar métricas de negócios em informações capazes de influenciar decisões, enquanto 13% não dispunham de uma forma consistente de medir o desempenho da segurança.
Equipes de segurança e lideranças empresariais muitas vezes precisam responder a perguntas diferentes. A equipe técnica pode contabilizar alertas ou vulnerabilidades de software. Já os executivos que decidem os orçamentos precisam entender como um investimento pode reduzir interrupções, proteger serviços importantes ou ajudar a empresa a se recuperar mais rapidamente.
Os resultados globais da Cisco mostram um problema de comunicação semelhante. Quarenta e três por cento disseram que suas métricas eram técnicas demais para influenciar os executivos, e 36% tinham dificuldade para traduzir dados de segurança em impacto para os negócios. Outros 27% não dispunham de uma forma consistente de medir o desempenho com precisão.
Os dados das Filipinas revelam uma dificuldade específica para tornar as informações técnicas úteis à gestão, embora menos entrevistados locais tenham relatado não possuir um sistema de medição. Ter dados disponíveis e usá-los para tomar decisões são tarefas distintas.
A IA também ajuda os defensores a agir mais rápido
Mais de nove em cada dez profissionais de segurança filipinos relataram melhorias de pelo menos 25% na detecção e resposta a ameaças com o uso de IA. Mais de um terço afirmou que a IA reduziu substancialmente sua carga de trabalho operacional.
Os resultados globais do relatório completo da pesquisa da Cisco também mostram ganhos entre os entrevistados que implementaram recursos de segurança com IA. Oitenta e sete por cento relataram melhorias de pelo menos 25% na velocidade de detecção, enquanto 85% registraram avanços desse porte na resposta e na correção, ou seja, no trabalho de conter um incidente e reparar seus efeitos.
A IA pode ajudar a organizar alertas, relacionar atividades e realizar etapas repetitivas de investigação. Para uma equipe que passa boa parte do tempo reunindo informações, reduzir essa carga de trabalho pode liberar os profissionais para decidir quais ameaças exigem atenção imediata.
A implementação ampla de agentes de IA em operações de segurança nas Filipinas foi de 42%. Preocupações com a exposição de informações confidenciais, o comprometimento de sistemas e o tratamento de dados por fornecedores externos continuaram limitando a adoção.
No mundo, 41% apontaram a exposição de dados confidenciais como uma das principais preocupações de segurança relacionadas à IA, 40% temiam o comprometimento de sistemas de IA e 37% citaram a segurança e o tratamento de dados por fornecedores externos. Essas preocupações explicam por que as organizações querem controles mais rigorosos sobre o que os agentes podem acessar e fazer.
O que os defensores mais fortes fazem de diferente
Apenas 8% das organizações do mundo entraram na categoria de Defensores Incansáveis da Cisco. Os demais grupos foram Defensores Estabelecidos, com 39%; Defensores Reativos, com 41%; e Defensores Expostos, com 12%. As categorias refletem diferentes combinações de proteção, velocidade de resposta e coordenação interna.
Nas Filipinas, 17% dos entrevistados foram classificados na categoria mais forte, nove pontos percentuais acima da proporção global. A pontuação média de defesa do país também foi seis pontos maior: 70, ante 64.
Os resultados globais da Cisco associam um desempenho mais forte a operações coordenadas e a um controle mais rigoroso da IA. Os dados publicados on-line indicam que a implementação ampla de agentes de IA foi de 30% entre os Defensores Incansáveis, ante 14% entre os demais. A medida do relatório completo, que considera especificamente a implementação em operações de segurança, registra índices mais altos: 65% e 30%.
As mesmas publicações apresentam números diferentes sobre coordenação. Os dados on-line dizem que 39% dos Defensores Incansáveis trabalham como uma única equipe, em comparação com 19% no total global; já o relatório completo aponta coordenação entre segurança, redes e TI em 83% do grupo mais forte e em 37% das demais organizações.
O relatório completo da Cisco também afirma que 77% dos Defensores Incansáveis estavam muito confiantes na capacidade de detectar e responder ao comprometimento de um agente de IA, ante 51% das outras organizações. Controles abrangentes para agentes, contas de serviço e sistemas automatizados foram relatados por 86% do grupo mais forte, contra 41% no total global.
Orçamentos maiores exigem decisões mais rápidas
Entre as organizações que aumentaram os gastos com segurança, 71% dos Defensores Incansáveis relataram menos incidentes. O índice foi de 41% na amostra global e de 39% entre as demais organizações. Outros 45% dos entrevistados no mundo disseram que os incidentes aumentaram ou permaneceram no mesmo nível apesar do aumento dos gastos.
As conclusões da Cisco chamam atenção para o que acontece depois da aprovação de uma compra. No mundo, apenas 21% disseram conseguir implementar totalmente um novo controle de segurança em até seis meses após a liberação do orçamento e da aprovação. Quatorze por cento conseguiam atualizar os controles em tempo real diante de uma nova ameaça, enquanto outros 26% podiam fazer isso em até 24 horas.
Um controle é uma medida de proteção, como restringir o acesso ou bloquear atividades suspeitas. A demora para colocá-lo em operação mantém as equipes de segurança à espera, mesmo quando a empresa já concordou em pagar pela proteção.
Zaza Soriano-Nicart, diretora-geral da Cisco Filipinas, disse que as empresas precisavam incorporar a segurança às operações cotidianas e eliminar barreiras entre as equipes:
As organizações que permanecerem à frente serão aquelas que incorporarem a segurança à forma como operam, tratarem-na como mais do que um exercício de conformidade e eliminarem os silos operacionais para que as pessoas certas possam tomar as decisões certas no momento certo.
As recomendações da Cisco incluem definir quem tem autoridade para tomar decisões antes de um incidente, oferecer às equipes uma visão compartilhada das informações de segurança e ensaiar planos de resposta. A empresa também recomenda limitar a automação inicial a tarefas definidas, permitindo que a IA cuide de trabalhos repetitivos enquanto as pessoas continuam responsáveis pelas decisões sensíveis.
As datas e os detalhes que ainda faltam
A pesquisa descreve experiências nos 12 meses anteriores à realização do levantamento, cuja coleta de dados e divulgação ocorreram com vários meses de intervalo:
- 12 meses anteriores: Os entrevistados descreveram incidentes cibernéticos disruptivos e sua experiência com o uso de IA na defesa.
- Abril e maio de 2026: A Satori Experience entrevistou 8 mil profissionais de segurança em 30 mercados.
- 19 de outubro de 2026: Foram divulgados os resultados das Filipinas, incluindo a pontuação do país, de 70 em 100.
Os resultados das Filipinas não informam a porcentagem exata de ataques envolvendo IA nem o total de perdas financeiras locais. Também não identificam as empresas afetadas. A metodologia publicada informa o tamanho da amostra global, mas não o número de entrevistados filipinos.
Para as empresas filipinas, o desafio concreto é transformar capacidades avaliadas como relativamente fortes em ações mais rápidas: menos registros inacessíveis, responsabilidades mais claras durante os incidentes e controles capazes de acompanhar os sistemas de IA que estão sendo introduzidos.
Principais pontos
- Noventa e três por cento das organizações filipinas entrevistadas sofreram um incidente cibernético disruptivo nos 12 meses anteriores; quase metade enfrentou ataques envolvendo IA.
- Apenas 59% estavam muito confiantes de que conseguiriam detectar e responder ao comprometimento de um agente de IA.
- As Filipinas obtiveram 70 pontos em 100, acima da média global de 64, e 17% das organizações do país ficaram na categoria mais forte da Cisco.
- Quarenta e um por cento relataram equipes coordenadas de segurança, redes e TI; 32% gastaram mais tempo reunindo informações do que enfrentando ameaças.
- Mais de nove em cada dez profissionais filipinos relataram melhorias de pelo menos 25% na detecção e resposta com o uso de IA.
- A Cisco recomenda definir melhor a autoridade para tomar decisões, compartilhar informações de segurança, praticar planos de resposta e manter a automação sob controle.






