2.360 terrenos passam por escrutínio nacional
A Tailândia identificou 2.360 terrenos avaliados em 14,01 bilhões de baht, cerca de US$ 417 milhões, em uma ofensiva nacional contra esquemas suspeitos que usam tailandeses como laranjas para manter propriedades em nome de estrangeiros. O primeiro-ministro Anutin Charnvirakul lançou a operação em 19 de outubro de 2026 e determinou que as investigações cheguem a conclusões em cada caso até dezembro.
Conteúdo
- 2.360 terrenos passam por escrutínio nacional
- Quem realmente controla as terras?
- As regras de propriedade por trás da ofensiva
- Prazo para as investigações termina em dezembro
- Vendas forçadas devem transferir as terras a um novo proprietário de fato
- Novas verificações vão rastrear a origem dos recursos
- Órgãos vão cruzar registros financeiros e de propriedade
- Fiscalização fundiária e preocupações com o turismo
- Governo promete proteger funcionários e prestar contas à população
- Principais pontos
O diretor-geral do Departamento de Terras, Somchai Leelanoi, afirmou que os terrenos estavam ligados a 1.397 procuradores e abrangiam 5.467 rai, aproximadamente 875 hectares. As autoridades planejam exigir a venda de terras que tenham sido adquiridas ilegalmente, iniciar ações civis e criminais e reforçar a fiscalização de novas compras.
Anutin, que também ocupa o cargo de ministro do Interior, definiu três tarefas interligadas: concluir as investigações, garantir que as vendas compulsórias realmente mudem quem controla as terras e impedir novos esquemas com laranjas. Governadores provinciais e funcionários de órgãos fundiários foram orientados a priorizar os casos de maior risco e encaminhar indícios de irregularidades mais amplas aos órgãos responsáveis.
A campanha vai além dos nomes registrados nos documentos dos imóveis. Os investigadores devem rastrear o dinheiro usado nas compras, a propriedade das empresas e as pessoas que recebem os benefícios, incluindo eventuais redes apoiadas por autoridades locais corruptas.
Quem realmente controla as terras?
Um laranja é alguém cujo nome aparece como proprietário, enquanto outra pessoa fornece o dinheiro ou exerce o controle efetivo. Nos esquemas investigados, uma pessoa ou empresa tailandesa aparece como proprietária das terras no papel para beneficiar um estrangeiro que busca contornar as restrições à propriedade.
Anutin afirmou que a investigação deve chegar às pessoas que tomam as decisões e recebem os benefícios financeiros. O primeiro-ministro descreveu o alcance da apuração:
Esta investigação não deve se limitar aos nomes dos titulares dos documentos de propriedade ou dos acionistas das empresas; é preciso ir mais fundo para identificar quem realmente exerce o controle, os responsáveis pelas decisões nos bastidores e os beneficiários finais,
Beneficiário final é a pessoa que, em última instância, controla um ativo ou usufrui de seus benefícios, mesmo quando há várias empresas ou pessoas entre ela e o proprietário registrado. Para identificá-la, os investigadores precisam cruzar os registros de propriedade com informações sobre o dinheiro e a tomada de decisões.
As regras de propriedade por trás da ofensiva
Em geral, a Tailândia proíbe que estrangeiros e empresas estrangeiras sejam proprietários de terras, mas prevê exceções, entre elas a propriedade autorizada pelo Conselho de Investimentos segundo as regras de promoção de investimentos. O governo afirma que investimentos estrangeiros legais continuam sendo bem-vindos.
Uma sociedade limitada com a maioria das ações em mãos de cidadãos tailandeses pode comprar terras. Os investigadores apuram se esses acionistas tailandeses são de fato donos de suas participações e exercem controle sobre elas ou se estão servindo de intermediários para beneficiários estrangeiros. Por isso, a origem dos recursos usados na compra e a forma como a empresa opera são centrais para a investigação.
Ao falar como primeiro-ministro, Anutin acompanhou a ordem de fiscalização de uma mensagem aos investidores que cumprem a legislação tailandesa:
A Tailândia continua aberta e acolhedora a investimentos estrangeiros honestos e transparentes, que respeitem a legislação tailandesa e os direitos concedidos pelas regras de promoção de investimentos,
Para as empresas que compram imóveis, a consequência prática é uma fiscalização mais rigorosa tanto dos acionistas quanto da origem dos recursos. O registro de acionistas será analisado junto com documentos que comprovem de onde veio o dinheiro.
Prazo para as investigações termina em dezembro
O Departamento de Terras e os governadores provinciais devem organizar as investigações por ordem de prioridade, estabelecer cronogramas claros e chegar a uma conclusão em cada caso até dezembro de 2026. Anutin afirmou que o sucesso deve ser medido pela conclusão dos casos e pela eficácia da fiscalização, e não apenas pelo número de suspeitas identificadas.
O cronograma anunciado distingue o início da campanha de seu principal prazo para as investigações:
- 19 de outubro de 2026: Anutin lançou a operação nacional, que reúne investigações, vendas compulsórias e medidas para impedir novos casos de propriedade por meio de laranjas.
- Dezembro de 2026: O Departamento de Terras e os governadores provinciais devem concluir as investigações e chegar a decisões em cada caso.
Os funcionários devem encaminhar indícios de redes de laranjas ou de outros delitos aos órgãos com autoridade para aprofundar as investigações. Não foi estabelecido um prazo separado para concluir todas as vendas compulsórias nem os processos civis e criminais decorrentes delas.
Vendas forçadas devem transferir as terras a um novo proprietário de fato
A venda compulsória é a segunda etapa da operação. Quando uma investigação constatar propriedade ilegal, as autoridades pretendem exigir a venda da terra e fiscalizar a transferência. O governo afirmou em comunicado:
O departamento vai acelerar a venda forçada de terras em casos considerados ilegais e dará andamento a medidas judiciais tanto na esfera civil quanto na criminal,
Os funcionários também foram orientados a analisar os compradores e seu comportamento. Anutin quer impedir que as terras passem de um laranja para outro enquanto o mesmo beneficiário estrangeiro continua no controle.
Por isso, verificar a origem dos recursos do novo proprietário faz parte da fiscalização, assim como examinar o titular atual. Caso contrário, a transferência poderia mudar o nome na escritura sem desfazer o esquema por trás dela.
Anutin afirmou que vendas compulsórias bem-sucedidas poderiam devolver mais de 10 bilhões de baht à circulação e restabelecer a justiça para a população. A avaliação de 14,01 bilhões de baht feita pelo Departamento de Terras se refere às propriedades identificadas na campanha; o valor efetivamente obtido nas vendas dependerá dos casos e das transações realizadas.
Novas verificações vão rastrear a origem dos recursos
Somchai afirmou que pessoas que comprarem terras por mais de 2 milhões de baht, ou imóveis com valor avaliado acima de 5 milhões de baht, passarão por verificações de antecedentes. O preço de compra é o valor acordado entre comprador e vendedor, enquanto o valor avaliado é aquele registrado para o imóvel.
Cidadãos tailandeses casados com estrangeiros terão de comprovar que o dinheiro usado na compra da terra pertence ao cônjuge tailandês. Essa exigência coloca a titularidade dos recursos no centro da fiscalização, junto com o nome registrado no título da propriedade.
Empresas que comprarem imóveis estarão sujeitas à verificação dos acionistas e das fontes de recursos e terão de apresentar documentos comprobatórios conforme as leis fundiárias da Tailândia. Essas exigências fornecem aos funcionários informações que podem ser comparadas com registros corporativos e rastros financeiros.
A fiscalização continuará antes e depois do registro dos direitos sobre as terras. As autoridades também foram instruídas a acompanhar mudanças na estrutura acionária das empresas, já que o controle pode mudar por meio de uma transação societária depois que a empresa adquire terras.
Órgãos vão cruzar registros financeiros e de propriedade
Os investigadores devem cruzar informações de órgãos de segurança pública, autoridades fiscais, registros empresariais e serviços de imigração. O objetivo é relacionar pessoas mencionadas em diferentes registros e rastrear as redes por trás das propriedades suspeitas.
Anutin pediu que os órgãos compartilhem informações sobre empresas, acionistas, fontes de recursos, uso das terras, rastros financeiros e beneficiários finais. O uso das terras é relevante porque pode ajudar os investigadores a entender como um imóvel se encaixa em uma atividade empresarial e quem se beneficia dela.
A investigação também abrange possíveis casos de corrupção envolvendo autoridades locais. Anutin elogiou a cooperação entre a Polícia Real Tailandesa, o Departamento de Administração Provincial, o Escritório de Prevenção e Combate à Lavagem de Dinheiro e o Departamento de Investigação Especial, além de outros órgãos.
A operação mais ampla mira empresas ilegais envolvidas em sonegação fiscal e lavagem de dinheiro, além de casos de uso de laranjas na propriedade de terras. Anutin também mencionou um comunicado do Gabinete do Primeiro-Ministro sobre a deportação de pessoas consideradas indesejáveis e a revogação da cidadania de pessoas envolvidas em lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Ele situou a campanha fundiária ao lado das ações do governo contra drogas, jogos de azar, tráfico de pessoas, golpes e corrupção.
Fiscalização fundiária e preocupações com o turismo
Phuket está entre os lugares onde cresceu a preocupação com a compra de imóveis por estrangeiros. Protestos recentes sobre o comportamento de visitantes e receios quanto à propriedade em centros turísticos aumentaram a pressão pública por medidas de fiscalização.
O turismo respondeu por 12,6% do produto interno bruto da Tailândia em 2025, segundo o Conselho Mundial de Viagens e Turismo, que prevê que essa participação se aproxime de 20% até 2036. O produto interno bruto mede o valor dos bens e serviços produzidos em uma economia.
Esses números mostram a dimensão do interesse econômico da Tailândia em manter a confiança de visitantes e investidores que cumprem a lei. Também ajudam a explicar as duas mensagens de Anutin: aplicar as restrições à propriedade contra infratores e tratar com justiça os investidores que respeitam as regras.
A investigação fundiária é nacional e abrange aproximadamente 875 hectares em todo o país. Por isso, os governadores provinciais têm papel central na aplicação das mesmas orientações em regiões com diferentes mercados imobiliários e atividades empresariais.
Governo promete proteger funcionários e prestar contas à população
Anutin orientou governadores e funcionários dos órgãos fundiários a agir com firmeza, transparência e de acordo com os princípios da boa governança. Ele afirmou que pessoas influentes não devem impedir a aplicação da lei e prometeu apoiar os funcionários que cumprirem seus deveres com honestidade, inclusive protegendo-os contra ameaças ou intimidação.
O governo pretende usar as conclusões dos casos atuais para reforçar as verificações futuras, explicar os critérios aplicáveis, abrir canais para denúncias da população e divulgar regularmente os resultados da fiscalização. Essas divulgações permitiriam que a população acompanhasse os casos para além do anúncio inicial das suspeitas.
O teste imediato é saber se os investigadores conseguirão chegar às conclusões exigidas até dezembro e aplicar medidas efetivas contra as propriedades ilegais. As etapas seguintes dependerão do andamento dos processos, da realização das vendas e da verificação de que os novos compradores são os verdadeiros proprietários.
Principais pontos
- As autoridades identificaram 2.360 terrenos avaliados em 14,01 bilhões de baht, ligados a 1.397 procuradores em toda a Tailândia.
- As terras abrangem 5.467 rai, aproximadamente 875 hectares.
- Anutin determinou que as investigações cheguem a conclusões em cada caso até dezembro de 2026.
- Terras consideradas de propriedade ilegal poderão ser vendidas compulsoriamente, além de serem alvo de ações civis e criminais.
- Os compradores estarão sujeitos a verificações mais rigorosas sobre a origem dos recursos, os acionistas e o controle efetivo.
- Os funcionários devem examinar os novos compradores para impedir transferências entre laranjas.
- O governo afirma que investimentos estrangeiros legais continuam sendo bem-vindos, inclusive a propriedade permitida pelas regras de promoção de investimentos.






