Sepang tem apoio, mas a Malásia ainda precisa tomar uma decisão
A Malásia avalia um retorno regular da Fórmula 1 após o Grande Prêmio do Bahrein, realizado em Sepang de 2 a 4 de outubro de 2026, ter gerado um impacto econômico estimado em quase RM950 milhões, segundo o Ministério da Juventude e dos Esportes. A Mercedes quer voltar a correr no circuito, empresas de iluminação afirmam que uma prova noturna é tecnicamente viável, e a expectativa é que uma avaliação do governo chegue ao gabinete até novembro.
Conteúdo
- Sepang tem apoio, mas a Malásia ainda precisa tomar uma decisão
- Como a corrida do Bahrein trouxe a F1 de volta
- Por que a Mercedes quer voltar
- O que seria necessário para uma corrida noturna
- As condições financeiras seriam diferentes para uma corrida regular
- O que mostram os números de impacto econômico e público
- Torcedores enfrentaram dificuldades para voltar para casa
- Malásia e Singapura poderiam se beneficiar juntas?
- Malásia entra em uma disputa acirrada na Ásia
- Principais pontos
A decisão vai além de recolocar os carros em um circuito popular. O Bahrein pagou as taxas pelos direitos de sediar a prova transferida, o que deu à Malásia condições financeiras que seriam diferentes em um acordo permanente. Os ministros consideram realizar um evento anual ou uma corrida a cada poucos anos, possivelmente em parceria com outro país.
Bradley Lord, vice-chefe da equipe Mercedes, comemorou a possibilidade de retorno depois que milhares de torcedores compareceram a uma aparição da equipe nas Torres Gêmeas Petronas, em Kuala Lumpur. Ao falar durante o fim de semana do Grande Prêmio de Singapura, ele disse que a Malásia parece um pouco uma corrida em casa para a equipe, cujo patrocinador principal e parceiro técnico é a Petronas.
"Para nós, a Malásia parece um pouco uma corrida em casa. Adoraríamos voltar. Talvez também peçamos que recapeiem o circuito. Seria incrível voltar", disse.
O próximo passo da Malásia é uma análise governamental dos custos, da infraestrutura e dos retornos econômicos recorrentes. Uma possível corrida noturna faz parte dessa decisão mais ampla: primeiro, os organizadores precisam decidir que tipo de evento querem realizar e como vão financiá-lo.
Como a corrida do Bahrein trouxe a F1 de volta
A Fórmula 1 e a FIA anunciaram a transferência da prova em 26 de julho de 2026, após o conflito no Oriente Médio. O anúncio conjunto do calendário colocou o Grande Prêmio do Bahrein de Fórmula 1 Gulf Air na Malásia, entre as etapas do Azerbaijão e de Singapura, sem alterações no restante da programação.
O anúncio de julho condicionou a realização do evento a acordos definitivos e à aprovação oficial, incluindo a do Conselho Mundial do Esporte a Motor. O comunicado descreveu um acordo entre a Fórmula 1, a FIA e os governos do Bahrein e da Malásia para manter uma corrida que, de outra forma, não teria acontecido.
O príncipe herdeiro e primeiro-ministro do Bahrein, Salman bin Hamad Al Khalifa, afirmou que a mudança refletia o compromisso duradouro de seu país com o esporte. O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, destacou a infraestrutura, a capacidade operacional e a preparação do país para receber equipes e torcedores.
As principais datas mostram como uma prova substituta deu origem a uma discussão sobre um retorno mais duradouro:
- 1999 a 2017: Sepang sediou 19 Grandes Prêmios da Malásia consecutivos.
- 26 de julho de 2026: a Fórmula 1 e a FIA anunciaram a Malásia como sede substituta do Grande Prêmio do Bahrein.
- 2 a 4 de outubro de 2026: Sepang recebeu o fim de semana da corrida transferida.
- 9 a 11 de outubro de 2026: Singapura sediou o fim de semana do Grande Prêmio seguinte.
- 15 de outubro de 2026: o ministro dos Esportes da Malásia disse ao Parlamento que as discussões sobre sediar provas regularmente ainda estavam em estágio inicial.
- Novembro de 2026: espera-se que uma avaliação do governo seja enviada ao gabinete antes da decisão sobre um possível retorno.
Por que a Mercedes quer voltar
Lord disse que a Mercedes teve um fim de semana agradável na Malásia, apesar do resultado decepcionante. A recepção em Kuala Lumpur se destacou: colegas da Petronas lhe disseram que a aparição da equipe havia paralisado a cidade.
A Mercedes também tem uma história esportiva em Sepang. O anúncio da corrida em Sepang relembrou a vitória de Lewis Hamilton partindo da pole position em 2014 e o terceiro lugar de Nico Rosberg em 2010, o primeiro pódio da equipe após seu retorno à Fórmula 1 naquele ano.
A equipe conquistou uma vitória em suas oito participações no Grande Prêmio da Malásia antes de o circuito sair do calendário. Sepang também foi palco de um momento doloroso na disputa pelo título em 2016, quando o motor de Hamilton falhou enquanto ele liderava a corrida, a 15 voltas do fim. Rosberg acabou conquistando o título de pilotos naquela temporada.
George Russell descreveu Sepang como um de seus circuitos favoritos para pilotar no simulador, enquanto Kimi Antonelli demonstrou vontade de correr lá. O entusiasmo dos dois conecta uma geração mais nova de pilotos a um circuito cujo último Grande Prêmio, vencido por Max Verstappen em 2017, foi realizado antes de qualquer um deles chegar ao grid da F1.
O que seria necessário para uma corrida noturna
As Tempelman, diretor-executivo da Signify, afirmou que a tecnologia de iluminação poderia viabilizar uma corrida noturna na Malásia. Seu ponto de partida, porém, foi uma decisão dos organizadores e das autoridades sobre o que esperam do evento.
Tempelman disse confiar que sua empresa poderia desenvolver um sistema adequado caso a Malásia decidisse seguir adiante.
"Arrisco dizer que a tecnologia não será um obstáculo. Então, é claro, se houver uma corrida noturna na Malásia, tenho certeza de que poderemos encontrar soluções. Não tenho nenhuma dúvida", disse.
Roberto Grilli, gerente-geral da DZ Engineering, também demonstrou interesse em propor uma solução usando a tecnologia da Signify. As empresas trabalham juntas com iluminação para o automobilismo desde a primeira corrida noturna de Fórmula 1 em Singapura, em 2008, e participaram de projetos em Las Vegas e em provas da Fórmula E em Diriyah e Londres.
Singapura oferece um exemplo concreto de modernização: os refletores Philips ArenaVision LED instalados em Marina Bay em 2023 reduziram em 30% o consumo de energia para iluminação em comparação com o sistema anterior de lâmpadas de iodetos metálicos. Em termos simples, o sistema novo usou cerca de 70 unidades de eletricidade para cada 100 consumidas pela iluminação antiga.
As necessidades de Sepang exigiriam um projeto e um orçamento próprios. Nenhum projeto de iluminação, custo ou cronograma de obras foi aprovado ou anunciado. A sugestão de Lord de que talvez seja necessário recapear a pista acrescenta outro possível item à avaliação da infraestrutura.
As condições financeiras seriam diferentes para uma corrida regular
O Bahrein pagou as taxas pelos direitos de sediar a prova de outubro por meio de uma parceria com o Circuito Internacional de Sepang, segundo o Ministério da Juventude e dos Esportes da Malásia. Reportagens estimaram a taxa em cerca de US$ 50 milhões, valor coberto em grande parte ou integralmente pelo Bahrein.
A Malásia gastou cerca de RM16 milhões para modernizar o circuito para a prova substituta. As taxas anuais de hospedagem cobradas no passado ultrapassavam RM300 milhões, mais de 18 vezes o valor gasto nessa modernização. Um futuro acordo com a Malásia precisaria incluir no orçamento os direitos de sediar a prova, além das obras no circuito e dos custos operacionais do evento.
Mohammed Taufiq Johari, ministro da Juventude e dos Esportes, disse ao Parlamento que o governo precisava avaliar tanto a dimensão das despesas quanto a possibilidade de obter retornos econômicos semelhantes de forma recorrente.
"Sediar a F1 não é barato. Envolve custos bastante elevados, e há vários aspectos importantes que precisamos avaliar", disse.
Um comitê com representantes de todos os ministérios e o secretário-chefe do governo está avaliando a proposta. Taufiq disse que a responsabilidade não deveria ficar apenas com o Ministério da Juventude e dos Esportes e Sepang, pois os benefícios alcançam outros setores da economia.
Entre as opções da Malásia estão sediar uma corrida todos os anos ou compartilhar um acordo que traga a prova uma vez a cada poucos anos. O relatório previsto para novembro servirá de base para a decisão do gabinete. Após o fim de semana em Sepang, Anwar também disse ter conversado sobre um retorno permanente com Stefano Domenicali, presidente e diretor-executivo da Fórmula 1, embora tenha reconhecido os compromissos já existentes no calendário.
O que mostram os números de impacto econômico e público
O Ministério da Juventude e dos Esportes estimou o impacto econômico em quase RM950 milhões após o evento. O Hong Leong Investment Bank havia projetado anteriormente até RM1,3 bilhão, o que coloca a estimativa posterior do ministério cerca de RM350 milhões abaixo dessa previsão.
Impacto econômico descreve a atividade em diferentes setores, como hospedagem, transporte, restaurantes e fornecedores. A arrecadação do governo e as finanças do organizador do evento são partes distintas da avaliação orçamentária. Para os ministros, a tarefa prática é comparar os gastos públicos com os benefícios distribuídos entre essas empresas e seus trabalhadores.
O ministério informou cerca de 261 mil visitas de espectadores ao longo do fim de semana, incluindo uma estimativa de 103 mil no dia da corrida; outras reportagens apontaram mais de 110 mil pessoas nesse dia. O ministério também mencionou mais de 97 mil ingressos vendidos, mais de 50 mil turistas internacionais e aproximadamente 5 mil trabalhadores estrangeiros que chegaram para o evento.
Um espectador que comparece em vários dias contribui com várias visitas para o total do fim de semana. Portanto, a venda de ingressos, o público diário e a chegada de visitantes internacionais medem aspectos diferentes do alcance do evento.
O ministério também citou dados da Formula 1 Management, segundo os quais a transmissão mundial do campeonato alcançou 827 milhões de espectadores. A avaliação identificou o turismo, a hotelaria, a aviação e pequenas empresas malaias entre os setores beneficiados pelo fluxo internacional.
Torcedores enfrentaram dificuldades para voltar para casa
O grande público de Sepang também expôs problemas que os organizadores de um futuro evento precisariam resolver. Segundo relatos, torcedores caminharam até 11 quilômetros depois que os serviços de ônibus pararam, enquanto as zonas de exclusão para carros de aplicativo dificultaram a busca por alternativas de transporte.
Os organizadores do Bahrein cuidaram da operação da prova transferida. O circuito que costumam usar recebe cerca de 55 mil torcedores por dia, em comparação com mais de 100 mil em Sepang no dia da corrida. O evento na Malásia exigiu o gerenciamento de aproximadamente o dobro do público habitual, além de vias e acessos diferentes.
Relatos descreveram longas filas por água, pontos de reabastecimento que ficaram sem água e o envio de até 50 ambulâncias ao circuito na sexta-feira. Uma área de shows projetada para receber cerca de 10 mil pessoas teria atraído mais de 50 mil, gerando forte pressão sobre o público.
Para quem volta a assistir a uma corrida, a atração de outro Grande Prêmio dependeria em parte de conseguir chegar ao circuito com segurança, encontrar água potável e ir embora sem horas de incerteza. Esses serviços continuariam sendo essenciais, tanto durante o dia quanto sob refletores.
Sepang recebe regularmente provas da MotoGP sem relatos de problemas semelhantes. Uma futura operação na Malásia teria mais tempo para ser planejada em função das vias locais, das empresas de transporte e da capacidade real do circuito do que uma prova substituta organizada em caráter emergencial.
Malásia e Singapura poderiam se beneficiar juntas?
O calendário de outubro colocou Malásia e Singapura em fins de semana consecutivos. Isso abre a possibilidade de visitantes combinarem dois eventos em uma única viagem pela região, embora os custos de viagem e dos ingressos limitem o número de torcedores que conseguem ir aos dois.
Samer Elhajjar, professor sênior de marketing da Escola de Negócios da Universidade Nacional de Singapura, sugeriu que as duas corridas poderiam ampliar juntas o público regional. A prova de Singapura passa pelo centro da cidade à noite; Sepang oferece um circuito permanente, com curvas rápidas, zonas de frenagem intensa e clima tropical.
Dados da empresa de pagamentos Adyen sobre a semana da corrida de 2025 em Singapura dão uma ideia da oportunidade comercial. Visitantes de outros países responderam por 76% da receita dos hotéis, enquanto a receita hoteleira ficou 24% acima da de uma semana típica no segundo semestre daquele ano. As vendas no varejo subiram 27% durante o fim de semana da corrida, e a receita com alimentos e bebidas aumentou até 31%.
William Saunders, chefe da área de F1 na agência de marketing MKTG, também apontou a disputa pelos orçamentos de patrocínio. As empresas podem escolher entre investir em ações promocionais em Kuala Lumpur ou em Singapura quando os eventos acontecem em datas próximas. Ele sugeriu que uma prova em março poderia tornar a Malásia mais atraente ao separar esses compromissos ao longo do ano.
Matthew Marsh, fundador da EDJ Motorsport, argumentou que a abordagem anterior da Malásia dava peso excessivo à receita com ingressos, em vez de considerar a visibilidade mais ampla do país. Ele continuou cético quanto a um retorno permanente, pois um calendário cheio e outros países dispostos a pagar taxas elevadas tornariam as condições comerciais exigentes.
Malásia entra em uma disputa acirrada na Ásia
A Fórmula 1 está avaliando o interesse da Malásia, da Tailândia, do Vietnã e da Coreia do Sul. Em 2025, o gabinete da Tailândia aprovou uma candidatura de 40 bilhões de baht, cerca de US$ 1,2 bilhão, para uma corrida em Bangcoc prevista para 2028.
Espera-se que a Ásia sedie nove corridas em 2027, ante oito na Europa, após o retorno do Grande Prêmio da Turquia. A Malásia tentaria conseguir espaço em uma região que já atrai grande interesse e investimentos.
Uma fonte familiarizada com as discussões sobre o calendário afirmou que 2030 seria o primeiro ano possível para um retorno regular a Sepang, considerando os acordos existentes. O governo da Malásia não anunciou um ano para o retorno. Ao relatar sua conversa com Domenicali, Anwar também apontou o calendário cheio e os contratos com os atuais anfitriões como obstáculos.
Lord comemorou a possibilidade de a Tailândia entrar no calendário, embora tenha reconhecido o investimento e o compromisso necessários. Ele também apoiou os esforços da Índia para voltar ao Circuito Internacional Buddh, perto de Nova Délhi, em 2028, descrevendo o antigo local como um circuito e uma estrutura excelentes.
A Índia está tentando resolver questões tributárias e regulatórias depois que seu Grande Prêmio saiu do calendário após a edição de 2013. Os acordos para sediar provas são decididos pela administração da Fórmula 1; assim, o entusiasmo das equipes ajuda a apoiar uma candidatura, enquanto governos e organizadores negociam as condições práticas.
Para a Malásia, a avaliação de novembro é o próximo passo concreto. O gabinete terá de decidir se os gastos dos visitantes, o interesse do público e a exposição internacional justificam um compromisso recorrente, além de definir quais melhorias os torcedores devem receber em troca.
Principais pontos
- A Mercedes apoia outra corrida em Sepang depois que a Malásia sediou o Grande Prêmio do Bahrein transferido, de 2 a 4 de outubro de 2026.
- A Malásia considera sediar uma corrida anual ou uma prova a cada poucos anos; espera-se que uma avaliação chegue ao gabinete até novembro.
- O Ministério da Juventude e dos Esportes estimou o impacto econômico em quase RM950 milhões e o público do fim de semana em cerca de 261 mil visitas.
- O Bahrein pagou as taxas pelos direitos de sediar a prova substituta, em condições financeiras diferentes das de uma corrida regular na Malásia.
- A Signify e a DZ Engineering demonstraram interesse em iluminar uma possível corrida noturna, mas nenhum projeto ou orçamento foi aprovado ou anunciado.
- Problemas de transporte, acesso à água e gerenciamento do público são questões centrais para qualquer evento futuro.
- Os contratos existentes do calendário e as candidaturas concorrentes na Ásia complicam a tentativa da Malásia de voltar a sediar provas regularmente.






