Duas semanas de sintomas levaram médicos a encontrar uma obstrução viva
Uma mulher de 24 anos da província de Son La, no Vietnã, teve uma sanguessuga viva removida da abertura entre as cordas vocais após cerca de duas semanas de desconforto na garganta, dificuldade para comer e falta de ar ocasional. Vários exames médicos não haviam identificado a causa antes de ela chegar ao Hospital Nacional de Otorrinolaringologia.
Conteúdo
- Duas semanas de sintomas levaram médicos a encontrar uma obstrução viva
- Por que o diagnóstico levou várias consultas
- Por que uma sanguessuga nas cordas vocais exige tratamento urgente
- Como os médicos a removeram sem lesionar as vias aéreas
- Um caso documentado no Marrocos mostra como os sintomas podem evoluir
- Paciente na Índia precisou de uma abertura de emergência para respirar
- Quais sintomas exigem avaliação ou atendimento de emergência?
- Por que tentativas caseiras podem dificultar a remoção
- Água segura é importante durante o trabalho em campos e florestas
- Principais pontos
O médico Ngô Duy Thịnh, que atendeu a paciente no Departamento de Otorrinolaringologia do hospital, relatou o caso em 16 de outubro de 2026. Um exame com um instrumento de visualização encontrou a sanguessuga presa à glote, a estreita abertura da laringe por onde o ar passa em direção aos pulmões. Os médicos a removeram inteira sob anestesia geral, sem lesionar o revestimento das vias aéreas.
O marido contou que ela trabalhava com frequência nos campos e bebia água de riachos sem tratamento. Esse histórico ajudou os médicos a considerar a possibilidade de um corpo estranho vivo ao avaliar sintomas que, de outra forma, poderiam se parecer com problemas de garganta mais comuns. Após a remoção, a respiração voltou ao normal e a sensação incômoda desapareceu.
Por que o diagnóstico levou várias consultas
A família da mulher relatou uma série de exames antes de a sanguessuga ser identificada. Na primeira consulta, os médicos suspeitaram de uma doença da tireoide, inicialmente com preocupação de que houvesse um tumor. Em outra unidade, não foi encontrada nenhuma anormalidade, e ela foi mandada para casa para observação. Como os sintomas continuaram, a família voltou a procurar atendimento.
Em um exame posterior, uma unidade de saúde local detectou um corpo estranho na garganta. O local não tinha condições de removê-lo com segurança e encaminhou a paciente ao Hospital Nacional de Otorrinolaringologia, onde os médicos podiam examinar a laringe e se preparar para proteger a respiração dela durante o tratamento.
A sequência de atendimento foi a seguinte:
- Por cerca de duas semanas, ela sentiu cócegas ou uma obstrução no fundo da garganta, teve dificuldade para comer e apresentou falta de ar ocasional.
- Os primeiros exames levantaram a suspeita de doença da tireoide, mas uma avaliação posterior não encontrou nenhuma anormalidade.
- Um exame posterior detectou um corpo estranho na garganta e levou ao encaminhamento para especialistas.
- A endoscopia no hospital identificou uma sanguessuga viva na glote, que foi removida sob anestesia geral.
- Em 16 de outubro, o médico Thịnh relatou o caso e a recuperação da paciente.
Por que uma sanguessuga nas cordas vocais exige tratamento urgente
A glote é uma passagem pequena, mas essencial. As cordas vocais ficam uma de cada lado dela e se afastam para permitir a passagem do ar, aproximando-se para produzir sons. Uma criatura presa ali ocupa espaço necessário para a respiração, mesmo que, no início, a pessoa consiga falar e respirar sentindo apenas um desconforto leve.
O médico Thịnh explicou que uma sanguessuga pode crescer à medida que se alimenta de sangue. O corpo e os movimentos dela podem estreitar a abertura restante ou bloqueá-la. Por isso, os médicos recomendaram a remoção precoce, embora a mulher ainda não apresentasse dificuldade respiratória grave.
A saliva das sanguessugas também contém substâncias que interferem na coagulação do sangue. Normalmente, a coagulação ajuda a fechar um vaso sanguíneo lesionado. Um anticoagulante retarda esse processo, permitindo que o sangue continue fluindo pelo local onde a sanguessuga se prende. Assim, o paciente pode enfrentar dois problemas ao mesmo tempo: uma obstrução na passagem do ar e sangramento no tecido ao qual a sanguessuga está aderida.
As principais queixas da mulher eram desconforto e dificuldade ocasional para respirar. Os médicos alertaram que os primeiros sintomas também podem incluir alteração na voz, em vez de dor intensa na garganta ou uma emergência respiratória evidente. Sintomas persistentes após o consumo de água sem tratamento merecem avaliação médica antes que as vias aéreas fiquem ainda mais estreitas.
Como os médicos a removeram sem lesionar as vias aéreas
A equipe do hospital realizou uma laringoscopia de suspensão sob anestesia geral. Nesse procedimento, um instrumento expõe a laringe e é mantido na posição para que o médico possa visualizar a área afetada e trabalhar com precisão. A anestesia geral mantém a paciente inconsciente e imóvel enquanto a equipe controla a respiração.
Uma sanguessuga viva traz dificuldades diferentes das de um pedaço solto de comida. Seu corpo é escorregadio, ela pode se mover e sua ventosa fica presa ao delicado revestimento da garganta. Uma tentativa descontrolada de puxá-la pode rasgar o tecido, romper a sanguessuga ou deslocá-la para uma parte mais profunda das vias aéreas.
A equipe monitorou a respiração da mulher, preparou equipamentos para controlar as vias aéreas e examinou o local onde a sanguessuga estava presa após removê-la. Ela saiu inteira, o revestimento das vias aéreas permaneceu intacto e o estado de saúde da paciente se estabilizou. Não foram divulgados a data exata do procedimento, o tamanho da sanguessuga nem a fonte precisa da água ou o momento em que ela entrou no corpo.
Um caso documentado no Marrocos mostra como os sintomas podem evoluir
Um caso distinto, publicado em 25 de janeiro de 2017 por médicos do Centro Hospitalar Universitário IBN Rochd, em Casablanca, no Marrocos, descreve um quadro mais grave em uma criança. O relato de caso publicado, intitulado Uma causa incomum de dispneia grave: uma sanguessuga viva na laringe: relato de caso, tratava de uma menina de 6 anos com séria dificuldade para respirar e tosse com sangue.
Os pais disseram que os sintomas começaram dois meses depois de ela beber água de um riacho. Ela apresentou alteração na voz e tossiu sangue, mas sem dor ou dificuldade para engolir. Um exame com um instrumento flexível de visualização introduzido pelo nariz revelou uma sanguessuga escura e viva, que se estendia da região acima das cordas vocais até a glote.
Os médicos prepararam um tubo respiratório e equipamentos para uma traqueotomia, procedimento que cria uma abertura no pescoço até a traqueia, caso seja necessário garantir a respiração. Sob anestesia geral, usaram um laringoscópio rígido para expor a laringe e removeram a sanguessuga com uma pinça. Ela media mais de 6 centímetros. Os sintomas desapareceram, e a menina recebeu alta no dia seguinte.
Os autores de Casablanca descreveram a hirudina, anticoagulante secretado pelas sanguessugas, como uma razão para o sangramento poder persistir. Também alertaram que romper uma sanguessuga durante a remoção pode deixar partes dela presas e prolongar o sangramento. O relato ajuda a explicar por que a remoção completa e controlada foi importante no tratamento da mulher vietnamita.
Paciente na Índia precisou de uma abertura de emergência para respirar
Médicos do North Bengal Medical College atenderam outra paciente, uma mulher de 40 anos de Gorubathan, no distrito de Kalimpong, na Índia, após ela apresentar dificuldade para engolir e tosse por três dias. Ela disse que havia bebido água de uma cachoeira próxima cerca de 15 dias antes de ser internada, em 2 de janeiro.
Um exame com câmera flexível encontrou uma sanguessuga viva presa à laringe. A equipe a levou ao centro cirúrgico naquela noite. Como a sanguessuga se movia e estava firmemente presa, os médicos temiam que ela pudesse avançar pelas vias aéreas e causar sangramento. Para proteger a respiração da paciente durante o tratamento, realizaram uma traqueostomia de emergência.
O médico Radheshyam Mahato, chefe do Departamento de Otorrinolaringologia do hospital, disse que o tubo respiratório foi retirado em 6 de janeiro e que a mulher estava bem. Ele afirmou que aquele era o segundo caso do tipo em seus 34 anos de experiência, após outro ocorrido em dezembro de 2022 no mesmo distrito.
O médico Mahato recomendou que as pessoas tenham cuidado com o que bebem e comem:
Gostaria de conscientizar a todos para que tenham muito cuidado ao beber água e consumir alimentos, a fim de evitar esse tipo de situação crítica,
As pacientes vietnamita e marroquina tiveram as sanguessugas removidas pela boca, com instrumentos que expuseram a laringe. A paciente indiana também precisou de uma abertura temporária na traqueia. Em conjunto, os casos mostram como a localização e os movimentos da sanguessuga, o risco de sangramento e a respiração do paciente podem influenciar o procedimento escolhido pelos médicos.
Quais sintomas exigem avaliação ou atendimento de emergência?
O médico Thịnh recomendou que as pessoas procurem avaliação com um otorrinolaringologista se tiverem sintomas persistentes após beber água natural sem tratamento. O profissional precisa saber tanto o que a pessoa sente na garganta quanto se ela bebeu recentemente água de um riacho, trabalhou na floresta ou usou água sem tratamento perto da boca.
Entre os sintomas que justificam um exame estão uma sensação persistente de cócegas ou movimento na garganta, a impressão de que algo está preso, tosse persistente, rouquidão, sangue no escarro ou sangue misturado à saliva. Esses sintomas podem ter várias causas. Uma avaliação especializada pode identificar o problema e determinar se é necessário usar um instrumento de visualização.
Dificuldade para respirar, respiração ruidosa, pele azulada ou incapacidade de falar normalmente exigem atendimento de emergência. No Vietnã, é possível ligar para o 115 para pedir assistência médica de emergência. Quem apresentar esses sinais precisa de ajuda imediata, sem esperar por uma consulta de rotina.
Por que tentativas caseiras podem dificultar a remoção
Os médicos alertaram para não introduzir dedos, ganchos ou outras ferramentas na garganta para tentar retirar um possível corpo estranho. A laringe é delicada e fica perto da entrada da traqueia. Movimentos mal controlados podem lesionar seu revestimento, provocar sangramento ou empurrar um objeto para mais fundo.
Também não é seguro engolir arroz ou beber grandes quantidades de água para tentar empurrar a obstrução. Jogar sal, álcool, vinagre ou produtos químicos na garganta para tentar fazer uma sanguessuga soltar-se pode causar lesões ou engasgo e complicar o tratamento médico.
As mesmas características que tornam a remoção no hospital complexa, o corpo escorregadio, o movimento e a fixação firme, tornam as tentativas caseiras especialmente arriscadas. Os médicos precisam de boa visibilidade, instrumentos adequados e um plano para manter a respiração enquanto removem a criatura inteira.
Água segura é importante durante o trabalho em campos e florestas
O hábito da paciente vietnamita de beber água diretamente de riachos deu aos médicos uma possível via de entrada: uma pequena sanguessuga pode ter entrado pela boca com a água e se prendido à garganta ou à laringe. Para quem trabalha longe de um abastecimento confiável, preparar a água para beber antes de sair de casa é uma medida prática para evitar essa exposição.
Os médicos recomendaram levar água engarrafada em quantidade suficiente ou água fervida e resfriada. Também se deve evitar usar água de riachos sem tratamento para enxaguar a boca ou lavar o rosto. Mesmo quando parece límpida, a água ainda pode conter pequenos organismos e micróbios causadores de doenças.
O relato de caso de Casablanca também recomenda evitar o consumo direto de água de riachos e filtrar a água antes de bebê-la. As orientações que acompanharam o caso vietnamita recomendam ferver a água natural quando for necessário usá-la. Trabalhadores devem se planejar para ter um abastecimento seguro, em vez de confiar na aparência de um riacho ou de uma cachoeira.
A recuperação da mulher veio após a identificação e a remoção cuidadosa da obstrução. Sua experiência também oferece um detalhe concreto que os pacientes podem mencionar durante uma consulta: o uso recente de água natural sem tratamento, mesmo quando a queixa principal é apenas uma sensação incomum na garganta.
Principais pontos
- Uma mulher de 24 anos de Son La estava com uma sanguessuga viva na glote após cerca de duas semanas de desconforto na garganta e falta de ar ocasional.
- Os médicos a removeram inteira sob anestesia geral, e a respiração e os sintomas na garganta voltaram ao normal.
- Sanguessugas presas perto das cordas vocais podem obstruir a passagem do ar e causar sangramento prolongado.
- Sintomas persistentes na garganta após o consumo de água sem tratamento precisam de avaliação médica. Dificuldade para respirar exige atendimento de emergência.
- Não tente remover a sanguessuga com ferramentas, alimentos, sal, álcool ou produtos químicos. Leve água potável segura ao trabalhar em campos ou florestas.






