Manifestação em Seul coloca os cuidados com Fu Bao no centro da campanha pelo retorno
Um grupo de cidadãos se reuniu em frente ao Cheong Wa Dae Sarangchae, em Seul, na manhã de 15 de outubro, pedindo ao governo sul-coreano que negocie o retorno de Fu Bao e obtenha informações mais claras sobre a saúde e os cuidados com a panda na China. Nascida no Everland, em Yongin, em 20 de julho de 2020, Fu Bao foi enviada à China em abril de 2024, antes de completar quatro anos.
Conteúdo
- Manifestação em Seul coloca os cuidados com Fu Bao no centro da campanha pelo retorno
- O que os apoiadores querem que Seul esclareça
- Petições começaram pouco depois da transferência
- Um episódio médico deu mais destaque às preocupações com o bem-estar
- Como a campanha se desenvolveu
- Manifestantes em Gyeongju levaram a reivindicação à visita da Apec
- Por que o retorno exige um novo acordo
- Proposta separada de trazer pandas expõe prioridades conflitantes
- Principais pontos
A Coalizão pelo Retorno de Fu Bao afirmou que mudanças na aparência e no comportamento da panda em fotos e vídeos publicados causaram preocupação. O grupo pediu informações transparentes sobre sua saúde, exames médicos, ambiente em que vive e cuidados diários. Também pediu que Seul dialogue ativamente com Pequim, avalie a possibilidade de seu retorno e esclareça se há alguma iniciativa em andamento.
A coalizão descreveu em uma breve declaração o vínculo que os apoiadores sentem com a panda:
Fu Bao é da família.
A campanha reúne duas demandas: informações confiáveis sobre o bem-estar do animal e uma ação do governo sobre onde ela deve viver. Essas demandas ganharam força por meio de petições, manifestações públicas e da preocupação após um episódio de sofrimento registrado em dezembro de 2024.
O apelo de Fu Bao vai muito além das pessoas que participam das manifestações. Ela atraiu mais de 5,5 milhões de visitantes ao Everland entre 2021 e 2024 e ficou amplamente conhecida como Princesa Fu. Sua partida encerrou a possibilidade de o público visitá-la na Coreia do Sul, enquanto fotos e vídeos da China se tornaram a principal forma de os apoiadores acompanharem sua vida.
A coalizão quer que o governo transforme esse vínculo do público em uma resposta concreta: informações sobre os cuidados com a panda, conversas com a China e uma explicação responsável sobre qualquer avanço na possibilidade de retorno.
O que os apoiadores querem que Seul esclareça
Os manifestantes de 15 de outubro pediram mais do que uma garantia genérica de que Fu Bao estava recebendo cuidados. As solicitações incluíam saber se ela havia recebido tratamento médico, quais eram as condições do recinto e como estava sendo mantida. Eles relacionaram essas questões a mudanças que acreditavam ver nas imagens divulgadas após a transferência.
O governo sul-coreano também foi questionado sobre outra questão diplomática: se buscaria um novo acordo com a China que pudesse trazê-la de volta. A coalizão pediu que as autoridades explicassem tanto sua posição quanto qualquer avanço, para que os apoiadores tivessem uma visão mais clara do que o governo estava de fato fazendo.
Nenhum acordo ou data para o retorno foi anunciado por ocasião da manifestação. Os apoiadores pediam que o governo explorasse uma possibilidade que dependeria da aprovação da China.
O local de nascimento de Fu Bao explica por que os ativistas dizem que a Coreia do Sul é sua casa. Seus pais, Ai Bao e Le Bao, chegaram ao país em 2016, por meio de um acordo de empréstimo com duração de 15 anos. Fu Bao foi a primeira panda-gigante nascida na Coreia do Sul por reprodução natural, ou seja, seus pais a conceberam sem inseminação artificial.
Petições começaram pouco depois da transferência
Em abril de 2024, um morador de Seul propôs um novo acordo de empréstimo, sugerindo que Fu Bao fosse instalada no Seoul Grand Park, administrado pela cidade. Seul respondeu que ela se adaptaria bem ao ambiente na China.
Outra petição, apresentada por uma pessoa de sobrenome Koh, foi publicada na plataforma de petições on-line da Assembleia Nacional em 29 de maio de 2024. Ela havia reunido as 100 primeiras manifestações de apoio e aguardava análise antes de ser divulgada amplamente e receber mais adesões.
A petição surgiu em meio à ansiedade causada por fotos não verificadas que circulavam nas redes sociais. Marcas escuras ao redor do pescoço de Fu Bao levaram alguns apoiadores a especular que ela havia sido acorrentada. A origem das imagens e a causa das marcas não foram verificadas.
O Centro de Conservação e Pesquisa de Pandas-Gigantes da China divulgou fotos e vídeos em 28 de maio, apresentando-os como prova de que Fu Bao estava em boas condições. Também informou que ela estaria disponível para visitação pública em junho. Assim, os apoiadores acompanhavam tanto as atualizações do centro quanto as imagens que circulavam fora de seus canais oficiais.
Um episódio médico deu mais destaque às preocupações com o bem-estar
Autoridades chinesas responsáveis pelos cuidados com pandas disseram que Fu Bao apresentou sinais de sofrimento, incluindo convulsões, em 3 de dezembro de 2024. Depois disso, ela recebeu cuidados fora da exposição pública por quase quatro meses.
Um comunicado posterior informou que exames contínuos e detalhados, além de cuidados médicos adaptados às suas necessidades, constataram que ela estava em boas condições de saúde. As autoridades anunciaram que ela voltaria a ser exibida ao público em 25 de março de 2025 e divulgaram um vídeo em que ela aparece comendo.
O comunicado sobre os cuidados também informou que o habitat havia sido desinfetado e que plantas e outros elementos ambientais haviam sido renovados antes da volta dos visitantes. Esses detalhes abordavam tanto o tratamento médico quanto a preparação do espaço onde ela seria exibida.
O episódio de dezembro ajuda a explicar por que os apelos posteriores se concentraram em exames e tratamentos, além da aparência. Os apoiadores queriam informações que relacionassem o que viam em vídeos curtos às conclusões dos profissionais responsáveis pelos cuidados com a panda.
A avaliação do centro foi de que Fu Bao havia se recuperado o suficiente para voltar à exposição pública. O pedido posterior da coalizão foi por transparência contínua sobre sua condição e vida diária, além da consideração de uma transferência de volta à Coreia do Sul.
Como a campanha se desenvolveu
A história de Fu Bao se desenrolou entre acordos de reprodução, transferência, atualizações de saúde e pressão pública. Algumas datas mostram como uma atração popular de zoológico passou a ser tema de apelos repetidos ao governo:
- 2016: Ai Bao e Le Bao chegaram à Coreia do Sul por meio de um acordo de empréstimo com duração de 15 anos.
- 20 de julho de 2020: Fu Bao nasceu no Everland, em Yongin, na província de Gyeonggi.
- Abril de 2024: Fu Bao foi transferida para a China antes de completar quatro anos; um morador de Seul propôs buscar um novo acordo de empréstimo.
- 29 de maio de 2024: Uma petição à Assembleia Nacional pedindo seu retorno atingiu o mínimo inicial de 100 manifestações de apoio.
- 3 de dezembro de 2024: Autoridades chinesas responsáveis pelos cuidados informaram que Fu Bao havia sofrido um episódio de mal-estar, incluindo convulsões.
- 25 de março de 2025: Autoridades anunciaram que ela voltaria a ser exibida ao público, após quase quatro meses afastada da exposição.
- 15 de outubro: A Coalizão pelo Retorno de Fu Bao se manifestou em frente ao Cheong Wa Dae Sarangchae, em Seul.
- 30 de outubro de 2025: Outro grupo fez uma manifestação em Gyeongju durante a visita do presidente chinês Xi Jinping para a cúpula de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico.
A manifestação de 15 de outubro se concentrou na responsabilidade do governo sul-coreano de responder. Já o protesto em Gyeongju levou o pedido de retorno para perto de um encontro internacional do qual participou o presidente da China.
Manifestantes em Gyeongju levaram a reivindicação à visita da Apec
Cerca de 15 integrantes do grupo de defesa dos direitos dos animais Fu Bao and Fu Deokis se reuniram ao meio-dia de 30 de outubro de 2025, em Hwangnam-dong, na região central de Gyeongju. O local ficava a cerca de 15 quilômetros do Kolon Hotel, onde Xi estava hospedado durante a visita para a cúpula de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico.
Os manifestantes usavam coletes amarelos com os dizeres "Salve Fu Bao". Integrantes do grupo pediram o retorno da panda:
Ajude Fu Bao, panda ameaçada de extinção, a voltar para a Coreia!
O grupo afirmou que planejava continuar as manifestações no dia seguinte, 31 de outubro. Entre seus objetivos declarados estava um mundo sustentável em que pessoas e animais pudessem coexistir.
Naquele momento, Fu Bao tinha cinco anos e vivia no Parque de Pandas-Gigantes da China de Wolong, em Shenshuping, na província de Sichuan. A manifestação em Gyeongju mostrou que o interesse por seu retorno continuava muito depois das primeiras petições feitas após sua partida.
A coalizão de Seul e o grupo de Gyeongju eram organizações distintas. Ambos defendiam o retorno de Fu Bao, enquanto a manifestação de Seul também apresentou pedidos detalhados de informações sobre os cuidados médicos e as condições de vida da panda.
Por que o retorno exige um novo acordo
Fu Bao deixou a Coreia do Sul segundo as regras aplicáveis a pandas nascidos fora da China, que exigiam seu retorno ao país antes de completar quatro anos. A permanência de seus pais no Everland também era regida por um acordo de empréstimo, apesar de seu papel público como símbolos de amizade entre os dois países.
Um novo acordo precisaria tratar da autorização para transferi-la, de uma instituição que a recebesse e da responsabilidade pelos cuidados. A proposta anterior de instalá-la no Seoul Grand Park oferecia um possível destino, enquanto a coalizão de outubro pediu ao governo nacional que examinasse a possibilidade mais ampla de seu retorno.
Organizações de defesa do bem-estar animal também contestaram a prática de transferir pandas para exibição diplomática. Em um debate separado sobre a proposta de empréstimo de outro par de pandas, 12 grupos, incluindo Aware e Bear Sanctuary Project, pediram que o plano fosse retirado. Eles citaram o estresse do transporte, a adaptação a um ambiente desconhecido e as dificuldades de saúde de Fu Bao após a transferência.
Os grupos argumentaram que decisões sobre empréstimos, renovações e retornos estavam excessivamente ligadas às relações entre governos, em vez de priorizarem os interesses dos animais. Essa posição traz uma questão prática para qualquer campanha de retorno: como uma transferência proposta atenderia às necessidades médicas e de cuidado específicas da panda.
A Coreia do Sul já enfrentou os custos de empréstimos de pandas. Um casal chegou em setembro de 1994, por meio de um acordo que deveria durar 10 anos, mas foi devolvido após quatro anos devido aos custos. A permanência efetiva, portanto, foi inferior à metade do período previsto.
Proposta separada de trazer pandas expõe prioridades conflitantes
O pedido do presidente Lee Jae Myung a Xi por outro par de pandas motivou discussões sobre o Uchi Zoo, em Gwangju, como possível local para recebê-los. Durante o debate, mencionou-se um custo de cerca de 30 bilhões de won para as instalações, além de sugestões de que o zoológico poderia receber status nacional.
O governo afirmou que os dois países mantinham conversas de trabalho, mas nenhum empréstimo de pandas havia sido finalizado. Também disse que não havia acordo para alojar os animais no Uchi Zoo nem para mudar o status do zoológico.
Os 12 grupos de defesa dos animais contrários à proposta apontaram que 199 ursos criados em fazendas ainda viviam em condições inadequadas na Coreia do Sul. Eles argumentaram que o dinheiro público deveria primeiro ajudar animais que já precisavam de proteção, em vez de criar outra exposição de pandas.
As críticas relacionaram o debate sobre os pandas à implementação das alterações na Lei de Proteção e Manejo da Vida Selvagem. As mudanças proibiram, a partir de 1º de janeiro, a criação e a reprodução de ursos para a produção de bile, além da fabricação, do consumo e da distribuição de bile de urso. A fiscalização das fazendas foi adiada por seis meses, pois a construção de santuários e os acordos para acolher os ursos estavam atrasados.
Para os apoiadores de Fu Bao, a demanda imediata continua específica: um relato claro sobre sua saúde e seus cuidados, e uma explicação sobre se Seul buscará seu retorno. Para as autoridades que avaliam qualquer acordo envolvendo pandas, as demandas conflitantes dizem respeito a onde os animais vivem, aos efeitos das transferências e ao financiamento de seus cuidados ao longo do tempo.
Principais pontos
- A Coalizão pelo Retorno de Fu Bao se manifestou em Seul em 15 de outubro, pedindo informações sobre sua saúde e negociações do governo com a China.
- Fu Bao nasceu no Everland em 20 de julho de 2020 e foi transferida para a China em abril de 2024, segundo o acordo de empréstimo de pandas.
- Autoridades chinesas responsáveis pelos cuidados relataram convulsões em dezembro de 2024 e depois disseram que exames constataram que ela estava em boas condições de saúde antes de voltar à exposição pública.
- Cerca de 15 integrantes de outro grupo se manifestaram em Gyeongju durante a visita de Xi Jinping para a Apec, em outubro de 2025.
- O retorno exigiria um novo acordo; nenhuma data foi anunciada por ocasião da manifestação em Seul.
- Organizações de defesa do bem-estar animal se opuseram separadamente à proposta de um novo empréstimo de pandas, citando o estresse do transporte, os custos e necessidades não atendidas de ursos que já estão na Coreia do Sul.






