Uzbequistão prevê prisão perpétua para crimes sexuais contra crianças menores de 14 anos

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Uzbekistan introduces life sentences for sexual crimes against children under 14

Penas de prisão mais longas e novas proteções para crianças

O Uzbequistão aumentou as penas por estupro e determinados outros crimes sexuais contra crianças menores de 14 anos para entre 15 e 25 anos de prisão ou prisão perpétua. O presidente Shavkat Mirziyoyev sancionou a lei em 14 de outubro de 2026, após a aprovação parlamentar e a indignação pública com uma suposta agressão em um jardim de infância público na região de Namangan.

Conteúdo
  1. Penas de prisão mais longas e novas proteções para crianças
  2. O que muda nas penas?
  3. Como a lei chegou ao presidente
  4. O caso de Namangan e os números por trás do debate
  5. Advogado desde o início do processo
  6. Depoimentos gravados e acareações controladas
  7. Proteção quando o acusado é um parente
  8. Mortes, lesões físicas e negligência
  9. Outras obrigações e mudanças na supervisão de adolescentes
  10. Um programa mais amplo de proteção infantil
  11. Principais pontos

A lei altera cinco códigos e seis leis. Além de endurecer as penas, elimina os prazos de prescrição para determinados crimes sexuais, prevê assistência jurídica custeada pelo Estado e exige a gravação em vídeo dos depoimentos de crianças vítimas. Também cria uma nova hipótese legal para demitir profissionais da educação responsabilizados por violência contra uma criança.

Saida Mirziyoyeva, chefe da Administração Presidencial, anunciou a sanção nas redes sociais. Ela afirmou que a responsabilização se estenderá aos agressores dentro das famílias e das instituições de ensino, bem como a qualquer outra pessoa que prejudique uma criança.

Mirziyoyeva descreveu a posição do governo sobre a violência contra crianças:

A violência contra uma criança é inaceitável, e a punição deve ser severa.

A lei combina mudanças nas penas com alterações na forma como as crianças são tratadas durante investigações e julgamentos. Uma criança que denuncia abuso pode precisar de advogado, de proteção contra um parente acusado e de uma forma de prestar depoimento sem ter de relatar repetidamente uma experiência angustiante. As novas disposições atendem a cada uma dessas necessidades.

Os cinco códigos alterados são o Código Penal, o Código de Processo Penal, o Código de Execução Penal, o Código do Trabalho e o Código de Responsabilidade Administrativa. A lei entra em vigor no dia de sua publicação oficial, que passa a ser o marco legal para o início de sua vigência.

O que muda nas penas?

O parágrafo 4 dos artigos 118 e 119 do Código Penal passa a prever prisão de 15 a 25 anos ou prisão perpétua para os crimes sexuais especificados contra pessoas menores de 14 anos. O artigo 118 trata de estupro. O artigo 119 trata de outros atos sexuais cometidos mediante violência, ameaça ou aproveitamento da incapacidade de resistência da vítima.

A pena anterior para estupro de uma criança menor de 14 anos era de 15 a 20 anos de prisão. A nova lei mantém o mínimo de 15 anos, eleva em cinco anos o máximo da pena por tempo determinado e acrescenta a possibilidade de prisão perpétua.

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As alterações também ampliam as disposições do Código Penal sobre penas superiores a 20 anos e prisão perpétua para incluir esses crimes. Isso é importante porque a lei precisa tanto especificar a punição para um crime quanto permitir sua aplicação segundo as regras gerais de dosimetria previstas no código.

De acordo com as disposições revisadas, o tribunal poderá aplicar prisão perpétua. A faixa de penas também permite uma pena determinada de 15 a 25 anos de prisão; portanto, a punição imposta dependerá da decisão do tribunal em cada caso.

A eliminação do prazo de prescrição se aplica às disposições especificadas dos artigos 118 e 119, incluindo seus parágrafos 4 e determinados outros crimes enumerados. O prazo de prescrição é o limite legal para iniciar uma ação penal. Eliminá-lo significa que a passagem do tempo não encerrará mais o prazo para processar esses crimes.

Como a lei chegou ao presidente

A lei foi precedida por uma série de declarações públicas e decisões parlamentares no fim de setembro e início de outubro. A Câmara Legislativa, a câmara baixa do Parlamento do Uzbequistão, analisou propostas para endurecer as penas antes de aprovar a lei. Em seguida, o Senado também a aprovou.

As principais etapas foram:

  • 27 de setembro: Saida Mirziyoyeva pediu que fosse considerada a pena de morte para crimes sexuais contra crianças.
  • 28 de setembro: Shakhnoza Mirziyoyeva, primeira vice-diretora da Agência Nacional de Proteção Social, anunciou que haviam sido apresentadas propostas de prisão perpétua.
  • 29 de setembro: A Câmara Legislativa aprovou em primeira leitura propostas para endurecer as penas.
  • 30 de setembro de 2026: A Câmara Legislativa aprovou a lei.
  • 2 de outubro de 2026: O Senado aprovou a lei.
  • 14 de outubro de 2026: O presidente Shavkat Mirziyoyev sancionou a lei.

A Constituição do Uzbequistão proíbe a pena de morte. A lei sancionada pelo presidente introduz a prisão perpétua e mantém as penas de prisão por tempo determinado dentro da faixa revisada.

O título da lei descreve seu objetivo mais amplo: alterar a legislação para aprimorar o sistema de proteção de crianças contra todas as formas de violência. Suas disposições vão além dos crimes sexuais e abrangem negligência, lesões físicas, representação jurídica e as responsabilidades das instituições que cuidam de crianças.

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O caso de Namangan e os números por trás do debate

Uma denúncia de agressão sexual contra uma menina de cinco anos em um jardim de infância público na região de Namangan chamou a atenção para a proteção infantil. Um funcionário da manutenção, de 52 anos, foi detido em setembro. A mãe da menina alegou que parentes do suspeito lhe ofereceram dinheiro para retirar a denúncia.

A denúncia e a detenção fizeram parte do contexto do debate sobre as penas. O anúncio das mudanças legais não informou o desfecho do processo criminal.

Gulrukh Agzamova, parlamentar, afirmou em 29 de setembro que, entre 2022 e 2025, foram abertos 445 processos criminais envolvendo estupro de crianças menores de 14 anos. Os números anuais que ela citou incluem 85 casos em 2022, 129 em 2024 e 123 em 2025.

O número de 2025 foi 38 casos superior ao de 2022, um aumento de cerca de 45%. Foi seis casos inferior ao de 2024. Esses números se referem a processos criminais abertos pelas autoridades e, portanto, medem os casos que ingressaram no sistema de Justiça.

Durante a discussão no Senado, os parlamentares também foram informados de que 122 casos de violência contra crianças foram identificados em instituições de ensino em 2025. Desse total, 38 ocorreram em jardins de infância e 84 em escolas. As escolas responderam por cerca de 69% dos casos.

Os dois conjuntos de dados abrangem categorias diferentes: os números de Agzamova dizem respeito a casos de estupro envolvendo crianças menores de 14 anos, enquanto os dados sobre instituições de ensino se referem à violência contra crianças em escolas e jardins de infância. Juntos, eles ajudam a explicar por que a resposta legislativa aborda tanto crimes sexuais graves quanto a conduta dos funcionários responsáveis pelas crianças.

Advogado desde o início do processo

Crianças que sofreram ou testemunharam violência terão direito a assistência jurídica custeada pelo Estado desde o momento em que participarem dos atos processuais pertinentes. Esses atos incluem etapas formais de uma investigação ou de um processo judicial.

A alteração inclui essas crianças entre as categorias abrangidas pela Lei de Prestação de Assistência Jurídica às Custas do Estado. O acesso à assistência é garantido desde o início de sua participação, quando elas podem precisar de ajuda para compreender perguntas, declarações e seus direitos.

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O Código de Processo Penal também passa a exigir medidas para garantir a participação de um advogado que preste assistência custeada pelo Estado a vítimas e testemunhas menores de idade em casos de violência sexual. Assim, uma criança que presenciou a violência poderá receber apoio mesmo que outra pessoa tenha sido a vítima direta.

Essa parte da reforma altera o percurso prático pelo sistema de Justiça. As penas mais longas dizem respeito ao que acontece após a condenação do agressor. A assistência jurídica diz respeito à capacidade da criança de participar do processo que levará a uma decisão judicial.

Depoimentos gravados e acareações controladas

Os investigadores deverão gravar em vídeo os depoimentos de vítimas menores de idade. O objetivo declarado é reduzir os interrogatórios repetidos, que podem fazer a criança reviver uma experiência angustiante. A gravação preserva o que a criança disse durante o depoimento.

A lei também restringe acareações presenciais entre uma criança vítima de crime sexual e um suspeito. A acareação é uma etapa processual em que os participantes são interrogados juntos, geralmente para esclarecer divergências entre seus depoimentos.

Com as alterações, essa etapa dependerá de uma decisão específica de um agente de investigação, investigador ou promotor, ou de uma ordem judicial. A exigência estabelece que uma decisão formal seja tomada antes de a criança se encontrar com a pessoa acusada de tê-la prejudicado.

A gravação em vídeo, a assistência jurídica e o controle das acareações respondem a diferentes pressões sobre a criança. A gravação preserva o depoimento, o advogado ajuda a criança a exercer seus direitos legais e a exigência de decisão determina se haverá um confronto direto.

Proteção quando o acusado é um parente

Um representante da autoridade de tutela deverá participar de todos os atos processuais durante a investigação e o julgamento quando o suposto crime contra uma pessoa menor de idade tiver sido cometido por um dos pais, pai ou mãe adotivos, tutor, responsável legal ou outro parente.

As autoridades de tutela têm responsabilidades de proteção a crianças e pessoas que precisam de assistência jurídica. Sua participação obrigatória envolve um órgão público de proteção em processos nos quais a pessoa que normalmente deveria apoiar a criança pode ser acusada do crime.

As alterações processuais também tratam da participação e da substituição de representantes legais. Isso fornece ao sistema de Justiça um mecanismo para lidar com casos em que a situação familiar da criança afeta quem pode representar seus interesses.

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As instituições de ensino também passam por uma mudança relacionada às relações de trabalho. Os empregadores passam a ter uma nova hipótese para rescindir o contrato de um funcionário responsável por ensinar ou educar crianças que tenha sido responsabilizado por violência contra uma criança. A disposição vincula a responsabilização por abuso à permanência em um cargo que envolve o cuidado de crianças.

A lei, portanto, aborda dois contextos em que as crianças dependem muito dos adultos: a família e a instituição de ensino. Ela estabelece tanto como as crianças devem ser representadas durante os processos quanto como o empregador pode responder à violência cometida por um funcionário.

Mortes, lesões físicas e negligência

Crimes dolosos que resultem na morte de uma criança passam a estar sujeitos a outras restrições. A lei exclui a suspensão da pena e a liberdade condicional antecipada para esses crimes. A suspensão da pena permite que uma pessoa condenada evite cumprir a pena de prisão sob determinadas condições; a liberdade condicional antecipada permite que a pessoa deixe a prisão antes de cumprir a pena integralmente.

Saida Mirziyoyeva descreveu em termos gerais a posição sobre crimes que causam a morte de uma criança, afirmando que não haverá clemência. As restrições legais específicas incluem a exclusão da suspensão da pena e da liberdade condicional antecipada nos casos que envolvam crime doloso.

A lesão corporal intencional grave ou de gravidade moderada contra uma pessoa menor de idade também passa a ser uma circunstância agravante. Circunstância agravante é um aspecto de um crime que a lei considera capaz de torná-lo mais grave na hora de determinar a pena.

A responsabilidade administrativa de pais e pessoas que atuam em seu lugar é ampliada para abranger a omissão deliberada no atendimento às necessidades básicas de uma criança, quando isso prejudicar sua saúde ou seu desenvolvimento físico, mental ou moral. A penalidade é uma multa de cinco a dez unidades básicas de cálculo.

A unidade básica de cálculo é um valor padrão usado para calcular pagamentos e multas legais no Uzbequistão. Expressar a multa como múltiplo dessa unidade permite que o valor em dinheiro acompanhe a quantia definida para ela.

Outras obrigações e mudanças na supervisão de adolescentes

As alterações administrativas também aumentam as penalidades relacionadas ao assédio sexual, à violação da idade mínima legal para o casamento e à falta de proteção de crianças contra informações prejudiciais à saúde.

Uma nova disposição pune a distribuição a crianças de informações nocivas proibidas, com confisco do material e aplicação de multa. A multa é de sete unidades básicas de cálculo para pessoas físicas e de 50 para autoridades públicas.

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Outra nova disposição penaliza o descumprimento de decisões das comissões de assuntos da infância. Pessoas físicas estão sujeitas a multas de três a cinco unidades básicas de cálculo, enquanto autoridades públicas podem receber multas de cinco a sete unidades. Essas disposições preveem penalidades para obrigações destinadas a proteger crianças antes ou além de um processo criminal.

A lei também extingue instituições especializadas de ensino e correção para menores de idade. Em vez disso, os tribunais poderão encaminhar adolescentes a organizações educacionais, instituições de acolhimento e instituições que prestam serviços sociais.

Uma nova medida de supervisão permite que um tribunal coloque um adolescente de 14 a 18 anos sob a supervisão dos pais ou dos dirigentes de órgãos responsáveis pela prevenção de infrações. Isso altera as medidas disponíveis quando o próprio adolescente é atendido pelo sistema de Justiça.

Em denúncias de assédio e violência contra mulheres e crianças, as autoridades não enviarão uma resposta por escrito se o requerente solicitar que nenhuma resposta escrita seja enviada. A disposição permite que a pessoa que apresenta a denúncia escolha essa forma de comunicação.

Um programa mais amplo de proteção infantil

O Uzbequistão aprovou uma Estratégia de Proteção de Crianças contra Todas as Formas de Violência para o período de 2026 a 2030. A lei insere as alterações nesse programa e registra a participação do país no Chamado à Ação de Bogotá e na Aliança Global para Acabar com a Violência contra Crianças.

O pacote atribui responsabilidades distintas a várias instituições. Os tribunais passam a contar com opções mais amplas de penas. Os investigadores devem gravar depoimentos e obter autorização específica para acareações. Advogados e representantes das autoridades de tutela passam a integrar a proteção oferecida durante os processos. Os empregadores da área de educação ganham uma nova hipótese para demitir funcionários.

A principal mudança, portanto, vai além da nova pena máxima. A lei trata de como a criança chega ao sistema de Justiça, de quem lhe dá apoio, de como as provas são coletadas e do que acontece com um adulto responsabilizado por violência. Essas obrigações acompanham a possibilidade de até 25 anos de prisão ou prisão perpétua pelos crimes sexuais especificados contra crianças menores de 14 anos.

Principais pontos

  • O presidente Shavkat Mirziyoyev sancionou a lei em 14 de outubro de 2026, alterando cinco códigos e seis leis.
  • Determinados crimes sexuais contra crianças menores de 14 anos passam a ser punidos com 15 a 25 anos de prisão ou prisão perpétua.
  • São eliminados os prazos de prescrição para determinados crimes previstos nos artigos 118 e 119 do Código Penal.
  • Vítimas e testemunhas menores de idade passam a ter direito a assistência jurídica custeada pelo Estado desde o início de sua participação no processo.
  • Os depoimentos de vítimas menores de idade devem ser gravados em vídeo, e as acareações com suspeitos exigem decisão específica e autorizada.
  • As autoridades de tutela devem participar dos processos quando o acusado for um dos pais, tutor ou outro parente.
  • Crimes dolosos que resultem na morte de uma criança não podem ter a pena suspensa nem permitir liberdade condicional antecipada.
  • A lei prevê penalidades por negligência e outras infrações, cria uma nova hipótese de demissão de profissionais da educação e estabelece novas medidas de supervisão para adolescentes.
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