Suprema Corte da Arábia Saudita anula pena de morte de trabalhador do Sri Lanka Anojan Sivarasa

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Saudi Supreme Court Overturns Death Sentence for Sri Lankan Worker Anojan Sivarasa

Decisão de 13 de outubro traz alívio enquanto família aguarda próxima audiência

A Suprema Corte da Arábia Saudita anulou, em 13 de outubro de 2026, a pena de morte imposta ao trabalhador da construção civil do Sri Lanka Anojan Sivarasa, após um recurso apresentado apenas dois dias antes. A família afirma que uma nova audiência está marcada para 17 de outubro, quando espera saber mais sobre as próximas etapas do processo judicial.

Conteúdo
  1. Decisão de 13 de outubro traz alívio enquanto família aguarda próxima audiência
  2. Como uma disputa no Sri Lanka chegou a um tribunal saudita
  3. De cinco anos de prisão à pena de morte
  4. As datas que marcaram o caso
  5. Advogados e diplomatas atuaram em frentes paralelas
  6. Família aguarda notícias e esclarecimentos
  7. Líderes políticos pedem que os esforços continuem
  8. Anistia contestou a acusação e o tratamento recebido
  9. Principais pontos

Sivarasa, um homem tâmil de Narpittimunai, perto de Kalmunai, no distrito de Ampara, no leste do Sri Lanka, enfrentava a execução por causa de um comentário no Facebook que insultava o islã e o profeta Maomé. Ele apagou o comentário e publicou um pedido de desculpas em vídeo, mas uma captura de tela chegou ao empregador e às autoridades sauditas.

O vice-ministro das Relações Exteriores, Arun Hemachandra, anunciou a reversão da sentença em sua página oficial no Facebook, em 14 de outubro. Ele atribuiu o resultado aos esforços diplomáticos e jurídicos contínuos do Sri Lanka e agradeceu às autoridades sauditas, aos diplomatas, funcionários do governo e advogados dos dois países.

Hemachandra descreveu a decisão como um grande alívio e informou a data do julgamento:

Em 13 de outubro de 2026, a Suprema Corte da Arábia Saudita anulou a decisão que impunha a pena de morte a Anojan Sivarasa.

A decisão completa ainda não havia sido divulgada quando o resultado foi anunciado. Ainda não estava claro o que isso significaria para a condenação de Sivarasa, a pena de prisão e a multa impostas anteriormente, sua permanência na prisão e eventuais providências para que ele voltasse para casa.

Para a família, a atenção imediata está voltada para 17 de outubro. O irmão de Sivarasa disse que Hemachandra telefonou pessoalmente para informar que a pena de morte havia sido anulada. Os parentes receberam a notícia com alívio, mas disseram que só se sentirão tranquilos após o resultado da próxima audiência.

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Como uma disputa no Sri Lanka chegou a um tribunal saudita

A disputa começou em junho, com imagens de um cachorro chamado Subramaniam sendo chutado perto de Kalmunai. O animal acompanhava devotos hindus em uma peregrinação ao templo de Murugan, em Kataragama. O vídeo se espalhou amplamente, provocou indignação pública e levou a denúncias à polícia.

Um jovem muçulmano foi preso pelo ataque ao cachorro, depois solto sob fiança e pediu desculpas. As discussões sobre o episódio continuaram nas redes sociais, onde comentários sobre religião provocaram reações cada vez mais hostis.

Sivarasa entrou na discussão enquanto trabalhava na Arábia Saudita. Depois que outro usuário supostamente publicou comentários depreciativos sobre uma divindade hindu, ele respondeu em tâmil com uma mensagem que insultava o profeta Maomé. Em seguida, apagou o comentário e publicou um pedido de desculpas em vídeo.

Uma captura de tela preservou as palavras apagadas. O comentário chegou à empresa onde ele trabalhava e às autoridades sauditas, levando à sua prisão em julho. A discussão nas redes tratava de acontecimentos no Sri Lanka, mas o processo criminal ocorreu no país onde ele trabalhava.

Sivarasa havia viajado para a Arábia Saudita a trabalho em setembro de 2025. Seu caso reuniu uma disputa em sua comunidade de origem, um empregador no exterior e um sistema jurídico que prevê penas severas para manifestações consideradas ofensivas à religião.

De cinco anos de prisão à pena de morte

Em 27 de julho, o Tribunal Criminal de Al-Ahsa condenou Sivarasa inicialmente a cinco anos de prisão e ao pagamento de uma multa de três milhões de riais sauditas, aproximadamente US$ 800 mil, com base na Lei Anticrime Cibernético da Arábia Saudita. Essa lei trata de determinados delitos envolvendo computadores e comunicações on-line.

A punição se tornou muito mais severa em 17 de setembro. O Tribunal de Apelação da Região Oriental da Arábia Saudita aumentou a pena para morte, considerando que, segundo sua interpretação da lei islâmica, o delito estava sujeito a uma punição fixa.

Punição fixa é aquela que o tribunal considera prevista para um delito específico, em vez de uma sentença escolhida livremente entre várias penas possíveis. A decisão do tribunal de apelação mudou a situação de Sivarasa: de uma longa pena de prisão e uma grande multa para a ameaça de execução.

A Anistia Internacional afirmou que Sivarasa disse a um juiz ter escrito o comentário tomado pela raiva e que depois se arrependeu. A organização também disse que ele não teve acesso a um advogado entre a prisão e a sentença inicial.

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As datas que marcaram o caso

O caso de Sivarasa passou por três instâncias do sistema judicial saudita em menos de três meses após a primeira sentença. Em seguida, advogados do Sri Lanka se juntaram à equipe saudita para preparar o recurso apresentado à Suprema Corte.

  • Setembro de 2025: Sivarasa viajou para a Arábia Saudita a trabalho.
  • Junho de 2026: Uma discussão nas redes sociais ocorreu após a circulação de imagens de um cachorro que acompanhava peregrinos hindus sendo chutado.
  • Julho de 2026: As autoridades sauditas prenderam Sivarasa por causa de seu comentário no Facebook.
  • 27 de julho: O Tribunal Criminal de Al-Ahsa impôs cinco anos de prisão e uma multa de três milhões de riais sauditas.
  • 17 de setembro: O tribunal de apelação da Região Oriental aumentou a pena para morte.
  • 11 de outubro: Advogados apresentaram recurso à Suprema Corte.
  • 13 de outubro: A Suprema Corte anulou a pena de morte, segundo Hemachandra.
  • 14 de outubro: Hemachandra anunciou publicamente a decisão.
  • 17 de outubro: Uma nova audiência está marcada, segundo a família de Sivarasa.

A decisão da Suprema Corte veio 26 dias após a imposição da pena de morte e dois dias depois da apresentação do recurso. As datas mostram a rapidez com que o último recurso avançou, após semanas de crescente preocupação entre os parentes e as autoridades do Sri Lanka.

Advogados e diplomatas atuaram em frentes paralelas

A família de Sivarasa pediu ajuda ao governo do Sri Lanka e se reuniu com o presidente Anura Kumara Dissanayake, que garantiu que os esforços para salvá-lo continuariam. O Sri Lanka enviou uma delegação jurídica especializada à Arábia Saudita para trabalhar com advogados locais.

A delegação incluía o advogado Azad Navavi, com título de President's Counsel, Faiszer Musthapha, Upul Kumarapperuma e Hafeel Farisz. O embaixador do Sri Lanka na Arábia Saudita, Amir Ajwad, também teve papel diplomático de destaque.

Os advogados prepararam o recurso à Suprema Corte enquanto autoridades conduziam conversas com representantes sauditas. Musthapha, que também é parlamentar do Sri Lanka, disse que as negociações diplomáticas precederam a reversão da sentença. Após o anúncio, afirmou que a equipe jurídica estava analisando a decisão.

Hemachandra agradeceu ao secretário do Ministério das Relações Exteriores e aos funcionários do ministério, ao presidente e aos integrantes do Departamento de Emprego no Exterior do Sri Lanka, ao embaixador e às equipes jurídicas dos dois países. Em sua declaração, ele atribuiu o resultado ao trabalho jurídico e diplomático contínuo.

O recurso judicial e as conversas diplomáticas cumpriram funções diferentes. Os advogados contestaram a sentença pelos procedimentos judiciais sauditas, enquanto autoridades do Sri Lanka buscaram cooperação e apoio para um cidadão que enfrentava a execução no exterior.

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Família aguarda notícias e esclarecimentos

Os parentes de Sivarasa passaram semanas angustiados antes da decisão da Suprema Corte. A família disse que não conseguia entrar em contato com ele desde 28 de setembro. Seu irmão também afirmou, no início de outubro, que Sivarasa havia sido transferido para uma prisão onde execuções eram realizadas.

Os pais, o irmão e outros parentes próximos se reuniram na casa da família em Narpittimunai quando surgiu a notícia da reversão da sentença. O irmão disse que a ligação de Hemachandra trouxe algum conforto, mas explicou que a família esperaria a próxima audiência para se sentir realmente tranquila.

A família agradeceu ao governo do Sri Lanka, ao Ministério das Relações Exteriores, aos diplomatas, líderes religiosos e políticos pelos esforços. Sua preocupação imediata continuava sendo a conclusão do processo e o retorno de Sivarasa para junto dos parentes.

Dissanayake saudou a decisão da Suprema Corte e afirmou que ela trouxe alívio a Sivarasa, à família e aos cidadãos do Sri Lanka que acompanharam o caso. O presidente prometeu continuar oferecendo assistência até a conclusão das etapas judiciais restantes e falou sobre a responsabilidade do governo para com os cidadãos que trabalham no exterior:

Nenhum cidadão do Sri Lanka que deixe nosso país em busca do próprio sustento deve jamais sentir que está sozinho.

Líderes políticos pedem que os esforços continuem

O líder da oposição do Sri Lanka, Sajith Premadasa, saudou a decisão e agradeceu aos envolvidos, entre eles Musthapha e Kumarapperuma. Também manifestou reconhecimento aos funcionários da embaixada que trabalharam no caso.

Rishad Bathiudeen, líder do Congresso Popular de Todo o Ceilão e parlamentar, disse esperar que as etapas restantes terminem com a libertação plena de Sivarasa e seu retorno em segurança ao Sri Lanka. Ele agradeceu aos governos saudita e do Sri Lanka, ao líder da oposição, a grupos da sociedade civil e a organizações comunitárias.

Bathiudeen também falou sobre o amor e o respeito dos muçulmanos pelo profeta Maomé, ao mesmo tempo que defendeu meios legais e pacíficos para buscar justiça. Sua manifestação combinou a preocupação religiosa com o comentário e o apoio ao retorno seguro de Sivarasa para junto da família.

Shanakkiyan Rasamanickam, parlamentar do partido Tamil Arasu Kachchi do Sri Lanka, disse que os esforços continuariam até que Sivarasa concluísse o processo judicial, voltasse em segurança e se reunisse com os parentes. Ele pediu que as autoridades do Sri Lanka e da Arábia Saudita continuassem cooperando.

As manifestações de representantes do governo e da oposição tinham um objetivo concreto em comum: concluir as etapas restantes e trazer Sivarasa para casa. Eles também reconheceram o trabalho de advogados, diplomatas e grupos comunitários envolvidos na busca por uma solução.

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Anistia contestou a acusação e o tratamento recebido

Pouco antes da decisão da Suprema Corte, a Anistia Internacional pediu à Arábia Saudita que anulasse a condenação de Sivarasa e o libertasse incondicionalmente. Suas objeções diziam respeito tanto à punição por seu comentário quanto à alegada falta de representação jurídica nas primeiras etapas do processo.

Heba Morayef, diretora da Anistia Internacional para o Oriente Médio e o Norte da África, argumentou que manifestações ofensivas não deveriam levar à prisão nem à execução:

Ninguém deveria ser preso, muito menos enfrentar a execução, simplesmente por expressar suas opiniões, mesmo que sejam consideradas insultuosas ou ofensivas.

A Anistia também criticou a falta de um código penal abrangente e escrito na Arábia Saudita, afirmando que isso deixa muitos delitos e punições sujeitos à interpretação judicial. Um código penal define crimes e suas penas em lei escrita, ajudando as pessoas a entender quais condutas podem levar a processos e quais punições podem ser aplicadas.

Em sua declaração de 7 de outubro, a organização afirmou que a Arábia Saudita havia executado pelo menos 175 pessoas em 2026 até 5 de outubro, entre elas pelo menos 94 cidadãos estrangeiros de mais de 20 países. Os estrangeiros representavam, portanto, cerca de 54% do total registrado, ou pouco mais da metade.

Para Sivarasa, o acesso a advogados, a assistência diplomática e o recurso à Suprema Corte se tornaram fundamentais para contestar a pena de morte. A próxima previsão de esclarecimento para a família é a audiência de 17 de outubro, enquanto autoridades do Sri Lanka prometeram continuar apoiando-o durante as etapas restantes do processo.

Principais pontos

  • A Suprema Corte da Arábia Saudita anulou a pena de morte de Anojan Sivarasa em 13 de outubro de 2026, segundo o vice-ministro das Relações Exteriores do Sri Lanka.
  • O trabalhador da construção civil de Narpittimunai foi processado por um comentário no Facebook que apagou e ao qual se seguiu um pedido de desculpas.
  • A sentença inicial foi de cinco anos de prisão e multa de três milhões de riais sauditas, antes de um tribunal de apelação impor a pena de morte.
  • Advogados do Sri Lanka e da Arábia Saudita apresentaram o recurso à Suprema Corte em 11 de outubro.
  • A família afirma que uma nova audiência está marcada para 17 de outubro.
  • A decisão completa e os detalhes sobre as penas restantes, a detenção e o retorno de Sivarasa para casa ainda não haviam sido esclarecidos publicamente.
  • Líderes do Sri Lanka prometeram continuar oferecendo apoio, enquanto a Anistia Internacional pediu sua libertação incondicional.
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