Apagões se agravam no sudoeste de Bangladesh, com déficit de energia em 21 distritos

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Power cuts deepen across southwestern Bangladesh as supply falls short in 21 districts

Déficit de energia no início da noite chega a 116 megawatts

A escassez de eletricidade em 21 distritos do sudoeste de Bangladesh se agravou em 14 de outubro, quando a West Zone Power Distribution Company (WZPDCL) registrou um déficit de 116 megawatts no início da noite. A demanda chegou a 694 megawatts, enquanto a oferta ficou em 578 megawatts, deixando indisponível cerca de um sexto da eletricidade necessária.

Conteúdo
  1. Déficit de energia no início da noite chega a 116 megawatts
  2. Com que rapidez o déficit aumentou?
  3. Khulna e Barishal enfrentaram pressões diferentes
  4. Apagões repetidos atrapalham a rotina
  5. Moradores da zona rural relatam interrupções mais longas
  6. Fazendas de camarão precisam de eletricidade para manter os estoques vivos
  7. Fábricas enfrentam custos mais altos e produção interrompida
  8. Falta de combustível mantém usinas paradas
  9. Por que é difícil substituir a capacidade disponível
  10. Principais pontos

Khulna e os distritos vizinhos enfrentaram interrupções repetidas, que prejudicaram os estudos, o preparo das refeições, a refrigeração e as operações industriais. Belal Hossain, morador de Goborchaka, em Khulna, relatou apagões de até uma hora e meia por vez e estimou que seu bairro ficou sem eletricidade por 13 a 14 horas.

A sala central de controle de eletricidade da WZPDCL registrou um déficit de 101 megawatts pouco depois das 13h daquele dia, mesmo fora do período noturno de maior demanda. Na tarde anterior, o déficit havia sido de 36 megawatts.

A demanda de eletricidade, na verdade, caiu entre essas duas medições da tarde. A oferta caiu muito mais rapidamente, transformando uma diferença menor em um déficit quase três vezes maior. Os números apontam para a redução da disponibilidade de eletricidade como problema imediato, e não para um aumento repentino do consumo regional.

Relatos da zona rural de Khulna e do setor de camarões mostram como as interrupções repetidas vão além do desconforto doméstico. Estudantes perdem tempo de estudo, as fazendas têm dificuldade para manter a água oxigenada, e os exportadores gastam mais com geradores para proteger produtos congelados.

Com que rapidez o déficit aumentou?

As medições da WZPDCL nos dias 13 e 14 de outubro mostram que os déficits cresceram tanto à tarde quanto à noite. O racionamento de energia consiste em cortar deliberadamente o fornecimento a alguns consumidores quando a oferta disponível não consegue atender à demanda.

  • 13 de outubro, 13h: a demanda foi de 741 megawatts e a oferta, de 705 megawatts, deixando um déficit de 36 megawatts.
  • 13 de outubro, 19h: a demanda foi de 721 megawatts e a oferta, de 642 megawatts, deixando um déficit de 79 megawatts.
  • 14 de outubro, pouco depois das 13h: a demanda foi de 661 megawatts e a oferta, de 560 megawatts, deixando um déficit de 101 megawatts.
  • 14 de outubro, à noite: a demanda foi de 694 megawatts e a oferta, de 578 megawatts, deixando um déficit de 116 megawatts.
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A demanda da tarde caiu 80 megawatts entre as duas datas, mas a oferta recuou 145 megawatts. Com isso, a parcela da demanda não atendida passou de cerca de 4,9% para 15,3%.

À noite, a oferta caiu 64 megawatts, enquanto a demanda recuou 27 megawatts. O déficit resultante aumentou 37 megawatts, ou cerca de 47%, em relação à noite anterior.

Um megawatt mede a potência em um determinado momento. Essas medições indicam o tamanho da lacuna de eletricidade nos horários informados. As horas sem energia em cada residência dependem de como a distribuidora distribui os cortes pela rede.

Khulna e Barishal enfrentaram pressões diferentes

A zona de Khulna respondeu por 81 megawatts do déficit registrado na noite de 14 de outubro. A demanda foi de 528 megawatts, ante uma oferta de 447 megawatts. A zona de Barishal precisava de 166 megawatts, mas recebeu 131 megawatts, ficando com um déficit de 35 megawatts.

Khulna, portanto, teve o maior déficit em termos absolutos, enquanto Barishal perdeu uma parcela maior da oferta necessária. Cerca de 15,3% da demanda noturna da zona de Khulna não foi atendida, ante 21,1% na zona de Barishal.

A situação de Barishal à tarde foi ainda mais difícil. Uma oferta de 138 megawatts para uma demanda de 180 megawatts deixou um déficit de 42 megawatts, equivalente a cerca de 23,3% da demanda. O déficit da tarde na zona de Khulna foi de 59 megawatts, para uma demanda de 481 megawatts.

Na tarde anterior, a zona de Barishal havia recebido todos os 174 megawatts de que precisava. A passagem de uma oferta plena para um déficit expressivo ajuda a explicar por que os moradores puderam sentir uma piora acentuada em apenas um dia.

A discriminação por distrito para a noite de 14 de outubro indicou déficits de 29 megawatts em Khulna, 22 megawatts em Barishal, 13 megawatts em Rajbari e 12 megawatts em Faridpur. No entanto, a soma de todos os valores distritais chega a 129 megawatts, ante o total regional de 116 megawatts informado pela sala de controle. Os totais regionais e das zonas são compatíveis entre si; a discriminação por distrito contém uma divergência numérica ainda não esclarecida.

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Apagões repetidos atrapalham a rotina

Moradores de Khulna relataram que a eletricidade faltava durante tarefas essenciais, sem intervalos convenientes ou previsíveis. Ambia Khatun, de Boyra, disse que a escassez de gás já existente levou as famílias a depender da eletricidade, tornando mais difícil lidar com os cortes repetidos. Latika Rani, de Tutpara, descreveu uma piora repentina que interrompeu tarefas urgentes.

Outros relatos mencionam sete ou oito interrupções em 24 horas. Hajera Khatun, moradora de Nirala, em Khulna, disse que os cortes ocorriam tanto durante o dia quanto à noite. O estudante universitário Imon Sheikh relatou dificuldade para estudar no calor e que voltou a usar velas.

Meghla Mollick, candidata ao exame HSC da vila de Debitala, em Batiaghata, descreveu o impacto nos estudos:

Desde a semana passada, a energia acaba a cada duas ou três horas, durante o dia e à noite. Isso está prejudicando seriamente meus estudos.

Sua mãe, Pritilata Mollick, disse que a família não tinha um sistema de energia reserva. Outros moradores relataram que alimentos estragavam nas geladeiras e que ventiladores recarregáveis ou unidades de energia de reserva não conseguiam recarregar o suficiente entre as interrupções.

Cortes repetidos podem deixar pouco tempo para que as residências se recuperem na prática. A eletricidade pode voltar, mas uma nova interrupção pode ocorrer antes que as baterias recarreguem ou que a geladeira recupere a temperatura.

Moradores da zona rural relatam interrupções mais longas

Moradores da zona rural de Khulna relataram apagões de até 10 horas por dia, com Batiaghata, Dacope, Dumuria e Koyra entre as áreas mais afetadas. O serviço de eletricidade nessas localidades também é fornecido por outra distribuidora, a Khulna Palli Bidyut Samiti, além do quadro regional mais amplo descrito pela WZPDCL.

A WZPDCL atende aproximadamente 1,4 milhão de consumidores de eletricidade, incluindo cerca de 245 mil em Khulna. Tushar Kanti Mondal, gerente-geral da Khulna Palli Bidyut Samiti, disse que a concessionária atende cerca de 450 mil consumidores e tem demanda de pico de aproximadamente 80 a 85 megawatts.

Mondal informou que, às 15h, a demanda era de 74 megawatts e a oferta, de 71 megawatts, um déficit de 3 megawatts. A medição de uma distribuidora em um único horário mostra uma parte diferente do sistema em relação aos relatos dos moradores sobre as interrupções acumuladas ao longo do dia.

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Outras medições da WZPDCL também mostram pressão regional persistente. Em uma quinta-feira, às 13h, a demanda de 659 megawatts superou a oferta de 560 megawatts, deixando uma diferença de 99 megawatts. Ao anoitecer, a demanda era de aproximadamente 700 megawatts e o déficit ultrapassava 100 megawatts.

Uma medição feita em um domingo às 20h apontou demanda de 773 megawatts e oferta de 673 megawatts. A zona de Khulna respondeu por 71 megawatts desse déficit de 100 megawatts, e a zona de Barishal, por 29 megawatts.

As datas de outubro não incluem o ano, e as medições de quinta-feira e domingo não têm datas completas. Portanto, não é possível determinar a relação cronológica exata entre elas.

Fazendas de camarão precisam de eletricidade para manter os estoques vivos

Krishna Biswas, criadora de camarões na vila de Khalashi Bunia, descreveu o risco direto para sua criação quando falta eletricidade. A fazenda depende de aeradores, que ajudam a manter o oxigênio na água.

Biswas explicou por que as interrupções prolongadas durante o calor preocupam os criadores:

Se os aeradores pararem por causa do racionamento de energia, os camarões sofrerão. Com este calor intenso, apagões prolongados podem acabar com todo o estoque.

Os aeradores movimentam e misturam a água para que o oxigênio chegue aos animais criados. Assim, uma queda de energia pode interromper uma condição básica para manter os camarões vivos e provocar um tipo de emergência diferente do atraso em uma tarefa doméstica.

A Bangladesh Frozen Foods Exporters Association (BFFEA) afirma que apenas 30 das 109 fábricas de processamento de camarão registradas em Khulna estão em operação, além de 18 em Chattogram. A associação estima que a capacidade anual de processamento conjunta seja de cerca de 400 mil toneladas, mas diz que as fábricas recebem apenas cerca de 7% do volume de camarões de que precisam.

Esses números descrevem um setor que já enfrenta uma grave escassez de matéria-prima. A falta de confiabilidade no fornecimento de eletricidade acrescenta outro problema nas etapas de criação, processamento e armazenamento.

Fábricas enfrentam custos mais altos e produção interrompida

Shyamal Das, diretor da BFFEA e diretor-geral da MU Sea Food Limited, disse que a escassez de eletricidade já havia interrompido as operações das fábricas:

Essa escassez de eletricidade já obrigou muitas fábricas a suspender temporariamente as operações.

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Das disse que a queda da produção e o fechamento de fábricas ameaçam o sustento de quase seis milhões de pessoas que dependem direta ou indiretamente do setor de camarões. O alerta abrange toda a rede de atividades ligada à produção de camarão, e não apenas os funcionários das fábricas.

Humayun Kabir, outro diretor da BFFEA, descreveu o aumento dos custos com geradores para os exportadores de camarão congelado que tentam manter a temperatura das câmaras frigoríficas durante os apagões. Os geradores oferecem uma fonte alternativa de eletricidade, mas exigem combustível e aumentam as despesas operacionais.

A escassez de eletricidade afeta os negócios de várias maneiras. As fazendas precisam de energia para manter condições adequadas na água, as unidades de processamento precisam dela para operar máquinas, e os exportadores precisam de refrigeração confiável. Uma fábrica que recebe camarão em quantidade insuficiente também tem menos produção sobre a qual distribuir seus custos.

Falta de combustível mantém usinas paradas

Dados nacionais apontam para um problema mais amplo de geração por trás da pressão regional. Autoridades do Bangladesh Power Development Board (BPDB) atribuíram a paralisação de 35 usinas a diversas causas e apontaram a falta de combustível, sobretudo o fornecimento insuficiente de gás, como principal motivo. Segundo relatos, o racionamento de energia em todo o país chegou a 2.500 megawatts.

Dados do BPDB de 7 de outubro indicaram que as usinas a gás demandavam 2.524 milhões de pés cúbicos por dia, ante uma oferta de 895 milhões de pés cúbicos por dia. Essas usinas receberam cerca de 35,5% do gás solicitado, ficando com um déficit de 1.629 milhões de pés cúbicos por dia.

Um funcionário da Power Division estimou que Bangladesh dispõe de aproximadamente 1.600 milhões de pés cúbicos de gás por dia provenientes da produção doméstica e de outros 1.000 milhões de gás natural liquefeito (GNL) importado. O GNL é o gás resfriado até se tornar líquido para o transporte e reconvertido em gás antes do uso.

As usinas disputam esse fornecimento com os consumidores industriais. Autoridades disseram que destinar mais gás à geração de eletricidade poderia agravar a escassez nas fábricas e prejudicar as exportações.

As paralisações das usinas também foram causadas por manutenção, contratos vencidos e problemas mecânicos. Dados do BPDB listaram interrupções que afetaram Ghorashal, Bheramara, Baghabari e Sirajganj, entre outras instalações. Também foi informado que todas as unidades da usina a carvão de Barapukuria estavam paradas.

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Por que é difícil substituir a capacidade disponível

Um funcionário da Power Division estimou o custo de geração de eletricidade em cerca de Tk25 por unidade com óleo combustível, Tk13 a Tk14 com carvão e Tk7 com gás. Uma unidade de eletricidade equivale a um quilowatt-hora, a energia consumida por um aparelho de um quilowatt ligado durante uma hora.

Com esses valores, gerar eletricidade com óleo combustível custa cerca de 3,6 vezes mais do que com gás. Substituir a geração a gás interrompida por geração a óleo, portanto, exige muito mais dinheiro, além de combustível disponível e usinas em funcionamento.

A Power Grid Company of Bangladesh registrou um racionamento nacional de 2.040 megawatts à 1h de 7 de outubro, que caiu para 859 megawatts às 8h e voltou a subir, chegando a 1.161 megawatts às 16h. Essas medições mostram como os déficits podem variar consideravelmente em um único dia.

BD Rahmat Ullah, ex-diretor-geral da Power Cell, relacionou o problema a decisões de planejamento que ampliaram as instalações de geração sem garantir combustível suficiente:

"Como resultado, temos usinas, mas não podemos operá-las por causa da falta de combustível", disse ele.

Rahmat Ullah defendeu a geração de eletricidade renovável e o armazenamento em baterias, citando o uso de energia solar durante o dia e de eletricidade armazenada à noite. Sua proposta trata do planejamento de longo prazo do fornecimento, enquanto os relatos do sudoeste de Bangladesh descrevem moradores e empresas lidando com interrupções repetidas usando a eletricidade atualmente disponível.

Principais pontos

  • A WZPDCL registrou um déficit de 116 megawatts à noite em 21 distritos em 14 de outubro, diante de uma demanda de 694 megawatts.
  • O déficit da tarde aumentou de 36 para 101 megawatts em um dia, apesar da queda na demanda de eletricidade.
  • A zona de Khulna teve o maior déficit noturno, enquanto Barishal perdeu uma parcela maior da oferta necessária.
  • Moradores relataram prejuízos aos estudos, à rotina doméstica e à refrigeração, além de apagões prolongados nas áreas rurais.
  • Criadores e exportadores de camarão enfrentam riscos para os estoques, interrupções na produção e custos mais altos com geradores.
  • A geração nacional de energia é limitada pela falta de combustível, além de manutenção, vencimento de contratos e problemas nos equipamentos.
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