Plano para estufas em Tashkent combina controles mais rigorosos e apoio financeiro
O Uzbequistão propõe um regime ambiental especial para estufas em Tashkent e em cinco distritos vizinhos, combinando restrições a combustíveis poluentes com subsídios de até 50 milhões de soms por hectare e empréstimos com condições preferenciais de até 3 bilhões de soms, com prazo de sete anos. O presidente Shavkat Mirziyoyev analisou o pacote em uma apresentação em 13 de outubro de 2026.
Conteúdo
- Plano para estufas em Tashkent combina controles mais rigorosos e apoio financeiro
- Quais fontes de aquecimento seriam permitidas?
- Testes malsucedidos de equipamentos complicam a defesa do uso de carvão
- Monitoramento começaria antes do prazo para a conversão
- Propriedades comerciais receberiam ajuda para custear a conversão
- Estufas domésticas teriam um pacote de apoio próprio
- Tratamento da água enfrentaria outra fonte de poluição
- Zona de Sherabad ofereceria uma alternativa para realocação e expansão
- Descontos em leilões de terrenos favoreceriam projetos elegíveis
- Mapa digital conectaria localização e necessidades energéticas
- Principais pontos
As propostas vão além dos sistemas de aquecimento. Incluem redução de impostos para estufas domésticas até 2030, assistência a famílias em 50 comunidades locais, infraestrutura para tratar a água contaminada das estufas e um programa de desenvolvimento para a zona econômica livre Surkhan-Agro, no distrito de Sherabad. Foram destinados 940 hectares à zona, com a meta de atrair US$ 100 milhões em investimentos em 2027.
O foco imediato é a poluição ao redor da capital durante o outono e o inverno. Uma comissão especial fez um inventário das estufas no ano anterior e ajudou alguns operadores a migrar para fontes de energia mais limpas, mas algumas instalações ainda queimam carvão. Ventos mais fracos e inversões térmicas podem fazer com que as emissões se acumulem em Tashkent e nas áreas próximas.
Uma inversão térmica ocorre quando o ar mais quente fica acima do ar mais frio próximo ao solo, restringindo a mistura que normalmente dispersa os poluentes. A apresentação apontou esse padrão climático sazonal como motivo para controles mais rigorosos sobre as estufas. Não foi informado qual é a parcela da poluição da capital atribuída a essas propriedades.
Grande parte do pacote ainda está em fase de proposta. Essa distinção é importante para os operadores que planejam investimentos: subsídios, isenções fiscais e exceções para combustíveis propostos não equivalem à confirmação de acesso a recursos ou de autorização para continuar operando. No entanto, alguns incentivos na zona econômica de Sherabad foram descritos como já concedidos.
Quais fontes de aquecimento seriam permitidas?
O regime proposto permitiria o uso de gás natural, eletricidade, energia geotérmica, energia solar e calor residual de usinas termelétricas. Calor residual é o calor produzido durante a geração de eletricidade que pode ser aproveitado para outro fim, como aquecer uma estufa.
A categoria de energia mais limpa, portanto, é mais ampla que apenas a eletricidade renovável. O gás natural está entre os combustíveis permitidos, ao lado da eletricidade e de fontes renováveis. A principal mudança regulatória é restringir a forma como as estufas geram calor e controlam as emissões, e não exigir que todas as instalações funcionem exclusivamente com energia renovável.
Seria proibido queimar pneus, plásticos, betume, óleo combustível, óleos usados e resíduos. As estufas que usam combustíveis sólidos deveriam migrar para fontes de energia aprovadas até 1º de dezembro de 2026, a menos que se enquadrem em uma exceção com controles rigorosos.
Para obter essa exceção, seria necessário contar com armazenamento fechado de combustível, caldeiras automatizadas, equipamentos eficazes de filtragem de poeira e gases, gerador de reserva, coleta segura de cinzas e escória e chaminés com a altura exigida. As condições abrangem o manuseio do combustível, a combustão, o tratamento da poluição e o descarte do material que sobra após a queima. Os relatos da apresentação não especificaram a altura numérica das chaminés nem os limites de emissão.
Testes malsucedidos de equipamentos complicam a defesa do uso de carvão
Representantes de estufas pediram repetidamente autorização para continuar operando enquanto modernizam as instalações existentes. Eles propuseram instalar sistemas de aquecimento eficientes e monitorar online os poluentes atmosféricos, além de afirmar que estavam dispostos a reduzir as emissões aos níveis exigidos pelas autoridades ambientais.
Alguns representantes pediram especificamente autorização para manter o aquecimento a carvão caso instalassem caldeiras modernas e sistemas de filtragem. O Comitê Nacional de Ecologia e Mudanças Climáticas informou que proprietários de estufas apresentaram um protótipo de caldeira e filtro baseado em tecnologia chinesa.
Testes realizados em 30 de setembro e 8 de outubro constataram que as emissões nocivas desse equipamento não atendiam aos padrões de segurança estabelecidos. Os representantes foram instruídos a aprimorar o sistema de filtragem e submetê-lo a novos testes. O comitê afirmou que continuaria em vigor a proibição de operar estufas sem sistemas de aquecimento ambientalmente seguros na região da capital.
Os testes malsucedidos dão peso prático às regras propostas para as exceções. A simples instalação de uma caldeira e de um filtro não comprovaria que uma instalação atende aos requisitos de emissão. Os resultados divulgados se referem ao protótipo apresentado pelos operadores, e não a todos os sistemas de filtragem disponíveis para as estufas.
Monitoramento começaria antes do prazo para a conversão
Está previsto o monitoramento ambiental contínuo de 15 de outubro de 2026 a 15 de março de 2027. A iniciativa verificaria se os equipamentos de limpeza da poluição funcionam, quanto as instalações emitem e se os operadores cumprem as restrições ao uso de combustíveis.
Instrumentos de medição e sistemas de videomonitoramento transmitiriam dados em tempo real ao sistema de informação do Comitê Nacional de Ecologia. Drones e representantes da população também participariam. A abordagem combinaria leituras dos instrumentos com a observação dos equipamentos e das práticas operacionais.
O cronograma divulgado prevê o início do monitoramento antes do prazo de conversão de dezembro, e não depois dele. As principais datas são:
- 30 de setembro e 8 de outubro: testes de um protótipo de caldeira e sistema de filtragem não atenderam aos padrões de segurança.
- 13 de outubro de 2026: Mirziyoyev analisou as propostas para as estufas.
- 15 de outubro de 2026: início previsto do período de monitoramento.
- 1º de dezembro de 2026: prazo proposto para substituir combustíveis sólidos, sujeito a exceções para instalações que atendam aos requisitos.
- 15 de março de 2027: fim previsto do período de monitoramento.
Alguns relatos descrevem o cronograma como referente ao ano atual e ao ano seguinte, sem informar os anos-calendário. Outros especificam dezembro de 2026 e o período de monitoramento de outubro de 2026 a março de 2027, em consonância com o relato datado de 13 de outubro de 2026.
Seriam aplicadas medidas de fiscalização nos casos em que não houvesse equipamentos de filtragem, as emissões ultrapassassem os limites permitidos ou fossem usados combustíveis proibidos. As operações poderiam ser suspensas quando necessário. Os relatos da apresentação não especificam o valor das multas, um processo de recurso ou uma data para a adoção do pacote regulatório completo.
Propriedades comerciais receberiam ajuda para custear a conversão
Para as estufas que se adaptarem aos requisitos, autoridades propuseram subsídios de até 50 milhões de soms por hectare para equipamentos eficientes e ambientalmente amigáveis. Os empréstimos com condições preferenciais poderiam chegar a 3 bilhões de soms, com prazo de pagamento de sete anos.
O cálculo por hectare torna a área da estufa relevante para o limite do subsídio. Pela taxa máxima proposta, uma instalação de dois hectares teria um teto calculado de 100 milhões de soms. Trata-se de uma ilustração da fórmula, não da confirmação de que todas as propriedades elegíveis receberiam o valor integral.
Medidas à parte reduziriam o custo de compra e instalação de equipamentos de monitoramento ambiental. Isso atenderia a uma despesa adicional, além da substituição do sistema de aquecimento: os operadores talvez precisem de instrumentos e equipamentos de comunicação para comprovar que continuam cumprindo as regras.
O limite proposto para os empréstimos foi estimado em cerca de US$ 252.400. O valor em soms é a referência mais útil para o programa, pois o equivalente em dólares depende das taxas de câmbio. Não foram especificados juros, exigências de garantia, procedimentos de solicitação nem as regras para combinar empréstimos e subsídios.
Estufas domésticas teriam um pacote de apoio próprio
As propostas para estufas domésticas reduziriam em 50% os impostos sobre terrenos e imóveis até 2030, isentariam essas propriedades do imposto sobre o faturamento e reembolsariam metade dos custos de eletricidade dos sistemas que economizam energia. O imposto sobre o faturamento é calculado sobre a receita da empresa, e não sobre o lucro.
A medida relativa à eletricidade é descrita como uma compensação pela energia consumida por sistemas eficientes que atendam aos requisitos, e não como uma promessa geral de cobrir metade da conta de luz de todas as famílias. Os critérios de elegibilidade e o procedimento para solicitar o reembolso não foram detalhados.
Famílias em Tashkent e nas áreas vizinhas poderiam receber subsídios de até 100 milhões de soms para adotar fontes de energia mais limpas e equipamentos eficientes. Os empréstimos com condições preferenciais chegariam a até 300 milhões de soms para construir novas estufas ambientalmente amigáveis e a até 150 milhões de soms para modernizar instalações existentes.
Os relatos divergem sobre os valores destinados às famílias. Um relato menciona subsídios de até 300 milhões de soms e empréstimos de até 100 milhões de soms no parágrafo de abertura, antes de indicar, mais adiante, um teto de 150 milhões de soms para empréstimos destinados à modernização. O pacote descrito de forma mais consistente separa subsídios de 100 milhões de soms, empréstimos de 300 milhões de soms para construção e empréstimos de 150 milhões de soms para modernização. Ainda assim, esses valores representam apoio proposto, não recursos já concedidos.
Também estão previstas estufas ambientalmente seguras para famílias em situação de necessidade em 50 mahallas especializadas em agricultura em estufas. Mahallas são comunidades locais de bairro. O plano não especifica quantas famílias seriam beneficiadas nem como os destinatários seriam escolhidos.
Tratamento da água enfrentaria outra fonte de poluição
As autoridades também avaliaram a coleta, o tratamento e o reuso da água contaminada de drenagem e filtragem gerada pelas estufas. Propuseram criar um operador especializado e a infraestrutura necessária no distrito de Akhangaran.
Essa é uma tarefa ambiental distinta da redução das emissões pelas chaminés. A substituição das fontes de aquecimento não resolve a forma como uma propriedade lida com a água contaminada. A proposta criaria um serviço responsável pelo tratamento e pelo reuso, em vez de deixar o problema exclusivamente a cargo de cada operador.
Não foram especificados a capacidade de tratamento, o cronograma de construção, a tarifa do serviço nem a meta de qualidade da água. A apresentação também não quantificou o volume de água contaminada produzido pelas estufas nem quanto poderia ser reutilizado. Esses dados seriam necessários para avaliar a dimensão e o custo do serviço planejado.
Zona de Sherabad ofereceria uma alternativa para realocação e expansão
A zona econômica livre Surkhan-Agro, no distrito de Sherabad, é o principal componente de desenvolvimento regional. Foram destinados 940 hectares à zona e preparado um plano diretor. Autoridades propuseram instalações para estufas e logística agrícola, incluindo a transferência de estufas que atualmente constam nos balanços patrimoniais de bancos.
Estão previstas instalações em 400 hectares, que seriam oferecidas a investidores como projetos concluídos. Essa área representa aproximadamente 42,6% dos 940 hectares destinados à zona. Não se deve interpretar o número como 400 hectares exclusivamente de cultivo em estufas, pois inclui também instalações de logística agrícola.
Investidores receberam isenção do aluguel da terra por cinco anos e três anos de concessões nas tarifas de esgoto e de uso de águas subterrâneas. Esses benefícios foram descritos como já concedidos, diferentemente de vários outros incentivos que ainda estão em análise.
As propostas adicionais incluem isenções de cinco anos dos impostos sobre terrenos, imóveis e lucros, além de isenção de tarifas alfandegárias para equipamentos de estufas importados. A apresentação não informou uma data de conclusão das instalações previstas para os 400 hectares nem identificou investidores comprometidos a adquiri-las.
Descontos em leilões de terrenos favoreceriam projetos elegíveis
Autoridades propuseram leiloar terrenos da zona com preços iniciais equivalentes a 10% do valor normativo, ou avaliado. Para projetos acima de US$ 10 milhões e empresas que transferissem estufas da cidade de Tashkent ou da região de Tashkent, o preço inicial proposto cairia para 1%.
Assim, o preço inicial aplicável aos projetos elegíveis seria um décimo do preço inicial padrão proposto, uma redução de 90%. Como esses valores são preços iniciais de leilão, não necessariamente corresponderiam ao valor final pago após os lances.
O valor reduzido vincula a política de investimento regional ao programa ambiental nos arredores da capital. Uma empresa que transferisse sua operação de estufas de Tashkent poderia se qualificar para um preço inicial mais favorável no leilão, enquanto as propriedades que permanecessem próximas à capital ficariam sujeitas aos requisitos propostos de aquecimento e monitoramento.
Autoridades receberam a instrução de destinar 220 bilhões de soms à infraestrutura da zona e outros 200 bilhões de soms ao financiamento de projetos. Juntas, essas destinações somam 420 bilhões de soms, dos quais aproximadamente 52,4% seriam destinados à infraestrutura. A meta separada de US$ 100 milhões em investimentos é para 2027 e não deve ser interpretada como um valor já garantido.
Mapa digital conectaria localização e necessidades energéticas
Autoridades receberam a tarefa de preparar um mapa digital que mostre a localização das estufas, suas fontes de energia e os volumes de energia fornecidos. O mapa reuniria informações relevantes tanto para os controles de poluição quanto para a transição proposta dos sistemas de aquecimento.
O mapa poderia ajudar a distinguir as instalações que já usam fontes permitidas daquelas que precisam fazer a conversão. Registrar os volumes fornecidos também daria informações necessárias para avaliar as necessidades energéticas. A inclusão de gás, eletricidade ou calor residual na lista de fontes permitidas não significa, por si só, que todas as estufas tenham acesso a um fornecimento adequado.
As autoridades também receberam a instrução de desenvolver medidas para ampliar as oportunidades de venda de produtos de estufas nos mercados interno e externo. Não foram anunciados destinos específicos de exportação, acordos de venda ou um cronograma.
As próximas datas concretas do programa divulgado são o início do monitoramento, em 15 de outubro, e o prazo de conversão, em 1º de dezembro. Além delas, continuam pendentes detalhes importantes, como a aprovação final dos benefícios propostos, o acesso ao financiamento, as normas técnicas para exceções relativas a combustíveis sólidos e os resultados de eventuais novos testes do protótipo. O pacote combina a continuidade das operações sob condições mais rigorosas nas proximidades de Tashkent com incentivos à modernização ou à realocação, em vez de anunciar um direito incondicional para as propriedades existentes continuarem operando.
Principais pontos
- Está sendo proposto um regime ambiental especial para estufas em Tashkent e em cinco distritos vizinhos.
- O prazo proposto para substituir combustíveis sólidos é 1º de dezembro de 2026, com exceções sujeitas a requisitos técnicos rigorosos.
- O monitoramento está previsto para o período de 15 de outubro de 2026 a 15 de março de 2027; violações podem levar à suspensão das operações.
- O apoio às propriedades comerciais incluiria subsídios de até 50 milhões de soms por hectare e empréstimos de até 3 bilhões de soms por sete anos.
- As propostas para estufas domésticas incluem alívio tributário, subsídios de até 100 milhões de soms e empréstimos distintos para construção e modernização.
- Um protótipo de caldeira e sistema de filtragem não passou nos testes de segurança de 30 de setembro e 8 de outubro.
- Foram destinados 940 hectares à Surkhan-Agro, com instalações previstas em 400 hectares e uma meta de investimentos de US$ 100 milhões para 2027.
- Vários incentivos continuam sendo propostas, sem regras detalhadas de elegibilidade e implementação.






