Uma cobrança de 300 baht pode consumir um dia de trabalho
Uma contribuição de 10% sobre uma conta médica de 3.000 baht custaria 300 baht, o equivalente a um dia inteiro de trabalho para alguém que receba esse valor, e a metade do auxílio de 600 baht pago a alguns idosos. Esse cálculo está no centro de uma campanha comunitária contra mudanças na Lei de Segurança Sanitária Nacional da Tailândia, de 2002.
Conteúdo
- Uma cobrança de 300 baht pode consumir um dia de trabalho
- O que a emenda proposta mudaria
- A lei em vigor já tem um histórico de cobranças
- Por que ativistas dizem que os pacientes já contribuem
- Relatos de pacientes mostram que há mais em jogo do que a conta hospitalar
- Quem decide sobre os benefícios e os orçamentos?
- A disputa se repete ao longo dos anos
- A pressão financeira é real, mas os números antigos precisam de contexto
- Alternativas priorizam a prevenção e a integração dos três fundos
- Pontos principais
Wimon Thawinpong, líder comunitária no distrito de Sai Mai, em Bangkok, participou de uma marcha contra a emenda em 5 de outubro de 2026. Em declarações publicadas em 12 de outubro, ela pediu aos legisladores que barrassem mudanças que poderiam exigir que usuários do sistema de Cobertura Universal, conhecido popularmente como cartão dourado, pagassem mais ao receber tratamento.
Seu alerta diz respeito à escolha que se impõe às famílias com pouco dinheiro depois de pagar pela comida e por outras necessidades: arcar com o tratamento ou preservar a renda da família. Ela teme que alguns pacientes suportem a doença em vez de procurar atendimento. O cálculo de 10% foi apresentado como ilustração desse risco, não como confirmação de uma cobrança aprovada.
A disputa também envolve quem controla os gastos com saúde, quanta influência os pacientes mantêm e se a pressão financeira deve ser enfrentada por meio de financiamento hospitalar, reformas nas compras de serviços ou cobranças no momento do atendimento. Um comunicado oficial de 2012 mostra que o histórico legal é mais complexo do que uma simples divisão entre atendimento gratuito e pago: a lei em vigor já previa uma cobrança limitada de 30 baht, com isenções.
O que a emenda proposta mudaria
A comissão de saúde pública do Senado propôs alterar a Lei de Segurança Sanitária Nacional em julho de 2026, em meio a discussões sobre possíveis contribuições dos pacientes. Esperava-se que a proposta chegasse ao Parlamento em setembro ou outubro. Em 26 de agosto, o Conselho de Consumidores da Tailândia organizou uma coletiva de imprensa contra a proposta no hotel Amari Don Muang, em Bangkok.
Ativistas alertaram que as mudanças poderiam dificultar o acesso ao tratamento sem cobranças adicionais. Também questionaram possíveis alterações no Conselho Nacional de Segurança Sanitária e na redação usada para descrever os serviços cobertos. São preocupações sobre uma proposta, não evidências de que o Parlamento tenha aprovado um sistema específico de pagamento.
Os relatos não estabelecem uma alíquota final de contribuição, um teto de pagamento, uma lista completa de isenções nem a confirmação de uma votação parlamentar. Esses detalhes são importantes: uma taxa fixa, um percentual da conta e uma cobrança restrita a determinados serviços imporiam custos diferentes aos pacientes.
A lei em vigor já tem um histórico de cobranças
O comunicado de 2012 sobre pagamentos do Conselho Nacional de Segurança Sanitária oferece uma referência jurídica concreta. Emitido com base no parágrafo dois da Seção 5 da Lei de Segurança Sanitária Nacional, ele estabeleceu uma contribuição de 30 baht por consulta que se enquadrasse nos critérios e envolvesse tratamento e recebimento de medicamentos.
O comunicado se aplicava a prestadores designados, incluindo hospitais do Ministério da Saúde Pública de nível distrital ou superior, outros hospitais estatais, hospitais universitários e hospitais privados de nível equivalente. Foi assinado em 27 de julho de 2012 por Witthaya Buranasiri, então ministro da Saúde Pública e presidente do conselho, e entrou em vigor em 1º de setembro daquele ano.
As isenções abrangiam ações de promoção da saúde e prevenção de doenças, atendimento de urgência e emergência, pessoas pobres, outros grupos designados pelo ministro da Saúde Pública e serviços em unidades abaixo do nível de hospital distrital.
Esse documento comprova que a lei de 2002 já permitia uma forma definida de pagamento pelos pacientes. Não estabelece quanto cada paciente deve pagar hoje nem o que a emenda de 2026 exigiria. A distinção central está entre aquela cobrança fixa histórica, com isenções, e uma possível contribuição calculada como parte dos custos do tratamento.
Por que ativistas dizem que os pacientes já contribuem
Wimon argumenta que os beneficiários do cartão dourado já ajudam a financiar os serviços públicos por meio dos impostos, incluindo o imposto sobre valor agregado cobrado em compras do dia a dia. Na visão dela, exigir um novo pagamento no hospital transferiria mais do ônus para quem tem menos condições de arcar com ele.
Ela também aponta para a distribuição de recursos do sistema por pessoa elegível. Essa abordagem, conhecida como capitação, prevê um valor fixo por pessoa coberta, em vez de tratar a contribuição de cada pessoa como uma conta médica separada. O compartilhamento de recursos permite que o dinheiro associado a quem precisa de pouco tratamento ajude a atender quem adoece gravemente.
Wimon acredita que esse compartilhamento torna desnecessárias cobranças adicionais dos pacientes. Suas declarações, porém, não apresentam uma avaliação financeira atual que comprove que o orçamento é suficiente. Seu argumento sobre riscos compartilhados e tributação deve ser distinguido de uma conclusão comprovada sobre as finanças dos hospitais.
Ela se lembra de pacientes que vendiam terras agrícolas, casas e outros bens para pagar contas médicas antes da criação do sistema. Sua preocupação é que cobranças mais altas voltem a obrigar as famílias a escolher entre proteger seu sustento e obter atendimento.
Relatos de pacientes mostram que há mais em jogo do que a conta hospitalar
Relatos de pacientes publicados em 27 de junho de 2017 ilustram por que mesmo cobranças relativamente modestas podem fazer diferença. Nimjin Jareno, então uma mulher desempregada de 60 anos, contou que tinha diabetes, pressão alta e asma e ia ao hospital a cada três meses. Para quem recebe tratamento regular, o pagamento é uma despesa recorrente, não um custo único de emergência.
Nimjin apoiava a ajuda voluntária de pessoas com mais recursos, em vez de contribuições obrigatórias. Ao mencionar uma caixa de doações em um hospital que oferecia café da manhã a pacientes com diabetes, ela disse:
Mas a escolha deve ser delas. Quem tem mais deve ajudar quem tem menos.
Boonlern Jaremnoerwittayakul, então dono de uma mercearia de 76 anos com pressão alta, disse que consultava um médico a cada três ou quatro meses. Ele se lembrou de um tratamento oftalmológico que teria custado 9.000 baht, mas pelo qual pagou 30 baht usando o cartão. Esse é o relato dele sobre um caso específico, não uma tabela de cobranças aplicável a todos os pacientes.
Waraporn Thongchalee, vendedora de roti e café, contou que recebeu atendimento de emergência sem pagar depois de se cortar com uma faca. O segurança Wiracha Sirinai disse que os gastos com transporte, alimentação e outros itens já influenciavam sua decisão de ir ao hospital ou comprar remédios em uma farmácia.
Essa preocupação também apareceu na campanha de agosto de 2026. Laphit Roekdee, secretário da Fundação Phayao para o Desenvolvimento, alertou que pessoas que moram longe dos hospitais enfrentariam cobranças pelo atendimento além dos custos de deslocamento. Mesmo uma taxa hospitalar baixa pode ser difícil de pagar quando a viagem já consome uma parte considerável da renda familiar.
Quem decide sobre os benefícios e os orçamentos?
Meena Duangrasi, presidente do centro de proteção aos direitos dos usuários do cartão dourado em Surin, alertou que um conselho reformulado poderia incluir mais prestadores de serviços e uma proporção menor de representantes da população. Ela teme que isso reduza a influência dos pacientes sobre os serviços, as políticas e os gastos.
Ela também questionou uma possível distinção entre benefícios básicos e outros tratamentos. Se alguns medicamentos ou serviços ficarem fora de um pacote básico, teme que os pacientes sejam obrigados a contribuir mesmo quando o atendimento for clinicamente necessário. Só a redação exata de uma emenda aprovada permitiria determinar se esse risco se tornaria uma exigência legal.
Chalom Ketjinda, farmacêutico e vice-presidente da associação de consumidores de Songkhla, lembrou que 50 mil assinaturas de cidadãos ajudaram a levar ao processo legislativo uma proposta de lei do cartão dourado em 2002. Ele defendeu mais financiamento por pessoa elegível, apoio aos profissionais da saúde e a continuidade da participação popular por meio de fundos locais de saúde, em vez de tratar defensores dos pacientes e profissionais da saúde como lados opostos.
A disputa se repete ao longo dos anos
A campanha de 2026 vem na esteira de debates anteriores sobre emendas e contribuições dos pacientes. A cronologia mostra que preocupações semelhantes surgiram em diferentes contextos políticos, embora as propostas não devam ser tratadas como um único projeto de lei contínuo.
- 2002: A Lei de Segurança Sanitária Nacional estabeleceu a estrutura jurídica no centro da disputa.
- 27 de julho de 2012: O Conselho Nacional de Segurança Sanitária emitiu o comunicado que previa a cobrança de 30 baht, com vigência a partir de 1º de setembro.
- Junho de 2017: Audiências sobre a emenda foram alvo de protestos, e três das quatro sessões foram canceladas depois que ativistas se retiraram ou se reuniram em oposição.
- 12 de fevereiro de 2019: Líderes de quatro grandes partidos foram mencionados como contrários a uma proposta de que os pacientes pagassem de 10% a 20% dos custos do tratamento.
- Julho e agosto de 2026: A comissão do Senado propôs emendas, seguida pelo evento de oposição do Conselho de Consumidores em 26 de agosto.
- Outubro de 2026: Wimon participou da marcha de 5 de outubro e fez novas críticas, publicadas em 12 de outubro.
Em 2017, o primeiro-ministro Prayut Chan-o-cha disse que o cartão dourado não seria encerrado. O ministro da Saúde Pública Piyasakol Sakolsatayadorn afirmou que a emenda visava à má gestão financeira de alguns prestadores de serviços médicos, não aos usuários do cartão. Essas garantias divergiam dos temores expressos por manifestantes e pacientes; nenhuma delas estabelece o conteúdo da proposta distinta de 2026.
Os números de beneficiários também variam. Wimon citou mais de 45 milhões, enquanto a campanha de agosto de 2026 mencionou 47 milhões. O relato de pacientes de junho de 2017 e o debate político de fevereiro de 2019 falavam em cerca de 48 milhões, enquanto uma discussão financeira separada, também de junho de 2017, mencionava cerca de 49 milhões. Essas estimativas, feitas em datas diferentes, não devem ser interpretadas como uma tendência comprovada sem dados consistentes de adesão.
A pressão financeira é real, mas os números antigos precisam de contexto
Dados históricos de gastos mostram por que o financiamento continua fazendo parte do debate. O orçamento da Cobertura Universal passou de 55,3 bilhões de baht em 2003 para 165 bilhões de baht no ano fiscal de 2017. Isso representa um aumento de 109,7 bilhões de baht, ou cerca de 198%, fazendo com que o orçamento mais recente fosse quase três vezes maior que o anterior.
Um relato financeiro de junho de 2017 também descreveu uma alocação emergencial de 5 bilhões de baht para cinco hospitais com problemas de liquidez. Ter liquidez significa dispor de dinheiro suficiente para cobrir despesas imediatas. Um sistema pode proteger os pacientes de contas médicas enquanto prestadores individuais ainda têm dificuldades para pagar os custos operacionais.
O mesmo relato estimou que as pessoas com 60 anos ou mais representavam 14% da população em 2016 e projetou que seriam um quarto até 2025. Informou que os gastos com assistência social aos idosos foram de 270 bilhões de baht em 2014, com projeção de 680 bilhões de baht até 2024. Esse total mais amplo de assistência incluía pensões e auxílios, não apenas cuidados de saúde pelo cartão dourado.
Esses eram números e projeções históricos, não resultados de 2026 confirmados. Eles explicam a preocupação de longa data com o financiamento de uma população que envelhece, mas não provam que as contribuições dos pacientes sejam necessárias agora.
Um paciente entrevistado em 2017 disse que a alocação por pessoa havia subido de 1.500 para 3.200 baht. Essa lembrança não corresponde a uma taxa oficial atual de financiamento. Para avaliar o orçamento de hoje, seriam necessários dados atuais sobre alocações, custos dos tratamentos e contas dos prestadores, nenhum dos quais está estabelecido aqui.
Alternativas priorizam a prevenção e a integração dos três fundos
A oposição às cobranças dos pacientes ultrapassou as divisões partidárias em fevereiro de 2019. Pheu Thai, Palang Pracharath, Partido Democrata e Future Forward rejeitaram as contribuições propostas de 10% a 20%, mas apresentaram diferentes caminhos para melhorar o atendimento à saúde.
Khunying Sudarat Keyuraphan, então presidente do comitê estratégico do Pheu Thai, defendeu a prevenção, a promoção da saúde e uma gestão orçamentária melhor. Em um seminário em Bangkok, ela disse:
O partido vai priorizar a prevenção e a promoção da saúde, além de ampliar a participação da população no sistema de saúde,
Suvit Maesincee, então vice-líder do Palang Pracharath, propôs reduzir os custos de medicamentos e insumos por meio de mudanças nas compras e aproximar os três principais fundos de saúde. Eles cobrem funcionários públicos, trabalhadores inscritos na previdência social e pessoas atendidas pela Cobertura Universal. Ele também defendeu que os pacientes pudessem receber atendimento em qualquer hospital.
Abhisit Vejjajiva, então líder do Partido Democrata, pediu financiamento suficiente para o Escritório Nacional de Segurança Sanitária e argumentou que qualquer ônus adicional deveria recair sobre quem produz bens que contribuem para doenças, não sobre os pacientes. Thanathorn Juangroongruangkit, líder do Future Forward, disse que o orçamento nacional anual de 2,33 trilhões de baht era suficiente para financiar o sistema. Essa era uma posição política baseada no orçamento citado na época, não uma avaliação fiscal atual.
Em agosto de 2026, Sunthorn Suriyo, presidente do centro de proteção dos direitos dos consumidores de Kanchanaburi, voltou a propor a integração dos três fundos para reduzir as diferenças nos benefícios. A alternativa que se repete é melhorar a arrecadação, a distribuição e o uso do dinheiro público antes de cobrar mais dos pacientes.
O próximo passo decisivo é a publicação e a análise parlamentar de disposições precisas para a emenda. Previa-se que ela fosse apresentada em setembro ou outubro de 2026, mas não há confirmação de votação, alíquota de contribuição aprovada ou data de entrada em vigor. Até que esses detalhes sejam definidos, os alertas dos ativistas devem ser diferenciados das mudanças legais já em vigor.
Pontos principais
- Wimon Thawinpong, líder comunitária de Sai Mai, pediu aos legisladores que barrassem emendas que poderiam introduzir cobranças adicionais para os pacientes.
- O exemplo apresentado por ela mostra que uma parcela de 10% sobre uma conta de 3.000 baht seria de 300 baht, o equivalente a um dia de trabalho para alguém que receba esse valor.
- Um comunicado oficial de 2012 estabeleceu uma cobrança fixa de 30 baht, com isenções, incluindo para pessoas pobres e determinados atendimentos de emergência.
- Os ativistas também se opõem a possíveis reduções da representação da população e a restrições nos benefícios cobertos.
- Os orçamentos históricos mostram um aumento expressivo dos gastos, mas não esclarecem a situação financeira atual do sistema.
- Não há definição de uma taxa final de pagamento, de um sistema de isenções ou de confirmação de votação parlamentar para a proposta de 2026.






