Professores iniciam quase dois terços das mudanças em sala de aula
A Coreia do Sul registrou 575 substituições de professores regentes durante os períodos letivos em escolas públicas de ensino fundamental, médio e secundário entre 2023 e 2025, ante 415 entre 2020 e 2022. O aumento de 38,6% aponta para a crescente dificuldade de manter um único professor responsável pela turma durante todo o ano letivo.
Conteúdo
- Professores iniciam quase dois terços das mudanças em sala de aula
- Uma turma muda de professor seis vezes
- Dados anteriores mostram crescimento, com algumas divergências
- Escolas de ensino fundamental concentram boa parte das interrupções
- O que os alunos perdem quando o professor muda
- Suprema Corte diz que outras medidas devem ser tentadas primeiro
- Reclamações e direção escolar também são questionadas
- Protestos pedem mudanças nas leis sobre abuso e mais proteção
- Mais funções de regente são atribuídas a professores contratados por ano
- Principais pontos
Os dados do Ministério da Educação, enviados ao deputado Jeong Seong-guk, do Partido do Poder Popular, mostram que os próprios professores solicitaram 369 das substituições recentes, ou 64,2%. Essa categoria cresceu 42,5% em relação às 259 registradas nos três anos anteriores. As substituições solicitadas por pais aumentaram de 156 para 206, uma alta de 32,1%.
Essa distinção é importante. Embora as demandas dos pais estejam aumentando, a maior parte do crescimento registrado vem de professores que pedem para deixar a responsabilidade pela turma. Das 160 substituições adicionais entre os dois períodos, 110 foram iniciadas por professores e 50 por pais. Portanto, os professores responderam por 68,8% do aumento.
Esses números contabilizam mudanças na responsabilidade pela turma, não necessariamente pedidos de demissão do magistério. Um professor que deixa de atuar como regente pode continuar trabalhando na escola. Os dados também não demonstram que todas as substituições tenham sido resultado de uma denúncia maliciosa.
Dois relatos sobre turmas ilustram a pressão por trás de algumas saídas. Em Jeonju, uma turma do quinto ano teria passado por seis mudanças de professor regente em um ano. Em uma escola de ensino fundamental no sul da província de Gyeonggi, um professor pediu para deixar a função após repetidas acusações de discriminação e favorecimento. Ambos os casos mostram como uma disputa envolvendo uma família pode afetar a continuidade do ensino para uma turma inteira.
Uma turma muda de professor seis vezes
Na escola de ensino fundamental de Jeonju, pais reclamaram que um professor encarava uma criança com expressão hostil ou a deixava sem supervisão. Novas reclamações surgiram depois da chegada de professores substitutos, e a turma continuou mudando de regente.
Dois pais teriam feito, respectivamente, 113 e 61 ligações para reclamar, num total de 174 chamadas. O relato não demonstra que as acusações tenham sido comprovadas. Ele mostra, porém, o volume de contatos que a escola enfrentou enquanto os alunos precisavam se adaptar repetidamente a novos professores.
O professor de Gyeonggi enfrentou reclamações contínuas de um pai que alegava que seu filho era tratado de forma injusta, enquanto outras crianças recebiam tratamento preferencial. O professor negou discriminar os alunos, mas as reclamações continuaram. Após sofrer forte estresse, deixou as funções de regente no fim do primeiro semestre.
Esses exemplos descrevem caminhos diferentes para o mesmo resultado. Em um deles, as substituições sucessivas não encerraram as reclamações. No outro, o professor pediu para ser afastado da função. Nenhum dos relatos permite tratar a mudança de professor como prova de que uma reclamação era justificada ou de que a divergência subjacente foi resolvida.
Dados anteriores mostram crescimento, com algumas divergências
Uma divulgação anterior de dados do Ministério da Educação registrou 203 substituições de professores regentes em 2023, sendo 124 solicitadas por professores e 79 por pais. Os pedidos dos professores foram mais que o dobro dos 54 registrados em 2020. Os dados anteriores também registraram 55 pedidos de professores e 33 de pais entre janeiro e julho de 2024, um período parcial que não pode ser comparado diretamente com um ano inteiro.
A série divulgada foi:
- 2020: 71 substituições, sendo 54 pedidos de professores e 17 de pais.
- 2021: 142 substituições, sendo 90 pedidos de professores e 52 de pais.
- 2022: 206 substituições, sendo 118 pedidos de professores e 88 de pais.
- 2023: 203 substituições, sendo 124 pedidos de professores e 79 de pais.
- Janeiro a julho de 2024: 88 substituições, sendo 55 pedidos de professores e 33 de pais.
- 2023 a 2025: O agregado mais recente registra 575 substituições, incluindo 369 pedidos de professores e 206 de pais.
Há uma divergência entre as divulgações. Os totais anuais anteriores de 2020 a 2022 somam 419, enquanto a comparação mais recente informa 415. Os números anteriores de pedidos de professores somam 262, e não 259; os de pedidos de pais somam 157, e não 156. Não foi apresentada explicação para essas diferenças. O agregado mais recente sustenta o aumento informado de 38,6%, mas as duas divulgações não devem ser tratadas como uma única base de dados plenamente consistente.
Escolas de ensino fundamental concentram boa parte das interrupções
Das 203 substituições registradas em 2023, 125 ocorreram em escolas de ensino fundamental, o equivalente a 61,6% do total. As escolas de ensino médio registraram 36, e as de ensino secundário, 42.
A diferença é especialmente acentuada nos pedidos de pais. Em 2023, esses pedidos resultaram em 65 substituições em escolas de ensino fundamental, cinco em escolas de ensino médio e nove em escolas de ensino secundário. Assim, as escolas de ensino fundamental responderam por 65 das 79 substituições solicitadas por pais, ou cerca de 82,3%.
Um relato separado divide as 125 substituições no ensino fundamental em 65 solicitadas por pais e 60 que envolveram professores deixando a função. Esse relato também descreve 124 saídas voluntárias em 2023 como um dado referente ao ensino fundamental, embora a divulgação anterior identifique 124 como o total das escolas de ensino fundamental, médio e secundário. As descrições são conflitantes. O número de 60 é compatível com o total informado para o ensino fundamental; o de 124 não pode, ao mesmo tempo, descrever esse mesmo subconjunto.
A concentração no ensino fundamental é relevante porque a função de regente é mais abrangente nessa etapa. Em geral, um único professor leciona várias matérias e também cuida da rotina da turma e da orientação dos alunos. No ensino médio e no secundário, professores de disciplinas dão as aulas, enquanto um regente designado administra a turma e oferece apoio socioemocional. A saída de um professor regente no ensino fundamental pode, portanto, afetar tanto as aulas do dia a dia quanto o vínculo que ajuda a compreender as necessidades dos alunos.
O que os alunos perdem quando o professor muda
O sistema sul-coreano de professor regente se consolidou com o desenvolvimento do sistema escolar moderno, na década de 1950. A função vai além da frequência e da administração da turma. Os professores acompanham o progresso acadêmico, as amizades, o comportamento e as mudanças emocionais, além de manter contato com as famílias. No ensino secundário, também orientam os alunos sobre carreiras e educação continuada.
Esse trabalho depende do conhecimento acumulado. Um professor que assume a turma precisa descobrir quais alunos necessitam de apoio adicional, como funcionam as relações dentro da classe e quais preocupações já foram discutidas com os pais. Os alunos precisam reconstruir a confiança, às vezes repetidas vezes no mesmo ano.
Yang Jeong-ho, professor de educação da Universidade Sungkyunkwan, apontou os alunos como os que acabam sofrendo com essas mudanças. Segundo ele, os pais não devem tratar a substituição do professor regente como uma forma rotineira de resolver reclamações, e os professores que aceitam a função devem procurar manter a responsabilidade por seus alunos.
Continuidade, porém, não significa manter um professor independentemente das circunstâncias. A questão é saber se a substituição é necessária ou se a escola pode resolver uma divergência sem afastar a pessoa responsável pela turma. Essa distinção também aparece na abordagem da Suprema Corte às demandas por um novo professor regente.
Suprema Corte diz que outras medidas devem ser tentadas primeiro
Em uma decisão de 2023 sobre pedidos de substituição de professor regente, a Suprema Corte da Coreia do Sul entendeu que solicitações repetidas sem motivo legítimo podem configurar interferência indevida nas atividades educacionais.
Segundo a fundamentação da corte, mesmo quando os métodos de um professor apresentam um problema, a escola deve primeiro avaliar se uma mudança nesses métodos poderia resolvê-lo. A substituição deve ser uma medida complementar, em circunstâncias excepcionais nas quais o professor não consiga desempenhar a função adequadamente.
Essa abordagem não descarta reclamações sobre a prática em sala de aula. Ela distingue a necessidade de resolver um problema da suposição de que trocar o professor é a solução imediata. Uma preocupação pode justificar uma investigação ou uma mudança nos métodos de ensino sem exigir o afastamento do regente.
As normas dos órgãos regionais de educação também permitem a substituição quando surge uma situação inevitável relacionada à educação. O número crescente de pedidos de professores coloca outra questão diante dos dirigentes escolares: como preservar a estabilidade da turma quando o professor afirma que a situação atual se tornou insustentável.
Reclamações e direção escolar também são questionadas
Kim Dong-seok, chefe da Divisão de Autoridade Docente da Federação Coreana de Associações de Professores, atribuiu muitas saídas voluntárias à pressão durante a orientação de alunos ou investigações sobre violência escolar. Ele descreveu a avaliação da associação sobre os motivos que levam professores a deixar a função:
Fatores externos, e não circunstâncias pessoais, explicam a grande maioria dos casos.
Kim também disse que professores podem enfrentar falsas acusações de abuso infantil enquanto exercem essas funções. Essa é a avaliação dele sobre as pressões enfrentadas pelos professores, e não uma constatação de que todas as reclamações ou denúncias de abuso sejam infundadas.
Uma pesquisa da seção da província de Gyeongsang do Sul da União Coreana de Professores e Trabalhadores da Educação sugere que os pais não são a única fonte de pressão no trabalho. O levantamento constatou que 74,1% dos professores entrevistados relataram ter sofrido assédio no trabalho nos três anos anteriores. Entre esses participantes, 87,3% citaram um diretor ou vice-diretor, e 19,8% citaram pais. Esses percentuais não devem ser somados como categorias mutuamente excludentes, e uma pesquisa provincial não determina a prevalência nacional.
Dados separados do ministério registraram 748 casos denunciados de assédio contra professores entre janeiro de 2020 e setembro de 2023. Desses, 523, cerca de 69,9%, não resultaram em medidas contra os supostos responsáveis. Os números não explicam o desfecho de cada caso, mas mostram que as denúncias geralmente não levaram a ações disciplinares.
Professores de Gyeonggi e Gyeongsang do Sul também relataram que evitam aplicar medidas disciplinares por medo de reclamações e que recebem pouco apoio dos administradores. Esses relatos colocam a direção escolar no centro da resposta: encaminhar uma reclamação diretamente ao professor sem resolvê-la pode manter tanto a disputa quanto a interrupção na turma.
Protestos pedem mudanças nas leis sobre abuso e mais proteção
A morte por suicídio, em 2023, de um professor de 24 anos da Escola de Ensino Fundamental Seoi, em Seul, tornou-se um ponto de mobilização para manifestações em todo o país em defesa dos direitos dos professores. Acusações de interferência excessiva dos pais fizeram parte do debate público em torno da morte.
As conclusões da polícia precisam ser diferenciadas dessas acusações. Os investigadores confirmaram que vários pais haviam se comunicado com o professor sobre um incidente em que um aluno atacou outro com um lápis. A polícia não encontrou provas de abuso verbal ou de influência ilegal dos pais sobre a investigação, e o caso foi encerrado sem acusações. Esse desfecho não pôs fim aos protestos mais amplos sobre as condições de trabalho.
Em uma manifestação posterior em frente à Assembleia Nacional, dezenas de milhares de professores pediram mudanças na Lei de Bem-Estar Infantil e na Lei sobre Casos Especiais Relativos à Punição de Crimes de Abuso Infantil. Os organizadores argumentaram que a definição legal de abuso emocional é vaga demais e pode sujeitar a orientação legítima dos alunos a reclamações retaliatórias. Segundo eles, as reclamações continuaram mesmo após a implementação de cinco leis destinadas a proteger os professores depois do caso Seoi.
Song Su-yeon, presidente da Federação da União Coreana de Professores e Trabalhadores da Educação, disse que os professores ficam vulneráveis a denúncias de abuso emocional quando disciplinam os alunos e de negligência quando deixam de fazê-lo. O protesto também pediu direitos políticos para os professores e se opôs ao fim da vinculação entre as verbas destinadas à educação local e a arrecadação de impostos domésticos.
Os relatos não informam a data de uma votação sobre as alterações legais solicitadas nem estabelecem se as propostas serão aprovadas. A demanda imediata é por limites mais claros entre atividades educacionais legítimas, preocupações genuínas com a proteção infantil e reclamações usadas para pressionar professores.
Mais funções de regente são atribuídas a professores contratados por ano
Uma tendência separada na distribuição de pessoal mostra que professores classificados como meio período nos dados do ministério estão assumindo uma parcela crescente das funções de regente. Dados divulgados pela deputada Jin Seon-mi, do Partido Democrático, indicam que a participação desse grupo foi de 15,6% em 2023, ante 14,8% em 2022 e 11,1% em 2021.
Isso representa um aumento de 4,5 pontos percentuais em dois anos. Busan registrou a maior participação regional, de 21,3%, seguida pelas províncias de Gyeongsang do Norte e do Sul, com 18,5% cada.
Esses professores costumam trabalhar com contratos anuais e podem não receber incentivos ou aumentos salariais disponíveis para professores efetivos. A categoria informada diz respeito aos vínculos de trabalho e não deve ser interpretada como prova de que todos os professores nela incluídos dão menos aulas. A Lei dos Funcionários da Educação é descrita como uma norma que restringe a atribuição a esse grupo de cargos de supervisão com responsabilidades significativas, embora os dados sobre pessoal, por si só, não demonstrem que uma designação específica como regente viole essa disposição.
Os dados sobre pessoal não mostram que o tipo de contrato tenha causado o aumento das substituições. Eles indicam, porém, que uma parcela crescente da responsabilidade pela continuidade das turmas está sendo assumida por professores com vínculos empregatícios menos seguros.
Outros sistemas adotam abordagens diferentes para garantir a continuidade. O Japão estaria recorrendo cada vez mais a vários professores que compartilham a responsabilidade pelos alunos de uma mesma série, enquanto algumas escolas secundárias britânicas mantêm um tutor de turma com o mesmo grupo de estudantes por vários anos. Nenhum dado demonstra se uma dessas abordagens reduziria as substituições na Coreia do Sul. Jeong Seong-guk pediu medidas de proteção para impedir que reclamações maliciosas obriguem professores a abandonar as funções de regente, mas não foi apresentado um cronograma específico de implementação.
Principais pontos
- Escolas públicas registraram 575 substituições de professores regentes entre 2023 e 2025, ante 415 nos três anos anteriores.
- Professores solicitaram 369 das mudanças recentes, o equivalente a 64,2% das substituições e 68,8% do aumento entre os períodos.
- Escolas de ensino fundamental responderam por 125 das 203 substituições registradas em 2023 e por 65 das 79 mudanças solicitadas por pais.
- Os números anuais divulgados anteriormente divergem ligeiramente dos totais do agregado mais recente, sem explicação para a diferença.
- A Suprema Corte afirmou que as escolas devem tentar outras medidas antes de substituir um professor regente, quando essas medidas puderem resolver o problema.
- Professores pedem leis mais claras sobre abuso e maior proteção contra reclamações maliciosas; não foi especificada uma data para a votação legislativa.
- A parcela das funções de regente atribuída a professores classificados como meio período passou de 11,1% em 2021 para 15,6% em 2023.






