Importações de ovos brasileiros pela Coreia do Sul são questionadas por custos e orçamento de ₩120 bilhões em subsídios

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South Korea's Brazilian Egg Imports Face Scrutiny Over Costs and ₩120 Billion Support Budget

₩39.000 para importar uma bandeja, ₩4.980 no supermercado

A Coreia do Sul importou 1,12 milhão de ovos brasileiros a ₩1.300 cada, o equivalente a ₩39.000 por uma bandeja com 30, enquanto subsidiou a venda de ovos importados nos supermercados por cerca de ₩4.980 a bandeja em julho e agosto. A controvérsia resultante gira em torno do motivo de o Brasil ter sido escolhido apesar de alternativas muito mais baratas e de se o dinheiro público teria sido mais bem empregado no apoio à recuperação das granjas nacionais.

Conteúdo
  1. ₩39.000 para importar uma bandeja, ₩4.980 no supermercado
  2. Como o Brasil se tornou o fornecedor mais caro
  3. O que o subsídio cobriu de fato
  4. Relatório oficial documenta a falta de oferta
  5. Planos, entregas e cronologia
  6. Por que o governo defendeu a diversificação
  7. Acusações políticas e negativa da ministra
  8. Preços menores, mas contribuição incerta das importações
  9. Investimento nacional e outra mudança na produção se aproximando
  10. Principais pontos

Dados do Ministério da Agricultura apresentados ao deputado Kim Yong-tae mostram que a Coreia do Sul importou 133,24 milhões de ovos até setembro. Os ovos brasileiros representaram apenas 0,84% desse volume. Os Estados Unidos forneceram 125,78 milhões, a Tailândia, 5,62 milhões, e a Dinamarca, 720 mil.

Os cerca de ₩120 bilhões mencionados no debate dizem respeito ao apoio à importação de ovos frescos de vários fornecedores, não apenas aos gastos com ovos brasileiros. Diferentes reportagens descrevem esse valor como verba orçada, alocada ou gasta, sem apresentar um balanço conciliado das despesas finais. Essa distinção importa para avaliar a dimensão da intervenção.

O governo afirma que as importações emergenciais foram necessárias depois que a gripe aviária levou ao abate de mais de 11,3 milhões de galinhas poedeiras. Críticos questionam o alto preço dos ovos brasileiros, o uso do Fundo de Desenvolvimento da Pecuária e o equilíbrio entre descontos imediatos aos consumidores e investimentos na produção nacional.

Como o Brasil se tornou o fornecedor mais caro

Os ovos brasileiros custaram cerca de 2,8 vezes o preço de importação de ₩464 por ovo dos Estados Unidos, 4,3 vezes o preço de ₩305 da Tailândia e 1,7 vez o preço de ₩761 da Dinamarca. Para uma bandeja com 30, esses valores equivalem a ₩39.000 do Brasil, ₩13.920 dos Estados Unidos, ₩9.150 da Tailândia e ₩22.830 da Dinamarca.

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A diferença não começou na granja. Segundo dados atribuídos ao Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo, os ovos brasileiros custavam cerca de ₩100 cada na origem. Frete aéreo, transporte refrigerado, quarentena e reembalagem elevaram os custos antes de os ovos chegarem aos distribuidores coreanos.

As tarifas também variavam bastante. Os ovos brasileiros estavam sujeitos a uma tarifa de importação de 27%, contra tarifa zero para os ovos dos Estados Unidos, 5% para os da Tailândia e 1,6% para os da Dinamarca. O Brasil não foi incluído nas reduções tarifárias aplicadas a determinadas importações para conter a inflação.

Assim, o preço de importação informado para os ovos brasileiros foi cerca de 13 vezes superior ao preço na origem. Isso não comprova que os exportadores tenham obtido lucro excessivo: a diferença inclui transporte, impostos e outras despesas. Mas torna a discriminação desses custos essencial para avaliar se as compras tiveram um preço razoável.

O que o subsídio cobriu de fato

O Ministério da Agricultura afirma que os ovos importados foram fornecidos aos distribuidores por um preço uniforme, independentemente da origem, em média cerca de ₩131 por ovo. Isso equivale a ₩3.930 por 30 ovos e corresponde a uma etapa diferente da transação em relação ao preço de cerca de ₩4.980 no supermercado, subsidiado em julho e agosto.

Usando como exemplo o preço médio cobrado dos distribuidores informado pelo ministério, a diferença em relação ao custo de importação dos ovos brasileiros foi de ₩1.169 por ovo, ou ₩35.070 por bandeja. Aplicada aos 1,12 milhão de ovos brasileiros, essa diferença chegaria a cerca de ₩1,31 bilhão. Trata-se de um cálculo baseado em uma média, não de um total auditado de subsídios para os carregamentos brasileiros.

Ao preço e no volume de importação informados, as compras de ovos brasileiros somaram cerca de ₩1,456 bilhão. Esses números mostram por que a controvérsia tem duas dimensões distintas: o Brasil foi excepcionalmente caro por ovo, enquanto o orçamento público muito maior financiou um programa de importação dominado por outros fornecedores.

Jang Dong-hyeok, líder do Partido do Poder Popular, afirmou que os distribuidores receberam os ovos por ₩100 cada. Esse valor difere da média de ₩131 informada pelo ministério. Os relatos não esclarecem se o número citado por ele se referia a uma transação específica ou era uma caracterização arredondada do programa.

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Relatório oficial documenta a falta de oferta

O Serviço Agrícola Estrangeiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos detalha o problema de produção em seu relatório de 17 de julho, de número KS2026-0028 e datado de 17 de julho de 2026. O documento diz que um surto iniciado em novembro de 2025, seguido pelo abate de 11,3 milhões de galinhas poedeiras e pela lenta recomposição dos plantéis, reduziu a produção diária para entre 46 milhões e 47 milhões de ovos, diante de uma demanda de 50 milhões.

Isso representa um déficit diário de 3 milhões a 4 milhões de ovos, ou de 6% a 8% da demanda. Os dados do ministério citados no debate parlamentar apontam um total de abates ligeiramente mais preciso, de 11,34 milhões de galinhas, compatível com o número arredondado do relatório oficial.

O relatório do Departamento de Agricultura dos EUA diz que a Coreia do Sul planejava importar cerca de 210 milhões de ovos dos Estados Unidos e da Tailândia em julho e agosto, com apoio de ₩99,7 bilhões, ou US$ 67 milhões, antes do Chuseok. No ritmo do déficit diário informado, esse volume cobriria cerca de 53 a 70 dias da falta de produção, supondo que todos os ovos planejados chegassem e que o déficit permanecesse inalterado.

Reportagens separadas que citam dados do Departamento de Agricultura dos EUA mencionam ₩21,5 bilhões em apoio anterior ao transporte e à reembalagem, seguidos pelos ₩99,7 bilhões adicionais. Juntas, essas alocações somam ₩121,2 bilhões, valor próximo dos ₩120 bilhões arredondados sob análise. Os dados não comprovam que todo o valor autorizado tenha sido gasto.

Planos, entregas e cronologia

Os totais de importação se referem a diferentes etapas da resposta. Ovos cuja compra foi autorizada não são necessariamente ovos entregues, e um valor de gastos anunciado não equivale a uma prestação de contas final.

  • Novembro de 2025: Começou o surto identificado no relatório do Departamento de Agricultura dos EUA, que acabou levando ao abate de cerca de 11,3 milhões de galinhas poedeiras.
  • Primeiro semestre de 2026: Cerca de 16,5 milhões de ovos foram importados dos Estados Unidos e da Tailândia. O preço médio no varejo de 30 ovos extragrandes foi de ₩7.079, alta de 5,3% em relação ao ano anterior.
  • Até o início de julho de 2026: Cerca de 31,4 milhões de ovos dos Estados Unidos, da Tailândia e do Brasil tiveram a compra autorizada, com ₩21,5 bilhões em apoio ao transporte e à reembalagem.
  • 17 de julho de 2026: O relatório do Departamento de Agricultura dos EUA documentou planos para importar cerca de 210 milhões de ovos adicionais dos Estados Unidos e da Tailândia durante julho e agosto.
  • Até setembro: Dados do ministério citados na controvérsia sobre os gastos registravam 133,24 milhões de ovos importados de quatro países.
  • Início de outubro: Dados do ministério indicavam que o preço da bandeja era de ₩6.937, abaixo dos ₩7.418 registrados em meados de julho.

As reportagens sobre os totais de setembro e a análise parlamentar de outubro não indicam de forma consistente o ano-calendário. Portanto, seus dados não devem ser tratados como um balanço final plenamente conciliado do plano do Departamento de Agricultura dos EUA, cuja data está explícita. O motivo de as entregas efetivas terem diferido dos volumes anunciados não está esclarecido.

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Por que o governo defendeu a diversificação

O ministério argumenta que comprar do Brasil serviu para testar uma fonte alternativa quando os fornecedores habituais também enfrentavam dificuldades. A gripe aviária nos Estados Unidos restringiu as importações de algumas regiões produtoras, enquanto ondas de calor reduziram a produção na Espanha e nos Países Baixos.

A localização do Brasil no Hemisfério Sul faz com que suas estações sejam opostas às da Coreia do Sul. O ministério afirma que isso poderia oferecer outra fonte durante o inverno coreano, período em que os surtos de gripe aviária são mais comuns. Nesse contexto, diversificar significa reduzir a dependência de um fornecedor que poderia deixar de estar disponível, e não necessariamente garantir o menor preço imediato.

O Ministério da Agricultura descreveu o objetivo imediato da medida em um comunicado explicativo:

A medida foi uma resposta de curto prazo à escassez de ovos, com o objetivo de aliviar os custos para os consumidores e incentivar os varejistas a reduzir os preços,

Mesmo após compras de outros três países, os Estados Unidos forneceram cerca de 94,4% do total importado em setembro. A participação brasileira de 0,84% sugere um teste limitado, e não uma mudança significativa na origem das compras. Se esse teste justificou o custo depende das opções de compra disponíveis na época, informação que os totais divulgados não permitem estabelecer.

A aceitação dos varejistas também era uma restrição. Grandes redes de supermercados foram descritas como mais confiantes nos sistemas dos Estados Unidos para registrar a data em que os ovos foram postos e rastrear seu percurso. A verificação dos sistemas de distribuição do Brasil e da Tailândia exigia maior análise. Portanto, um novo fornecedor precisava tanto ter capacidade de exportação quanto manter registros aceitos pelos compradores coreanos.

Acusações políticas e negativa da ministra

Jang associou as compras brasileiras à cúpula de fevereiro entre o presidente Lee Jae-myung e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Ele alegou favorecimento político e questionou por que as importações avançaram a um custo várias vezes superior ao dos ovos de outros fornecedores.

Kim Min-soo, integrante do conselho supremo do Partido do Poder Popular, também pediu que se investigasse se houve pagamento de comissão. São acusações políticas, não constatações comprovadas de pagamentos indevidos ou favorecimento. Os preços divulgados mostram uma grande diferença de custos, mas não provam o motivo da escolha do fornecedor.

A ministra da Agricultura, Song Mi-ryung, rejeitou, durante uma auditoria parlamentar, a alegação de que havia uma ligação entre a cúpula e as importações:

Não há nenhuma relação,

O deputado Kim Yong-tae levantou outra questão durante a auditoria, sobre o uso de recursos agrícolas:

O governo não deveria ter investido na indústria nacional de ovos da Coreia em vez de usar o Fundo de Desenvolvimento da Pecuária e verbas orçamentárias suplementares para importar ovos estrangeiros?

Uma avaliação mais completa exigiria os critérios de compra, comparações com as propostas disponíveis, detalhamento dos custos de frete e manuseio, decisões tarifárias e pagamentos finais de subsídios. As reportagens não identificam nenhuma investigação concluída nem decisão prevista para resolver essas questões.

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Preços menores, mas contribuição incerta das importações

O preço da bandeja informado pelo ministério caiu de ₩7.418 em meados de julho para ₩6.937 no início de outubro, uma redução de ₩481, ou cerca de 6,5%. Isso é evidência de que os preços recuaram durante a intervenção, mas não mede quanto as importações, por si só, contribuíram. A produção nacional também estava se recuperando.

Outra medição, de 7 de outubro, apontou preço ao consumidor de ₩7.168 por uma bandeja de ovos extragrandes, ante preço na granja de ₩5.828. A diferença de ₩1.340 equivalia a cerca de 23% do preço na granja. O valor ao consumidor havia subido em relação a ₩6.882 durante o período do feriado de Chuseok.

O valor de ₩7.168 e o número de ₩6.937 informado pelo ministério para o início de outubro são diferentes. As reportagens não esclarecem se usaram o mesmo método de amostragem, a mesma especificação de ovos ou a mesma data de medição; portanto, os valores não podem ser tratados como medidas equivalentes.

O Instituto Coreano de Economia Rural projetou que a produção diária poderia chegar a 50,31 milhões de ovos com o aumento do número de galinhas poedeiras com pelo menos seis meses de idade. Diante da estimativa de demanda de 50 milhões no relatório do Departamento de Agricultura dos EUA, isso representaria um pequeno excedente diário de 310 mil ovos. Trata-se de uma previsão, não de uma confirmação de que a escassez tenha terminado.

A distribuição pode afetar a rapidez com que a queda dos preços na granja chega aos consumidores. Os ovos passam por cerca de quatro ou cinco etapas, que envolvem coleta, classificação, embalagem e logística, sem que haja um mercado atacadista que estabeleça um preço de referência comum. No debate parlamentar, foram discutidas medidas para reforçar a formação de preços nos centros de classificação e embalagem de ovos e usar com mais eficácia os preços efetivamente praticados nas transações. A diferença entre o preço no varejo e na granja, por si só, não demonstra lucro excessivo, pois essas etapas também geram custos.

Investimento nacional e outra mudança na produção se aproximando

O deputado Shin Chang-sik disse que os subsídios diretos para instalações de granjas nacionais de galinhas poedeiras somaram ₩9,7 bilhões em nove anos, cerca de ₩1,08 bilhão por ano. O valor de ₩120 bilhões em apoio às importações é cerca de 12,4 vezes esse total de nove anos.

A comparação mostra a dimensão da escolha de gastos em disputa, mas não equivale a uma comparação com todo o apoio nacional à avicultura. Subsídios diretos para instalações são uma categoria específica. Os dados não incluem todos os empréstimos, indenizações, medidas de controle de doenças ou outras formas de assistência disponíveis às granjas.

Uma inconsistência numérica também exige cautela. Uma descrição em inglês informa os gastos com importações como ₩1.200 bilhões, enquanto o texto em coreano que a acompanha diz 1.200 eok won. Esse valor em coreano equivale a ₩120 bilhões, não a ₩1,2 trilhão, e coincide com os outros valores orçamentários divulgados.

A produção enfrentará outra mudança quando o espaço mínimo por galinha poedeira subir de 0,05 para 0,075 metro quadrado, um aumento de 50%. As reportagens situam a implementação integral em setembro do ano seguinte, sem identificar de forma consistente o ano-calendário. As granjas que mantiverem a mesma área de piso talvez precisem reduzir o número de galinhas, a menos que ampliem ou adaptem suas instalações.

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A disputa sobre os gastos também ecoa intervenções anteriores. Em 2017, o apoio às importações de ovos dos Estados Unidos incluiu subsídios parciais para o frete aéreo e isenções tarifárias, que somaram cerca de ₩4.600 por bandeja. As importações ficaram abaixo das metas e foram criticadas por proporcionar apenas alívio temporário.

Durante a crise de gripe aviária de 2021, a Coreia do Sul importou cerca de 380 milhões de ovos, a maioria dos Estados Unidos, com apoio às importações superior a ₩100 bilhões. Os gastos com descontos para produtos agrícolas e pecuários também subiram de ₩106,8 bilhões em 2022 para ₩225 bilhões no ano descrito como o anterior, mais que dobrando.

Esses dados mostram a recorrência da dependência de importações e descontos quando a oferta fica apertada. Não comprovam que as importações emergenciais fossem desnecessárias. A questão de política pública que permanece em aberto é quanto gastar no alívio imediato, ao mesmo tempo que se recupera a produção e se facilita o acompanhamento dos preços ao longo da distribuição.

Principais pontos

  • Os ovos brasileiros custaram ₩1.300 cada para importar, ante ₩464 dos Estados Unidos e ₩305 da Tailândia.
  • O Brasil forneceu 1,12 milhão de ovos, apenas 0,84% dos 133,24 milhões importados até setembro.
  • O valor de cerca de ₩120 bilhões se refere ao programa mais amplo de importação de ovos frescos, não apenas às compras brasileiras.
  • O relatório do Departamento de Agricultura dos EUA de 17 de julho de 2026 documentou um déficit diário de 3 milhões a 4 milhões de ovos e planos para importar 210 milhões.
  • O ministério informou uma queda de cerca de 6,5% no preço da bandeja entre meados de julho e o início de outubro, enquanto a produção nacional também se recuperava.
  • As acusações políticas sobre as compras brasileiras não foram comprovadas; a ministra da Agricultura, Song Mi-ryung, negou uma ligação com a cúpula bilateral.
  • Os gastos finais, os detalhes das compras e o equilíbrio entre importações emergenciais e investimentos nas granjas nacionais continuam sem solução.
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