Sete novas inclusões na lista miram mísseis, mão de obra e combustível
O Conselho da União Europeia impôs sanções a três pessoas e quatro entidades em 12 de outubro de 2026, tendo como alvos um técnico norte-coreano de mísseis na Rússia, uma incorporadora imobiliária russa que emprega trabalhadores norte-coreanos e uma empresa de transporte marítimo acusada de levar combustível russo à Coreia do Norte.
Conteúdo
- Sete novas inclusões na lista miram mísseis, mão de obra e combustível
- Por que o Conselho incluiu Ri Song Jin na lista
- Samolet é alvo de sanções por causa de trabalhadores da construção civil
- Black Horse e o projeto de investimento industrial
- A rota dos navios-tanque da Rússia à Coreia do Norte
- O que as restrições da UE realmente fazem
- Histórico das restrições e de inclusões anteriores
- Monitoramento continua após veto da Rússia na ONU
- O que a decisão não esclarece
- Principais pontos
A decisão eleva a lista autônoma de sanções da UE relacionada à República Popular Democrática da Coreia (RPDC) a 80 pessoas e 25 entidades. As inclusões conectam assistência militar a mão de obra na construção civil, investimento industrial e transporte de derivados de petróleo, mostrando como o Conselho mira vários canais de cooperação entre Moscou e Pyongyang, e não apenas o envio de armas.
Entre os incluídos está Ri Song Jin, pesquisador da Administração Nacional de Tecnologia Aeroespacial da Coreia do Norte e funcionário do Departamento Geral de Mísseis do país. Segundo o Conselho, ele foi enviado à Rússia como técnico para dar apoio às forças russas no uso de mísseis norte-coreanos.
As outras pessoas incluídas são Anna Nikolaevna Akinshina, diretora-presidente da incorporadora imobiliária russa Samolet Group, e Vladimir Aleksandrovich Sokolov, fundador e presidente da holding russa Black Horse. As quatro entidades são Samolet Group, Black Horse, sua subsidiária Golden Autumn Agroholding e Paekyangsan Shipping Co Ltd.
O Conselho afirma que essas atividades violam restrições do Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovadas pela própria Rússia, como membro permanente. A decisão trata do apoio aos programas norte-coreanos de armas nucleares, mísseis balísticos e outras armas de destruição em massa, além de violações e evasão das sanções da ONU.
Os atos jurídicos foram publicados no Jornal Oficial da UE. As pessoas e entidades incluídas estão sujeitas ao congelamento de bens e a restrições para receber fundos ou recursos econômicos. As três pessoas também estão proibidas de viajar para a União Europeia.
Por que o Conselho incluiu Ri Song Jin na lista
O caso do Conselho contra Ri se concentra em seu papel técnico no uso de mísseis norte-coreanos pela Rússia. Isso identifica uma forma de assistência militar que vai além de fabricar ou fornecer armas: integrantes de uma equipe também podem ajudar as forças que as recebem a operá-las.
Os motivos da inclusão publicados no Jornal Oficial da UE afirmam que Ri foi visto usando uniforme militar russo ao lado de soldados russos em uma área da Rússia próxima à frente ucraniana. Também dizem que ele acompanhou o líder norte-coreano Kim Jong Un durante uma inspeção, em dezembro de 2023, de uma instalação identificada como fábrica de mísseis balísticos de curto alcance.
Esses detalhes ligam Ri tanto à produção de mísseis da Coreia do Norte quanto ao uso posterior dessas armas pela Rússia. A entidade em que trabalha, a Administração Nacional de Tecnologia Aeroespacial, também está sujeita a sanções da ONU relacionadas ao desenvolvimento de satélites e foguetes lançadores.
Alguns relatos descrevem Ri como responsável por treinar forças russas. A declaração do Conselho usa a descrição mais ampla de um técnico que dá apoio ao uso de mísseis norte-coreanos pela Rússia. Essa formulação não esclarece as tarefas específicas que ele realizou, quantas pessoas ajudou nem quais sistemas de mísseis estavam envolvidos.
Samolet é alvo de sanções por causa de trabalhadores da construção civil
O Conselho incluiu na lista a Samolet Group e Akinshina porque a empresa empregou trabalhadores norte-coreanos em projetos de construção em Vladivostok, cidade portuária russa no Pacífico. A inclusão torna uma grande empresa civil parte da resposta da UE à cooperação entre Rússia e Coreia do Norte.
A disposição jurídica pertinente é a Resolução 2397 do Conselho de Segurança da ONU, adotada em 2017. Ela exige a repatriação de trabalhadores norte-coreanos no exterior, respeitadas as leis nacionais e internacionais aplicáveis. O prazo para essa repatriação terminou em dezembro de 2019.
A distinção é importante: o Conselho não trata a construção civil como uma atividade armamentista em si. Ele aplica restrições ao trabalho de norte-coreanos no exterior, uma das atividades econômicas abrangidas pelo regime de sanções da ONU.
O anúncio não especifica quantos trabalhadores norte-coreanos a Samolet empregou, por quanto tempo trabalharam em seus projetos nem quanto receberam. Também não apresenta detalhes sobre os acordos de recrutamento ou pagamento. O fundamento declarado para as inclusões é o emprego desses trabalhadores pela empresa e a responsabilidade de Akinshina pela companhia.
Black Horse e o projeto de investimento industrial
Sokolov, a Black Horse e a Golden Autumn Agroholding foram incluídos na lista por causa da cooperação comercial e industrial com a Coreia do Norte. O Conselho identifica um projeto conjunto de investimento industrial no krai de Primorie, região russa que inclui Vladivostok e faz fronteira com a Coreia do Norte.
O relato da UE sobre as inclusões afirma que Sokolov anunciou publicamente a criação do projeto em abril de 2026. Também diz que a Black Horse exportou produtos para a Coreia do Norte e identificou o país como um mercado prioritário.
O Conselho relaciona essas atividades à Resolução 2375 do Conselho de Segurança da ONU, adotada em 2017, que proíbe a criação e a operação de joint ventures ou entidades cooperativas com entidades ou pessoas norte-coreanas. Uma joint venture é um empreendimento compartilhado por parceiros participantes, e não uma simples venda entre empresas independentes.
Também há relatos de que a Black Horse está construindo uma fábrica de plásticos em Vladivostok com uma empresa norte-coreana. Esse projeto acrescenta detalhes à relação industrial noticiada, embora o anúncio do Conselho não informe sua estrutura societária, financiamento ou cronograma de construção.
A Golden Autumn Agroholding é identificada como subsidiária da Black Horse. O anúncio não apresenta uma descrição específica de suas operações. Sua inclusão sujeita outra empresa da rede corporativa da holding às restrições da UE.
A rota dos navios-tanque da Rússia à Coreia do Norte
A Paekyangsan Shipping Co Ltd foi sancionada por operar a embarcação Paek Yang San 1, de bandeira norte-coreana. Segundo o Conselho, o navio participou do transporte de derivados de petróleo refinados da Rússia para a Coreia do Norte, em violação à Resolução 2397.
Essa resolução restringe o fornecimento de petróleo bruto e derivados refinados à Coreia do Norte. Os derivados refinados, que incluem combustíveis processados a partir do petróleo bruto, estão sujeitos ao limite anual de 500 mil barris. O Conselho não informa o volume transportado pelo Paek Yang San 1; portanto, não é possível calcular, com base no anúncio, quanto o navio contribuiu para os embarques contabilizados nesse limite.
Uma análise de imagens de satélite de março de 2024 identificou pelo menos cinco navios-tanque norte-coreanos, entre eles o Paek Yang San 1, carregando derivados de petróleo em um terminal de uma companhia petrolífera no porto russo de Vostochny. Segundo relatos, as embarcações estavam com os sinais de localização desligados.
A análise descreveu essas movimentações como o primeiro transporte marítimo direto confirmado de petróleo da Rússia para a Coreia do Norte desde as restrições a combustíveis impostas em 2017. Essa observação anterior dá à inclusão da empresa de transporte um histórico documentado, em vez de deixá-la baseada apenas em uma alegação geral de transferências de combustível.
O Conselho insere os embarques em uma troca mais ampla de armas por petróleo. No entanto, seu anúncio não identifica um carregamento específico de armas como pagamento por uma carga específica de um navio-tanque. Essa descrição mais ampla não deve ser interpretada como prova de uma transação de troca direta específica.
O que as restrições da UE realmente fazem
As medidas congelam os bens das pessoas e entidades incluídas na lista. Também proíbem disponibilizar fundos ou recursos econômicos a elas, direta ou indiretamente. A proibição vai além da entrega de dinheiro: abrange recursos com valor econômico que possam beneficiar uma pessoa ou organização incluída na lista.
O congelamento impede que os bens abrangidos sejam transferidos ou usados. Não é o mesmo que confiscá-los. O anúncio não estima o valor dos bens dessas pessoas ou empresas sob jurisdição da UE; por isso, ainda não é possível medir o impacto financeiro imediato.
A declaração do Conselho especifica que as proibições de viagem se aplicam às pessoas incluídas na lista. Alguns relatos descrevem de forma mais ampla as restrições de entrada e circulação na UE como aplicáveis a todos os sancionados, mas a distinção oficial é entre as restrições financeiras, que abrangem pessoas e entidades, e as restrições de viagem, que se aplicam a pessoas.
A lista autônoma da UE complementa as sanções da ONU já incorporadas à legislação europeia. Sanções autônomas são medidas adicionais adotadas pela própria UE por meio de seus processos decisórios, e não novas inclusões acordadas pelo Conselho de Segurança.
Antes desta decisão, a lista autônoma continha 77 pessoas e 21 entidades. A inclusão de três pessoas e quatro entidades elevou os totais para 80 e 25, respectivamente. O número de entidades aumentou cerca de 19%, ante aproximadamente 4% no caso das pessoas, refletindo a presença expressiva de empresas nesta rodada.
Histórico das restrições e de inclusões anteriores
A decisão de outubro de 2026 vem após restrições anteriores da ONU, registros de movimentações de combustível e sanções impostas por outros governos. Alguns dos novos alvos já estavam sujeitos a medidas fora da UE.
- 2017: As Resoluções 2375 e 2397 do Conselho de Segurança restringiram joint ventures, o trabalho de norte-coreanos no exterior e o fornecimento de petróleo.
- Dezembro de 2019: Terminou o prazo para repatriar trabalhadores norte-coreanos no exterior, previsto na Resolução 2397 e sujeito à legislação aplicável.
- Dezembro de 2023: Ri Song Jin acompanhou Kim Jong Un em uma inspeção de uma instalação identificada como fábrica de mísseis balísticos de curto alcance, segundo os motivos da inclusão apresentados pela UE.
- Março de 2024: Uma análise de imagens de satélite identificou pelo menos cinco navios-tanque norte-coreanos carregando derivados de petróleo no porto russo de Vostochny.
- Maio de 2024: O Reino Unido sancionou a Paekyangsan Shipping.
- Dezembro de 2024: A Coreia do Sul sancionou Ri Song Jin.
- Fevereiro de 2025: O Reino Unido sancionou Ri Song Jin.
- Abril de 2026: Sokolov anunciou publicamente o projeto conjunto de investimento industrial no krai de Primorie, segundo o relato da UE sobre a inclusão.
- 18 de junho de 2026: O Conselho Europeu condenou o envio de forças norte-coreanas para a guerra da Rússia contra a Ucrânia.
- 12 de outubro de 2026: O Conselho da UE incluiu as três pessoas e as quatro entidades em sua lista autônoma de sanções contra a Coreia do Norte.
Uma consulta à lista de sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro dos EUA, realizada em 12 de outubro, não encontrou nela nenhum dos sete novos alvos incluídos pela UE. Essa constatação se refere a esses nomes naquela data e não significa que os EUA não imponham restrições à Coreia do Norte ou a transações relacionadas.
Monitoramento continua após veto da Rússia na ONU
As novas inclusões ocorrem após uma grande mudança no monitoramento internacional das sanções. O Painel de Especialistas da ONU que monitorava as sanções contra a Coreia do Norte encerrou seu trabalho em 2024, depois que a Rússia vetou a renovação de seu mandato.
O encerramento do painel não revogou as resoluções do Conselho de Segurança. Apenas acabou com aquele mecanismo específico da ONU para investigar e relatar o cumprimento das medidas. Desde então, uma equipe multilateral de monitoramento de sanções, formada por 11 países, prossegue com o acompanhamento, junto a ações nacionais de fiscalização e decisões sobre sanções.
Isso separa duas questões frequentemente tratadas como uma só: se uma proibição continua em vigor e se há um órgão internacional acordado que investiga violações. A UE sustenta que as restrições a trabalhadores, joint ventures e combustíveis continuam obrigatórias apesar do fim do painel.
O Conselho também destaca a contradição entre a aprovação das restrições originais pela Rússia e a expansão da cooperação do país com a Coreia do Norte. Em conclusões datadas de 18 de junho de 2026, o Conselho Europeu condenou o envio de forças norte-coreanas para a guerra da Rússia contra a Ucrânia e a continuidade do apoio militar a Moscou por parte da Coreia do Norte, do Irã e de Belarus.
O Conselho Europeu, que reúne os líderes nacionais da UE, é diferente do Conselho da UE, que adotou as sanções. As conclusões de junho expressaram a posição política; as inclusões de outubro aplicam restrições a pessoas e entidades identificadas.
O que a decisão não esclarece
O anúncio do Conselho identifica os alvos e os fundamentos jurídicos, mas não quantifica a relação completa entre Rússia e Coreia do Norte. Não informa o total de trabalhadores envolvidos, o volume de petróleo transportado, o investimento comprometido nem a quantidade de mísseis que receberam apoio técnico da pessoa incluída na lista.
O Conselho, órgão da UE responsável por adotar essas medidas restritivas, apresentou no anúncio sua exigência à Coreia do Norte. Pediu o abandono dos programas proibidos:
de maneira completa, verificável e irreversível.
A exigência abrange os programas de armas nucleares, outras armas de destruição em massa e mísseis balísticos. O Conselho também pediu negociações significativas com as partes relevantes, com o objetivo de alcançar paz e segurança duradouras. Não foi anunciada uma nova audiência, uma data para negociações ou um prazo para revisão.
Um relato separado informou que a Estônia pediu a retirada de um fornecedor russo e de uma pessoa ligada a ele de um pacote de sanções, por causa do fornecimento de materiais estrategicamente importantes à NPM Silmet. Kerstin Lepik, porta-voz da representação permanente da Estônia em Bruxelas, confirmou o pedido. O relato não estabelece uma ligação entre esses alvos não identificados e as sete inclusões relacionadas à Coreia do Norte; portanto, não demonstra que tenham sido isentados desta decisão.
O resultado imediato é, portanto, específico: mais sete alvos ficam sujeitos às restrições da UE. Para saber se as medidas interrompem os acordos de trabalho, os projetos industriais, a assistência técnica ou as rotas de combustível citados, serão necessárias evidências além do próprio anúncio.
Principais pontos
- A UE incluiu três pessoas e quatro entidades em sua lista de sanções contra a Coreia do Norte em 12 de outubro de 2026.
- Ri Song Jin foi incluído por dar apoio ao uso de mísseis norte-coreanos pela Rússia.
- A Samolet Group e sua diretora-presidente, Anna Akinshina, foram alvo por empregar trabalhadores norte-coreanos em projetos de construção em Vladivostok.
- A Black Horse, seu fundador Vladimir Sokolov e a Golden Autumn Agroholding foram incluídos por causa da cooperação comercial e industrial com a Coreia do Norte.
- A Paekyangsan Shipping foi alvo por embarques de derivados de petróleo refinados russos transportados pelo Paek Yang San 1.
- Os sete alvos estão sujeitos a restrições financeiras; as três pessoas também estão proibidas de viajar para a UE.
- A lista autônoma da UE contra a Coreia do Norte agora contém 80 pessoas e 25 entidades.
- O anúncio não informa o total de bens, trabalhadores, investimentos ou volumes de combustível afetados.






