Cinco dias de custódia policial enquanto investigação de fraude se amplia
Um tribunal de Islamabad concedeu à polícia cinco dias de custódia do principal suspeito de uma suposta fraude de Rs 9,3 milhões envolvendo educação e vistos, ligada à morte de Laiba Ijaz, medalhista de ouro em física cuja família vendeu um terreno e penhorou joias para financiar seus planos de estudar nos Estados Unidos.
Conteúdo
- Cinco dias de custódia policial enquanto investigação de fraude se amplia
- Uma carreira científica financiada pelas economias da família
- Como alegações de vínculos oficiais conquistaram a confiança da família
- Os diferentes relatos sobre o dinheiro
- Documentos que supostamente não passaram pela verificação
- Atrasos repetidos e uma cobrança em 12 de outubro
- Prisões, provas digitais e casos separados
- O que ministros e Senado estão cobrando
- Um problema mais amplo de fraude documental, sem ligação comprovada
- Principais pontos
A magistrada Zunaira Zafar aprovou a prisão preventiva após a polícia pedir 10 dias, segundo um relato da audiência de 12 de outubro de 2026. A Agência Federal de Investigação (FIA, na sigla em inglês) abriu um caso separado sobre cartas de bolsa de estudos, ofertas de admissão universitária e recibos de pagamento supostamente falsificados. Um comitê do Senado também convocou uma reunião para 15 de outubro, a fim de cobrar explicações da polícia, dos investigadores federais e das autoridades de educação.
Ijaz, de Sargodha, na província de Punjab, foi encontrada morta perto do mercado semanal do setor G-10, em Islamabad. A maioria dos relatos situa sua morte em 9 de outubro. A polícia investiga uma suspeita de suicídio, mas, nos relatos sobre a investigação inicial, ainda se aguardavam os resultados oficiais da autópsia. As circunstâncias de sua morte e a suposta fraude continuam sob investigação das autoridades e dos tribunais.
O principal suspeito é identificado como Muhammad Nauman; nos relatos do processo, o nome também aparece grafado como Noman e Nouman. O diretor-geral da FIA, Usman Anwar, confirmou sua prisão em 11 de outubro. Relatos posteriores mencionam também a prisão de duas mulheres, embora haja divergências sobre suas identidades e sobre se um dos nomes era um pseudônimo.
O caso envolve mais do que uma vaga universitária prometida. Os investigadores apuram denúncias de uso de identidade falsa, cobranças reiteradas de dinheiro, registros financeiros falsos e comunicações digitais que levaram a família a confiar em arranjos que, mais tarde, ela descobriu não serem verificáveis.
Uma carreira científica financiada pelas economias da família
Ijaz estudou física na Universidade Islâmica Internacional de Islamabad e recebeu uma medalha de ouro. Sua família disse que ela queria continuar os estudos nos Estados Unidos e se tornar cientista. Parentes também afirmaram que ela havia recebido uma oportunidade de bolsa de estudos na Arábia Saudita, mas decidiu continuar buscando seus planos de estudar nos Estados Unidos.
Os relatos divergem quanto à idade e à formação concluída. Vários a descrevem como tendo 20 anos e sendo recém-formada em um bacharelado em ciências, enquanto outros dizem que ela tinha 24 anos. Segundo o relato de seu pai, ela tinha mestrado em física. Esses detalhes não foram esclarecidos publicamente, embora os relatos identifiquem de forma consistente a universidade e a distinção acadêmica recebida por ela.
Seu pai, Mohammad Aijaz, sustentava a casa vendendo leite e iogurte em Islamabad. Parentes disseram que ele trabalhava nisso desde 1994 e priorizava a educação das filhas, apesar de ter estudado pouco. Ijaz foi descrita como a caçula de sete filhos. Sua irmã mais velha estudou na China com uma bolsa e, depois, trabalhou como tradutora em Lahore.
Para pagar os preparativos para os estudos no exterior, seu pai vendeu um terreno destinado à construção da casa da família. Sua mãe penhorou joias para obter mais recursos. Um relato da família aponta um pagamento de Rs 2,1 milhões em dinheiro após a venda do terreno. Portanto, as perdas da família envolveram bens acumulados para moradia e segurança financeira, e não apenas dinheiro reservado para uma candidatura.
Como alegações de vínculos oficiais conquistaram a confiança da família
Segundo o relato inicial da FIA, o suspeito não era um agente de vistos registrado e conquistou a confiança da família ao mentir sobre sua identidade e seu emprego. Os investigadores descreveram alegações de que ele trabalhava como contador na Suprema Corte do Paquistão ou como funcionário de uma instituição governamental. O pai de Ijaz disse que o homem se apresentou como secretário da Suprema Corte.
Esses são relatos sobre o que o suspeito teria alegado, não provas de que ocupava algum desses cargos. A família também afirmou que ele recebeu dinheiro para conseguir um emprego para o irmão de Ijaz na Suprema Corte, ampliando a relação para além dos estudos no exterior.
O pai disse que as negociações se estenderam por cerca de sete meses. Os relatos divergem sobre como o contato inicial ocorreu: alguns dizem que a família procurava um consultor educacional, enquanto outros afirmam que Ijaz conheceu Nauman durante uma entrevista de emprego na região de Blue Area, em Islamabad. Um relato investigativo posterior afirma que ele entrou em contato com ela por meio de um amigo em fevereiro e se passou pelo irmão desse amigo, que morava nos Estados Unidos.
O diretor-geral da FIA, Usman Anwar, descreveu o caso como um golpe baseado em falsa identidade. A suposta fraude envolveu um alegado contato nos Estados Unidos que poderia obter documentos de bolsa de estudos e patrocínio. Seu tio materno, o advogado Amjad Ur Rehman, disse que a família foi informada de que uma mulher chamada Aiza poderia ajudar a providenciar esses documentos.
Os diferentes relatos sobre o dinheiro
O caso registrado pela FIA estima a suposta fraude em Rs 9,3 milhões, também expressos como 93 lakh de rupias paquistanesas. Um lakh equivale a 100 mil. O detalhamento preliminar afirma que Rs 2,9 milhões passaram pela conta bancária de Ijaz e o restante foi pago em dinheiro.
Segundo esse detalhamento, a parcela paga em dinheiro seria de Rs 6,4 milhões. As transferências bancárias representariam cerca de 31% do total, e o dinheiro, aproximadamente 69%. Essa distinção é importante para as provas: os registros bancários podem comprovar transferências, enquanto os pagamentos em dinheiro podem exigir testemunhas, recibos e outros documentos de apoio.
Os valores divulgados anteriormente são diferentes. Uma declaração inicial da FIA mencionou Rs 7,2 milhões pela admissão em Harvard e Rs 550 mil por um emprego para o irmão dela, totalizando Rs 7,75 milhões. Separadamente, o diretor da FIA Shehzad Nadeem Bukhari citou Rs 7,2 milhões pela admissão e Rs 500 mil pelo emprego. Outro relato da família estimou a perda em cerca de Rs 8,7 milhões.
O pai disse que foram cobrados Rs 2,2 milhões pela admissão e Rs 3 milhões pela preparação de um extrato bancário, seguidos por uma nova cobrança de Rs 2,2 milhões enviada à filha. Os relatos públicos não esclarecem como todos esses valores se encaixam, se o pagamento pelo emprego está incluído no total de Rs 9,3 milhões ou se a cobrança final foi paga. Eles não devem ser somados como se fossem perdas distintas e confirmadas.
O relato do pai também identifica um pagamento de Rs 2,1 milhões em dinheiro no setor G-10 e uma transferência de Rs 2,9 milhões feita pela filha. A denúncia à FIA menciona outros pagamentos em dinheiro em uma loja no Gulistan Plaza, em G-10 Markaz. Os investigadores obtiveram registros bancários para examinar o fluxo dos pagamentos.
Documentos que supostamente não passaram pela verificação
A FIA afirmou que cartas falsas de concessão de bolsa, ofertas de admissão universitária e recibos de pagamento foram usados para enganar Ijaz e sua família. Um relato menciona um documento que alegava o pagamento de uma taxa de US$ 7.500 por um mestrado em física. O pai dela também afirmou que o suspeito apresentou um recibo falso indicando uma transferência de US$ 20 mil para uma conta, como parte das exigências para o extrato bancário.
Os valores de US$ 7.500 e US$ 20 mil são quantias alegadas em documentos. Não correspondem a mensalidades verificadas, pagamentos à universidade ou recursos recebidos por Ijaz. Seu pai também questionou informações de contas bancárias e passagens aéreas fornecidas durante o processo.
Amjad Ur Rehman disse que parentes entraram em contato diretamente com Harvard e fizeram consultas por meio de contatos na Embaixada dos Estados Unidos em Islamabad. Segundo ele, nenhuma das instituições conseguiu verificar os documentos. Outros relatos dizem que os papéis não passaram pela verificação quando Ijaz compareceu a uma entrevista para o visto. Esses relatos não incluem declarações públicas diretas de Harvard nem da embaixada; portanto, as conclusões sobre a verificação são atribuídas aos parentes e aos investigadores.
As acusações não comprovam que Ijaz tivesse sido realmente admitida em Harvard ou recebido uma bolsa legítima. Elas dizem respeito ao uso do nome da universidade para sustentar promessas de admissão, auxílio financeiro e visto para os Estados Unidos.
Atrasos repetidos e uma cobrança em 12 de outubro
O cunhado de Ijaz, Zaid bin Afzal, disse que Nauman adiou repetidamente as supostas entrevistas para o visto dela. Em três ou quatro ocasiões, ele teria entrado em contato na noite anterior ao compromisso para dizer que havia sido cancelado. Afzal afirmou que o suspeito acabou dizendo que outra entrevista ocorreria em 12 de outubro e exigiu mais Rs 2,2 milhões antes disso.
O pai dela descreveu uma mensagem que exigia o mesmo valor e oferecia documentos substitutos. Ele disse que a família passou de cinco a seis dias em grande angústia depois que o suspeito parou de atender às ligações. Os parentes relacionaram essa angústia à descoberta da suposta fraude, mas as conclusões médicas e jurídicas sobre a morte dela ainda estavam pendentes.
A sequência relatada inclui várias datas que precisam ser distinguidas com cuidado:
- Fevereiro: Um relato investigativo posterior situa neste mês o primeiro contato do suspeito com Ijaz.
- 9 de outubro: A maioria dos relatos diz que Ijaz foi encontrada morta perto do mercado semanal do setor G-10.
- 10 de outubro: Relatos mencionam o registro de casos criminais e uma visita do ministro do Interior, Mohsin Naqvi, e do ministro de Estado do Interior, Talal Chaudhry.
- 11 de outubro: O diretor-geral da FIA, Usman Anwar, confirmou a prisão do principal suspeito.
- 12 de outubro de 2026: Um relato do tribunal registra a audiência que resultou em cinco dias de prisão preventiva. Essa também era a data indicada para outra entrevista de visto.
- 15 de outubro: O Comitê Permanente de Direitos Humanos do Senado convocou uma reunião para analisar o caso.
Alguns detalhes sobre a cronologia são conflitantes. Segundo o relato de Bukhari, Ijaz descobriu que o certificado de registro era falso dois dias antes de um anúncio planejado para a família em 12 de outubro, o que situaria essa descoberta em 10 de outubro, depois da data de morte amplamente divulgada. Um relato de 11 de outubro também diz que ela foi encontrada morta no dia anterior. Essas divergências continuam sem solução.
Prisões, provas digitais e casos separados
Segundo relatos, Nauman foi preso durante uma operação no setor H-13, em Islamabad, onde os investigadores disseram que ele estava hospedado em um quarto alugado. Relatos posteriores identificam as mulheres presas como Fatima Sarwar e Aiza. Outro relato do caso da FIA menciona Fatima Sarwar, conhecida como Aiza, o que deixa dúvidas sobre se a referência diz respeito a uma mulher ou a duas pessoas distintas.
A polícia enviou para perícia um telefone recuperado com o suspeito e obteve registros bancários. Relatos da investigação mencionam endereços de e-mail falsos, identidades assumidas e conversas recuperadas. Um deles alega que foi usada inteligência artificial para preparar documentos falsos de visto de estudante. Essa alegação não foi respaldada por um laudo pericial divulgado.
Um relato posterior afirma que Nauman confessou durante o interrogatório. Uma confissão policial relatada não equivale a uma decisão judicial de culpa. Os investigadores também teriam encontrado no telefone indícios de outros golpes e de chantagem contra mulheres. Essas acusações separadas continuam sob investigação.
A polícia de Islamabad registrou um caso na delegacia de Ramna, com base nos artigos 322 e 34 do Código Penal do Paquistão, após a denúncia do pai. O artigo 322 trata da punição por causar a morte sem intenção de matar por meio de um ato ilegal. O artigo 34 se refere a atos praticados por várias pessoas com uma intenção comum. A inclusão desses artigos em uma denúncia não comprova culpa.
A FIA abriu um caso separado após uma denúncia de Amjad Ur Rehman. Os relatos mencionam acusações de fraude, indução desonesta à entrega de bens e cumplicidade, além de dispositivos da Portaria de Emigração. Os cinco dias de prisão preventiva permitem que a polícia mantenha o suspeito sob custódia para prosseguir com a investigação; não são uma sentença nem um veredicto.
O que ministros e Senado estão cobrando
O primeiro-ministro Shehbaz Sharif determinou que o chefe da polícia e o comissário-chefe de Islamabad mantivessem o suspeito sob custódia, segundo declarações do Gabinete do Primeiro-Ministro. Talal Chaudhry também determinou que a FIA agisse. O ministro do Interior, Mohsin Naqvi, afirmou que recuperar o dinheiro da família era uma prioridade, assim como identificar os responsáveis.
Durante uma visita à família enlutada, Naqvi descreveu a investigação como uma prova da resposta das autoridades à fraude:
Este é um caso que põe nossa atuação à prova.
Ele também se comprometeu pessoalmente a acompanhar o processo:
Posso dizer que vou acompanhar pessoalmente o caso deles.
O Comitê Permanente de Direitos Humanos do Senado, presidido pela senadora Samina Mumtaz Zehri, convocou uma reunião para 15 de outubro e determinou que o chefe da polícia de Islamabad, o diretor-geral da FIA e o presidente da Comissão de Ensino Superior comparecessem com relatórios. O comitê pediu informações sobre os casos, as prisões e o andamento das investigações.
Também pediu esclarecimentos sobre as medidas para cancelar a licença do consultor que emitiu o suposto certificado falso. Essa solicitação precisa ser analisada em conjunto com a declaração anterior da FIA de que o suspeito não era um agente de vistos registrado. Os relatos não comprovam que ele tivesse alguma licença.
A polícia recolheu documentos e amostras para perícia, enquanto, nos relatos iniciais, o laudo oficial da autópsia ainda estava pendente. Quando questionado se os investigadores consideravam a hipótese de assassinato, Naqvi se recusou a comentar e disse que a polícia deveria ter tempo para apurar os fatos. Não há relatos de recuperação do dinheiro ou de decisão judicial definitiva.
Um problema mais amplo de fraude documental, sem ligação comprovada
O caso chamou atenção para outras supostas fraudes documentais, mas essas investigações não devem ser tratadas como parte da mesma operação sem provas. Em uma investigação separada, a FIA teria prendido 22 pessoas, incluindo seis funcionários do Ministério das Relações Exteriores, após operações em consultorias educacionais e escritórios de empresas de entrega em Islamabad.
Essa investigação tratava de adesivos de apostila supostamente falsificados, carimbos falsos e pagamentos por serviços acelerados. Uma apostila é um certificado usado para autenticar um documento público para que seja reconhecido no exterior; ela não comprova, por si só, admissão em uma universidade nem elegibilidade para um visto. Não há relatos de uma ligação comprovada entre essas prisões e o caso de Ijaz.
Acusações separadas estimam em Rs 12 bilhões as cobranças não oficiais pelo processamento de cerca de 800 mil documentos em um ano. Esses números não são um total verificado por auditoria e não medem as perdas no caso de Ijaz.
Naqvi também descreveu a falta de pessoal na Agência Nacional de Investigação de Crimes Cibernéticos, dizendo que ela tinha 61 funcionários em Punjab e recebia cerca de 3 mil denúncias por dia. Esses números dizem respeito a outra agência, não à equipe da FIA responsável por este caso de fraude. Ainda assim, ajudam a contextualizar a promessa dele de que as pessoas que apresentarem denúncias receberão respostas e atualizações, em vez de apenas terem suas queixas registradas.
Para a família de Ijaz, as questões imediatas são específicas: identificar quem recebeu o dinheiro, determinar se outras pessoas estiveram envolvidas, examinar os documentos e as provas digitais e recuperar o que for possível. Seu pai pediu que estudantes e pais verificassem diretamente com as instituições envolvidas os agentes, os processos de admissão e os documentos. Esse apelo não transfere para a família a responsabilidade pela suposta fraude atribuída aos acusados.
Principais pontos
- Laiba Ijaz, medalhista de ouro em física pela Universidade Islâmica Internacional de Islamabad, foi encontrada morta perto do mercado semanal do setor G-10, em Islamabad.
- O caso da FIA aponta uma suposta fraude de Rs 9,3 milhões, dos quais Rs 2,9 milhões foram transferidos por meio da conta dela e o restante foi pago em dinheiro.
- A família vendeu um terreno e penhorou joias para financiar os estudos prometidos nos Estados Unidos.
- O principal suspeito foi preso e colocado sob custódia policial por cinco dias. Relatos posteriores mencionam outras duas prisões.
- Os investigadores examinam supostas cartas de admissão falsas, documentos de bolsa de estudos, recibos de pagamento e comunicações digitais.
- Os relatos divergem sobre a idade e a formação de Ijaz, alguns valores pagos, datas e identidades dos supostos cúmplices.
- O comitê de direitos humanos do Senado convocou uma reunião para 15 de outubro. Nos relatos do processo, ainda não havia conclusões médicas definitivas, decisões judiciais nem recuperação do dinheiro.






