A lacuna no atendimento à saúde mental no Nepal persiste apesar de decisões judiciais e novos planos de serviços

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Nepal's Mental Health Care Gap Persists Despite Court Orders and New Service Plans

Quase quatro em cada cinco pessoas que precisam de atendimento ficam sem ele

A crise de saúde mental no Nepal diz respeito tanto ao acesso ao tratamento quanto ao número de pessoas que enfrentam problemas de saúde mental. O Dr. Krishna Prasad Paudel, diretor-geral interino do Departamento de Serviços de Saúde, afirma que cerca de 80% das pessoas que precisam de atendimento em saúde mental não conseguem obter os serviços de que necessitam, enquanto apenas cerca de 20% recebem atendimento quando precisam.

Conteúdo
  1. Quase quatro em cada cinco pessoas que precisam de atendimento ficam sem ele
  2. O que o levantamento nacional realmente mediu
  3. Custos e incertezas mantêm o tratamento fora do alcance
  4. A expansão para além das cidades começou, mas a cobertura é desigual
  5. Um orçamento pequeno precisa financiar uma resposta ampla
  6. Determinações judiciais e legislação vêm após anos de atraso
  7. A prevenção do suicídio exige registros e encaminhamentos confiáveis
  8. O telefone 1166 oferece um caminho para o atendimento
  9. Pesquisa com jovens relaciona adversidades a riscos para a saúde mental
  10. A proteção dos direitos precisa chegar às comunidades locais
  11. Principais pontos

As evidências nacionais mais robustas ajudam a dimensionar essa lacuna. O Levantamento Nacional de Saúde Mental do Conselho de Pesquisa em Saúde do Nepal coletou dados de 15.088 pessoas entre janeiro de 2019 e janeiro de 2020, nas sete províncias. O estudo constatou que 10% dos adultos tiveram algum transtorno mental ao longo da vida e 4,3% apresentavam um transtorno no momento da pesquisa, considerando o mês anterior. Entre adolescentes de 13 a 17 anos, a prevalência ao longo da vida foi de 5,2%.

Esses números descrevem situações diferentes. A lacuna de atendimento de 80% se refere às pessoas que precisam de cuidados, não a 80% de toda a população do Nepal. A proporção de adultos que tiveram um transtorno ao longo da vida também não significa que um em cada dez adultos estivesse com um transtorno no momento da pesquisa.

Em um evento organizado pelo Fórum de Jornalistas de Saúde, Paudel apontou o financiamento insuficiente, a oferta limitada de serviços comunitários e os registros incompletos de suicídios como grandes obstáculos. Reportagens em torno do Dia Mundial da Saúde Mental de 2026 descrevem compromissos do governo com legislação, leitos hospitalares e novas diretrizes sobre risco de suicídio. Também relatam atrasos persistentes no cumprimento de uma ordem da Suprema Corte para reconstruir as estruturas de saúde mental do país.

A questão central é se esses compromissos poderão se transformar em serviços confiáveis fora das grandes cidades, com profissionais capacitados, tratamento acessível e proteção contra a discriminação. Avaliações oficiais anteriores registram avanços, mas também mostram quanto da rede de serviços ainda precisava ser desenvolvido.

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O que o levantamento nacional realmente mediu

O levantamento nacional incluiu 9.200 adultos e 5.888 adolescentes em 68 dos 77 distritos do Nepal. Seu tamanho e abrangência fazem dele uma referência nacional mais sólida do que números provenientes de pequenos estudos preliminares ou pesquisas com grupos etários específicos.

Mesmo assim, circulam estimativas diferentes de prevalência. Uma outra publicação atribui o índice de 4% a um levantamento nacional de saúde datado de 2077 no calendário nepalês e também cita uma estimativa bem mais ampla, de 30%, sem explicar como foi calculada nem qual população abrange. Uma revisão acadêmica publicada apontou 12,9% com base em um levantamento-piloto de saúde mental. Nenhum desses números deve ser tratado como equivalente à prevalência de 10% de transtornos mentais ao longo da vida entre adultos ou à prevalência atual de 4,3% encontradas no levantamento nacional concluído.

Essa distinção é importante para o planejamento. Uma medida ao longo da vida inclui todas as pessoas que atenderam aos critérios da pesquisa em algum momento, inclusive aquelas cuja condição melhorou. Uma medida atual abrange um período mais restrito. Nenhuma das duas representa o total de pessoas que enfrentam sofrimento, e um histórico de adversidades não constitui, por si só, um transtorno mental.

O levantamento nacional também identificou diferenças geográficas e demográficas. A prevalência de transtornos ao longo da vida entre adultos foi mais alta na área então chamada Província 1, com 13,9%, enquanto a prevalência atual foi maior em Bagmati, com 5,9%. Adultos de 40 a 49 anos apresentaram as maiores prevalências ao longo da vida e atual, de 13,3% e 6,3%, respectivamente.

Custos e incertezas mantêm o tratamento fora do alcance

A tabela de tratamento do levantamento registra que 40,1% dos adultos com sintomas ou diagnóstico de transtorno conversaram sobre os sintomas com alguém. Apenas 3,5% falaram com um profissional de saúde. A procura por tratamento foi registrada em 22,7%, e a adesão ao tratamento prescrito, em 21,1%. São indicadores distintos da pesquisa, não uma sequência de percentuais que devam ser multiplicados entre si.

Os obstáculos práticos eram significativos: 24,9% disseram não saber onde buscar atendimento profissional, 19,5% não conseguiam arcar com os custos e 14% tinham dificuldade para se ausentar do trabalho. O levantamento também identificou atitudes como esperar que os sintomas desapareçam sem ajuda ou preferir lidar com eles por conta própria.

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O gasto médio com tratamento nos 12 meses anteriores foi de NPR 16.053, com mais NPR 4.146 em transporte e NPR 3.460 em outros custos associados. O total foi de NPR 23.659. Transporte e outros custos representaram, portanto, cerca de 32% da despesa combinada, o que mostra por que o preço de uma consulta, por si só, não dá conta do peso financeiro para obter atendimento.

Os adultos procuraram médicos sem formação especializada em psiquiatria com mais frequência do que psiquiatras: 8,8%, ante 6,5%. Curandeiros religiosos responderam por 6,7%. O levantamento recomendou integrar a saúde mental ao atendimento de rotina e preparar profissionais de medicina geral e enfermagem para tratar transtornos sob supervisão especializada.

A expansão para além das cidades começou, mas a cobertura é desigual

A avaliação dos serviços no Nepal da Organização Mundial da Saúde documenta um ponto de partida limitado: em 2021, apenas uma em cada quatro unidades de saúde oferecia serviços de saúde mental, em sua maioria nas grandes cidades. Entre as unidades que ofereciam esses serviços, apenas 16% tinham um profissional que havia recebido treinamento em saúde mental nos dois anos anteriores.

Na avaliação de 2022, os serviços de saúde mental na atenção primária e nos hospitais distritais haviam se expandido para 35 dos 77 distritos, cerca de 45% do total. Pelo menos um médico em cada um desses 35 hospitais distritais havia recebido treinamento. Mais de 1.700 profissionais de saúde receberam capacitação em saúde mental em 2022, entre eles gestores de programas, profissionais da atenção primária e agentes comunitárias de saúde.

O Dr. Rajesh Sambhajirao Pandav, representante da OMS no Nepal, descreveu a necessidade de ampliar o acesso no relato da organização:

A dimensão dos transtornos mentais no Nepal evidencia a necessidade urgente de fortalecer e ampliar o atendimento em saúde mental no país, para que seja eficaz, acessível e de qualidade.

Os números mostram uma ampliação da capacidade, não comprovam que todos os pacientes desses distritos conseguiam obter tratamento contínuo. A OMS também informou que, até dezembro de 2022, três dos 13 hospitais gerais monitorados haviam implantado serviços de saúde mental aguda para pacientes internados.

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Uma revisão acadêmica dos serviços, com base em dados de recursos de 2020, registrou 200 psiquiatras, 25 unidades psiquiátricas com internação e 500 leitos psiquiátricos. Reportagens posteriores estimam que havia entre 274 e 300 psiquiatras registrados, embora as diferentes datas e definições impeçam uma comparação precisa. A revisão também apontou supervisão clínica insuficiente e fornecimento irregular de medicamentos como fragilidades dos programas comunitários.

Um orçamento pequeno precisa financiar uma resposta ampla

Paudel afirma que a Divisão de Epidemiologia e Controle de Doenças, que abriga a seção responsável pelos programas de saúde mental, precisa financiar treinamentos, atividades comunitárias e o Programa de Ação para Superar as Lacunas em Saúde Mental com um orçamento de cerca de NPR 520 milhões. Esse valor não é uma verba destinada exclusivamente à saúde mental.

O Programa de Ação para Superar as Lacunas em Saúde Mental, conhecido como mhGAP, apoia o atendimento por profissionais que não são especialistas em saúde mental. Seu objetivo é tornar a avaliação e o tratamento básico disponíveis mais perto de onde as pessoas vivem, com encaminhamento quando forem necessários cuidados mais especializados. Para que o treinamento se traduza em tratamento confiável, são necessárias supervisão contínua, disponibilidade de medicamentos e serviços de encaminhamento em funcionamento.

A revisão acadêmica registra que os gastos com saúde mental correspondiam a 0,2% do orçamento da saúde em 2020, ante 0,8% em 2008. A proporção registrada era, portanto, um quarto do nível anterior, uma redução de 75% na parcela destinada à área. Esses percentuais, por si só, não permitem concluir se os gastos em rúpias diminuíram.

Os relatos divergem sobre o orçamento geral da saúde. A reportagem sobre as declarações de Paudel no evento para jornalistas diz que o investimento efetivo em saúde continuava em torno de 5%, apesar de uma estratégia que prevê 10% nos três níveis de governo. Outro relato atribui a ele a afirmação de que o governo havia destinado pelo menos 10%. A tabela histórica da revisão acadêmica aponta 6,15% para 2020. Períodos ou definições orçamentárias diferentes podem explicar parte da variação, mas não há um valor atual consistente estabelecido.

Paudel também destacou a palavra gradualmente na estratégia de financiamento como motivo para a meta de 10% não ter produzido o aumento esperado. Algumas atividades de saúde mental continuam dependendo do apoio de organizações parceiras, o que torna o volume do financiamento público central para uma expansão sustentável.

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Determinações judiciais e legislação vêm após anos de atraso

Em 17 de Mangsir de 2081 no calendário nepalês, correspondente a 2 de dezembro de 2024, a Suprema Corte emitiu uma decisão que, segundo relatos, continha 12 determinações. Entre elas estavam a revisão da Política Nacional de Saúde Mental de 2053, adotada em 1996, e a elaboração de uma política com estratégias adequadas para garantir os direitos relacionados à saúde mental.

A decisão pediu a criação de uma divisão dedicada em nível federal, de unidades nas províncias e de pessoas de contato em âmbito local. Também determinou que hospitais sob responsabilidade dos governos federal e provinciais desenvolvessem serviços com psiquiatras, psicólogos, enfermeiros psiquiátricos, assistentes sociais e psicoterapeutas, tanto para pacientes internados quanto para pessoas atendidas em consultas.

Matrika Devkota, diretora-executiva da Koshish Nepal, apontou a ausência de uma divisão federal própria como obstáculo à implementação dos programas. A advogada Sharmila Parajuli defendeu que o projeto de lei de saúde mental em preparação estabeleça estruturas nos três níveis de governo, conforme as determinações da Corte.

A ministra da Saúde e Higiene Alimentar, Nisha Mehta, afirmou em um evento do ministério pelo Dia Mundial da Saúde Mental de 2026 que o Gabinete havia aprovado um documento conceitual sobre saúde mental e que a legislação seria elaborada a partir dele. Ela também se comprometeu a destinar leitos de saúde mental a hospitais com mais de 100 leitos. A aprovação de um documento conceitual é uma etapa preparatória, não a aprovação de uma lei.

A sequência mostra as tentativas repetidas de transformar políticas em serviços:

  • 1996: O Nepal adotou sua primeira Política Nacional de Saúde Mental, posteriormente descrita na revisão acadêmica como mal implementada.
  • Dezembro de 2020: Foi lançada a Estratégia e Plano de Ação Nacional de Saúde Mental.
  • Fevereiro de 2021: O Nepal aderiu à Iniciativa Especial da OMS para a Saúde Mental.
  • 10 de outubro de 2022: O governo aprovou o Programa Nacional de Fortalecimento da Atenção em Saúde Mental.
  • 2 de dezembro de 2024: A Suprema Corte emitiu determinações sobre políticas, instituições, equipes e direitos.
  • Dia Mundial da Saúde Mental de 2026: Reportagens descrevem compromissos com legislação e leitos hospitalares, além da divulgação de novas diretrizes sobre risco de suicídio.

A prevenção do suicídio exige registros e encaminhamentos confiáveis

Paudel citou cerca de 7.200 mortes por suicídio por ano e uma taxa de 24 mortes por 100 mil pessoas. Ele falou sobre a meta de reduzir essa taxa para menos de cinco em relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A meta é uma taxa por 100 mil pessoas, não uma porcentagem. Passar de 24 para menos de cinco exigiria uma redução superior a 79%.

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Ele mencionou que restavam cerca de três anos e meio, mas, como o evento para jornalistas não tem data informada, essa declaração não permite estabelecer um prazo preciso. Separadamente, o plano de ação global de saúde mental da OMS prevê uma redução de pelo menos um terço nas taxas de suicídio até 2030. Essa referência global e a taxa nacional citada por Paudel são metas distintas.

Os registros incompletos dificultam a medição do progresso. Paudel disse que muitas mortes não chegam ao conhecimento da polícia ou das instituições de saúde. A revisão acadêmica identificou a ausência de um registro nacional de suicídios, enquanto um relato posterior da ONU mencionou um protótipo de registro e planos para um projeto-piloto. A proposta de um projeto-piloto não confirma a existência de um registro nacional em funcionamento.

A Diretriz Nacional sobre Avaliação e Manejo do Risco de Suicídio, 2083, divulgada em um evento pelo Dia Mundial da Saúde Mental de 2026, busca organizar a identificação de riscos, a avaliação da gravidade, o planejamento de segurança, o apoio inicial e o encaminhamento para tratamento adicional. O Departamento de Serviços de Saúde afirma que a implementação ocorrerá por meio das estruturas de saúde nas sete províncias e nos governos locais, com apoio de capacitação, assistência técnica e monitoramento.

A diretriz também prevê melhorar os registros de suicídios e de autolesão. Esses anúncios não estabelecem um cronograma legislativo firme, um prazo final completo para a implementação nem uma data verificada para a conclusão do registro nacional.

O telefone 1166 oferece um caminho para o atendimento

O relato da ONU sobre a linha nacional diz que o número de prevenção do suicídio do Nepal, 1166, passou a funcionar plenamente em 5 de maio de 2021. Com sede no Hospital Psiquiátrico de Lagankhel, em Lalitpur, o serviço recebeu apoio técnico e financeiro da OMS e apoio operacional da Organização Psicossocial Transcultural do Nepal.

Os conselheiros avaliam o risco imediato, ajudam as pessoas que ligam a entrar em contato com serviços de apoio, providenciam encaminhamentos quando necessário e fazem ligações de acompanhamento. O relato também descreve planos para ampliar o acesso on-line e criar um centro nacional de recursos para prevenção do suicídio. Esses avanços posicionam a linha como uma porta de entrada para os serviços, não como substituta do tratamento contínuo.

Dois relatos oficiais apresentam totais diferentes de ligações. O relato da ONU registra mais de 3.000 ligações até 31 de março de 2022, quase um quarto delas relacionadas a suicídio ou a outros problemas de saúde mental. A avaliação de serviços da OMS registra 1.764 ligações até novembro de 2022 feitas por pessoas com pensamentos suicidas ou preocupações relacionadas à saúde mental. Os números podem se referir a categorias diferentes, mas os relatos não explicam a divergência; por isso, não permitem estabelecer uma tendência no total de ligações.

A OMS também informou que mais de 40 mil pessoas haviam recebido apoio psicossocial até novembro de 2022, incluindo 20 mil crianças e 3 mil profissionais de saúde. Em Bagmati, 116 enfermeiros escolares e 269 professores de 120 escolas receberam treinamento em habilidades emocionais, triagem e manejo inicial.

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Pesquisa com jovens relaciona adversidades a riscos para a saúde mental

Uma pesquisa domiciliar separada, realizada de março a setembro de 2025, examinou 6.055 pessoas de 16 a 29 anos em Bagmati, Madhesh e Sudurpashchim. Pesquisadores, entre eles Subash Thapa, Nancy Ross e Santosh Giri, conduziram o estudo com financiamento da Universidade Charles Sturt.

Entre os participantes, 62,4% relataram ao menos uma experiência adversa na infância, e 10,4% relataram quatro ou mais. Essas experiências incluíam abuso, negligência, violência doméstica e uso de substâncias na família. Isso não significa que 62,4% tinham um transtorno mental.

O levantamento registrou ansiedade em 24,3%, depressão em 6%, sofrimento psicológico em 9,8% e histórico de tentativas de suicídio em 1,9%. Participantes que relataram quatro ou mais experiências adversas apresentaram uma probabilidade 9,6 vezes maior de tentar suicídio do que aqueles que não relataram nenhuma. A prevalência de ansiedade foi de 44,9% no grupo com quatro ou mais experiências, ante 18,8% entre aqueles sem nenhuma, uma diferença de 26,1 pontos percentuais.

O bullying apresentou forte associação com os quatro desfechos. O apoio social e a resiliência, entendida como a capacidade de lidar com adversidades, pareceram ter efeito protetor. Os pesquisadores recomendaram a identificação precoce em escolas e na atenção primária, com apoio direcionado a jovens em situação de desvantagem econômica e a mulheres jovens.

O estudo mediu experiências e desfechos em um único momento e, por isso, não pode provar que as adversidades na infância causaram problemas de saúde mental posteriores. Sua abrangência, limitada a três províncias e a domicílios, também restringe as conclusões nacionais e pode deixar de fora jovens em situação de rua ou institucionalizados.

A proteção dos direitos precisa chegar às comunidades locais

A Comissão Nacional de Direitos Humanos pediu serviços de saúde mental de qualidade, acessíveis e a preços razoáveis, sem discriminação. Seu monitoramento constatou que as vozes e experiências das pessoas afetadas eram frequentemente ignoradas, deixando-as expostas à negligência, ao abuso e a violações de seus direitos.

A comissão identificou uma grave falta de profissionais de aconselhamento comunitário e pediu que os três níveis de governo ofereçam apoio psicossocial local. Também citou as proteções constitucionais do Artigo 16, sobre dignidade; do Artigo 18(2), sobre proteção contra a discriminação; e do Artigo 35, sobre saúde, além da Lei de Serviços de Saúde Pública de 2075, adotada em 2018.

O direito à privacidade e à participação efetiva nas decisões sobre o tratamento fazem parte dessa reivindicação. O alerta de Paudel sobre enchentes, deslizamentos de terra e terremotos também aponta para necessidades que vão além do atendimento hospitalar. O desafio conjunto das políticas públicas é conectar os serviços de saúde ao apoio comunitário, à resposta a desastres, à educação e à proteção social, garantindo que as instituições prometidas tenham equipes e financiamento.

Principais pontos

  • Estima-se que quase 80% das pessoas que precisam de atendimento em saúde mental no Nepal fiquem sem acesso a ele.
  • O levantamento nacional encontrou prevalência de transtornos mentais ao longo da vida de 10% entre adultos e prevalência atual de 4,3%.
  • A OMS documentou a expansão dos serviços para 35 dos 77 distritos até 2022, junto com grandes lacunas de pessoal e treinamento.
  • Uma decisão da Suprema Corte de 2024 pediu a revisão da política, a criação de instituições dedicadas e a ampliação dos serviços hospitalares.
  • Reportagens em torno do Dia Mundial da Saúde Mental de 2026 descrevem novas diretrizes sobre risco de suicídio e compromissos com legislação e leitos, sem prazos firmes para conclusão.
  • A linha 1166 oferece apoio em situações de crise e encaminhamentos; a prevenção também exige tratamento contínuo, apoio comunitário e registros confiáveis.
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