Transferências de P319,33 milhões são alvo de investigação de segurança
Supostas remessas que totalizam P319,33 milhões, enviadas da China continental e de Hong Kong a uma empresa de alimentos ligada ao marido da vice-presidente Sara Duterte, tornaram-se foco de uma investigação do governo filipino. O presidente Ferdinand Marcos Jr. alertou que, se comprovadas, as alegações poderiam representar uma ameaça no mais alto nível.
Conteúdo
- Transferências de P319,33 milhões são alvo de investigação de segurança
- O que o depoimento financeiro comprova
- Os remetentes eram entidades estatais chinesas?
- Marcos diz que as provas devem vir primeiro
- Duterte contesta o argumento de segurança
- Investigação no Congresso é esperada
- Como a controvérsia se desenvolveu
- Principais pontos
O valor veio à tona no depoimento de Ronel Buenaventura, diretor executivo do Conselho de Combate à Lavagem de Dinheiro (AMLC), durante o julgamento de impeachment de Duterte. A destinatária foi identificada como Cale88 Foods Corporation, empresa na qual o marido dela, o advogado Manases Carpio, tinha participação empresarial.
Em entrevista ao Kapihan, em Singapura, no domingo, Marcos disse que o suposto envolvimento de dinheiro chinês justificava uma investigação que fosse além da disputa política em torno da vice-presidente. Ele descreveu a preocupação em termos de segurança nacional, mas ressaltou repetidamente que sua avaliação dependia de provas.
Marcos, presidente das Filipinas, explicou por que considerava as alegações graves:
O aspecto mais preocupante é o dinheiro chinês. Isso agora se torna uma questão de segurança nacional.
Em seguida, Duterte contestou essa lógica, argumentando que muitas empresas filipinas importam da China ou exportam para o país. A resposta dela traz à tona uma distinção central: a prova de que uma empresa recebeu pagamentos do exterior não demonstra, por si só, que houve conduta ilegal ou ameaça ao Estado.
Não foi comprovada nenhuma irregularidade. A disputa agora envolve várias questões distintas: se as transferências ocorreram conforme descrito, quem as enviou, qual era a finalidade comercial e se tinham alguma relação com influência estrangeira indevida. Marcos disse que os investigadores precisam apurar a verdade antes de chegar a conclusões.
O que o depoimento financeiro comprova
Buenaventura depôs que a Cale88 recebeu P319,33 milhões em remessas do exterior provenientes da China continental e de Hong Kong. Uma remessa do exterior é uma transferência de dinheiro para o país vinda de outro país. O termo indica a origem do pagamento, não se ele foi legal nem o que foi pago com ele.
Outra versão da discussão no Congresso informou que o valor foi de P319 milhões. São P330 mil a menos que o número mais preciso atribuído a Buenaventura, e a diferença parece ser um arredondamento do mesmo total, não um conjunto de transferências identificado de forma independente.
O nome da empresa também aparece grafado de formas diferentes nos relatos: Cale88 Foods Corporation no relato do depoimento de Buenaventura e Calle88 Foods Corp. na descrição de uma investigação proposta no Congresso. Ambas as versões se referem a uma empresa do setor de alimentos associada a Carpio, mas a divergência na grafia não foi esclarecida por meio de um documento societário apresentado publicamente nesses relatos.
Na discussão no Congresso, a empresa foi descrita como uma suposta fabricante de chips de banana associada a Duterte e Carpio. A descrição mais específica que acompanhou o depoimento ao AMLC identificou Carpio como alguém que tinha participação empresarial. Nenhuma das descrições comprova que Duterte tenha recebido pessoalmente as remessas.
O depoimento atribui à controvérsia um valor financeiro específico e identifica um destinatário. Não esclarece a finalidade dos pagamentos, quem era dono da empresa na época de cada transferência nem se houve fornecimento de produtos ou serviços em troca.
Os remetentes eram entidades estatais chinesas?
A senadora e juíza Risa Hontiveros disse que sua investigação indicava que as empresas que enviaram dinheiro à companhia seriam entidades estatais chinesas. Essa alegação é diferente do depoimento ao AMLC, que identificou a China continental e Hong Kong como origem das remessas.
Uma empresa estatal é uma companhia pertencente ou controlada por um governo. Determinar se esse era o caso ajudaria a identificar os remetentes, mas não provaria automaticamente que um pagamento específico tinha como objetivo influenciar um funcionário filipino.
Essa distinção é importante porque a preocupação levantada por Marcos envolve a possibilidade de influência estrangeira, enquanto a resposta de Duterte trata do comércio regular. Identificar a propriedade das empresas remetentes e a finalidade das transações é necessário para avaliar essas posições divergentes. A alegação de Hontiveros não foi apresentada como uma conclusão definitiva de que houve irregularidade.
Marcos diz que as provas devem vir primeiro
Marcos confirmou que o governo investigava as alegações a fundo e disse que o Departamento de Defesa Nacional (DND) tinha o dever de examinar suas possíveis consequências para a segurança nacional. Ele não anunciou uma avaliação concluída nem apontou uma ameaça comprovada.
O presidente descreveu a sequência que, segundo ele, os investigadores deveriam seguir:
O primeiro passo para lidar com toda essa situação, com essas alegações que estão sendo levantadas, é buscar as provas e descobrir a verdade. Isso é o importante.
Questionado sobre as instruções que havia dado ao DND e se tinha conversado com autoridades chinesas, Marcos se recusou a especular. Suas respostas não revelaram orientações específicas para a investigação nem confirmaram se houve contato diplomático.
Ele disse que, se as alegações fossem comprovadas, elas passariam a estar entre as principais preocupações de segurança do país, pois envolveriam a soberania filipina e a segurança do Estado. Ao mesmo tempo, afirmou que ficaria satisfeito se surgissem provas que as refutassem.
Marcos descreveu essa possibilidade em termos pessoais:
Nada me deixaria mais feliz do que uma prova de que isso não é verdade. Assim, eu teria uma preocupação a menos.
Duterte contesta o argumento de segurança
Em declarações divulgadas na segunda-feira, 12 de outubro de 2026, Duterte questionou se fazer negócios com a China estava sendo tratado como um risco à segurança nacional. Ela mencionou as muitas empresas filipinas que importam da China ou exportam para o país.
Duterte também disse que os comentários de Marcos davam a entender que seu governo a considerava uma ameaça desde 2023. Essa foi a interpretação dela das declarações, não uma admissão de Marcos de que o governo tivesse feito tal avaliação.
Sua defesa se concentrou no caráter comercial que as transações internacionais podem ter. Ela não esclareceu as questões específicas sobre as empresas remetentes, sua suposta propriedade estatal ou as transações descritas durante o processo de impeachment.
Duterte também alegou que o processo de impeachment estava desmoronando por falta de provas e que seus defensores haviam voltado a atenção para os recursos chineses. Ela os acusou de inventar provas e criticou o que disse ser a ausência de documentos comprobatórios anexados à denúncia quando ela foi apresentada. Essas acusações continuam sendo alegações contestadas, não conclusões do tribunal de impeachment.
Investigação no Congresso é esperada
O deputado Jonathan Keith Flores, representante de Bukidnon e integrante do grupo de acusação da Câmara, disse que se esperava a apresentação de uma resolução no Congresso para investigar os supostos recursos. As declarações descrevem uma iniciativa planejada, não uma resolução já aprovada nem uma investigação com cronograma confirmado.
Flores disse que o grupo de acusação soube dos recursos durante os depoimentos de testemunhas no Tribunal de Impeachment do Senado. Segundo ele, o grupo não tinha conhecimento deles antes do processo de impeachment.
Esse momento é relevante para a acusação de Duterte de que os defensores do processo mudaram sua narrativa. Flores descreveu informações que vieram à tona durante os depoimentos; Duterte apresentou o foco na China como uma reação às fragilidades do caso. Nenhuma das versões, por si só, determina a validade das alegações financeiras.
Flores também disse que se esperava que o Departamento de Relações Exteriores, o Departamento de Justiça e o Gabinete do Ombudsman tomassem providências em relação à empresa. Nos relatos de suas declarações, não foram anunciadas datas específicas para a apresentação de pedidos, atribuições de investigação nem decisões desses órgãos.
Como a controvérsia se desenvolveu
O ex-senador Antonio Trillanes IV divulgou publicamente pela primeira vez alegações sobre transações envolvendo entidades chinesas e a empresa em uma coletiva de imprensa. Em seguida, a controvérsia passou a envolver depoimentos financeiros, uma proposta de investigação no Congresso e uma troca pública de declarações entre o presidente e a vice-presidente.
- Em uma coletiva de imprensa, Trillanes levantou alegações sobre recursos chineses e a empresa ligada a Carpio. A data exata não foi especificada.
- Durante o julgamento de impeachment, na semana anterior a 12 de outubro de 2026, Buenaventura depôs sobre P319,33 milhões em remessas do exterior provenientes da China continental e de Hong Kong.
- No domingo, em Singapura, Marcos confirmou uma investigação e disse que a possível ameaça à segurança dependia de comprovação.
- Na segunda-feira, 12 de outubro, Duterte contestou o enquadramento em termos de segurança e acusou os defensores do impeachment de mudar sua narrativa.
Uma troca política separada envolveu a acusação de Duterte de que o governo estava por trás das alegações feitas pelo policial demitido Rodulfo Gracioso Jr. Marcos negou envolvimento e exigiu provas. Essa troca não deve ser tratada como prova de que as alegações de Gracioso e as remessas à empresa sejam o mesmo caso.
Marcos disse que concluir as prioridades de seu governo era mais importante para ele do que acompanhar as trocas de acusações políticas. Os próximos passos concretos continuam indefinidos: não foi informada nenhuma data para a resolução proposta, um relatório de investigação ou uma decisão que estabeleça se as remessas envolveram irregularidades.
Principais pontos
- O diretor executivo do AMLC, Ronel Buenaventura, depôs que a Cale88 Foods Corporation recebeu P319,33 milhões da China continental e de Hong Kong.
- A empresa foi associada a uma participação empresarial do marido de Duterte, Manases Carpio.
- Hontiveros alegou que as empresas remetentes eram estatais chinesas; essa alegação não é uma conclusão definitiva.
- Marcos confirmou uma investigação e disse que qualquer avaliação de segurança deve se basear em provas.
- Duterte contestou o tratamento do comércio com a China como uma preocupação de segurança e questionou a solidez do processo de impeachment.
- Espera-se que seja apresentada uma resolução no Congresso, mas não foi anunciada uma data para isso nem um prazo para a investigação.
- Não foi comprovada nenhuma irregularidade nem influência estrangeira indevida.






