Decisões judiciais não cumpridas no Nepal deixam direitos, patrimônio e bilhões de rúpias em suspenso

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Nepal's Unenforced Court Orders Leave Public Rights, Heritage and Billions of Rupees in Limbo

244 decisões de interesse público aguardam cumprimento

Autoridades da Diretoria de Execução de Decisões da Suprema Corte do Nepal informam que 244 decisões de interesse público continuam sem cumprimento. Elas abrangem direitos e deveres que vão do voto de cidadãos no exterior à proteção ambiental. Registros financeiros separados, atribuídos à mesma diretoria, apontam mais de 31,75 bilhões de rúpias nepalesas em multas não pagas, enquanto as vítimas receberam menos de 5% da indenização registrada como devida.

Conteúdo
  1. 244 decisões de interesse público aguardam cumprimento
  2. O que a diretoria de execução pode fazer
  3. Lumbini enfrenta disputa sobre ordem contra a poluição
  4. Um caso anterior sobre patrimônio mostra o mesmo padrão
  5. Voto no exterior e direitos dos gurkhas exigem medidas concretas
  6. Empresa fornecedora de equipamentos de diálise ainda aguarda pagamento
  7. O que mostram os valores das multas não pagas
  8. Relatório sobre 91 casos identifica os órgãos responsáveis
  9. Cronologia de decisões e ações atrasadas
  10. Há propostas, mas faltam prazos de execução
  11. Principais pontos

Entre as decisões contestadas está uma ordem para fechar ou transferir indústrias poluidoras situadas num raio de 15 quilômetros de Lumbini, local de nascimento de Buda. Outros casos envolvem tratamento justo para soldados gurkhas, acesso ao voto para nepaleses no exterior e pagamento por equipamentos de diálise já utilizados pelo governo.

Os atrasos não se resumem a tribunais aguardando respostas de ministérios. Um relatório de andamento do governo descreve ordens que circulam entre repartições sem resultar nas medidas exigidas. Algumas tratam da proteção de terras públicas e águas subterrâneas e datam de mais de 15 anos.

Também há limites para o que os números principais permitem concluir. O total informado pela diretoria, de 244 decisões de interesse público pendentes, difere dos 91 casos apontados em um relatório de andamento do governo. Os documentos não esclarecem se os totais abrangem períodos, instituições ou categorias diferentes. Eles não devem ser tratados como medidas equivalentes.

A distinção central está entre ganhar uma ação e receber a reparação prevista. Uma ordem ambiental exige medidas contra a poluição. Uma decisão sobre o voto exige providências para que as cédulas possam ser depositadas. Uma decisão sobre indenização exige o pagamento. A troca reiterada de correspondências pode documentar esforços de execução sem produzir nenhum desses resultados.

O que a diretoria de execução pode fazer

A Diretoria de Execução de Decisões da Suprema Corte não é um serviço informal de envio de lembretes. Sua descrição institucional oficial atribui a ela a responsabilidade de implementar ordens emitidas em ações judiciais de interesse público, além de coordenar e supervisionar outros trabalhos de execução de decisões.

A diretoria foi criada após uma decisão do plenário da Suprema Corte, datada de 2066/1/29, e uma decisão do presidente da Suprema Corte, de 2066/2/27, segundo o calendário Bikram Sambat. O capítulo 15 do Regulamento da Suprema Corte, de 2074, fornece sua base legal. A regra 130 prevê orientações a tribunais subordinados e outros órgãos, reuniões de coordenação, capacitação de servidores e propostas de mudanças legais ou de políticas públicas.

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Se a agência responsável não assumir a responsabilidade, a diretoria também pode informar os descumprimentos não resolvidos a um colegiado judicial. Isso é importante porque a inércia de um ministério não precisa permanecer indefinidamente limitada a uma troca de cartas: a diretoria dispõe de um procedimento formal para levar o problema de volta aos juízes, que podem adotar as medidas cabíveis.

A descrição institucional distingue a execução de decisões cíveis, criminais e de mandado judicial. Segundo o texto, o artigo 152 do Código de Processo Penal, de 2074, e o artigo 230 do Código de Processo Civil, de 2074, em geral atribuem a implementação de decisões judiciais comuns ao tribunal distrital competente. Ordens de mandado de interesse público muitas vezes exigem outro tipo de providência, envolvendo políticas públicas, orçamentos ou várias agências governamentais.

A própria diretoria aponta a atuação insuficiente do Estado como um obstáculo à execução de decisões criminais. Seu relato também situa a preocupação com a implementação em estudos de reforma judicial e no segundo plano estratégico do Judiciário, que abrange o período de 2066/67 a 2070/71. Portanto, o problema antecede as decisões contestadas mais recentes e o atual acúmulo de casos pendentes de execução.

Lumbini enfrenta disputa sobre ordem contra a poluição

Os ministros Kumar Regmi e Sunil Kumar Pokharel emitiram o mandado de segurança relativo a Lumbini em Bhadra 11, 2082, após ações movidas pelo advogado sênior Prakashmani Sharma, pelo advogado Sanjay Adhikari e outros. O mandado de segurança é uma ordem judicial que obriga uma autoridade pública a cumprir um dever legal.

Segundo relatos, a decisão determina que indústrias poluidoras situadas num raio de 15 quilômetros da área tombada sejam fechadas ou transferidas, com prazo de implementação de dois anos. A extensão ao sul é descrita como chegando à fronteira com a Índia. O governo estaria citando essa questão geográfica ao considerar uma revisão da decisão, em vez de avançar com sua implementação.

Sharma afirma que o governo já havia decidido retirar a área industrial antes da intervenção judicial. Ele contesta a tentativa de pedir uma revisão como resposta a uma obrigação que o governo já havia aceitado.

Sharma, advogado sênior e autor da ação, disse:

Mesmo antes de a Suprema Corte tomar a decisão, o governo havia decidido retirar a área industrial de Lumbini, local de nascimento de Buda.

Ele também afirma que o Comitê do Patrimônio Mundial está preocupado com o descumprimento e alerta que Lumbini pode perder o status de Patrimônio Mundial. Esse é um alerta dele, não um anúncio de que a retirada do título foi decidida. Não foi identificada nenhuma decisão do comitê que estabeleça esse resultado nem um processo de retirada já agendado.

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Também é importante distinguir entre atraso e prazo vencido. Segundo os relatos, a ordem prevê dois anos, mas os documentos não estabelecem se esse período já terminou. Eles descrevem uma disputa sobre a implementação e uma possível revisão, sem identificar uma decisão sobre o pedido de revisão, uma suspensão da ordem ou um cronograma detalhado para a transferência.

Um caso anterior sobre patrimônio mostra o mesmo padrão

A disputa de Lumbini tem um precedente próximo na coletânea de decisões marcantes publicada pela Suprema Corte. O mandado nº 3027 de 2059, Prakash Mani Sharma e outros contra o Gabinete do Conselho de Ministros e outros, tratava de olarias no vale de Kathmandu e de decisões do governo que não haviam sido implementadas.

A decisão registra determinações de fechamento e instruções emitidas por diversos órgãos governamentais em datas entre 2057 e 2059. Também registra a preocupação dos autores da ação de que houvesse olarias a menos de dois quilômetros das áreas de Patrimônio Mundial de Bhaktapur e Changu Narayan, expondo à poluição tanto as pessoas quanto os monumentos.

O advogado Raju Prasad Chapagain citou uma estimativa de 89,90% para a contribuição das olarias às emissões totais de partículas em suspensão no vale. Partículas totais em suspensão são partículas transportadas pelo ar, como poeira e fuligem. Essa estimativa histórica foi apresentada no processo; não é uma medição atual da poluição atmosférica no vale.

A principal conclusão do tribunal foi de natureza administrativa. Três anos após as decisões do governo, os advogados não conseguiam explicar quais medidas haviam sido implementadas, quais não haviam sido e quando haveria providências. O tribunal concluiu que as políticas ambientais haviam ficado no papel e chamou a atenção do ministro do Meio Ambiente para essa falha.

A comparação com Lumbini é específica: nos dois casos, um autor de ação buscou intervenção judicial contra a poluição perto de locais tombados, depois de o governo já ter prometido agir. A decisão anterior mostra que uma nova decisão, por si só, não resolve a falta de cumprimento de compromissos já assumidos.

Voto no exterior e direitos dos gurkhas exigem medidas concretas

Em Chaitra 7, 2074, a Suprema Corte emitiu determinações em ações separadas envolvendo os advogados Yagyamani Neupane e Prem Chandra Rai para garantir o direito de voto dos nepaleses que vivem no exterior. A ordem não se limitava a trabalhadores migrantes. Ela pedia medidas para cidadãos que estivessem fora do país por diferentes motivos.

O tribunal também reconheceu que as leis e políticas dos países anfitriões sobre o voto de estrangeiros em seus territórios variam. Determinou que o governo buscasse diálogo diplomático com esses países e, quando necessário, com empresas que empregam trabalhadores nepaleses.

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Neupane, hoje também parlamentar do Partido Nacional Independente, afirma que pedidos reiterados não resultaram em medidas concretas. Ele pretende cobrar respostas por meio de comissões parlamentares, entre elas a Comissão de Assuntos de Estado. Não foi identificada uma data para audiência nem um cronograma operacional para o voto no exterior.

Outra decisão trata do acordo tripartite entre Nepal, Índia e Reino Unido, de 9 de novembro de 1947, que regulamenta o recrutamento de gurkhas. Padam Sundar Limbu e outros autores da ação contestaram cláusulas que consideravam discriminatórias, entre elas o uso das tabelas salariais indianas, com base na Constituição do Nepal, na Lei dos Direitos Civis e em princípios internacionais de direitos humanos.

Os autores também mencionaram o envio de soldados contra a China e o Paquistão, e para o Sri Lanka em 1987, como questões relacionadas à política externa e à dignidade nacional do Nepal. Esses foram argumentos apresentados no processo, não conclusões de que todas as cláusulas contestadas tenham sido invalidadas.

A decisão, datada de Magh 24, 2079, determinou medidas para garantir benefícios de serviço justos, atuais e igualitários, sem prejudicar a relação histórica do Nepal com o Reino Unido. Ela pediu pesquisa especializada, consulta aos grupos afetados e iniciativas diplomáticas orientadas por decisões do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. A falha relatada é a implementação insuficiente dessas medidas, e não o não pagamento de um valor específico determinado pelo tribunal.

Empresa fornecedora de equipamentos de diálise ainda aguarda pagamento

A disputa no setor de saúde ilustra uma obrigação financeira mais direta. Ayush Bista, de Nepalgunj, afirma que a Birang Trading Company investiu 470 milhões de rúpias nepalesas em equipamentos e instalações para diálise em locais como Jawalakhel, o Hospital Provincial de Seti, a Faculdade de Medicina de Nepalgunj, a Academia de Ciências da Saúde de Pokhara e o Hospital Provincial de Mechi.

A hemodiálise filtra resíduos e o excesso de líquido do sangue quando os rins não conseguem desempenhar essa função adequadamente. A empresa recorreu à Justiça depois que o governo utilizou seus equipamentos e instalações sem pagar a indenização e pelos serviços que ela reivindicava.

Em Asar 18, 2082, o Tribunal Superior de Patan ordenou que o Ministério da Saúde e da População pagasse uma indenização pelo uso dos equipamentos e instalações. Trata-se de um caso no Tribunal Superior, separado das decisões de interesse público da Suprema Corte, mas que demonstra a mesma distância entre uma ordem e seu cumprimento.

Um comitê de avaliação do ministério calculou em cerca de 352,4 milhões de rúpias nepalesas o valor dos equipamentos e das instalações. Segundo os documentos, houve um acordo para pagar 210 milhões de rúpias após análise do Conselho de Ministros e coordenação com o Ministério das Finanças. Bista afirma que nem esse valor foi recebido.

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O valor de 210 milhões de rúpias equivale a cerca de 45% do investimento reivindicado, de 470 milhões, e a aproximadamente 60% da avaliação do comitê, de 352,4 milhões. Essas comparações dão uma ideia da dimensão do acordo que ele descreve. Elas não demonstram que o investimento original, o valor da avaliação e a quantia a pagar sejam juridicamente idênticos.

Bista afirma que vai à diretoria de execução três ou quatro vezes por mês e acompanha as cartas enviadas por ela ao ministério. Segundo relatos, o ministério cita como motivo do atraso o extravio de arquivos originais em incêndios durante protestos. A cronologia não é clara: o relato situa os protestos em Bhadra 23 e 24, 2080, sem esclarecer essa data. A diretoria instruiu o ministério a reconstituir os arquivos, se necessário, e a cumprir a ordem prontamente.

O que mostram os valores das multas não pagas

Os números consolidados de execução são descritos como referentes ao ano fiscal de 2082/83 até o fim de Jestha. Eles registram um total de 165.881 anos, dois meses e 10 dias de penas de prisão, dos quais 41.197 anos, 10 meses e 29 dias foram cumpridos, enquanto 122.904 anos, 10 meses e cinco dias continuam pendentes.

Esses números exigem cautela. O total informado não coincide aritmeticamente com a soma dos períodos cumpridos e pendentes relatados. As descrições iniciais também mencionam, de forma mais ampla, cerca de 121 mil anos de penas ainda não cumpridas. São registros acumulados de penas de vários processos, não uma contagem de presos nem uma medida de quantas pessoas estão atualmente em liberdade.

Os valores das multas são mais coerentes: 43.211.728.610 rúpias nepalesas registradas, das quais 11.455.335.604 foram arrecadadas. Restam 31.756.393.006 rúpias pendentes, aproximadamente 73,5% do valor registrado.

O quadro das indenizações às vítimas é ainda mais grave. De 1,5838 bilhão de rúpias registrado como devido, apenas 78,3 milhões, ou 4,95%, haviam sido pagos. Portanto, cerca de 1,5055 bilhão ainda não tinha sido pago. A recuperação de valores devidos ao governo, decorrentes de decisões judiciais, foi ainda menor: foram arrecadados 37,9 milhões de um total registrado de 2,3732 bilhões de rúpias, uma taxa de recuperação de 1,60%.

A estimativa geral de 34 bilhões de rúpias em receitas não arrecadadas não deve substituir o saldo de multas. Multas, indenizações às vítimas e valores devidos ao governo são categorias diferentes. Em particular, as indenizações pertencem às vítimas e não devem ser apresentadas como receita comum do Estado.

Relatório sobre 91 casos identifica os órgãos responsáveis

Um relatório separado de andamento da implementação, elaborado pelo Gabinete do Primeiro-Ministro, identifica 91 decisões de interesse público pendentes. O documento foi preparado sob a liderança do então secretário-chefe Suman Raj Aryal e do secretário de Justiça Pushkar Sapkota e, segundo relatos, divulgado em Shrawan 11.

O relatório atribui 20 decisões pendentes ao Ministério do Interior, 19 ao Gabinete do Primeiro-Ministro e 15 ao Ministério de Justiça, Direito e Assuntos Parlamentares. Juntos, esses registros correspondem a 54 dos 91 casos mencionados, cerca de 59%.

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Outros registros incluem 14 decisões para o antigo Ministério de Florestas e Meio Ambiente e oito para o antigo Ministério de Assuntos Federais e Administração Geral. O antigo Ministério da Mulher, da Criança e dos Idosos e diversos municípios têm cinco cada, enquanto a Prefeitura Metropolitana de Kathmandu e o Gabinete do Procurador-Geral têm dois cada.

O relatório descreve correspondências que passam do Gabinete do Primeiro-Ministro para ministérios, departamentos e setores sem que as decisões sejam implementadas. Aponta falta de orçamento, infraestrutura e pessoal qualificado, além de processos reiterados e incerteza sobre como algumas decisões devem ser cumpridas.

As listas de 91 casos e o número de 244 da diretoria não podem ser conciliados com base nas descrições publicadas. Os registros por ministério ajudam a identificar responsabilidades, mas não demonstram que o total maior tenha caído para 91 nem que a diferença corresponda a decisões já cumpridas.

Cronologia de decisões e ações atrasadas

Os casos se estendem por décadas. As datas nepalesas abaixo mantêm os nomes dos meses e os anos do calendário Bikram Sambat para evitar que sejam tratados como datas do calendário gregoriano, um problema em algumas descrições em inglês das decisões sobre Lumbini e os gurkhas.

  • 2059 BS: A ação sobre as olarias contesta a poluição e o descumprimento de decisões anteriores do governo.
  • Jestha 12, 2066 BS: A Suprema Corte emite uma decisão sobre a implementação do relatório da Comissão Rawal referente a terras públicas e governamentais.
  • Poush 1, 2066 BS: Uma determinação trata da regulamentação da extração de águas subterrâneas no vale de Kathmandu.
  • 1º de abril de 2011: O tribunal determina a criação de instalações de maternidade em prisões e de uma equipe de estudo em seis meses.
  • Chaitra 7, 2074 BS: Determinações buscam viabilizar o voto de nepaleses no exterior.
  • Magh 24, 2079 BS: A decisão sobre os benefícios de serviço dos gurkhas pede pesquisa, consulta e ação diplomática.
  • Asar 18, 2082 BS: O Tribunal Superior de Patan determina o pagamento no caso dos equipamentos de diálise.
  • Bhadra 11, 2082 BS: A Suprema Corte emite a ordem contra a poluição em Lumbini, que, segundo relatos, prevê dois anos para a implementação.

Uma investigação de 2020 já havia identificado 213 decisões ignoradas que determinavam ações do governo, entre elas 92 dirigidas ao Ministério do Interior. A análise de documentos de 33 casos da diretoria, obtidos por meio de pedidos de informação, mostrou lembretes reiterados e respostas atrasadas. Esses números históricos não são diretamente comparáveis aos totais posteriores.

Em um caso sobre maternidade em prisões, foram necessários quatro anos apenas para formar uma equipe de estudo que deveria ter sido criada em seis meses. Outros exemplos diziam respeito a tribunais para menores, regulamentação de farmácias, proteções contra discriminação, olarias e extração de areia. Relatos mais recentes também apontam implementação incompleta de medidas para proteger o lago Phewa e de determinações que afetam minorias sexuais e de gênero. São obrigações específicas ainda não cumpridas, não provas de que todas as políticas nessas áreas inexistam.

Há propostas, mas faltam prazos de execução

O relatório de andamento do governo propõe um sistema digital compartilhado de acompanhamento que conecte tribunais, ministérios e o Gabinete do Procurador-Geral. Também recomenda desestimular a apresentação de ações desnecessárias ou duplicadas e recorrer a comissões de monitoramento e servidores dos ministérios para resolver dúvidas práticas sobre a execução das decisões.

O secretário-geral da Suprema Corte, Bimal Paudel, afirma que a implementação exige participação ativa da polícia, dos cartórios de registro de terras, dos governos locais e de outros órgãos. O diretor-geral da diretoria, Gajendra Bahadur Singh, propõe pelo menos dois dias de capacitação especializada para os responsáveis pela execução, diante das exigências técnicas de arrecadar multas e cumprir decisões.

Essas propostas tratam de problemas diferentes: o acompanhamento pode revelar inércia, a capacitação pode melhorar a execução e a coordenação pode esclarecer responsabilidades. Nenhuma delas, por si só, comprova que um ministério tenha transferido uma indústria, viabilizado o voto no exterior ou pago um credor. A possibilidade já existente de a diretoria informar os descumprimentos a um colegiado judicial continua sendo outro mecanismo disponível.

Não foi indicada uma data definida para o lançamento do sistema de acompanhamento, do programa de capacitação ou das medidas para viabilizar o voto no exterior. Também não há data para uma audiência parlamentar, confirmação do resultado do pedido de revisão sobre Lumbini ou prazo para o pagamento da dívida da diálise. A próxima medida relevante é o cumprimento efetivo de cada decisão, com a correção das divergências contábeis ainda não resolvidas e a explicitação das responsabilidades.

Principais pontos

  • A diretoria de execução de decisões informa que há 244 decisões de interesse público sem cumprimento; um relatório separado do governo aponta 91, sem explicar a diferença.
  • Segundo relatos, a ordem sobre Lumbini exige que indústrias poluidoras situadas num raio de 15 quilômetros fechem ou sejam transferidas em até dois anos.
  • As decisões sobre voto no exterior e direitos dos gurkhas exigem medidas legais, administrativas e diplomáticas que seguem incompletas.
  • Uma empresa fornecedora de equipamentos de diálise afirma que ainda não recebeu um pagamento acordado de 210 milhões de rúpias, apesar de uma ordem do Tribunal Superior de Patan.
  • As multas não pagas ultrapassam, segundo os dados divulgados, 31,75 bilhões de rúpias; apenas 4,95% das indenizações registradas para as vítimas foram pagas.
  • Os totais publicados sobre penas de prisão não coincidem aritmeticamente e precisam ser esclarecidos.
  • Foram propostas medidas de acompanhamento digital, capacitação de servidores e coordenação, mas não há prazos definidos para sua implementação.
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