Forte aumento de casos reconhecidos de transtornos mentais entre profissionais de saúde
A média anual de casos de transtornos mentais entre profissionais de saúde no Japão com indenização aprovada subiu de 16,3 no período fiscal de 2012 a 2014 para 59,3 no período fiscal de 2021 a 2023, segundo o Livro Branco de 2026 do governo sobre a prevenção de mortes e doenças causadas pelo excesso de trabalho. O aumento equivale a cerca de 3,6 vezes o nível anterior. Acidentes traumáticos, desastres e assédio por pacientes estão entre os fatores identificados.
Conteúdo
- Forte aumento de casos reconhecidos de transtornos mentais entre profissionais de saúde
- O que mostra a comparação ao longo da década
- Traumas e conflitos interpessoais são constatações diferentes
- Recorde nacional para além da área da saúde
- Pesquisas revelam pressões em ocupações específicas
- O que abrange o Livro Branco
- Principais datas relacionadas aos resultados
- Compromissos de prevenção e questões em aberto
- Principais pontos
O gabinete aprovou o relatório em 9 de outubro de 2026. Considerando todas as ocupações, os casos de transtornos mentais reconhecidos para fins de indenização trabalhista chegaram a 1.082 no ano fiscal de 2025, estabelecendo um recorde pelo sétimo ano consecutivo. Os pedidos chegaram a 4.958, também um recorde.
Os números relativos aos profissionais de saúde contabilizam casos aceitos como relacionados ao trabalho e elegíveis para indenização pelo seguro público. Eles não representam todos os profissionais de saúde que sofreram de transtornos mentais. Ainda assim, o aumento coloca a área da saúde entre os setores em que os casos reconhecidos cresceram com particular rapidez.
O anúncio do Livro Branco do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar informa que o relatório analisa o aumento dos pedidos de indenização, as decisões em ocupações e setores prioritários e pesquisas com trabalhadores. Os resultados apontam para diferentes tipos de pressão: exposição a eventos traumáticos, relações difíceis no trabalho e comportamento abusivo de pessoas que utilizam serviços.
O que mostra a comparação ao longo da década
Para examinar com mais precisão as tendências por ocupação, o ministério dividiu o período fiscal de 2012 a 2023 em intervalos de três anos fiscais e calculou as médias anuais. Essa abordagem reduz a influência de oscilações de um único ano na comparação.
Entre os profissionais de saúde, incluindo enfermeiros, a média anual aumentou em 43 casos reconhecidos entre o primeiro e o último período, passando de 16,3 para 59,3. Com base nas médias divulgadas, isso representa um aumento de cerca de 264%. A média anual no período fiscal de 2018 a 2020 foi de 30,7 casos reconhecidos.
Uma descrição apresenta o aumento como aproximadamente três vezes, enquanto outras falam em 3,6 vezes. Os números de base são os mesmos: 59,3 dividido por 16,3 equivale a aproximadamente 3,64, portanto 3,6 vezes é a descrição mais precisa.
O aumento correspondente foi de cerca de duas vezes na construção civil e de aproximadamente 1,5 vez entre motoristas de veículos automotores. Assim, os profissionais de saúde registraram uma alta proporcional maior do que esses dois grupos. Os números não indicam qual ocupação apresenta o maior risco por trabalhador, pois a comparação não considera o tamanho da força de trabalho.
Também é importante distinguir os períodos. O intervalo fiscal de 2021 a 2023 é o mais recente nesta comparação por ocupação, enquanto os totais nacionais mais novos são do ano fiscal de 2025. A média de 59,3 entre profissionais de saúde não deve ser interpretada como um dado do ano fiscal de 2025.
Traumas e conflitos interpessoais são constatações diferentes
Em todo o período analisado entre profissionais de saúde, o fator mais comum foi vivenciar ou testemunhar acidentes trágicos ou desastres. Esse resultado aponta a exposição a acontecimentos angustiantes como um elemento central do impacto dos problemas de saúde mental reconhecidos no trabalho na área da saúde.
Um resultado distinto diz respeito ao setor mais amplo de saúde e assistência social no ano fiscal de 2025. Nesse grupo, as relações interpessoais foram a principal categoria de fatores associados aos transtornos mentais reconhecidos. A categoria pode incluir conflitos com superiores e assédio por usuários, inclusive comportamento abusivo de pacientes ou de outras pessoas que utilizam estabelecimentos de saúde.
Esses resultados se referem a grupos e períodos diferentes. Os profissionais de saúde da análise histórica não são necessariamente o mesmo grupo considerado nos números de 2025 para o setor de saúde e assistência social. A mudança na categoria predominante, por si só, não permite concluir que o assédio tenha superado a exposição a traumas como principal causa entre profissionais de saúde.
Não há aqui uma contagem separada dos casos atribuídos especificamente ao assédio por pacientes. Portanto, seria incorreto descrever todos os casos interpessoais como abuso por pacientes ou atribuir uma porcentagem do aumento entre profissionais de saúde a esse comportamento.
Recorde nacional para além da área da saúde
O aumento na área da saúde faz parte de uma alta mais ampla dos transtornos mentais reconhecidos como relacionados ao trabalho. No ano fiscal de 2025, os 4.958 pedidos apresentados em todo o país foram mais de três vezes o nível de uma década antes. Os 1.082 casos reconhecidos foram cerca do dobro do nível anterior.
As relações interpessoais, incluindo conflitos com superiores ou colegas, foram a categoria mais comum em todo o país e corresponderam a aproximadamente um quinto das causas relatadas. O peso crescente dessa categoria torna as relações no ambiente de trabalho uma questão central de prevenção, ao lado do excesso de jornada.
Pedidos e casos reconhecidos medem coisas diferentes. Um pedido é uma solicitação de indenização; o reconhecimento é uma decisão administrativa que aceita o caso como relacionado ao trabalho. Não se deve dividir os totais anuais para calcular uma taxa de aprovação, pois os pedidos apresentados durante um ano fiscal não são necessariamente decididos no mesmo período.
Os números também não revelam quanto do aumento se deve a mais casos de adoecimento, a mais pedidos ou a outras mudanças que afetam o reconhecimento. O ministério afirma que o Livro Branco analisa as razões do aumento dos pedidos, mas os totais gerais, por si só, não permitem separar esses efeitos.
Pesquisas revelam pressões em ocupações específicas
O Livro Branco também analisa respostas a questionários de aproximadamente 1.200 a 1.400 trabalhadores em cada um de três setores: construção civil, transporte rodoviário de passageiros e cargas e tecnologia da informação. As pesquisas avaliaram tendências depressivas e estresse no trabalho, identificando pessoas com suspeita de depressão ou transtornos de ansiedade, inclusive casos graves.
As proporções foram de 32% na construção civil, 31% entre motoristas de veículos automotores e 25% em tecnologia da informação. São resultados de pesquisas sobre suspeitas de transtornos, não contagens de diagnósticos clínicos ou de casos com indenização aprovada.
Na construção civil, os supervisores de obra apresentaram a maior proporção, de 46%. Outros trabalhadores técnicos e funcionários administrativos registraram, cada grupo, 31%. A diferença entre supervisores e esses dois grupos foi de 15 pontos percentuais, o que sugere que a média do setor esconde diferenças substanciais entre as funções.
Um representante do ministério sugeriu que as responsabilidades dos supervisores de obra e as longas jornadas podem ter contribuído. Eles atuam como intermediários entre a empresa e os profissionais que executam a construção. Essa explicação foi apresentada como uma possibilidade, não como uma causa comprovada dos resultados da pesquisa.
Entre os motoristas, 43% dos motoristas de ônibus e 35% dos taxistas apresentaram sinais de possível depressão ou transtornos de ansiedade. A diferença de oito pontos percentuais evidencia a variação até mesmo entre duas ocupações que envolvem contato com passageiros. As pesquisas não permitem determinar quanto o comportamento dos passageiros contribuiu para nenhum dos resultados.
O que abrange o Livro Branco
O Livro Branco é um relatório anual apresentado ao Parlamento do Japão nos termos da Lei de Promoção de Medidas para a Prevenção do Karoshi, entre outros. O ministério descreve a edição de 2026 como o 11º relatório. Seu escopo formal inclui a situação no ano fiscal de 2025 e as medidas governamentais adotadas para prevenir mortes e doenças associadas ao excesso de trabalho.
O termo karoshi costuma ser associado à morte por excesso de trabalho, mas a definição do ministério é mais ampla. Ela inclui mortes por doenças cerebrovasculares ou cardíacas causadas por sobrecarga de trabalho, suicídios associados a transtornos mentais provocados por forte pressão psicológica no trabalho e casos dessas doenças que não resultam em morte.
Essa distinção é importante neste caso: os transtornos mentais reconhecidos não devem ser interpretados como uma contagem de mortes. O relatório trata tanto de danos graves à saúde quanto de casos fatais.
A área da saúde é um dos oito grupos prioritários por ocupação ou setor, ao lado de motoristas de veículos automotores, professores, tecnologia da informação, restaurantes, construção civil, mídia e artes e entretenimento. A análise acompanha as diretrizes da política governamental de prevenção aprovadas em 2 de agosto de 2024.
Principais datas relacionadas aos resultados
O relatório reúne comparações históricas por ocupação, totais mais recentes de indenizações e as diretrizes de política do governo. Manter as datas separadas ajuda a esclarecer o que cada resultado mede.
- Ano fiscal de 2012 a 2014: profissionais de saúde tiveram, em média, 16,3 casos reconhecidos de transtornos mentais com direito a indenização por ano.
- Ano fiscal de 2021 a 2023: a média anual correspondente chegou a 59,3, cerca de 3,6 vezes o número anterior.
- 2 de agosto de 2024: o gabinete aprovou as diretrizes de política que orientam as medidas para prevenir mortes e doenças causadas pelo excesso de trabalho.
- Ano fiscal de 2025: os pedidos nacionais relativos a transtornos mentais chegaram a 4.958, e os casos reconhecidos, a 1.082.
- 9 de outubro de 2026: o gabinete aprovou o Livro Branco de 2026.
A comparação histórica entre profissionais de saúde termina antes dos resultados nacionais do ano fiscal de 2025. Ela mostra um aumento expressivo no período estudado, mas não fornece um total anual atual apenas para profissionais de saúde.
Compromissos de prevenção e questões em aberto
O ministério afirma que promoverá melhores ambientes de trabalho e considerará respostas adequadas às características de cada setor. Também está incentivando as empresas a adotar medidas como avaliações de estresse para ajudar a proteger a saúde mental dos funcionários.
O Livro Branco descreve ações governamentais para reduzir jornadas excessivas, adotar medidas de saúde mental, prevenir o assédio, conscientizar o público e apoiar organizações privadas. Também apresenta exemplos de mudanças nos ambientes de trabalho em setores prioritários, incluindo esforços para melhorar a produtividade e as condições de trabalho.
O ministro da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, Kenichiro Ueno, abordou o tema em uma entrevista coletiva após a reunião do gabinete. Em tradução, ele disse:
Ninguém deve perder a vida ou ter a saúde prejudicada por causa do trabalho. Quero dedicar todos os esforços às medidas de prevenção das mortes por excesso de trabalho.
Os resultados justificam atenção tanto à exposição a traumas quanto às relações no ambiente de trabalho, mas não especificam quantos casos entre profissionais de saúde envolveram cada tipo de assédio, quais ocupações da área concentraram a maior parte do aumento ou como os números variam entre estabelecimentos.
O anúncio não apresenta uma nova medida para a área da saúde com prazo específico de implementação. O compromisso imediato é dar continuidade aos esforços de prevenção e analisar respostas por setor. Para medir o progresso, será necessário manter separados os indicadores de pesquisas, os pedidos de indenização e os casos reconhecidos.
Principais pontos
- Os casos reconhecidos de transtornos mentais entre profissionais de saúde tiveram média anual de 59,3 no período fiscal de 2021 a 2023, ante 16,3 no período fiscal de 2012 a 2014.
- Acidentes traumáticos e desastres foram o principal fator na análise histórica dos profissionais de saúde.
- As relações interpessoais lideraram os resultados do ano fiscal de 2025 para o setor mais amplo de saúde e assistência social.
- Os casos reconhecidos em todo o país chegaram ao recorde de 1.082 no ano fiscal de 2025, o sétimo recorde anual consecutivo.
- Pesquisas identificaram suspeita de depressão ou transtornos de ansiedade em 46% dos supervisores de obra e 43% dos motoristas de ônibus.
- O governo promete dar continuidade aos esforços de prevenção, mas não especifica um novo prazo de implementação para a área da saúde.






