Uzbequistão registra 107.167 medidas protetivas enquanto persistem falhas na Justiça em casos de violência doméstica

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Uzbekistan Reports 107,167 Protection Orders as Gaps in Domestic Violence Justice Persist

Medidas protetivas chegam a 107.167 em nove meses

O Uzbequistão emitiu 107.167 medidas protetivas contra assédio e violência nos primeiros nove meses de 2026, segundo a Agência Nacional de Proteção Social. Além dessas medidas, milhares de mulheres e crianças receberam assistência, enquanto a agência deu apoio a 810 ações judiciais e ajudou pessoas a obter atendimento médico, formação profissional e acesso à educação.

Conteúdo
  1. Medidas protetivas chegam a 107.167 em nove meses
  2. Onde mulheres e crianças receberam apoio
  3. Ajuda também abrange saúde, trabalho e educação
  4. O que mostram os dados de assistência jurídica
  5. Como mudou o marco legal
  6. Reconciliação ainda limita o acesso à Justiça
  7. O aumento dos casos exige comparações cuidadosas
  8. Novas medidas de segurança têm metas, mas ainda não resultados
  9. O que os dados mais recentes não esclarecem
  10. Principais pontos

Os números mostram a dimensão da demanda por proteção mais de três anos depois de o Uzbequistão tornar a violência doméstica crime, em abril de 2023. Também expõem um desafio central: emitir uma medida, oferecer assistência temporária e garantir segurança duradoura são resultados diferentes. Os dados da agência contabilizam intervenções, mas não indicam quantas medidas foram cumpridas com sucesso nem quantas pessoas atendidas sofreram novas violências.

A agência divulgou os dados em um comunicado em seu canal no Telegram. O levantamento abrange assédio e violência, uma categoria mais ampla do que apenas violência doméstica. Portanto, o total não deve ser interpretado como o número de processos ou condenações por violência doméstica, nem como uma quantidade confirmada de vítimas distintas.

Onde mulheres e crianças receberam apoio

Salas de atendimento inicial ofereceram ajuda a 5.995 mulheres e 2.842 crianças no período analisado. Centros regionais de reabilitação atenderam 1.132 mulheres e 1.575 crianças. Esses números descrevem duas partes da rede de apoio, mas a agência não explicou se pessoas atendidas em um local foram posteriormente contabilizadas no outro.

Nos dados de atendimento divulgados, as salas de atendimento inicial registraram 8.837 mulheres e crianças, ante 2.707 nos centros de reabilitação. As crianças representaram cerca de 32% do primeiro total e 58% do segundo. Essas proporções mostram que as crianças corresponderam a uma parcela considerável dos atendimentos registrados pelos centros, mas não explicam as diferenças nos critérios de admissão, nos encaminhamentos ou no tempo de permanência.

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Seria enganoso somar os dois totais e apresentar o resultado como o número de pessoas distintas atendidas. Sem informações sobre visitas repetidas e transferências, os números descrevem o uso registrado dos serviços, não uma contagem verificada de pessoas únicas.

Essa distinção também importa ao comparar os atendimentos com as 107.167 medidas protetivas. As medidas e os registros de serviços contabilizam atividades diferentes, e os dados divulgados não mostram quantas pessoas que receberam uma medida procuraram, precisaram ou conseguiram uma vaga em um dos dois tipos de serviço.

Ajuda também abrange saúde, trabalho e educação

A agência informou que 453 pessoas receberam formação profissional e 836 foram ajudadas a obter atendimento médico. Também auxiliou na matrícula de 352 crianças na escola e de 541 na educação infantil, totalizando 893 matrículas registradas nessas duas categorias.

Esses serviços atendem a problemas práticos que podem acompanhar situações de violência. O tratamento, o acesso ao trabalho e a continuidade da educação das crianças podem influenciar a capacidade de uma pessoa de deixar um lar inseguro e construir uma vida independente. No entanto, os dados registram a assistência, não o que aconteceu depois: não há informações sobre os resultados profissionais das pessoas que receberam formação nem sobre o tratamento oferecido a quem foi encaminhado para atendimento médico.

Os dados sobre educação também não comprovam a frequência nem a continuidade dos estudos no longo prazo. Eles registram ajuda para a matrícula. Mesmo com essas limitações, mostram que a resposta da agência foi além da proteção imediata e incluiu necessidades que afetam adultos e crianças.

O que mostram os dados de assistência jurídica

A agência registrou 810 ações judiciais ajuizadas. Separadamente, informou ter prestado assistência prática em 305 casos de pensão alimentícia, 223 processos de execução, 76 casos envolvendo a entrada ou o retorno a uma residência, 37 casos de recuperação de documentos e 30 casos de partilha de bens.

Essas cinco categorias somam 671 casos de assistência registrados. O comunicado não esclarece se eles estão incluídos nas 810 ações judiciais, se alguns envolveram mais de uma forma de ajuda ou se outros foram tratados fora da Justiça. Portanto, não é possível considerar os totais como categorias diretamente correspondentes.

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A maior categoria informada foi a de pensão alimentícia, seguida pelos processos de execução. A pensão alimentícia diz respeito ao sustento financeiro, enquanto a execução envolve o cumprimento de uma obrigação ou decisão judicial já existente. A ajuda para voltar a uma residência, recuperar documentos e dividir bens atende a outras consequências práticas de conflitos familiares e da violência.

O ajuizamento de uma ação também é diferente de uma decisão judicial. Os dados não informam quantas ações foram bem-sucedidas, quanto tempo os processos levaram ou se as decisões financeiras e patrimoniais foram cumpridas. A falta desses resultados limita o que os totais podem revelar sobre o acesso à Justiça.

As reformas de abril de 2023 no Uzbequistão introduziram responsabilidades administrativas e criminais por violência doméstica, além de penalidades por assédio sexual e outras medidas de proteção. A responsabilidade administrativa geralmente se aplica a condutas punidas com multas ou detenção administrativa; a responsabilidade criminal pode resultar em penas mais severas, incluindo prisão.

A legislação passou a abranger a violência física, psicológica e econômica no âmbito familiar. As mudanças também criminalizaram a divulgação de imagens íntimas sem consentimento. Em setembro de 2024, novas alterações estenderam explicitamente as disposições sobre violência doméstica a casos de violência contra crianças.

Os principais avanços ocorreram ao longo de vários anos:

  • Abril de 2023: o Uzbequistão tipificou a violência doméstica como crime específico e introduziu penalidades administrativas relacionadas.
  • Setembro de 2024: alterações reforçaram a proteção às crianças e mudaram as condições para a análise de pedidos de reconciliação.
  • Fevereiro de 2025: mudanças eliminaram o período obrigatório de reconciliação em casos de divórcio envolvendo violência doméstica.
  • Fevereiro de 2026: o governo aprovou um programa estatal que abrange penalidades, aplicação da lei, serviços e metas mensuráveis.
  • Março de 2026: um decreto presidencial estabeleceu novas medidas de segurança, incluindo um aplicativo SOS e uma meta para o tempo de resposta policial.
  • Janeiro a setembro de 2026: a agência de proteção social informou ter emitido 107.167 medidas protetivas.

A sequência mostra que os dados mais recentes são posteriores a várias rodadas de reformas, e não a uma única mudança na lei. Ela não permite determinar qual medida explica o número de ordens ou o nível de utilização dos serviços.

Reconciliação ainda limita o acesso à Justiça

A avaliação de março de 2026 da Human Rights Watch citou um estudo de 2024 realizado por organizações da sociedade civil e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, segundo o qual mais de 55% dos casos de violência doméstica foram arquivados por meio de procedimentos de reconciliação. Mais de 90% das vítimas não tinham representação jurídica.

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A Human Rights Watch, organização de defesa dos direitos humanos, pediu mudanças na forma como as autoridades conduzem os casos e apoiam as vítimas:

As autoridades devem acabar com o arquivamento rotineiro de casos por meio da reconciliação, garantir a aplicação consistente das proteções legais, ampliar os serviços centrados nas vítimas e fazer mais para combater o estigma associado.

Outro levantamento apresenta números diferentes para um período anterior e mais específico: 61% dos processos criminais por violência doméstica entre maio e setembro de 2023 foram resolvidos por meio de reconciliação, enquanto 28% dos julgamentos administrativos foram arquivados por serem considerados insignificantes. Esses percentuais dizem respeito a períodos e categorias jurídicas diferentes e, por isso, não permitem estabelecer uma tendência por si só.

A reconciliação em um caso de violência também deve ser diferenciada do período de reconciliação em processos de divórcio. A primeira pode influenciar se um caso avançará para a aplicação de uma pena. O segundo adia a decisão sobre o fim do casamento enquanto o tribunal tenta preservar a relação.

As descrições da reforma do divórcio de fevereiro de 2025 apresentam diferenças sutis. Segundo a Human Rights Watch, o Uzbequistão eliminou o período obrigatório de reconciliação determinado pela Justiça em casos de violência doméstica. Outro relato jurídico afirma que as vítimas podem pedir aos juízes que não estabeleçam esse período. Ambos descrevem uma exceção para as vítimas, mas, no segundo caso, o pedido da vítima faz parte do procedimento.

O aumento dos casos exige comparações cuidadosas

Os casos de violência doméstica encaminhados pela polícia a centros de reabilitação passaram de cerca de 11 mil em 2020 para 16 mil em 2024. Com base nesses números aproximados, isso representa um aumento de cerca de 5 mil casos, ou 45%. O dado indica uma maior demanda registrada, mas, por si só, não permite distinguir um aumento da violência de uma melhora nas notificações ou de mudanças nos encaminhamentos.

Após as reformas de abril de 2023, 8.928 pessoas foram acusadas e condenadas com base em disposições administrativas em 2023, enquanto outras 203 foram condenadas com base em disposições criminais. Nos primeiros dez meses de 2024, os números informados foram de 15.400 processos administrativos e 399 condenações criminais.

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Segundo a Suprema Corte do Uzbequistão, mais de 10 mil pessoas foram processadas por violência doméstica nos primeiros dez meses de 2025. Esse total não apresenta a mesma divisão entre casos administrativos e criminais dos números anteriores.

Essas estatísticas não permitem uma comparação simples que mostre se os processos aumentaram ou diminuíram a cada ano. Elas abrangem períodos diferentes e usam medidas distintas, entre elas processos e condenações. Nenhuma é diretamente comparável ao total de medidas protetivas de 2026, que contabiliza uma intervenção de proteção, não uma determinação de responsabilidade legal.

Novas medidas de segurança têm metas, mas ainda não resultados

O programa estatal de fevereiro de 2026 busca reforçar as penalidades por violência contra mulheres e crianças, melhorar a aplicação da lei, ampliar os serviços e introduzir metas mensuráveis. O decreto presidencial de março acrescentou um aplicativo de emergência SOS para mulheres com medidas protetivas, com a expectativa de que a polícia chegue aos locais informados em até 10 minutos.

O decreto também instituiu cursos gratuitos antes do casamento, com a meta de alcançar até metade dos casais que se casarem em 2026 e todos os casais até 2030. Essas são metas declaradas. Os dados sobre medidas protetivas e assistência não comprovam se o aplicativo está disponível para todas as mulheres elegíveis, se a polícia cumpre o tempo de resposta previsto ou quantos casais concluíram o treinamento.

O presidente Shavkat Mirziyoyev, durante um evento pelo Dia Internacional da Mulher no Palácio Presidencial, falou sobre o papel das mulheres no desenvolvimento do país:

Sem as mulheres e suas maravilhosas e nobres qualidades, é impossível imaginar o desenvolvimento da sociedade e a própria vida.

O comunicado da Presidência também afirmou que leis futuras serão avaliadas quanto aos efeitos sobre os direitos e os interesses das mulheres. O teste prático será saber se esses compromissos resultam em proteção acessível e em ações eficazes quando a violência ocorrer.

O que os dados mais recentes não esclarecem

Um relatório de dezembro de 2025 da Parceria Internacional pelos Direitos Humanos documentou restrições ao acesso a abrigos, serviços e assistência jurídica, além de estigma social, diferenças regionais na oferta de serviços e treinamento insuficiente de funcionários públicos. Essas constatações ajudam a explicar por que um grande número de medidas protetivas não comprova, por si só, que as vítimas recebem apoio adequado.

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Os totais mais recentes da agência não informam a distribuição regional, os pedidos de abrigo não atendidos, as violações de medidas protetivas nem os casos de reincidência da violência. Também não mostram quantas pessoas receberam representação jurídica, uma lacuna importante apontada pelo estudo de 2024.

Os dados divulgados não vêm acompanhados de uma próxima audiência, de uma data para novas informações nem de um prazo para avaliação. As metas futuras mencionadas são os objetivos de treinamento pré-nupcial para 2026 e 2030. Em relação às medidas protetivas e às respostas a emergências, faltam dados sobre o desempenho: se as restrições são respeitadas, se os chamados recebem atendimento rápido e se as vítimas conseguem acessar os serviços sem obstáculos.

O Uzbequistão ampliou seus instrumentos legais e registrou um volume considerável de medidas protetivas e atividades de assistência. Para avaliar sua eficácia, agora é preciso relacionar essas intervenções aos resultados, incluindo segurança, conclusão de processos judiciais, acesso à moradia e apoio contínuo às crianças.

Principais pontos

  • O Uzbequistão informou ter emitido 107.167 medidas protetivas contra assédio e violência nos primeiros nove meses de 2026.
  • As salas de atendimento inicial registraram assistência a 5.995 mulheres e 2.842 crianças; os centros de reabilitação atenderam 1.132 mulheres e 1.575 crianças.
  • A agência deu apoio a 810 ações judiciais, 453 pessoas que receberam formação profissional e 836 pessoas que buscaram atendimento médico.
  • Um estudo de 2024 concluiu que mais de 55% dos casos de violência doméstica foram arquivados por meio de reconciliação e que mais de 90% das vítimas não tinham representação jurídica.
  • As novas medidas incluem um aplicativo SOS e uma meta de resposta policial em 10 minutos, mas os dados mais recentes não informam o desempenho dessas iniciativas.
  • O total de medidas não determina quantas vítimas distintas foram atendidas nem quantas pessoas alcançaram segurança duradoura.
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