Democratas cobram respostas sobre a UPOV 1991 enquanto a Tailândia debate os direitos dos agricultores sobre sementes

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Democrats Seek Answers on UPOV 1991 as Thailand Debates Farmers' Seed Rights

Direitos sobre sementes se tornam um teste para as negociações comerciais da Tailândia

O Partido Democrata da Tailândia exige garantias para os agricultores antes que o governo aceite compromissos sobre a proteção de variedades vegetais nas negociações comerciais com a União Europeia. A disputa envolve a UPOV 1991, uma convenção internacional que protege os direitos dos obtentores de variedades vegetais, e a questão de saber se mudanças na legislação tailandesa restringiriam a capacidade dos agricultores de guardar sementes, elevariam os custos de produção ou enfraqueceriam a proteção dos recursos genéticos locais.

Conteúdo
  1. Direitos sobre sementes se tornam um teste para as negociações comerciais da Tailândia
  2. O que os democratas querem proteger
  3. Autoridades falam em análise, enquanto relatos sobre as negociações divergem
  4. Por que guardar sementes depende da exceção legal
  5. Variedades tradicionais e repartição de benefícios são questões distintas
  6. Promessas de investimento diante de um mercado de sementes concentrado
  7. Escrutínio anterior e acontecimentos de outubro
  8. O que a Tailândia ainda precisa decidir
  9. Principais pontos

Weer Sriwarathanabul, vice-porta-voz do partido, pediu respostas sobre quatro questões: resolução justa de disputas, direito de guardar sementes para a safra seguinte, apoio a pesquisadores tailandeses aliado à repartição de benefícios e estudos de impacto transparentes com ampla consulta pública. Sua preocupação se concentra na desigualdade de recursos entre grandes investidores e pequenos agricultores quando surgem reivindicações de propriedade ou disputas judiciais.

O Conselho Nacional de Agricultores também abriu uma consulta pública. Em seu convite aos agricultores, o conselho afirma que a adesão à UPOV 1991 poderia restringir a guarda ou a troca de algumas sementes, embora também pudesse estimular o desenvolvimento de novas variedades vegetais e criar oportunidades comerciais. As respostas orientarão suas recomendações ao governo, e o questionário leva menos de cinco minutos.

A questão imediata não é se os agricultores já perderam esses direitos. A Lei de Proteção de Variedades Vegetais da Tailândia, de 1999, continua em vigor, e autoridades da área agrícola dizem que uma análise está em andamento. A questão ainda sem resposta é o que o governo poderia prometer no acordo comercial, como essa promessa afetaria a legislação nacional e quais proteções permaneceriam após eventuais mudanças. Os relatos sobre as negociações divergem, o que torna particularmente importante explicar com precisão as obrigações propostas.

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O que os democratas querem proteger

As exigências de Weer ligam os direitos legais ao custo prático da atividade agrícola. Guardar parte da colheita para o plantio pode reduzir a necessidade de comprar sementes novas. Se essa prática passar a estar sujeita a exceções mais restritas, taxas ou disputas sobre autorização, os agricultores poderão enfrentar custos que variam conforme a cultura e a proteção vinculada à variedade.

Seu primeiro pedido é um processo de resolução de disputas que não prejudique os pequenos agricultores. Um direito formal de contestar uma reivindicação de propriedade pode oferecer pouca proteção se o agricultor não puder pagar por orientação jurídica ou sustentar um processo demorado contra uma empresa muito maior. Ela quer que esse desequilíbrio seja enfrentado antes que a Tailândia aceite novos compromissos.

O segundo pedido é proteger o direito de guardar e replantar sementes na safra seguinte sem um aumento acentuado de custos. O terceiro combina apoio a pesquisadores tailandeses com mecanismos para que benefícios do uso de recursos genéticos locais e variedades nativas sejam compartilhados. O quarto pede estudos de impacto publicados e consultas que não se limitem a autoridades e interesses comerciais.

Weer também alertou que a política de sementes afeta não apenas a renda agrícola, mas também o custo de vida. Trata-se de uma preocupação com possíveis efeitos, não de evidência de que os preços ao consumidor já tenham subido por causa da UPOV 1991. Sua principal exigência é que o governo explique os riscos e as proteções antes de assumir um compromisso vinculante.

Autoridades falam em análise, enquanto relatos sobre as negociações divergem

Em 11 de outubro, Krit Uttamawethin, vice-secretário permanente e porta-voz do Ministério da Agricultura e Cooperativas, afirmou que o Departamento de Agricultura havia sido instruído a estudar as vantagens, desvantagens e possíveis efeitos sobre a economia e os meios de subsistência dos agricultores. Ele também disse que ainda não havia ocorrido análise nem negociação com qualquer parte sobre o tema.

Essa declaração contrasta com relatos que descrevem a UPOV 1991 como uma questão já levantada nas negociações entre Tailândia e União Europeia. O professor associado Jessada Denduangboripant, biólogo da Universidade Chulalongkorn, disse que o Ministério do Comércio e a equipe de negociação confirmaram que o tema havia sido discutido, mas que não se chegara a uma conclusão. A consulta do Conselho Nacional de Agricultores também identifica a adesão como uma questão nas negociações comerciais.

Essas descrições podem se referir a etapas distintas ou ao trabalho de órgãos diferentes, mas não indicam a mesma situação nas negociações. Discutir uma cláusula comercial proposta, fazer uma avaliação interna de um ministério e tomar uma decisão formal de aderir a uma convenção são etapas diferentes. As declarações descritas aqui não esclarecem essa distinção.

Segundo Krit, o ministro da Agricultura, Suriya Juangroongruangkit, instruiu as autoridades a ouvir amplamente as opiniões dos agricultores. Sasinya Pantan, vice-diretora-geral e porta-voz do Departamento de Agricultura, disse que o processo teria de passar pelo departamento, pelo ministério, pelo Gabinete e pelo Parlamento, com consulta pública antes do envio de uma proposta ao Gabinete.

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A UPOV 1991 estabelece um marco internacional para a proteção de novas variedades vegetais. Seu objetivo econômico é recompensar o investimento em melhoramento genético, concedendo aos obtentores controle sobre usos específicos de variedades protegidas. Esses direitos podem apoiar a pesquisa, mas também tornam importante o alcance das exceções para agricultores que reproduzem sementes em vez de comprá-las a cada safra.

O debate distingue duas disposições às vezes tratadas como equivalentes. O Artigo 15(1) prevê exceções obrigatórias, incluindo atos praticados em caráter privado e sem finalidade comercial, atos experimentais e certas atividades de melhoramento. O Artigo 15(2) permite que os países adotem uma exceção facultativa que autorize os agricultores, dentro de limites razoáveis e preservados os interesses legítimos dos obtentores, a usar material colhido para propagação em suas próprias propriedades.

A exceção que permite replantar na própria propriedade é facultativa, não um direito automático e irrestrito. Sua redação e implementação na legislação nacional são importantes. Uma regra que permita a um agricultor replantar uma variedade protegida em sua própria propriedade não necessariamente autoriza a troca dessas sementes com vizinhos ou sua venda para propagação.

Jessada argumenta que a UPOV 1991 não equivale a uma proibição total de guardar sementes e que exceções previstas na legislação nacional podem proteger os pequenos agricultores. Os críticos se concentram no quanto essas exceções poderiam ser restringidas. As posições coincidem em um ponto: a lei precisa especificar quais usos são permitidos. Elas divergem quanto à suficiência da margem deixada pela convenção.

O Ministério da Agricultura descreve a lei tailandesa vigente como um equilíbrio entre a proteção dos obtentores e as variedades nativas e comunitárias, a repartição de benefícios e a possibilidade de os agricultores guardarem sementes para plantar em suas próprias terras. A comparação relevante, portanto, é entre essas proteções atuais e uma proposta específica de substituição, e não entre o uso irrestrito de sementes e uma proibição universal.

Variedades tradicionais e repartição de benefícios são questões distintas

Weer alertou que grandes investidores poderiam reivindicar direitos ligados a variedades tradicionais e cobrar dos agricultores pelo uso delas. Jessada contesta a ideia de que empresas poderiam simplesmente se apropriar de todas as variedades locais existentes. Ele aponta os requisitos para a proteção: novidade, distinção, homogeneidade e estabilidade.

Esses termos têm significados jurídicos específicos. A distinção diz respeito à possibilidade de diferenciar uma variedade de outras; homogeneidade e estabilidade se referem à consistência de suas características relevantes. Nas regras de proteção de variedades vegetais, a novidade diz respeito à exploração comercial anterior em condições definidas. Não deve ser entendida simplesmente como uma alegação de que a planta nunca existiu antes.

A preocupação mais ampla é o que acontece quando material genético local contribui para uma variedade desenvolvida posteriormente. A lei tailandesa de 1999 inclui mecanismos de repartição de benefícios associados ao uso de certos recursos vegetais nativos ou silvestres. Repartição de benefícios significa devolver uma parcela acordada do valor gerado por esses recursos ao fundo ou à comunidade pertinente.

A UPOV 1991 não exige, por si só, um sistema de repartição de benefícios. Essa ausência não prova, por si só, que todas as proteções tailandesas terão de desaparecer. Porém, torna a relação entre as obrigações comerciais, as regras de registro e as salvaguardas existentes um tema central para a análise jurídica.

Os críticos também levantam o Artigo 14(5), que trata das variedades essencialmente derivadas. Em termos gerais, são variedades derivadas predominantemente de outra variedade, mas que conservam suas características essenciais. A disposição pode estender o controle do obtentor original a certas variedades derivadas. Ela não estabelece uma reivindicação geral de propriedade sobre todas as culturas, alimentos ou receitas tradicionais.

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Promessas de investimento diante de um mercado de sementes concentrado

Defensores argumentam que direitos mais fortes para os obtentores poderiam atrair investimentos, estimular novas variedades e dar mais proteção ao trabalho de pesquisadores e agricultores-obtentores tailandeses. Jessada aponta oportunidades relacionadas a plantas de importância econômica, como arroz, durião, coco-aromático e orquídeas. São benefícios possíveis, não ganhos medidos decorrentes de uma decisão já tomada pela Tailândia.

O Conselho Nacional de Agricultores reconhece o mesmo equilíbrio em sua consulta: possíveis restrições a algumas práticas relacionadas a sementes, em paralelo a possíveis ganhos em melhoramento genético e comércio. O desafio é determinar quem receberia esses ganhos, quais agricultores arcariam com novos custos e se as instituições públicas de pesquisa poderiam participar de forma efetiva.

Os números citados no debate indicam que as quatro maiores empresas de sementes de milho detêm, juntas, 69% do mercado, enquanto as duas maiores empresas de sementes de hortaliças detêm 58%. Segundo esses números, as demais empresas representam, respectivamente, 31% e 42%. Como se trata de mercados de culturas diferentes, esses percentuais não devem ser somados para formar uma estimativa nacional única.

Outro número citado é o de 203 direitos sobre variedades vegetais detidos coletivamente por três grandes empresas na Tailândia. Trata-se de uma contagem de direitos, não de um percentual de todos os direitos ou das vendas de sementes. Sem o total, não é possível estabelecer a participação dessas empresas na proteção registrada.

Esses números ajudam a explicar por que os críticos questionam se a concorrência, sozinha, seria capaz de conter os preços. Eles não mostram quanto os preços das sementes mudariam com uma nova lei. Afirmações de que os preços poderiam subir várias vezes continuam sendo previsões, não resultados documentados do acordo proposto.

Escrutínio anterior e acontecimentos de outubro

Prokchol Ousap, diretora da BioThai, argumenta que a oposição se baseia em anos de pesquisa, e não em uma reação repentina nas redes sociais. Ela cita o estudo, em 2020, de uma comissão da Câmara dos Representantes sobre a proposta de Parceria Transpacífica Abrangente e Progressiva, que ouviu mais de 400 autoridades, acadêmicos e partes interessadas. Essa análise anterior examinou riscos relacionados à UPOV 1991, embora tratasse de outro acordo comercial.

O debate atual também inclui referências a um relatório das Nações Unidas identificado como A/HRC/63/26 e a uma comunicação de 21 de setembro de 2026, atribuída a quatro mandatos de relatores especiais da ONU e identificada como OL OTH 81/2026. Segundo a descrição, esta última pede que a União Europeia retire o Artigo X.51 proposto, relativo à UPOV 1991. Essas são descrições atribuídas aos documentos da ONU, e não conclusões verificadas de forma independente aqui com base nos próprios documentos.

  • 2020: Uma comissão parlamentar tailandesa examinou o CPTPP, incluindo preocupações sobre a proteção de variedades vegetais, depois de ouvir mais de 400 participantes.
  • 21 de setembro de 2026: Uma comunicação atribuída a quatro mandatos de relatores especiais da ONU contestou a disposição proposta sobre a UPOV 1991 nas negociações entre Tailândia e União Europeia.
  • 2 de outubro de 2026: Grupos da sociedade civil entregaram uma petição à Delegação da União Europeia pedindo a retirada da exigência relativa à UPOV 1991.
  • 6 de outubro de 2026: A décima rodada de negociações, em Phuket, teria sido concluída com acordo sobre 15 dos 24 capítulos.
  • 11 de outubro: Autoridades da área agrícola descreveram uma avaliação em andamento e prometeram uma consulta antes das próximas etapas de aprovação pelo governo.

Segundo o relato sobre a rodada de Phuket, o capítulo de propriedade intelectual continuava sem resolução. Um acordo sobre 15 dos 24 capítulos significaria que nove ainda estavam pendentes, mas essa contagem não mede a dificuldade das questões restantes. A declaração de 11 de outubro não especifica o ano, ao contrário do relato datado sobre a rodada de negociações.

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O que a Tailândia ainda precisa decidir

Uma distinção fundamental é saber se a proposta da União Europeia exigiria a adesão formal à UPOV 1991 ou que a legislação tailandesa atendesse aos padrões da convenção sem que o país aderisse a ela. Jessada ressalta que são obrigações diferentes. Os críticos argumentam que o alinhamento ainda poderia exigir mudanças substanciais nas proteções nacionais, mesmo sem adesão formal da Tailândia.

Adesão e alinhamento devem, portanto, ser avaliados separadamente. O Artigo 35(1) proíbe reservas à convenção, o que significa que um país que adere a ela não pode simplesmente excluir as disposições de que não gosta. Negociar uma redação diferente em um acordo comercial é outro processo. Nenhuma dessas discussões comprova que a Tailândia já tenha aceitado a cláusula proposta.

Segundo relatos, o mesmo capítulo de propriedade intelectual ainda sem resolução contém propostas farmacêuticas descritas como uma extensão da proteção de patentes de 20 para 25 anos e a concessão de exclusividade de dados regulatórios por oito anos, com a possibilidade de mais dois. A exclusividade de dados restringe o uso dos dados de ensaios apresentados pela empresa detentora do produto original para obter aprovação regulatória. Essas questões são distintas dos direitos sobre sementes, mas mostram por que a análise do acordo comercial não pode se limitar às oportunidades de exportação agrícola.

As informações essenciais que ainda faltam são a obrigação exata que a Tailândia está considerando, as alterações necessárias na legislação nacional e o alcance de eventuais exceções. Uma avaliação de impacto útil identificaria as culturas afetadas, estimaria os custos sob diferentes regras e explicaria como funcionariam a repartição de benefícios e a resolução acessível de disputas.

O relato sobre as negociações descreve a intenção do governo de concluir o acordo até o fim de 2026. Trata-se de uma meta, não de uma data de assinatura confirmada. Não foi indicada uma data específica para votação parlamentar, prazo para consulta pública ou decisão final. Por enquanto, a lei de 1999 continua em vigor, enquanto os democratas e representantes dos agricultores buscam respostas antes que os compromissos se tornem vinculantes.

Principais pontos

  • Os democratas querem garantias sobre a resolução de disputas, a guarda de sementes, a pesquisa tailandesa, a repartição de benefícios e a consulta pública.
  • O Conselho Nacional de Agricultores está coletando opiniões dos agricultores sobre possíveis restrições e potenciais benefícios para o melhoramento genético e o comércio.
  • A Lei de Proteção de Variedades Vegetais da Tailândia, de 1999, continua sendo a legislação vigente.
  • A UPOV 1991 permite uma exceção facultativa para replantar variedades protegidas nas próprias propriedades dos agricultores, sujeita a limites.
  • Os relatos divergem sobre se a UPOV 1991 já está sendo negociada ou se continua em análise preliminar.
  • A décima rodada comercial teria concluído 15 dos 24 capítulos, mas o de propriedade intelectual permanece sem resolução.
  • Não foi identificada nenhuma decisão final de adesão nem data para votação parlamentar.
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