Recordes em 14 mercados não impedem queda
O Japão recebeu cerca de 3.098.900 visitantes internacionais em agosto de 2026, uma queda de 9,6% em relação a agosto de 2025, já que o forte recuo nas chegadas da China superou os avanços registrados em boa parte do mercado turístico. Apesar da queda nacional, 14 países e regiões registraram seus maiores totais para agosto, enquanto Itália e Espanha bateram recordes mensais.
Conteúdo
- Recordes em 14 mercados não impedem queda
- Queda da China supera recuo nacional
- Coreia do Sul ganha participação no mercado
- Viagens repetidas impulsionam destinos além das grandes cidades
- Taiwan e Hong Kong acrescentam volume expressivo
- Recordes europeus coexistem com quedas em outros mercados
- México lidera crescimento enquanto outros mercados divergem
- Quedas no Sudeste Asiático refletem voos e calendário de feriados
- Como interpretar os números e o cronograma
- Principais pontos
A Organização Nacional de Turismo do Japão (JNTO) publicou seu relatório de chegadas de setembro em 16 de setembro. A Coreia do Sul liderou, com 850.500 chegadas, seguida por Taiwan, com 666.000, e China, com 418.000. Hong Kong contribuiu com 247.300 visitantes e os Estados Unidos, com 197.400.
O contraste entre esses mercados explica o resultado geral. As chegadas da Coreia do Sul aumentaram 28,7%, as de Taiwan cresceram 7,3% e as de Hong Kong avançaram 9,4%, mas as da China caíram 59,0%. Com isso, o Japão recebeu 329.506 visitantes internacionais a menos do que em agosto de 2025, quando o total foi de 3.428.406.
De janeiro a agosto, as chegadas somaram 27.626.300, queda de 2,7% em relação aos 28.384.099 registrados no mesmo período do ano anterior. Isso representa uma redução de 757.799 visitas. A queda mais acentuada de agosto veio após um pequeno aumento em julho, interrompendo o breve retorno ao crescimento depois das retrações de abril, maio e junho. Todos os números de agosto e do acumulado citados aqui têm como fonte a Organização Nacional de Turismo do Japão.
Queda da China supera recuo nacional
As chegadas da China caíram de 1.018.747 em agosto de 2025 para 418.000 em agosto de 2026, uma redução de 600.747. Essa perda foi substancialmente maior do que a queda mensal total do Japão, de 329.506.
Ao subtrair a China dos totais nacionais, vê-se que as chegadas de todos os demais mercados somados aumentaram em 271.241, ou cerca de 11,3%. Em outras palavras, o crescimento nos outros mercados compensou cerca de 45% da queda chinesa, mas não foi suficiente para cobri-la por completo.
A avaliação de mercado de agosto da JNTO atribui a queda da China, em parte, a um alerta do governo chinês recomendando que as pessoas evitassem viajar para o Japão. A redução dos serviços aéreos após o alerta também pesou sobre as chegadas. A avaliação não quantifica quanto da queda se deveu ao alerta, à capacidade das companhias aéreas ou a outros fatores.
O mesmo padrão aparece nos primeiros oito meses do ano. As chegadas da China caíram de 6.711.851 para 2.904.600, uma redução de 3.807.251, ou 56,7%. No período, as chegadas de todos os outros mercados somados aumentaram em 3.049.452, cerca de 14,1%. Assim, a queda nacional do Japão oculta uma expansão expressiva fora da China.
A China respondeu por cerca de 13,5% das chegadas em agosto, ante 29,7% um ano antes. Essa mudança na composição dos visitantes importa tanto quanto o total: o crescimento em outros países reduziu a participação da China, embora o volume perdido nesse mercado ainda seja grande o bastante para puxar o número nacional para baixo.
Coreia do Sul ganha participação no mercado
As 850.500 chegadas da Coreia do Sul foram o maior total de agosto desde que a JNTO começou a compilar os dados. As férias escolares de verão, o aumento da capacidade aérea e a demanda constante sustentaram o avanço em relação às 660.917 chegadas de um ano antes.
De janeiro a agosto, as chegadas da Coreia do Sul somaram 7.420.300, alta de 21,2% em relação a 6.123.081. O aumento de 1.297.219 foi superior a todo o déficit nacional no mesmo período, mostrando o quanto a Coreia do Sul tem amortecido as quedas em outros mercados.
A Coreia do Sul respondeu por cerca de 26,9% das chegadas internacionais ao Japão nos primeiros oito meses, ante 21,6% no mesmo período de 2025. Somente em agosto, sua participação foi de aproximadamente 27,4%, tornando-a, com folga, o maior mercado individual.
As viagens anuais de sul-coreanos ao Japão subiram de 1,01 milhão em 2022 para 6,95 milhões em 2023, 8,81 milhões em 2024 e um recorde de 9,45 milhões em 2025. O ritmo de 2026 alimentou expectativas de que as visitas possam superar 10 milhões pela primeira vez. Para chegar a esse patamar, seriam necessárias mais 2.579.700 chegadas entre setembro e dezembro, uma média de cerca de 644.925 por mês. Trata-se de um cálculo, não de uma previsão confirmada.
Viagens repetidas impulsionam destinos além das grandes cidades
A força do mercado sul-coreano também está associada às viagens repetidas. Entre os sul-coreanos que visitaram o Japão em 2024, 79% já tinham ido ao país antes, e 46% haviam visitado o Japão pelo menos duas vezes no ano anterior.
Esses números ajudam a explicar o interesse por destinos regionais além de Tóquio, Osaka e Kyoto. Em 2025, a JNTO apresentou ao mercado sul-coreano 60 pequenas cidades japonesas recomendadas, ampliando as opções para quem retorna ao país. A agência de viagens Hana Tour afirmou que o Japão foi o destino ao qual seus clientes mais voltaram naquele ano.
A desvalorização do iene também reduziu os custos para alguns viajantes. Uma cotação posterior do Banco da Coreia, de 8 de outubro, indicou 846,35 wons por 100 ienes, ante 922,23 wons no fim de 2025. Assim, comprar a mesma quantidade de ienes exigia cerca de 8,2% menos wons.
Essa comparação de outubro é separada do período de chegadas de agosto e não determina a taxa de câmbio enfrentada por todos os viajantes durante o verão. Ainda assim, oferece um exemplo concreto da vantagem cambial associada à demanda contínua. Os números de chegadas, por si só, não mostram se os visitantes gastaram mais, ficaram por mais tempo ou distribuíram seus gastos de forma mais ampla pelo Japão.
Taiwan e Hong Kong acrescentam volume expressivo
Taiwan continuou sendo a segunda maior origem de visitantes do Japão em agosto, com 666.000 chegadas, ante 620.753 em agosto de 2025. Hong Kong passou de 226.069 para 247.300. Os dois mercados bateram recordes para o mês de agosto.
De janeiro a agosto, Taiwan contribuiu com 5.402.000 visitantes, alta de 19,8% em relação a 4.509.729. Hong Kong respondeu por 1.818.300, aumento de 8,7% ante 1.673.144. O ganho acumulado de Taiwan, de 892.271, foi outro importante contrapeso à queda da China.
Coreia do Sul, Taiwan e Hong Kong somaram 1.763.800 chegadas em agosto, cerca de 56,9% do total nacional. Um ano antes, as 1.507.739 chegadas desses mercados representavam aproximadamente 44,0%. O aumento de sua participação reflete tanto o crescimento próprio quanto a retração das chegadas da China.
A JNTO relacionou a forte demanda de verão em vários mercados às férias escolares e aos feriados. Os resultados, porém, variaram entre países: um calendário favorável de feriados não garantiu crescimento onde a disponibilidade de voos, os cancelamentos ou destinos concorrentes atuaram na direção contrária.
Recordes europeus coexistem com quedas em outros mercados
A Itália registrou 47.300 chegadas, alta de 15,1%, enquanto a Espanha chegou a 36.500, aumento de 14,1%. Ambos os números foram recordes mensais, impulsionados pela temporada de férias e pelo aumento dos serviços aéreos.
A França também bateu recorde para agosto, com 40.300 chegadas, alta de 8,4%. A Rússia avançou 10,4%, para 14.400, e os países nórdicos cresceram 3,9%, para 9.400. A JNTO agrupa Suécia, Dinamarca, Noruega e Finlândia nessa categoria.
O panorama europeu não foi uniformemente positivo. A Alemanha teve queda de 5,5%, para 33.700 chegadas, enquanto o Reino Unido recuou 0,2%, para 36.600. Ainda assim, ambos registraram avanços de janeiro a agosto: a Alemanha cresceu 5,6%, para 281.500, e o Reino Unido aumentou 5,8%, para 364.800.
O aumento do tempo de voo causado por mudanças de rota relacionadas à guerra na Ucrânia foi apontado como um possível fator de desestímulo às viagens europeias. No entanto, os recordes da Itália e da Espanha mostram por que esse fator não deve ser considerado uma explicação completa para a região. A demanda por viagens de férias e os serviços adicionais sustentaram o crescimento em alguns mercados apesar das restrições mais amplas às viagens.
México lidera crescimento enquanto outros mercados divergem
O México registrou a maior taxa de crescimento em agosto entre os mercados listados, com alta de 37,0%, de 13.575 para 18.600 chegadas. O total de janeiro a agosto chegou a 151.300, aumento de 28,0%. O avanço percentual foi expressivo, embora o ganho absoluto de agosto, de 5.025, tenha sido bem menor do que o aumento de 189.583 da Coreia do Sul.
Os Estados Unidos bateram recorde para agosto, com 197.400 visitantes, alta de 1,5%, e registraram 2.305.300 chegadas nos primeiros oito meses, aumento de 6,1%. O Canadá teve queda de 1,8% em agosto, para 50.600, mas permaneceu 7,0% acima no acumulado do período, com 469.600.
As chegadas do Oriente Médio aumentaram 24,8%, para 22.900 em agosto, outro recorde mensal. A categoria da JNTO inclui Israel, Turquia e os países do Conselho de Cooperação do Golfo: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Omã, Catar e Kuwait. O total acumulado cresceu 16,3%, para 179.300.
A Austrália seguiu na direção oposta em agosto, com queda de 7,4%, para 38.200, embora o total dos primeiros oito meses ainda estivesse 3,4% acima do registrado em 2025, com 681.200. Separadamente, 1,59 milhão de japoneses viajaram para o exterior em agosto, queda de 3,6%. Esse número de viagens ao exterior mede um fluxo distinto e não deve ser somado às chegadas internacionais ao Japão.
Quedas no Sudeste Asiático refletem voos e calendário de feriados
A Tailândia registrou 32.200 chegadas em agosto, queda de 9,3%; as Filipinas recuaram 11,6%, para 39.100; e o Vietnã teve queda de 7,5%, para 56.600. A JNTO apontou a menor demanda sazonal, a redução de voos e os cancelamentos causados por tufões como fatores que afetaram partes do Sudeste Asiático.
A Tailândia também foi comparada a um período de quatro dias de feriado no agosto anterior. A JNTO mencionou a redução de voos e a contínua popularidade das viagens à China como fatores adicionais. A comparação mostra como uma mudança no calendário de feriados pode afetar o resultado mensal sem necessariamente indicar uma retração prolongada.
Os três mercados ainda estavam em alta no acumulado de janeiro a agosto. A Tailândia cresceu 3,4%, para 790.500; as Filipinas avançaram 3,5%, para 558.500; e o Vietnã aumentou 5,4%, para 505.300.
Outros mercados asiáticos bateram recordes em agosto. A Malásia cresceu 23,0%, para 26.000; a Indonésia aumentou 3,4%, para 32.500; e a Índia avançou 4,7%, para 19.500. Singapura cresceu 5,3%, para 21.600. Esses resultados distintos reforçam a importância de analisar cada mercado individualmente, em vez de tratar a Ásia como uma única tendência de viagens.
Como interpretar os números e o cronograma
O resultado de agosto veio após várias mudanças de direção. Uma página de estatísticas mensais publicada em 16 de setembro indica 3.442.100 chegadas em julho, alta de 0,1% em relação a julho de 2025. O total de agosto foi 343.200 menor do que o de julho, mas essa comparação mensal é diferente da queda anual informada e pode refletir diferenças sazonais.
- Março de 2026: o Japão formulou seu Quinto Plano Básico de Promoção do Turismo.
- De abril a junho de 2026: as chegadas internacionais caíram em relação aos mesmos meses de 2025.
- Julho de 2026: as chegadas somaram cerca de 3.442.100, alta de 0,1% em relação ao ano anterior.
- Agosto de 2026: as chegadas caíram 9,6%, para 3.098.900, apesar dos recordes de agosto em 14 mercados.
- 16 de setembro de 2026: a JNTO divulgou suas estimativas para agosto e sua avaliação de mercado.
A situação estatística dos números de comparação varia entre as publicações. O relatório de chegadas de setembro da JNTO classifica os números de 2025 como definitivos e os de 2026 como estimativas preliminares. Já a página de estatísticas mensais classifica os dados de janeiro de 2025 a maio de 2026 como provisórios, e os de junho de 2026 em diante como estimativas. Os cálculos deste artigo usam os números e as classificações apresentados no relatório de setembro da JNTO.
As chegadas de visitantes não correspondem à contagem de turistas únicos. A JNTO inclui estudantes internacionais, expatriados e suas famílias, certas entradas em trânsito, escalas em portos e turistas de cruzeiro. Exclui tripulantes e residentes permanentes cuja residência principal é o Japão. Assim, visitas repetidas podem ser contabilizadas mais de uma vez, e os totais não medem os gastos turísticos.
As estimativas podem ser revisadas. Não foi especificada uma data para a próxima divulgação, um cronograma para os números definitivos nem uma perspectiva quantificada para o restante de 2026. Os dados também não indicam quanta receita se perdeu com a redução de visitantes chineses ou em que medida o crescimento em outros mercados compensou esses gastos.
Principais pontos
- O Japão registrou 3.098.900 chegadas internacionais em agosto de 2026, queda de 9,6% em relação a agosto de 2025.
- As chegadas da China caíram em 600.747, enquanto os demais mercados somados acrescentaram 271.241 visitas.
- A Coreia do Sul liderou com 850.500 chegadas em agosto e 7.420.300 de janeiro a agosto.
- Quatorze mercados bateram recordes para agosto; Itália e Espanha registraram seus maiores totais mensais.
- Os primeiros oito meses somaram 27.626.300 chegadas, queda de 2,7%, ou 757.799 visitas.
- Os números de 2026 são estimativas preliminares e não medem viajantes únicos nem gastos dos visitantes.






