Um novo patamar de crédito, com limites sobre quem pode investir
A Rating and Investment Information (R&I) do Japão elevou a classificação de crédito do Vietnã como emissor em moeda estrangeira de BB+ para BBB- em 8 de outubro de 2026, concedendo ao país sua primeira classificação de grau de investimento como emissor pela agência. A perspectiva passou de positiva para estável. A oportunidade imediata é o acesso a algumas instituições japonesas cujas regras de investimento antes excluíam a dívida pública vietnamita, e não uma entrada automática de capital de todos os mercados internacionais.
Conteúdo
- Um novo patamar de crédito, com limites sobre quem pode investir
- Por que o crescimento e a capacidade fiscal sustentaram a elevação
- Quais investidores japoneses podem participar agora?
- Uma necessidade de financiamento muito maior do que uma mudança de classificação
- Títulos Samurai oferecem uma via já estabelecida para acessar o Japão
- Indonésia mostra as possibilidades e as ressalvas sobre preços
- Os laços de investimento já existentes com o Japão servem de base
- Fragilidades bancárias e de reservas ainda precisam ser enfrentadas
- A diferença em relação às demais classificações e o cronograma de políticas
- Principais pontos
Essa distinção importa enquanto o Vietnã busca recursos para uma rápida expansão econômica e grandes projetos de infraestrutura. O Maybank Investment Bank Vietnam estima que as necessidades totais de investimento chegarão a US$ 1,45 trilhão entre 2026 e 2030. Investidores japoneses, bancos e o mercado de títulos em ienes podem ajudar a atender parte dessa demanda, embora as condições de financiamento, a exposição cambial e os mandatos individuais de investimento determinem quanto recurso estará de fato disponível.
O comunicado do governo vietnamita sobre a elevação da classificação afirma que a decisão da R&I se baseia no forte crescimento, na dívida pública relativamente baixa, na continuidade do investimento estrangeiro direto e em reformas destinadas a tornar a expansão econômica mais duradoura. O Ministério das Finanças descreveu a medida como um reconhecimento da gestão prudente da dívida e das amplas reformas.
BBB- é o nível mais baixo de grau de investimento na escala da R&I. A classificação indica uma avaliação melhor da capacidade de pagamento, mas não é uma garantia contra perdas nem um compromisso dos investidores de comprar títulos. O Vietnã continua abaixo do grau de investimento na S&P Global Ratings, na Moody's e na Fitch Ratings, mantendo em vigor muitas restrições internacionais de investimento.
Portanto, a oportunidade de financiamento tem duas frentes: usar agora a avaliação da R&I para acessar o capital japonês elegível e, ao mesmo tempo, corrigir as fragilidades que continuam limitando as classificações soberanas mais amplas.
Por que o crescimento e a capacidade fiscal sustentaram a elevação
O PIB real do Vietnã cresceu 8% em 2025 e cerca de 9% nos primeiros nove meses de 2026. A R&I espera que o crescimento anual permaneça em torno de 9%, abaixo da meta do governo, de pelo menos 10%, mas ainda forte em comparação com outras economias do Sudeste Asiático.
A avaliação da agência vai além do ritmo atual de crescimento. A expectativa é que a ampliação do investimento público, a manutenção do investimento estrangeiro direto e a transição gradual para ganhos de produtividade e inovação sustentem a expansão. O programa de reformas conhecido como Doi Moi 2.0 inclui a simplificação da estrutura governamental, o incentivo à iniciativa privada, o aprimoramento das instituições e o desenvolvimento dos mercados de capitais.
Os dados fiscais ajudam a explicar por que a R&I considera que o Vietnã pode ampliar os gastos com desenvolvimento sem ameaçar de imediato a sustentabilidade da dívida. O déficit combinado dos governos central e locais foi de 3,3% do PIB em 2025. A projeção para 2026 é de 4,2%, aumento de 0,9 ponto percentual, dentro de um quadro de médio prazo que permite um déficit médio de cerca de 5%.
A dívida pública foi estimada em pouco mais de 30% do PIB na avaliação de outubro. A R&I prevê alta tanto do déficit quanto da relação entre dívida e PIB, mas avalia que os riscos à sustentabilidade da dívida são limitados. Essa avaliação depende, em parte, de que os novos investimentos públicos apoiem o crescimento futuro e de que o governo mantenha o controle sobre as despesas correntes, como os custos operacionais rotineiros.
Trata-se de um apoio condicionado a novos empréstimos. A infraestrutura precisa gerar capacidade produtiva, em vez de simplesmente aumentar a dívida. A implementação consistente das reformas também faz parte da avaliação da agência de que o crescimento pode se tornar mais estável.
Quais investidores japoneses podem participar agora?
A FiinRatings, instituição vietnamita de classificação de crédito, afirma que os investidores japoneses provavelmente serão a primeira fonte de novo capital internacional após a elevação. Sua avaliação de grau de investimento aponta o reconhecimento da R&I pela Agência de Serviços Financeiros do Japão como motivo para que algumas instituições possam passar a ser elegíveis para investir.
Nguyen Quang Thuan, presidente da FiinRatings e do FiinGroup, explicou que a elegibilidade depende da redação exata das regras de investimento de cada instituição:
“Instituições cujas regras de investimento exigem ‘BBB- ou superior de pelo menos uma agência designada’ podem agora incluir o Vietnã em suas carteiras”, disse Thuan em comentários por escrito.
Outras instituições usam a classificação mais baixa atribuída por agências reconhecidas ou exigem uma segunda classificação satisfatória. Essas regras ainda podem excluir o Vietnã, pois as outras principais agências não concederam ao país o grau de investimento soberano. A elevação abre canais específicos, não o acesso a todos os fundos de pensão, seguradoras ou carteiras de títulos.
A FiinRatings também afirma que bancos elegíveis que adotam o método padronizado de Basileia III poderiam aplicar um fator de ponderação de risco regulatório de 50% a determinadas exposições a títulos públicos vietnamitas em moeda estrangeira, em vez de 100%. O fator de ponderação de risco determina quanto de uma exposição é contabilizado no cálculo dos requisitos de capital regulatório. Reduzir esse fator pela metade pode diminuir o capital necessário para manter uma exposição elegível equivalente, mas não reduz pela metade a probabilidade de inadimplência nem garante rendimentos menores dos títulos.
Uma necessidade de financiamento muito maior do que uma mudança de classificação
A estimativa de US$ 1,45 trilhão do Maybank Investment Bank Vietnam abrange investimentos em toda a economia entre 2026 e 2030. A estrutura de financiamento projetada atribui 53% a fontes do setor privado, 32% ao Estado e 15% ao investimento estrangeiro direto.
Aplicadas ao total, essas proporções correspondem a aproximadamente US$ 768,5 bilhões de fontes privadas, US$ 464 bilhões do Estado e US$ 217,5 bilhões de investimento estrangeiro direto. São cálculos baseados na estimativa, não compromissos de financiamento anunciados. Os números mostram por que melhorar o acesso do governo a empréstimos, por si só, não basta para atender às ambições de investimento do país.
Quan Trong Thanh, chefe de pesquisa do Maybank Investment Bank Vietnam, afirma que o financiamento externo se tornará cada vez mais necessário. Segundo ele, o governo deve liderar a captação de recursos para grandes projetos de infraestrutura, enquanto os bancos continuam financiando as empresas privadas:
“Na nossa avaliação, uma coisa é certa: o Vietnã precisa mobilizar mais recursos externos, especialmente a partir de 2028”, disse Thanh.
Thanh também alertou que os mercados domésticos de títulos corporativos e ações podem não se desenvolver rápido o suficiente para cumprir o cronograma de investimentos. A Cidade de Ho Chi Minh está pedindo contribuições sobre uma proposta de emissão de títulos municipais e de projetos, inclusive em moeda estrangeira, por meio do centro financeiro internacional do Vietnã. A proposta ainda está em discussão, e a precificação será decisiva para determinar se os investidores participarão.
Os empréstimos de desenvolvimento japoneses são outro canal. A JICA anunciou planos para conceder mais de 100 bilhões de ienes, cerca de US$ 630 milhões, em empréstimos anuais de assistência oficial ao desenvolvimento ao Vietnã. Há divergências sobre a data do anúncio, que teria ocorrido em 7 ou 8 de outubro. Esses empréstimos são separados do financiamento por títulos comerciais e não devem ser tratados como capital gerado pela elevação da classificação.
Títulos Samurai oferecem uma via já estabelecida para acessar o Japão
Títulos Samurai são títulos denominados em ienes, emitidos no Japão por tomadores de recursos de outros países. Eles dão a governos e empresas estrangeiros acesso a investidores japoneses, mas exigem condições adequadas para a emissão e um plano para administrar os pagamentos em ienes.
O interesse do Vietnã é anterior à elevação da classificação. Em 2019, o Departamento de Gestão da Dívida e Financiamento Externo do Ministério das Finanças compilou experiências com emissões de títulos Samurai. Na mesma época, o Banco Japonês para a Cooperação Internacional operava o programa GATE, que poderia apoiar emissões de governos estrangeiros por meio de garantias parciais ou da compra de títulos. Esse histórico não confirma se o apoio estaria disponível para uma nova operação vietnamita.
Em 15 de dezembro de 2025, o Ministério das Finanças do Vietnã se reuniu com a Daiwa Securities em Tóquio para discutir o mercado de capitais japonês e possíveis emissões de títulos Samurai. A decisão da R&I oferece uma referência de crédito mais sólida para retomar essas conversas, mas não foi anunciada nenhuma data, volume ou taxa de emissão vietnamita em conexão com a elevação.
Tyler Manh Dung Nguyen, estrategista-chefe de mercado da Ho Chi Minh City Securities Corporation, apontou possíveis benefícios para o governo e para grandes entidades ligadas ao Estado, entre elas VietinBank, Agribank e Vietnam Electricity. O acesso e as condições de financiamento de cada uma ainda dependeriam de sua própria situação de crédito e da estrutura da operação.
Uma possível estratégia em etapas começaria com uma emissão do governo para estabelecer uma referência de preço e, depois, ampliaria o acesso a bancos, empresas e projetos elegíveis. Trata-se de uma opção de financiamento, não de um programa governamental confirmado.
Indonésia mostra as possibilidades e as ressalvas sobre preços
A Indonésia é um exemplo regional de acesso contínuo ao mercado de títulos Samurai. O país emite esses títulos regularmente desde 2015 e captou 200 bilhões de ienes em 2024, com vencimentos de três a 20 anos. A operação incluiu 25 bilhões de ienes em títulos azuis, instrumentos destinados a financiar projetos de economia marinha e sustentabilidade.
As taxas dos títulos de 2024 variaram de 0,99% a 2,55% ao ano, e as dos títulos azuis, de 1,57% a 2,55%. Em abril de 2026, a Indonésia captou mais 172,1 bilhões de ienes, com vencimentos de três, cinco, sete e dez anos, incluindo 6,5 bilhões de ienes em títulos azuis com prazo de sete e dez anos. As taxas da emissão posterior variaram de 2,35% a 3,23%.
Os títulos azuis representaram 12,5% da emissão indonésia de 2024, em comparação com cerca de 3,8% em abril de 2026. A faixa de taxas da emissão posterior também foi maior. Esses números mostram que o Japão pode fornecer financiamento em diversos prazos, enquanto o custo e a composição das captações variam entre as operações.
O Vietnã não pode presumir que obteria as mesmas condições da Indonésia. As taxas nominais em ienes são apenas uma parte do custo. A qualidade de crédito, as taxas de juros, as despesas de emissão, as condições de mercado e a proteção cambial afetam o custo final. Proteção cambial significa contratar mecanismos para se resguardar de variações no câmbio, o que também tem um custo.
Títulos azuis ou outros instrumentos verdes poderiam ser considerados para portos, logística, energia offshore e proteção de ecossistemas marinhos elegíveis no Vietnã. A Resolução 20-NQ/TW, de 28 de julho de 2026, defende a diversificação do financiamento, as finanças verdes e a destinação prioritária de recursos a projetos-chave que apoiem o desenvolvimento do Vietnã como uma potência marítima. A classificação como sustentável ainda exigiria critérios confiáveis para a seleção de projetos e a prestação de contas.
Os laços de investimento já existentes com o Japão servem de base
O Japão já tem uma presença expressiva de investimentos no Vietnã. No fim do primeiro trimestre de 2026, o país tinha 5.760 projetos ativos, com investimentos superiores a US$ 79 bilhões, e era o terceiro maior investidor estrangeiro no Vietnã.
Uma pesquisa da JETRO constatou que 56,9% das empresas japonesas no Vietnã planejavam expandir suas operações em um a dois anos, ante 46,8% no conjunto da Asean. O índice vietnamita ficou 10,1 pontos percentuais acima, indicando intenções de expansão mais fortes entre as empresas pesquisadas, embora essas intenções não garantam a concretização dos investimentos.
O financiamento japonês já está presente na infraestrutura. O projeto ferroviário de Hanói começou a ser construído com equipamentos, conhecimento técnico e empréstimos concessionais em ienes do Japão. O trecho de 12 quilômetros tem custo estimado superior a 35 trilhões de dong, cerca de US$ 1,3 bilhão, ilustrando a escala de projetos individuais de transporte que exigem financiamento duradouro.
Iniciativas para atrair investidores em Tóquio, Osaka e outros centros financeiros poderiam aproximar diferentes necessidades de diferentes provedores: títulos públicos e de infraestrutura de investidores em renda fixa, ações de empresas listadas adequadas e financiamento comercial ou de projetos de bancos. Energia, portos, ferrovias, eletrônicos, semicondutores e centros de dados estão entre os setores identificados como possíveis destinos de investimento.
O objetivo da política também é melhorar a qualidade dos investimentos. A Resolução 10-NQ/TW do Politburo sobre a economia com investimento estrangeiro busca fortalecer os vínculos com empresas domésticas para que o capital estrangeiro traga tecnologia, conhecimento de gestão, padrões de produção e redes de mercado. A classificação soberana pode reforçar a confiança, mas esses benefícios empresariais exigem mais do que empréstimos mais baratos.
Fragilidades bancárias e de reservas ainda precisam ser enfrentadas
A avaliação positiva da R&I vem acompanhada de ressalvas importantes. Os empréstimos bancários em aberto superaram 140% do PIB no fim de 2025. O crédito cresceu mais rápido que os depósitos, restringindo a liquidez bancária, enquanto os empréstimos relacionados ao setor imobiliário continuam elevados e as reservas de capital são limitadas.
Os economistas da VinaCapital Michael Kokalari e Thai Thi Viet Trinh apontaram preocupações semelhantes em seu estudo sobre a classificação de crédito, de 29 de janeiro de 2026. Eles informaram que o índice de adequação de capital do setor bancário era de 12,5% no fim de 2024 e que os ativos dos bancos se aproximavam do dobro do PIB. O índice de adequação de capital mede o capital regulatório em relação aos ativos ponderados pelo risco e indica a reserva disponível para absorver perdas.
O estudo estimou a dívida pública em aproximadamente 35% do PIB e a dívida externa em cerca de 33%. A estimativa da dívida pública difere do valor de pouco mais de 30% divulgado em outubro. Como os dados são de períodos diferentes e suas bases de cálculo não foram esclarecidas aqui, não devem ser apresentados como uma queda confirmada.
As contas externas também apresentam um contraste. O superávit em conta corrente supera 6% do PIB desde 2023, e a continuidade do investimento estrangeiro direto sustenta a entrada de divisas. No entanto, as reservas cobrem menos de três meses de importações. A R&I espera que o superávit diminua à medida que os investimentos se expandirem e os preços mais altos da energia elevarem os custos de importação.
A Circular 50 do Banco Estatal do Vietnã, publicada em setembro, estabelece uma transição gradual para os padrões de liquidez de Basileia III, cuja implementação obrigatória começa em outubro de 2028. Os requisitos de cobertura de liquidez e de financiamento estável líquido tratam da capacidade dos bancos de atender às necessidades imediatas de caixa e manter fontes de financiamento mais duradouras. A implementação é um próximo passo concreto para reduzir as vulnerabilidades financeiras.
A diferença em relação às demais classificações e o cronograma de políticas
O próximo objetivo do Vietnã é obter grau de investimento das três principais agências globais. As classificações soberanas da S&P e da Fitch permanecem em BB+, um nível abaixo de BBB-. A classificação da Moody's é Ba2, dois níveis abaixo do limite de grau de investimento da agência, Baa3, e sua perspectiva foi elevada de estável para positiva em maio de 2026.
Algumas reportagens afirmam que as três agências classificam o Vietnã em BB+. Essa descrição entra em conflito com a classificação Ba2 atribuída pela Moody's e ignora que a agência usa uma escala diferente. Portanto, a posição do Vietnã deve ser descrita separadamente para cada agência.
A decisão da Fitch de janeiro de 2026 de conceder BBB- também exige ressalvas. A VinaCapital explica que a medida se aplicou a antigos títulos Brady garantidos, com vencimento em 2028, que contam com garantias e proteções estruturais. A dívida soberana sem garantia do Vietnã permaneceu em BB+. Uma classificação de grau de investimento para instrumentos protegidos não equivale a uma classificação de grau de investimento para o emissor.
As principais etapas do cronograma de financiamento e de classificação incluem:
- 15 de dezembro de 2025: O Ministério das Finanças discutiu o mercado de capitais japonês e possíveis emissões de títulos Samurai com a Daiwa Securities, em Tóquio.
- Janeiro de 2026: A Fitch elevou para BBB- a classificação de determinados instrumentos de dívida garantidos, sem elevar a classificação soberana da dívida sem garantia.
- Abril e maio de 2026: O Ministério das Finanças coordenou ações com outras agências e realizou conversas diretas sobre a avaliação soberana com a R&I.
- 2 de outubro de 2026: A Decisão 1919/QD-TTg do primeiro-ministro atualizou a meta de alcançar grau de investimento nas principais agências até 2030.
- 8 de outubro de 2026: A R&I elevou para BBB- a classificação do Vietnã como emissor em moeda estrangeira, com perspectiva estável.
- Outubro de 2028: Começa a implementação obrigatória dos novos padrões de liquidez bancária.
A Decisão 1919/QD-TTg estabelece como meta alcançar até 2030 pelo menos Baa3 na Moody's ou BBB- na S&P e na Fitch. A decisão da R&I não obriga outra agência a seguir o mesmo caminho, pois as metodologias e o peso atribuído aos riscos institucionais, bancários e externos variam.
As projeções para os custos de financiamento também diferem. A VinaCapital estimou que um grau de investimento mais amplo poderia reduzir os custos de empréstimo em até 150 pontos-base. O Maybank Investment Bank Vietnam estimou uma redução de 150 a 300 pontos-base. Cem pontos-base equivalem a um ponto percentual; portanto, essas projeções indicam possíveis economias de até 1,5 ponto percentual ou de 1,5 a três pontos percentuais, respectivamente. Nenhuma das duas representa uma economia medida decorrente da decisão da R&I.
A VinaCapital aponta como prioridades restantes a proteção do setor financeiro, a previsibilidade das políticas e do ambiente jurídico e a transparência dos dados. A instituição destaca a Resolução 66, em vigor desde abril de 2025, e a nova Lei de Dados como reformas institucionais, ao mesmo tempo que pede divulgação mais completa das obrigações externas, dos passivos de empresas estatais e de parcerias público-privadas, além de informações padronizadas sobre a qualidade dos ativos bancários.
O Ministério das Finanças e outras agências afirmam que continuarão fornecendo às organizações de classificação informações econômicas, fiscais e sobre a dívida de forma oportuna. Não foi anunciada uma data para a próxima elevação da classificação soberana nem para uma emissão vietnamita de títulos Samurai. O teste prático será saber se o reconhecimento de crédito mais forte se traduz em financiamento a um custo aceitável, ao mesmo tempo que melhoram a disciplina fiscal, a solidez dos bancos e as reservas externas.
Principais pontos
- Em 8 de outubro de 2026, a R&I elevou para BBB- a classificação do Vietnã como emissor em moeda estrangeira, com perspectiva estável.
- Algumas instituições japonesas podem agora considerar a dívida vietnamita, enquanto mandatos de classificação mais rigorosos ainda limitam o acesso.
- Bancos elegíveis podem aplicar um fator de ponderação de risco de 50%, em vez de 100%, a determinadas exposições a títulos públicos.
- Títulos Samurai são um possível canal de financiamento, mas nenhuma emissão vietnamita foi anunciada.
- O Maybank Investment Bank Vietnam estima necessidades de investimento de US$ 1,45 trilhão entre 2026 e 2030.
- O rápido crescimento do crédito, a exposição ao setor imobiliário e as reservas cambiais limitadas continuam sendo motivo de preocupação.
- O Vietnã continua buscando classificações mais amplas de grau de investimento até 2030, e os novos requisitos de liquidez bancária se tornarão obrigatórios em outubro de 2028.






