Ataques mortais se espalham por três distritos
Nove pessoas morreram nos distritos de Kamjong, Kangpokpi e Ukhrul, em Manipur, durante episódios de violência nos dias 9 e 10 de outubro de 2026. Trocas de tiros e incêndios atingiram vilarejos e um civil que viajava de carro. Entre os mortos estavam seis nagas, dois kukis e um agricultor gurkha. Forças de segurança adicionais foram enviadas a Kamjong e Kangpokpi, enquanto bloqueios distintos afetaram as Rodovias Nacionais 2 e 202.
Conteúdo
- Ataques mortais se espalham por três distritos
- Morte em Chassad desencadeou a escalada
- Como a violência se desenrolou
- Quatro mortes de nagas foram informadas em Kangpokpi
- Vilarejo fronteiriço é atacado e motorista é morto
- Restrições e bloqueios afetam deslocamentos
- Grupos comunitários cobram proteção e responsabilização
- Ministro-chefe pede moderação após reunião com Modi
- Mortes anteriores indicam ampliação do conflito
- Em resumo
O balanço informado por distrito foi de quatro mortes em Kamjong, quatro em Kangpokpi e uma em Ukhrul. Entre as vítimas estavam Domkhonei Touthang, mãe kuki de cinco filhos morta no vilarejo de Chassad, e Sandeep Rai, baleado enquanto dirigia em Ukhrul. Pelo menos 14 casas pertencentes a membros das duas comunidades teriam sido incendiadas, embora relatos anteriores tenham contabilizado 10 casas nos confrontos em Kamjong.
O balanço de nove mortes tornou-se o mais divulgado até domingo, 11 de outubro. Uma contagem não oficial de 11 incluía dois supostos integrantes do Exército Nacional Kuki-Birmânia, com base em Mianmar, que teriam morrido em um tiroteio perto da fronteira internacional em Kamjong. Essas mortes adicionais não faziam parte das nove confirmadas. Relatos anteriores contabilizaram cinco mortes, enquanto o ex-ministro-chefe N Biren Singh afirmou inicialmente que eram sete, número que até então não havia sido confirmado pela polícia nem pelo governo estadual.
Os relatos descrevem o início da violência como ocorrido ao longo de 12 ou 24 horas. Ambas as versões abrangem episódios que começaram na noite de sexta-feira e continuaram no sábado. Um relato posterior não informou novas mortes no domingo, mas o envio de reforços e os bloqueios de transporte refletiram a preocupação contínua com a segurança dos moradores.
Morte em Chassad desencadeou a escalada
A morte de Touthang em Chassad, vilarejo de maioria kuki no distrito de Kamjong, onde predominam os nagas, antecedeu os ataques mais amplos. Autoridades situaram o tiroteio por volta das 21h35 de 9 de outubro. Os relatos situam sua morte entre aproximadamente 21h40 e 22h.
Vários relatos a identificam como tendo 42 anos. Outros dois dizem que a mulher tinha 22 anos, uma divergência ainda não esclarecida. Os relatos também diferem quanto aos ferimentos: um afirma que tiros atingiram sua perna e seu peito; outro diz que ela foi baleada no pescoço e morreu em poucos minutos.
As circunstâncias do confronto são contestadas. Segundo a polícia e autoridades, agentes da polícia estadual, do Batalhão da Reserva Indiana e da Força de Segurança de Fronteira desmontavam bunkers ilegais perto da delegacia de Chassad. Mulheres tentaram impedir a operação, agressores não identificados atiraram contra os agentes de segurança, que revidaram. Essa versão situa Touthang no fogo cruzado.
Outros relatos dizem que as mulheres protestavam contra a detenção de voluntários ou jovens do vilarejo kuki. Um deles afirma que agentes do Batalhão da Reserva Indiana atiraram em Touthang; outro descreve uma briga na qual ela sofreu ferimentos fatais. Organizações kukis acusaram agentes de segurança e grupos armados nagas de responsabilidade. Essas acusações não estabelecem quem disparou o tiro fatal, e nenhuma conclusão definitiva de investigação foi divulgada.
Michael Ngamminlen Haokip foi morto depois em Chassad. Em geral, os relatos o identificam como tendo 22 ou 23 anos, embora um deles descreva a vítima como um homem de 42 anos. O ataque em que ele morreu teria começado por volta das 4h30 de sábado. Organizações kukis acusaram o Conselho Nacional Socialista de Nagaland-IM (NSCN-IM) de envolvimento, enquanto casas eram incendiadas em meio a trocas de tiros.
Como a violência se desenrolou
Os ataques ocorreram em vários locais em poucas horas. Os horários exatos divergem, sobretudo no caso dos episódios em Kangpokpi, mas a sequência principal é a seguinte:
- 9 de outubro, por volta das 21h35: Touthang sofreu ferimentos fatais durante o confronto em Chassad, no distrito de Kamjong.
- 10 de outubro, de madrugada: Haokip foi morto enquanto os tiros e os incêndios continuavam em Chassad.
- 10 de outubro, por volta das 5h, segundo um relato: Um ataque a Makui Ashang, em Kangpokpi, matou guardas naga do vilarejo. Uma emboscada separada perto de Tapon teria ocorrido cerca de uma hora depois.
- 10 de outubro, entre aproximadamente 5h30 e 6h: Rai foi morto enquanto viajava de carro em Ukhrul.
- 10 de outubro, por volta das 9h30: Dois nagas foram mortos em Ningchou, perto da fronteira com Mianmar, em Kamjong.
- Da noite de 10 de outubro à noite de 11 de outubro: o Comitê pela Unidade Tribal convocou um bloqueio de 24 horas em Kangpokpi. Organizações kukis anunciaram separadamente um bloqueio por tempo indeterminado na Rodovia Nacional 202.
A concentração de ataques em três distritos fez com que o episódio fosse além de um confronto isolado em um vilarejo. No entanto, relatos oficiais não estabeleceram se todos os incidentes foram coordenados ou se envolveram as mesmas organizações armadas.
Quatro mortes de nagas foram informadas em Kangpokpi
Os relatos concordam que quatro nagas morreram em Kangpokpi, mas divergem sobre onde e como essas mortes ocorreram. Um deles descreve quatro defensores do vilarejo mortos durante um ataque a Makui Asang por volta das 9h30. Os defensores teriam reagido com armas de fogo licenciadas e armas de cano único depois que homens armados cercaram o vilarejo naga de Liangmai.
Outros relatos descrevem três guardas do vilarejo mortos em Makui por volta das 5h, seguidos por uma emboscada separada contra voluntários que viajavam de Tapon para ajudar o vilarejo. Nessa versão, Machungwangbou, de 35 anos, do vilarejo de Thalon, foi morto a cerca de dois quilômetros de Tapon. Dois outros voluntários sofreram ferimentos de bala e foram levados à sede do distrito de Senapati para tratamento.
Os nomes também variam entre os relatos. As vítimas de Makui são identificadas de diferentes formas como Machungammamg ou Daimai Machungammamg, Ajinpou Ringkangmai e Robert ou Robart. Outro relato cita M Daimai, R Gangmei e Ringkangmai. Essas variações não devem ser interpretadas como indício de mortes adicionais além do total informado para o distrito.
Uma organização civil naga, o Comitê de Trabalho JTC Manipur, alegou que um morador de 52 anos identificado como Ajinbou R havia sido decapitado e exigiu que sua cabeça fosse devolvida para o funeral. Outro relato identifica a vítima como Ajinpou Ringkangmai. Relatos sobre mutilação afirmaram que não havia confirmação oficial, e vídeos que circulavam não foram verificados de forma independente. A alegação, portanto, permanece distinta do número confirmado de mortes.
Vilarejo fronteiriço é atacado e motorista é morto
Em Ningchou, também chamado de Ningchou Chingdong, dois nagas foram mortos por volta das 9h30 de sábado. Vários relatos os identificam como Ngachanso Ningshen e Leishishan Leishadang. A idade de Ningshen é informada como 30 ou 35 anos; a de Leishadang, como 45 ou 48. Outro relato policial dá o nome da segunda vítima como Leishishan Hungyo, de 50 anos.
As vítimas são descritas em diferentes relatos como civis ou guardas do vilarejo. Forças de segurança teriam chegado ao vilarejo depois do tiroteio, e os corpos foram enviados ao hospital do distrito de Kamjong para exames post-mortem. A organização Tangkhul Naga Long também informou que duas pessoas ficaram gravemente feridas.
Moradores alegaram que os agressores fugiram em direção a Mianmar. A Tangkhul Naga Long responsabilizou o Exército Nacional Kuki-Birmânia e voluntários de vilarejos da Zona Leste. Um relato policial disse que grupos armados do outro lado da fronteira poderiam estar envolvidos, mas ressaltou que não havia confirmação oficial e que uma investigação estava em andamento.
Em Ukhrul, Rai foi morto dentro do veículo que dirigia. Os relatos o identificam como agricultor gurkha ou homem de origem nepalesa, mas divergem quanto à idade: 30 ou 40 anos. Um deles o chama de cidadão nepalês; sua nacionalidade não foi estabelecida de forma consistente.
O local é descrito de diferentes formas como o vilarejo de Konjang, na Rodovia Nacional 202, perto de Chepu Yaolen ou ao longo da estrada Mahadev-Toloi-Pfutsero. Um relato policial situou a emboscada a cerca de 12 quilômetros a noroeste da delegacia de Litan. A polícia de Litan teria recuperado o corpo e registrado um caso. A identidade dos agressores e a motivação não foram estabelecidas.
Restrições e bloqueios afetam deslocamentos
As autoridades de Kamjong impuseram ordens de restrição nas imediações do entroncamento do posto policial de Chassad. Os relatos descrevem medidas com base na Seção 162 da Bharatiya Nagarik Suraksha Sanhita (BNSS), a lei indiana de processo penal. Em um raio de 400 metros do entroncamento, foram proibidas reuniões de cinco ou mais pessoas. Como a íntegra da ordem não foi reproduzida, não é possível especificar outras condições ou exceções.
O Comitê pela Unidade Tribal, uma organização kuki, anunciou um bloqueio de 24 horas em todo o distrito de Kangpokpi a partir da noite de sábado. Os relatos também descrevem a medida como uma interrupção da Rodovia Nacional 2, que liga Imphal a Dimapur. O período previsto se estenderia até a noite de domingo.
O Comitê de Trabalho das Organizações da Sociedade Civil Kuki em Ukhrul anunciou separadamente um bloqueio por tempo indeterminado na Rodovia Nacional 202 a partir da manhã de sábado. A rodovia liga Imphal a Ukhrul e segue em direção a Nagaland. Não foi informado um prazo para o fim do bloqueio.
Esses bloqueios foram convocados por organizações comunitárias e são distintos das ordens de restrição do governo. Juntos, interromperam o tráfego em duas rotas importantes, enquanto reforços eram enviados aos distritos mais afetados pelos ataques.
Grupos comunitários cobram proteção e responsabilização
A Kuki Inpi Manipur acusou integrantes do NSCN-IM e do NSCN-Eastern Flank de coordenar ataques com agentes de segurança do estado, incluindo policiais tangkhul e integrantes do Batalhão da Reserva Indiana. A Associação de Chefes Kukis de Manipur também citou integrantes do ZUF-K em suas acusações sobre a violência de 9 e 10 de outubro em Chassad.
A associação de chefes exigiu o registro de queixas policiais por assassinato, incêndio criminoso e conspiração criminosa, seguido de prisões. Pediu o pagamento de 30 lakh de rúpias a cada família enlutada, empregos no governo para os familiares mais próximos dos mortos, indenização por perdas materiais e reconstrução das casas incendiadas. Também pediu o envio de mais forças centrais aos vilarejos kukis de Kamjong, Ukhrul, Tamenglong e Noney.
A associação reiterou sua exigência de um território da União separado, com assembleia legislativa, para o povo kuki-zo. Trata-se de uma reivindicação por uma estrutura administrativa diferente, não de uma medida anunciada pelo governo em resposta a essas mortes.
A Tangkhul Naga Long, principal organização tradicional da comunidade naga tangkhul, alegou que os assentamentos fronteiriços são alvo de ataques recorrentes e pediu às autoridades que protejam os moradores de Kamjong. Suas acusações de agressões vindas de Mianmar, assim como as alegações de organizações kukis sobre conluio de forças de segurança, continuam sendo denúncias que precisam ser investigadas, e não explicações comprovadas para todo o episódio.
Ministro-chefe pede moderação após reunião com Modi
O ministro-chefe Yumnam Khemchand Singh estava em Nova Délhi, reunido com o primeiro-ministro Narendra Modi, quando a violência se desenrolou. Singh disse que Modi havia assegurado ao governo estadual toda a ajuda possível para restabelecer a paz e a normalidade. O gabinete de Singh afirmou que o primeiro-ministro reconheceu os esforços do governo e considerou que a situação havia melhorado.
Singh condenou as mortes mais recentes e descreveu em uma publicação nas redes sociais as instruções que deu às autoridades:
Condeno a morte de civis inocentes e a violência... Instruí as autoridades competentes a tomar medidas imediatas e eficazes para controlar a situação, restabelecer a paz e a ordem e garantir a segurança de todos os cidadãos.
Ele pediu às comunidades que agissem com moderação e priorizassem a paz, o diálogo e a harmonia. As novas mortes, porém, evidenciaram o desafio imediato de proteção que o governo enfrenta, apesar do progresso em direção à normalidade que afirma ter alcançado.
O ex-ministro-chefe N Biren Singh manifestou preocupação e mencionou especificamente a morte de Rai. Ele questionou a capacidade do estado de impedir ataques armados:
O que está acontecendo? Como ficamos tão fracos a ponto de militantes armados poderem matar pessoas, incendiar delegacias e desafiar a autoridade do Estado indiano com tamanha impunidade?
A referência a ataques contra delegacias foi uma alegação, não um detalhe desses incidentes estabelecido de forma independente. Biren Singh pediu a recuperação de armas mantidas ilegalmente, operações contra grupos militantes armados e o reforço da segurança nas fronteiras. O ministro do Interior da União, Amit Shah, teria visita prevista a Manipur naquele mês, mas nenhuma data exata foi informada.
Mortes anteriores indicam ampliação do conflito
O episódio mais recente ocorreu após um período mortal entre 27 de agosto e 26 de setembro. Um balanço informado para esse intervalo contabiliza 21 mortos, sendo 11 nagas e 10 kukis, e inclui um bebê ainda não nascido, elevando o total a 22. Quatro nagas foram mortos em Kangpokpi em 27 de agosto, e outros quatro morreram no vilarejo de Pilong, em Kamjong, em 24 de setembro.
Após o ataque a Pilong, o Comitê de Trabalho da Tangkhul Naga Long responsabilizou o Exército Nacional Kuki-Birmânia e integrantes kukis apoiados pela Força de Defesa Popular de Mianmar. Descreveu o ataque como o terceiro episódio do tipo na fronteira internacional de Kamjong. Essas acusações contextualizam as atuais reivindicações por segurança na fronteira, mas não comprovam quem foi responsável pelos ataques de outubro.
Os relatos divergem sobre quando começou o conflito entre nagas e kukis. Vários situam o início em fevereiro; outro data o começo da escalada mais ampla em maio. A sequência relatada inclui emboscadas simultâneas em 13 de maio, que mataram quatro civis, entre eles três líderes religiosos, e o sequestro de 48 pessoas das duas comunidades. Quatorze pessoas de cada comunidade foram libertadas dois dias depois. Os 14 civis kukis restantes foram libertados em 9 de junho, enquanto os corpos de seis reféns nagas foram recuperados em 10 de junho.
Os balanços acumulados de mortes também abrangem períodos e categorias diferentes. Um relato registra pelo menos 22 mortes de nagas e 31 de kukis desde fevereiro, num total de 53. Outros citam mais de 40 ou quase 50 mortes. A Associação de Chefes Kukis alegou separadamente que 30 civis kukis foram mortos desde 11 de março em ataques que atribuiu a determinados grupos armados nagas. Esses números não podem ser tratados como equivalentes.
Os confrontos entre nagas e kukis são distintos da violência entre meiteis e kukis, iniciada em maio de 2023, embora ocorram em meio a ela. Os relatos apresentam totais variados para essa crise mais ampla, de mais de 260 a quase 320 mortos, e mais de 60 mil pessoas deslocadas, com uma estimativa de 66 mil. Quanto aos ataques mais recentes, as principais questões ainda sem resposta são a responsabilidade, as divergências sobre dados das vítimas e se as mortes adicionais da contagem não oficial serão confirmadas. Não foram informados prazo para a investigação nem decisão sobre indenizações.
Em resumo
- Nove mortes foram informadas nos distritos de Kamjong, Kangpokpi e Ukhrul após a violência de 9 e 10 de outubro.
- Entre as vítimas estavam seis nagas, dois kukis e um agricultor gurkha.
- Uma contagem não oficial de 11 incluía dois supostos integrantes de grupos armados cujas mortes não foram confirmadas no balanço principal.
- Pelo menos 14 casas teriam sido incendiadas, enquanto relatos anteriores contabilizaram 10 em Kamjong.
- Forças adicionais foram enviadas a Kamjong e Kangpokpi, e reuniões foram restringidas nas imediações do entroncamento do posto policial de Chassad.
- Organizações comunitárias convocaram um bloqueio de 24 horas que afetou a Rodovia Nacional 2 e um bloqueio por tempo indeterminado na Rodovia Nacional 202.
- A responsabilidade pelos ataques e vários detalhes sobre as vítimas e as circunstâncias continuam em disputa.






