80 vídeos expõem pacientes durante tratamentos e trocas de roupa
A polícia sul-coreana investiga a nova circulação de imagens de câmeras de vigilância de hospitais em sites pornográficos estrangeiros, depois que um parlamentar identificou 80 vídeos que mostram pacientes recebendo tratamento, passando por procedimentos e trocando de roupa. Vinte e um vídeos foram rastreados até uma única clínica de obstetrícia e ginecologia em Seul, enquanto o número de pessoas afetadas foi estimado em cerca de 100.
Conteúdo
- 80 vídeos expõem pacientes durante tratamentos e trocas de roupa
- O que as gravações mostram
- Prisões anteriores não impediram a redistribuição
- Por que câmeras conectadas à internet estão sob escrutínio
- O que exige a lei sobre salas de cirurgia
- Relatos divergem sobre o envolvimento de salas de cirurgia
- Por que o Ministério da Saúde não tinha registros de incidentes com câmeras
- Auditoria revelou fragilidades mais amplas de segurança
- O que o governo prometeu
- Principais pontos
As gravações exibiam datas entre fevereiro de 2022 e novembro de 2025. Algumas foram editadas para acompanhar pacientes em salas de espera, consultórios, salas de ultrassom e de exames, expondo rostos e corpos sem qualquer ocultação. As imagens também incluíam clínicas de cirurgia plástica, de medicina tradicional coreana e centros de reabilitação.
A Agência Nacional de Polícia recebeu um pedido de investigação do deputado Heo Jong-sik, do Partido Democrático da Coreia, em 29 de setembro de 2026 e encaminhou o caso à Agência Provincial de Polícia de Chungbuk. Quatro suspeitos acusados de invadir os sistemas, vender e distribuir as gravações originalmente foram detidos em 2025. Agora, os investigadores buscam identificar quem publicou o material novamente em outros sites.
O caso foi discutido na auditoria da Comissão de Saúde e Bem-Estar da Assembleia Nacional em 7 de outubro de 2026, quando a ministra da Saúde e do Bem-Estar, Jeong Eun-kyeong, reconheceu fragilidades na segurança das informações médicas e prometeu medidas elaboradas em conjunto com o setor médico. Câmeras conectadas à internet são apontadas como a possível origem dos vazamentos, mas o método exato e os responsáveis ainda não foram identificados.
Uma distinção central já orienta a resposta: a Lei de Serviços Médicos estabelece requisitos específicos de segurança para as câmeras obrigatórias em salas de cirurgia, enquanto a vigilância em outros espaços hospitalares não está sujeita a essas regras específicas. Portanto, o simples cumprimento das exigências de instalação não comprova que os pacientes estejam protegidos em todas as áreas de uma unidade médica.
O que as gravações mostram
O gabinete de Heo comparou o nome da clínica e os interiores visíveis nas imagens com uma clínica de obstetrícia e ginecologia em funcionamento em Seul. Os 21 vídeos associados à unidade representam pouco mais de 26% das 80 gravações identificadas, formando o maior conjunto divulgado.
A edição parece ter transformado as gravações de vigilância em sequências organizadas em torno de pacientes e instituições médicas. As imagens acompanhavam pacientes entre diferentes salas, em vez de mostrar apenas um atendimento. Outros vídeos exibiam injeções, pacientes trocando de roupa para vestir aventais hospitalares, consultas e procedimentos de cirurgia plástica, acupuntura e terapia manual.
É importante distinguir gravações de vítimas. Oitenta vídeos não significam necessariamente 80 pessoas, 80 clínicas ou 80 violações distintas. Heo informou à auditoria parlamentar que 80 casos foram encaminhados à polícia, envolvendo cerca de 100 vítimas. Outras reportagens também mencionaram pelo menos cerca de 100 pessoas afetadas. Ainda não foi divulgado o número definitivo de vítimas nem uma lista completa das instituições atingidas.
O deputado Heo Jong-sik, membro da Comissão de Saúde e Bem-Estar da Assembleia Nacional, descreveu a ameaça à confiança dos pacientes:
Como as pessoas podem se sentir seguras indo a um hospital se até imagens delas recebendo tratamento e trocando de roupa estão circulando na internet?
Prisões anteriores não impediram a redistribuição
Anteriormente, a polícia pediu o bloqueio do acesso a um site que hospedava as gravações e tomou medidas para proteger as vítimas. O reaparecimento posterior das imagens em outros lugares mostra que restringir o acesso a um único site não impediu a circulação de cópias.
Os quatro suspeitos detidos em 2025 foram acusados de realizar a invasão inicial e vender e distribuir as imagens. A detenção deles não identifica quem publicou as cópias posteriores nem confirma se todos os vídeos que circulam agora vieram da mesma invasão. A investigação atual busca identificar os responsáveis pela redistribuição e esclarecer a origem do vazamento.
Um dos hospitais afetados afirmou ter sido investigado no ano anterior e, depois disso, realizado uma ampla revisão de segurança. Essa informação não esclarece se as publicações recém-descobertas contêm gravações antigas roubadas ou material obtido em uma violação posterior. Heo pediu cooperação internacional, já que os sites que distribuem as imagens ficam no exterior.
As principais datas divulgadas até agora são:
- 2021: Uma alteração na Lei de Serviços Médicos instituiu a exigência de câmeras em salas de cirurgia.
- Fevereiro de 2022 a novembro de 2025: Período indicado nas gravações identificadas.
- Setembro de 2023: Entrou em vigor a exigência de câmeras de vigilância em salas de cirurgia.
- 2025: A polícia deteve quatro suspeitos acusados de invadir sistemas, vender e distribuir imagens.
- 29 de setembro de 2026: A Agência Nacional de Polícia recebeu o pedido de investigação de Heo.
- 7 de outubro de 2026: Parlamentares questionaram a ministra da Saúde sobre os vazamentos e a cibersegurança médica.
Por que câmeras conectadas à internet estão sob escrutínio
Acredita-se que a maior parte das imagens vazadas tenha sido gravada com câmeras de protocolo de internet, conhecidas como câmeras IP. Esses dispositivos podem enviar vídeo para outros equipamentos por redes com ou sem fio. Quando seus serviços ficam acessíveis pela internet, falhas nas senhas ou na configuração podem permitir acessos não autorizados.
Reportagens sobre o caso mencionaram alguns produtos importados com senhas de fábrica amplamente conhecidas e câmeras que transmitem imagens por servidores da web acessíveis pela internet. Essas são possíveis fragilidades de segurança, não uma explicação confirmada para a obtenção das gravações neste caso. Não foi comprovado que um fabricante específico, uma falha de senha ou uma invasão de servidor tenha causado o vazamento.
Na auditoria parlamentar, a ministra da Saúde e do Bem-Estar, Jeong Eun-kyeong, apontou as câmeras IP como a preocupação imediata, mas ressaltou que a polícia precisa confirmar a origem do problema:
Neste momento, as câmeras IP estão sendo apontadas como o problema, então é preciso agir nessa área.
A ministra diferenciou esses dispositivos das câmeras de circuito fechado exigidas em salas de cirurgia, cujas gravações devem ser mantidas em uma rede fechada. A separação da rede limita a exposição direta à internet pública, mas não esclarece quem pode visualizar, copiar ou exportar as imagens. Essas questões de gestão fazem parte da inspeção solicitada por Heo.
O que exige a lei sobre salas de cirurgia
A Lei de Serviços Médicos exige câmeras em salas de cirurgia de instituições que operam pacientes submetidos à perda de consciência, inclusive por anestesia geral ou sedação. A gravação é obrigatória quando solicitada pelo paciente ou por seu responsável, salvo exceções previstas em lei. A medida foi criada para coibir condutas ilegais, como cirurgias realizadas por pessoas sem qualificação, e preservar provas para investigações e disputas médicas.
As regras para salas de cirurgia exigem medidas contra vazamentos, incluindo proteção por senha, registros de acesso e restrições às permissões de acesso. As exigências do Ministério da Saúde determinam o uso de câmeras de circuito fechado, e não de câmeras de rede conectadas à internet, para essa finalidade.
Segundo dados do ministério enviados ao gabinete de Heo, 2.528 das 2.529 instituições sujeitas à exigência de instalação já tinham câmeras no fim de junho de 2026. A instituição restante estava temporariamente fechada. Isso significa que todas as unidades em funcionamento incluídas no total informado haviam concluído a instalação, mas o dado mede a instalação, não a segurança de todas as câmeras em todas as salas dos hospitais.
O gabinete de Heo informou que as gravações identificadas foram feitas em salas de exames, consultórios, salas de espera e quartos de pacientes, fora dos espaços abrangidos pelas regras específicas de gestão de salas de cirurgia. Isso não significa que outras formas de vigilância estejam isentas de todas as obrigações de privacidade. O dado aponta uma lacuna nas medidas de proteção específicas impostas pela Lei de Serviços Médicos.
Relatos divergem sobre o envolvimento de salas de cirurgia
Alguns relatos descreveram as imagens vazadas como contendo cenas de salas de cirurgia. As conclusões de Heo, porém, situaram as gravações identificadas fora dessas salas, e o ministério afirmou que a origem suspeita envolve câmeras IP, e não os sistemas obrigatórios de câmeras em rede fechada.
Portanto, não foi confirmada uma ligação direta entre os vazamentos e as câmeras instaladas em cumprimento à exigência para salas de cirurgia. Reportagens também mencionaram hospitais que usam câmeras IP para monitorar salas de cirurgia e outros espaços internos. A inspeção precisa determinar se alguma instituição específica usou uma câmera IP no lugar do equipamento exigido por lei; isso não pode ser concluído a partir do total nacional de instalações.
A Associação Médica de Seul pediu uma investigação sobre as circunstâncias, a dimensão e a redistribuição das gravações, além de uma revisão completa da política para câmeras em salas de cirurgia, que inclua a possibilidade de revogação. A entidade argumentou que imagens médicas íntimas podem causar danos excepcionais e se tornam difíceis de recuperar depois de copiadas e distribuídas.
A disputa sobre a política depende de fatos que os investigadores ainda precisam esclarecer. Um vazamento de câmeras instaladas fora do alcance da exigência apontaria para a necessidade de controles mais amplos sobre a vigilância em hospitais. Provas de que um sistema obrigatório de sala de cirurgia foi comprometido, ou de que equipamentos inadequados foram usados em seu lugar, levantariam outras questões de conformidade. Nenhuma dessas conclusões deve ser presumida antes da identificação dos equipamentos e das vias de acesso.
Por que o Ministério da Saúde não tinha registros de incidentes com câmeras
Dados do ministério apresentados ao gabinete de Heo registraram 109 incidentes de cibersegurança em instituições médicas entre 2021 e agosto de 2026. Instituições privadas responderam por 106 casos e as públicas, por três. Ataques de ransomware corresponderam a 98 incidentes, quase 90% do total, enquanto nenhum caso foi identificado como envolvendo imagens de câmeras de vigilância.
A ausência de registros não comprova que não tenham ocorrido invasões de câmeras. A polícia já havia detido suspeitos por causa de gravações hospitalares em 2025, mas os registros do ministério não incluíam nenhum incidente correspondente com câmeras de vigilância. A diferença aponta uma lacuna entre a atuação policial e as informações que chegam ao órgão responsável pela política de saúde.
Heo afirmou que instituições médicas privadas comunicam violações envolvendo prontuários eletrônicos ao Ministério da Saúde e do Bem-Estar, enquanto incidentes que afetam outros sistemas são comunicados ao Ministério da Ciência e das TIC ou à Agência de Internet e Segurança da Coreia. Com esse arranjo, uma invasão de câmeras hospitalares pode não aparecer nos registros de incidentes do Ministério da Saúde.
Jeong disse que soube das imagens por meio da cobertura da imprensa. Heo pediu uma inspeção abrangente que inclua a localização das câmeras, o armazenamento das imagens, a gestão dos acessos e a responsabilidade pela segurança, em vez de uma verificação limitada à instalação das câmeras obrigatórias em salas de cirurgia.
Auditoria revelou fragilidades mais amplas de segurança
A investigação sobre as câmeras foi discutida junto a ataques que interromperam atendimentos e expuseram outros dados de pacientes. Os casos de ransomware na rede interna de hospitais chegaram a 14 nos primeiros oito meses de 2026, ante oito em 2025. O total parcial do ano já era seis casos maior, um aumento de 75%, embora os períodos comparados tenham durações diferentes.
O ransomware costuma bloquear ou interromper sistemas de computador para pressionar uma organização a pagar. No Hospital da Universidade Nacional de Kangwon, um ataque interrompeu os atendimentos por quatro horas e 50 minutos. No Hospital da Universidade Nacional de Chonnam, em Hwasun, foi informado o vazamento de 298 registros com informações pessoais.
A rede nacional de informações médicas de emergência sofreu três interrupções em 2026. Uma falha envolvendo o Centro Médico Nacional levou até 32 horas para ser corrigida. As interrupções ilustram um risco distinto para a continuidade dos atendimentos, mas os relatos apresentados na auditoria não estabeleceram que as três tenham sido causadas por ataques cibernéticos.
A deputada Han Ji-a, do Partido do Poder Popular, apresentou dados segundo os quais 16,7% dos 263 hospitais gerais, incluindo os hospitais terciários, não tinham orçamento para segurança da informação. Em média, as instituições contavam com 0,9 profissional de segurança cada. Ela também citou a invasão de 2021 ao Hospital da Universidade Nacional de Seul por um grupo hacker norte-coreano, que expôs informações de saúde de cerca de 830 mil pessoas.
Esses incidentes envolvem sistemas diferentes e não devem ser tratados como uma única violação. Em conjunto, mostram por que a resposta do ministério está se ampliando para além das câmeras e abrangendo equipes, orçamentos, redes hospitalares e proteção de informações médicas.
O que o governo prometeu
Jeong prometeu um plano de segurança desenvolvido em conjunto com instituições médicas privadas e afirmou que o ministério pediu à Associação Médica Coreana e à Associação Hospitalar Coreana que reforcem as verificações internas. Ela reconheceu que os hospitais apontam custos e falta de profissionais especializados como obstáculos para ampliar a proteção.
A ministra da Saúde e do Bem-Estar, Jeong Eun-kyeong, descreveu o ritmo da ameaça durante a auditoria:
Não estamos acompanhando a velocidade dos invasores.
A resposta planejada inclui a avaliação de medidas ofensivas de cibersegurança, isto é, testes autorizados que imitam ataques para encontrar vulnerabilidades antes que criminosos as explorem. Han propôs começar a adotar essa abordagem em hospitais universitários nacionais, no Serviço Nacional de Seguro de Saúde e no Serviço de Revisão e Avaliação do Seguro de Saúde. O ministério também afirmou que estudará formas de garantir profissionais especializados e financiamento.
Para as vítimas do vazamento das imagens, as prioridades imediatas são removê-las, impedir novas distribuições e protegê-las de outras exposições. Heo também pediu padrões institucionais de segurança e inspeções que abranjam todos os equipamentos de vídeo dos hospitais, não apenas as câmeras obrigatórias em salas de cirurgia.
Não foi anunciada uma data para a conclusão da investigação policial, a definição do número final de vítimas, a publicação do plano abrangente de segurança ou uma decisão sobre mudanças nas regras para câmeras. As promessas ainda são medidas a serem desenvolvidas, e não uma reforma concluída. Determinar se as gravações foram roubadas recentemente ou copiadas repetidas vezes será essencial para avaliar tanto a violação quanto a eficácia da resposta.
Principais pontos
- O gabinete de Heo identificou 80 vídeos de instituições médicas coreanas, incluindo 21 associados a uma clínica de obstetrícia e ginecologia de Seul.
- Cerca de 100 pessoas foram identificadas como vítimas; o total definitivo ainda não foi estabelecido.
- A polícia de Chungbuk investiga a redistribuição das imagens depois que quatro suspeitos foram detidos em 2025.
- Câmeras IP são apontadas como a possível origem do vazamento. A ligação com as câmeras obrigatórias em salas de cirurgia não foi confirmada.
- Os registros do Ministério da Saúde listaram 109 incidentes de cibersegurança médica até agosto de 2026, mas nenhum envolvendo câmeras de vigilância.
- O governo prometeu medidas conjuntas de segurança, verificações internas mais rigorosas e a avaliação de testes autorizados de ataque.
- O método do vazamento, a dimensão total da exposição e o cronograma das reformas continuam sem esclarecimento.






