Negociações sobre o Greater Sunrise avançam rumo à aprovação governamental
Timor-Leste e Austrália chegaram a um acordo em nível técnico sobre três documentos que regem o projeto petrolífero Greater Sunrise, levando as negociações à etapa de aprovação interna, enquanto deixam para fases posteriores a definição do conceito de desenvolvimento e do cronograma de construção.
Conteúdo
- Negociações sobre o Greater Sunrise avançam rumo à aprovação governamental
- O que os três documentos vão regulamentar
- O tratado define as responsabilidades pela aprovação
- A divisão da receita depende do destino do gasoduto
- Como as negociações chegaram a esta etapa
- O planejamento do desenvolvimento continua sendo uma decisão à parte
- Uma agenda mais ampla de cooperação em recursos
- O que ainda precisa ser aprovado e anunciado
- Principais pontos
Em reunião no Palácio do Governo, em Díli, em 25 de setembro de 2026, o primeiro-ministro Kay Rala Xanana Gusmão e o ministro do Petróleo e Recursos Minerais, Francisco da Costa Monteiro, receberam uma atualização da enviada especial da Austrália para o Projeto Greater Sunrise, Katrina Cooper. A embaixadora australiana em Timor-Leste, Caitlin Wilson, também participou.
Monteiro afirmou que as negociações mais recentes em Camberra resultaram em acordo técnico sobre o Código de Mineração de Petróleo, o Contrato de Partilha de Produção e o Regime Fiscal. Em conjunto, esses instrumentos tratam das regras para as atividades petrolíferas, da relação entre as autoridades e a contratada e dos impostos aplicáveis ao projeto.
Agora, os documentos seguirão para os processos de aprovação de cada país. Em Timor-Leste, serão encaminhados ao Conselho de Ministros e, depois, ao Parlamento Nacional. A Austrália seguirá seus procedimentos governamentais. A avaliação e o processo de aprovação devem levar cerca de três meses, o que aponta para uma conclusão prevista por volta de dezembro de 2026, caso essa estimativa se confirme.
Este é um marco jurídico e contratual, não um anúncio de que as obras podem começar. Monteiro afirmou que, no próximo ano, o foco passará para o conceito único de desenvolvimento aprovado e o projeto detalhado, tendo em vista uma futura construção. Os documentos operacionais das fases seguintes do projeto também continuam em preparação.
O que os três documentos vão regulamentar
O Código de Mineração de Petróleo estabelece o marco jurídico e regulatório para a exploração e o desenvolvimento na Área do Regime Especial de Greater Sunrise. Ele define as regras para a realização de atividades petrolíferas em uma área governada conjuntamente por meio de acordos entre os dois países.
O Contrato de Partilha de Produção estabelece a relação contratual e a partilha da produção entre a autoridade pública responsável e as partes contratantes. Um contrato de partilha de produção determina como a produção de petróleo é distribuída nos termos do contrato. Ele é distinto das regras do tratado que dividem a receita de exploração entre Austrália e Timor-Leste.
O Regime Fiscal especifica a tributação e outras obrigações fiscais aplicáveis às atividades na área. Sua importância vai além de estabelecer alíquotas: o tratado marítimo exige que ele determine como as leis tributárias dos dois países se aplicam à contratada.
Assim, os três documentos cumprem funções diferentes dentro do mesmo marco do projeto. O acordo sobre regras regulatórias não resolve, por si só, os termos contratuais nem a tributação. O anúncio de setembro é mais abrangente do que o progresso informado em março porque leva os três instrumentos à etapa de aprovação interna.
O tratado define as responsabilidades pela aprovação
O tratado sobre as fronteiras marítimas entre Austrália e Timor-Leste estabelece o Regime Especial de Greater Sunrise no Artigo 7 e detalha seu funcionamento no Anexo B. Seu objetivo declarado é o desenvolvimento, a exploração e a gestão conjuntos do petróleo nos campos de Greater Sunrise, em benefício dos dois países.
O tratado atribui ao Conselho de Governança a responsabilidade de aprovar o Código de Mineração de Petróleo definitivo, seus regulamentos e alterações posteriores. Cabe à Autoridade Designada celebrar o Contrato de Partilha de Produção de Greater Sunrise, sujeito à aprovação do Conselho de Governança.
Essas responsabilidades são importantes para interpretar o anúncio mais recente. O acordo técnico entre as equipes de negociação, a aprovação pelas instituições nacionais e as decisões dos órgãos de governança do tratado são etapas distintas. A atualização de setembro descreve o processo de aprovação interna, mas não informa datas separadas para cada decisão do Conselho de Governança.
O Anexo B também prevê um Código de Mineração de Petróleo provisório para reger o desenvolvimento, a exploração e as exportações até a aprovação do código definitivo. O texto estabelece que o Conselho de Governança deve buscar aprovar e emitir o código definitivo em até seis meses após a entrada em vigor do tratado ou, caso isso não seja possível, tão logo quanto possível. Essa redação estabelece uma meta, mas prevê expressamente que a conclusão possa ocorrer mais tarde.
A divisão da receita depende do destino do gasoduto
O tratado já define como Austrália e Timor-Leste dividirão a receita de exploração em duas opções de gasoduto. Se Greater Sunrise for desenvolvido com um gasoduto até Timor-Leste, o país ficará com 70% e a Austrália, com 30%. Se o gasoduto seguir para a Austrália, a divisão será de 80% para Timor-Leste e 20% para a Austrália.
Assim, a parcela de Timor-Leste prevista no tratado é 10 pontos percentuais maior na opção de gasoduto até a Austrália. A parcela australiana é 10 pontos percentuais menor. Esses percentuais se referem a uma categoria específica de receita petrolífera, não a todos os benefícios econômicos associados ao projeto.
O Anexo B limita a receita de exploração ao petróleo da primeira parcela, ao petróleo-lucro e à tributação aplicável. Petróleo da primeira parcela e petróleo-lucro são categorias usadas para distribuir a produção petrolífera em acordos de partilha de produção. O tratado também limita a tributação incluída na receita de exploração a atividades e instalações petrolíferas especificadas antes do ponto de valoração, referência usada para determinar o valor do petróleo nos termos dos acordos.
Para outras atividades relacionadas ao desenvolvimento e à exploração na Área do Regime Especial, aplica-se a legislação tributária de Timor-Leste, salvo disposição em contrário no tratado. O Regime Fiscal deverá traduzir essas disposições do tratado em acordos tributários definidos para o projeto.
Timor-Leste continua defendendo o processamento de petróleo e gás de Greater Sunrise em terra, em seu próprio território, para garantir benefícios econômicos internos. Os percentuais de receita, isoladamente, não permitem determinar qual opção traria o maior benefício total ao país. O anúncio de setembro não apresenta estimativas de custos nem projeções de renda do processamento, emprego ou outras atividades locais que permitam fazer essa comparação.
Como as negociações chegaram a esta etapa
O acordo de setembro é resultado de uma sequência de compromissos ministeriais e negociações técnicas. A trajetória mostra que o trabalho no código regulatório avançou antes de o conjunto completo de documentos contratuais e fiscais chegar à mesma etapa.
- 29 de outubro de 2024: A ministra australiana de Recursos e do Norte da Austrália, Madeleine King, e Monteiro se reuniram na Conferência Internacional de Mineração e Recursos, em Sydney, e apoiaram a continuidade das negociações sobre os três instrumentos.
- Fevereiro de 2026: O Código de Mineração de Petróleo foi dado como finalizado, de acordo com a atualização de andamento divulgada em março.
- 15 de março de 2026: Uma atualização de Díli informou que a conclusão do Regime Fiscal e do Contrato de Partilha de Produção era esperada ainda em 2026. Uma nova reunião em Camberra estava prevista para julho.
- 25 de setembro de 2026: Monteiro anunciou o acordo técnico sobre os três documentos após as negociações mais recentes em Camberra, com previsão de cerca de três meses para as aprovações internas.
- 2027: O ministro espera que o foco passe para o conceito único de desenvolvimento aprovado e o projeto detalhado.
A descrição do código de mineração como finalizado em março e o anúncio de setembro de acordo sobre o conjunto completo não são necessariamente contraditórios. O relato anterior apontou a conclusão de um instrumento; o posterior tratou dos três e de seu encaminhamento para aprovação. Nenhum dos anúncios, por si só, confirma que todas as aprovações formais exigidas pelo tratado foram concluídas.
O planejamento do desenvolvimento continua sendo uma decisão à parte
Em março, Monteiro afirmou que se esperava que a Sunrise Joint Venture apresentasse um plano de conceito de desenvolvimento assim que o Regime Fiscal e o Contrato de Partilha de Produção fossem finalizados. O tratado define conceito de desenvolvimento como os termos básicos segundo os quais os campos de Greater Sunrise serão desenvolvidos.
Isso torna o conceito uma etapa separada da definição do marco jurídico do projeto. Os documentos estabelecem as regras e obrigações que regerão o desenvolvimento, enquanto o conceito apresenta a abordagem básica para executá-lo.
A atualização de setembro aponta para o trabalho, no próximo ano, em um conceito único aprovado e no projeto detalhado. Ela não informa qual destino de gasoduto foi escolhido, não descreve um arranjo de processamento aprovado nem indica uma data para o início da construção. Portanto, o apoio de Timor-Leste ao processamento em seu próprio território deve ser distinguido de uma decisão confirmada para o projeto.
Os governos e as partes comerciais envolvidos nas negociações também precisam continuar preparando documentos operacionais para as fases posteriores. O anúncio mais recente sinaliza avanços rumo ao desenvolvimento, mas não apresenta um cronograma definido para o início da produção.
Uma agenda mais ampla de cooperação em recursos
Greater Sunrise fez parte de uma discussão mais ampla sobre recursos antes do acordo mais recente. Em sua declaração conjunta de outubro de 2024, publicada pelo gabinete da ministra australiana de Recursos, King e Monteiro apoiaram a continuidade das negociações com a Sunrise Joint Venture sobre o código de mineração, os acordos fiscais e os contratos de partilha de produção.
Os ministros também manifestaram sua posição sobre a viabilidade econômica do projeto:
Os ministros reafirmaram seu compromisso com o desenvolvimento mutuamente benéfico e comercialmente viável do projeto Greater Sunrise.
A declaração abordou a contribuição do setor de minerais e mineração de Timor-Leste para o desenvolvimento econômico e a diversificação. A Austrália manifestou apoio a iniciativas destinadas a fortalecer a economia nacional, ampliar as fontes de receita e promover o desenvolvimento da iniciativa privada. Autoridades foram encarregadas de identificar futuras áreas de colaboração em minerais e mineração.
Os ministros também se comprometeram a trabalhar em marcos jurídicos e regulatórios que permitam transportar dióxido de carbono entre os países para armazenamento em reservatórios sob o mar. Essa é uma vertente distinta da cooperação bilateral. A declaração não confirma que um arranjo específico de armazenamento de carbono tenha sido aprovado como parte de Greater Sunrise.
O que ainda precisa ser aprovado e anunciado
O próximo passo imediato é a avaliação interna dos três instrumentos acordados. Timor-Leste indicou o Conselho de Ministros e o Parlamento Nacional como as instituições pelas quais suas aprovações serão processadas. O anúncio não informa a data de uma sessão parlamentar nem um prazo separado para a decisão australiana.
Assim, a estimativa de três meses é um cronograma de trabalho, não uma data de conclusão confirmada. Anúncios posteriores precisarão confirmar se as aprovações internas foram obtidas e como foram concluídas as decisões pertinentes dos órgãos de governança do tratado.
Além dessas aprovações, o conceito de desenvolvimento, o projeto detalhado e os documentos operacionais restantes definirão como o projeto avançará rumo à construção. O acordo de setembro reduz as questões jurídicas ainda pendentes nas negociações, mas deixa as escolhas práticas de desenvolvimento e o cronograma de construção para decisões futuras.
Principais pontos
- Foi alcançado um acordo técnico sobre o Código de Mineração de Petróleo, o Contrato de Partilha de Produção e o Regime Fiscal.
- A avaliação e a aprovação internas devem levar cerca de três meses a partir de setembro de 2026.
- O tratado atribui funções de aprovação ao Conselho de Governança e responsabilidades contratuais à Autoridade Designada.
- Timor-Leste recebe 70% da receita de exploração com um gasoduto até seu território, ou 80% com um gasoduto até a Austrália.
- Timor-Leste continua defendendo o processamento interno, mas o anúncio de setembro não indica o destino escolhido para o gasoduto.
- O conceito de desenvolvimento e o projeto detalhado devem se tornar o foco em 2027; nenhuma data para a construção ou o início da produção foi anunciada.






