Movimento Cockroach da Índia denuncia detenções em massa antes de protestos contra revisão do cadastro eleitoral

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India’s Cockroach Movement Reports Mass Detentions Ahead of Voter Roll Protests

Detenções se intensificam antes de manifestação planejada em Delhi

O Partido Janata das Baratas (CJP, na sigla em inglês) da Índia afirma que as autoridades detiveram milhares de seus apoiadores, estudantes e ativistas da oposição antes de um protesto planejado em Nova Delhi contra a revisão do cadastro eleitoral do país. O porta-voz do movimento, Ashutosh Ranka, estimou em 10 mil o número de detidos em todo o país, incluindo Deepak Baliyan, porta-voz nacional do CJP. As autoridades não confirmaram o número de imediato, e não foi possível verificar as alegações do grupo de forma independente.

Conteúdo
  1. Detenções se intensificam antes de manifestação planejada em Delhi
  2. O que é a revisão do cadastro eleitoral?
  3. Por que manifestantes denunciam viés político
  4. Protestos se espalham para além da capital
  5. Ação policial é criticada
  6. Um teste para a confiança pública
  7. Em resumo

Vídeos publicados nas redes sociais pareciam mostrar ativistas sendo levados em vans. O CJP também afirmou que um grupo de estudantes que viajava de ônibus de Pune para Delhi para participar da manifestação foi levado para um local desconhecido. O ato está marcado para sábado em Jantar Mantar, local designado para protestos na capital, onde, segundo relatos, a polícia instalou barricadas.

As detenções ocorreram após dias de manifestações de partidos de oposição, grupos estudantis e organizações da sociedade civil. Os manifestantes exigem a renúncia do comissário-chefe eleitoral, Gyanesh Kumar, e o fim da Revisão Intensiva Especial (SIR, na sigla em inglês), uma análise nacional das listas eleitorais. Eles alegam que o processo pode excluir eleitores aptos e favorecer o Partido Bharatiya Janata (BJP), do primeiro-ministro Narendra Modi. A Comissão Eleitoral e o governo negam interferência política e dizem que a revisão busca remover registros duplicados e de pessoas inelegíveis.

O CJP surgiu de uma campanha juvenil na internet e ganhou destaque nacional depois que protestos contra vazamentos de provas contribuíram para a renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, em julho. Desde então, o movimento passou a abordar questões mais amplas de responsabilização do governo e de instituições democráticas. A campanha atual testa se o sucesso anterior pode se repetir em uma questão que afeta a administração das eleições.

Em um protesto em Bengaluru, Khushi Shrivastava, estudante de arquitetura de 22 anos, disse que o direito ao voto é fundamental para a democracia e que pessoas que querem votar e se preocupam com o futuro da Índia correm o risco de ter esse direito negado. Os manifestantes carregavam cartazes com as frases “Cada nome conta, cada voto importa” e “Parem o assassinato da democracia”.

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O que é a revisão do cadastro eleitoral?

A SIR é uma verificação em larga escala das listas eleitorais da Índia, os registros oficiais que determinam quem pode votar. O processo começou em Bihar, antes das eleições estaduais, e foi ampliado para a maioria dos estados e territórios administrados pelo governo federal. Os eleitores precisam apresentar documentos que comprovem sua elegibilidade para permanecer cadastrados.

A Comissão Eleitoral afirma que a iniciativa remove registros duplicados, de pessoas mortas e de pessoas inelegíveis por outros motivos, ao mesmo tempo que garante a permanência de eleitores legítimos nas listas. Críticos dizem que as exigências de documentação podem ser confusas ou difíceis de cumprir, sobretudo para pessoas pobres e vulneráveis que talvez não tenham documentos antigos emitidos pelo governo. Quem tem o nome excluído pode recorrer, embora críticos afirmem que, na prática, pode ser difícil restabelecer o registro.

Mais de 130 milhões de nomes foram removidos das listas eleitorais, segundo números citados em reportagens sobre a revisão. A escala é expressiva em um país onde cerca de 969 milhões de pessoas estavam aptas a votar nas eleições gerais de 2024. Milhões recorreram das exclusões. Dados da Comissão Eleitoral também indicaram que as listas em algumas regiões podem encolher até 30%.

O número de exclusões, por si só, não determina quantas pessoas foram retiradas indevidamente. A principal controvérsia é se o processo de verificação distingue com precisão registros inelegíveis de pessoas que ainda têm direito ao voto e se os afetados conseguem contestar uma exclusão de maneira efetiva antes de uma eleição.

Por que manifestantes denunciam viés político

Partidos de oposição afirmam que eleitores legítimos com maior probabilidade de apoiá-los estão sendo excluídos, enquanto eleitores mais propensos a apoiar o BJP estão sendo mantidos ou incluídos. A Comissão Eleitoral e o governo rejeitam a acusação e dizem que as revisões não têm motivação política. O BJP descreveu a iniciativa como uma forma de remover o que chama de “infiltrados”.

A controvérsia se intensificou após relatos de que dois dos três comissários eleitorais se opuseram a decisões envolvendo inclusões e exclusões de eleitores, procedimentos de cadastro e sistemas digitais da comissão. Uma investigação apontou pelo menos 14 objeções em dez meses. A Comissão Eleitoral contestou relatos que as descreviam como objeções formais por escrito, afirmando que os comissários tinham opiniões e deliberações divergentes e que as decisões foram unânimes.

A Comissão Eleitoral da Índia é um órgão constitucional responsável por organizar eleições e manter as listas de eleitores. Suas decisões determinam quem pode participar das eleições, por isso a confiança pública em sua independência está no centro da disputa. A oposição pediu uma investigação sobre a conduta de Kumar, a suspensão da revisão atual e o uso de listas eleitorais anteriores em futuras votações. Alguns líderes oposicionistas também voltaram a pedir a retomada das cédulas de papel, argumentando que máquinas de votação eletrônica podem ser vulneráveis a manipulações. A comissão e o BJP rejeitam as alegações de que o sistema de votação esteja sendo manipulado.

A disputa também chegou aos tribunais. A Suprema Corte notificou o governo, a Comissão Eleitoral e Kumar e pediu que respondam a petições sobre a revisão. Em outro relato sobre o processo, o tribunal pediu respostas claras e transparentes. A corte não ordenou a suspensão do processo, e a comissão afirmou que comparará as listas atuais com as anteriores e fará visitas domiciliares para verificar os casos de pessoas cujos nomes desapareceram.

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Protestos se espalham para além da capital

As manifestações se estenderam muito além de Delhi. Apoiadores do CJP protestaram em Bengaluru, enquanto atos e iniciativas de organização foram relatados em cidades como Mumbai. Em Bengaluru, o ator Prakash Raj e apoiadores do CJP realizaram uma “Adalat do Povo” no Freedom Park, onde moradores apresentaram documentos e manifestaram preocupação com formulários de cadastro eleitoral. Em Hyderabad, partidos de oposição liderados pelo Comitê do Congresso de Telangana marcharam em direção ao Lok Bhavan para exigir a suspensão da revisão e a saída de Kumar.

Grupos do Congresso em Karnataka também fizeram uma manifestação com bandeiras pretas, protestando contra a detenção de líderes da oposição e pedindo fiscalização das empresas privadas envolvidas na coleta de dados. O movimento e seus apoiadores afirmam que a questão vai além da disputa entre partidos: pessoas excluídas indevidamente podem perder a capacidade de participar das eleições se não conseguirem navegar pelo processo de recurso.

Uma análise das manifestações registrou 278 protestos em 26 dos 28 estados da Índia nos dez dias até 2 de outubro, um ritmo muito acima do nível habitual dos 18 meses anteriores. Segundo os relatos, mais de nove em cada dez ocorreram pacificamente. Os números são provisórios e dependem dos critérios usados para registrar os protestos, mas ilustram o alcance geográfico da insatisfação.

Os dados também sugerem que partidos de oposição, especialmente o Congresso e seus aliados, tiveram papel central na campanha mais ampla. O CJP foi um organizador de destaque, embora sua participação nos protestos registrados até agora pareça menor do que durante a campanha de julho contra o vazamento de provas. Segundo a mesma análise, aquela onda de protestos avançou a um ritmo diário aproximadamente duas vezes maior nos dez dias finais.

Ação policial é criticada

O tratamento dado aos manifestantes se tornou um segundo foco da disputa. Rahul Gandhi, líder da oposição, foi detido brevemente quando tentava chegar a um local de protesto em Delhi, naquela que foi descrita como sua terceira detenção em dois dias. Seu Partido do Congresso acusou a polícia de usar “força bruta”. A polícia de Delhi afirmou que as acusações estavam sendo usadas para difamar a corporação, enquanto Gaurav Bhatia, porta-voz do BJP, as classificou como alegações infundadas de uma oposição irresponsável.

A Anistia Internacional Índia criticou o uso de ordens que proíbem reuniões, detenções e restrições relatadas ao acesso à internet e ao transporte público durante protestos em Delhi e Mumbai. A organização afirmou que o direito à reunião pacífica é protegido pela Constituição da Índia e pelo direito internacional dos direitos humanos, e argumentou que deter pessoas apenas por pretenderem protestar pode violar os direitos à liberdade e à reunião. Essas são as avaliações declaradas pela Anistia; os relatos das autoridades e a base legal para cada detenção não foram estabelecidos em todos os casos.

A legislação indiana permite impor restrições a reuniões públicas em nome da ordem pública. Organizações de defesa de direitos argumentam que o uso amplo ou rotineiro desses poderes pode impedir protestos pacíficos e dificultar que as pessoas se organizem, se comuniquem e documentem ações policiais. As alegações do CJP sobre detenções em massa continuam sem verificação, mas os relatos ampliaram as preocupações sobre a liberdade de manifestação às vésperas do ato planejado em Delhi.

Um teste para a confiança pública

A controvérsia sobre o cadastro eleitoral se desenrola em meio a uma disputa política mais ampla. Os protestos oferecem aos partidos de oposição uma pauta comum e atraíram jovens para a política de rua após a campanha do CJP contra o vazamento de provas. Ao mesmo tempo, as acusações continuam sendo contestadas, e os números disponíveis sobre exclusões não determinam se a revisão favoreceu sistematicamente algum partido.

Para os eleitores, o que está em jogo de imediato é prático: saber se seus nomes constam nas listas e se conseguem corrigir erros a tempo de votar. Para a Comissão Eleitoral, o desafio é demonstrar que a verificação é justa, explicar as regras de maneira acessível e oferecer um meio eficaz para que as pessoas recorram. A fiscalização judicial e a pressão pública aumentaram, enquanto a comissão afirma que continua as verificações.

A manifestação planejada será mais uma medida do apoio que a campanha consegue mobilizar e da resposta das autoridades. A discussão central vai além do tamanho dos protestos: trata da possibilidade de os eleitores confiarem na instituição que decide quem está apto a participar das eleições na Índia.

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Em resumo

  • O CJP afirma que as autoridades detiveram 10 mil pessoas em todo o país antes de uma manifestação planejada em Delhi; a alegação não foi verificada de forma independente.
  • Mais de 130 milhões de nomes foram removidos das listas eleitorais durante a Revisão Intensiva Especial, e milhões de pessoas recorreram.
  • A Comissão Eleitoral afirma que a revisão remove registros duplicados e de pessoas inelegíveis; partidos de oposição alegam que eleitores aptos podem ser excluídos e contestam a neutralidade política do processo.
  • Os protestos se espalharam por vários estados, enquanto detenções e restrições às manifestações foram criticadas por organizações de defesa de direitos.
  • A Suprema Corte pediu respostas ao governo e à Comissão Eleitoral sobre petições que contestam a revisão.
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