A AIEA alerta que a Coreia do Norte está ampliando o enriquecimento de urânio em Yongbyon e Kangson

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A AIEA alerta que a Coreia do Norte está ampliando o enriquecimento de urânio em Yongbyon e Kangson

Uma rede de produção nuclear em expansão

A Coreia do Norte construiu uma nova instalação de enriquecimento de urânio de dois andares em seu principal complexo nuclear, em Yongbyon. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) descreveu o desenvolvimento como motivo de séria preocupação. Segundo uma avaliação da AIEA baseada em imagens de satélite e fotografias divulgadas pela mídia estatal norte-coreana, o prédio pode abrigar até 28 cascatas de centrífugas.

Conteúdo
  1. Uma rede de produção nuclear em expansão
  2. O que a AIEA encontrou em Yongbyon
  3. Por que 28 cascatas são importantes
  4. Kangson representa uma segunda preocupação
  5. Como a agência monitora a Coreia do Norte
  6. Um programa acelerado sob Kim Jong Un
  7. Por que as sanções não impediram a construção
  8. Seul propôs negociações
  9. O que significam as novas instalações
  10. Em resumo

A agência também identificou sinais de que um anexo ampliado na instalação de enriquecimento de Kangson, perto de Pyongyang, começou a operar em janeiro. Em conjunto, as atividades sugerem que a Coreia do Norte está aumentando sua capacidade de produzir urânio altamente enriquecido em mais de um local, o que torna seu programa nuclear mais difícil de monitorar e conter.

O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, afirmou que a operação contínua e a expansão das instalações de enriquecimento violam resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas. As conclusões vêm em um momento em que o líder norte-coreano, Kim Jong Un, continua apresentando as armas nucleares como elemento central da política de segurança e da identidade nacional do país.

O que a AIEA encontrou em Yongbyon

Yongbyon é o complexo nuclear mais conhecido da Coreia do Norte. Há muito tempo, o local está associado à produção de plutônio e urânio enriquecido, dois materiais que podem ser usados em armas nucleares. Acredita-se que o prédio recém-identificado seja a segunda instalação de enriquecimento de urânio do complexo.

Segundo a avaliação da AIEA, a construção começou em dezembro de 2024. As obras externas foram concluídas vários meses depois, seguidas pela instalação de equipamentos elétricos, geradores de emergência e sistemas de refrigeração. Imagens de satélite também mostraram pelo menos uma unidade de refrigeração em funcionamento no início deste ano.

Fotografias da visita de Kim à instalação em 3 de junho mostraram cascatas de centrífugas nos dois andares do prédio. Uma cascata é um conjunto de centrífugas conectadas em etapas. Cada centrífuga aumenta a concentração do isótopo de urânio necessário à produção de armas, separando-o de outras formas de urânio.

A AIEA não conseguiu confirmar quantas centrífugas foram instaladas, com que eficiência operam ou se todas as cascatas estão em funcionamento. A estimativa de 28 cascatas se refere à capacidade potencial do prédio, e não a um volume de produção verificado.

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Por que 28 cascatas são importantes

O tamanho da instalação dá aos analistas externos uma indicação do possível aumento da capacidade de produção da Coreia do Norte. Um estudo citado na pesquisa estima que 28 cascatas poderiam conter cerca de 4.592 centrífugas e produzir aproximadamente 85 quilos de urânio altamente enriquecido para uso militar por ano, se operadas nos níveis esperados.

Essa quantidade poderia ser suficiente para cerca de três ou quatro ogivas nucleares adicionais por ano, considerando a estimativa de aproximadamente 20 quilos de urânio altamente enriquecido por ogiva. Trata-se de uma estimativa, não de um índice de produção norte-coreano confirmado. O resultado dependeria do projeto e do desempenho das centrífugas, da qualidade do material de alimentação, do cronograma de operação e da quantidade de urânio necessária para cada arma.

Outras estimativas citadas na pesquisa calculam que a produção anual atual da Coreia do Norte de urânio altamente enriquecido seja de aproximadamente 215 a 232 quilos. Se a nova instalação de Yongbyon alcançar sua capacidade potencial, a produção anual do país poderá superar 300 quilos. Esses cálculos continuam incertos porque o país restringe o acesso e oculta boa parte de sua infraestrutura nuclear.

O significado desse desenvolvimento vai além do possível número de novas ogivas. Uma capacidade maior de enriquecimento dá a Pyongyang mais flexibilidade para manter um arsenal existente, repor material usado em armas e ampliar seus estoques sem depender de um único local.

Kangson representa uma segunda preocupação

A avaliação da AIEA também aponta atividades em Kangson, um complexo de enriquecimento perto da capital norte-coreana. Um anexo foi construído ao lado da instalação existente em 2024, e a agência encontrou sinais de que as operações começaram ali em janeiro deste ano.

A agência não conseguiu determinar se urânio altamente enriquecido está sendo produzido dentro do anexo. No entanto, afirmou que a Coreia do Norte descreveu o local como uma base para a produção de material nuclear para uso militar e que não se pode descartar a possibilidade de produção desse tipo de material.

As observações por satélite também indicaram que a instalação original de enriquecimento de urânio em Yongbyon permaneceu ativa durante o período analisado. A AIEA relatou ainda sinais de que o reprocessamento de combustível nuclear usado para extrair plutônio pode ter sido concluído. Plutônio e urânio altamente enriquecido são materiais diferentes, mas ambos podem contribuir para a produção de armas nucleares.

As atividades em dois locais distintos são relevantes para o monitoramento e a segurança. Instalações distribuídas por áreas diferentes podem reduzir o impacto de qualquer interrupção em um local e dificultar que governos estrangeiros obtenham um quadro completo da produção. Edward Howell, professor da Universidade de Oxford, descreveu as instalações ocultas como uma preocupação central na avaliação do programa nuclear da Coreia do Norte.

O que torna o programa nuclear da Coreia do Norte tão preocupante é que muitas de suas instalações são desconhecidas, ficam ocultas e, por isso, são difíceis de atingir.

Howell também mencionou instalações fora de Yongbyon, incluindo Kangson, e afirmou que a doutrina nuclear norte-coreana está estreitamente ligada tanto à política externa quanto à política interna do país. Essa avaliação reflete os limites enfrentados por governos que dependem de observações remotas, em vez de inspeções diretas.

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Como a agência monitora a Coreia do Norte

A AIEA não tem inspetores dentro da Coreia do Norte desde que Pyongyang os expulsou em 2009. Agora, a agência depende de imagens de satélite, informações disponíveis publicamente e fotografias divulgadas pelas autoridades norte-coreanas. Esse método pode revelar obras, mudanças em prédios, movimentação de veículos, consumo de energia e atividade de refrigeração, mas não oferece o mesmo grau de certeza que inspeções presenciais.

Neste caso, a agência comparou imagens da visita de Kim em junho com fotografias comerciais de satélite feitas durante a construção. A comparação permitiu identificar a localização e a provável finalidade do prédio. As fotografias da mídia estatal também mostraram cascatas de centrífugas instaladas nos dois andares.

Vários detalhes continuam desconhecidos. A AIEA não consegue verificar o número exato de máquinas, suas especificações técnicas, o ritmo de operação ou a quantidade de urânio enriquecido produzida. Também não pode inspecionar áreas de armazenamento nem confirmar se o material foi transferido para outros locais.

Essas lacunas fazem com que as estimativas públicas sejam apresentadas como intervalos, e não como números precisos. O sistema político fechado da Coreia do Norte e seu histórico de ocultação de instalações nucleares aumentam a dificuldade. A agência consegue identificar sinais de atividade, mas não pode contabilizar de forma independente todo o material nuclear nem determinar o tamanho total do arsenal do país.

Um programa acelerado sob Kim Jong Un

As atividades nucleares da Coreia do Norte se expandiram sob Kim Jong Un, que supervisionou um grande número de testes de mísseis e fez repetidos apelos por uma força nuclear mais poderosa. O país testa mísseis balísticos intercontinentais desde 2017, o que lhe dá um possível sistema de lançamento projetado para alcançar alvos muito além da Península Coreana.

Pyongyang realizou seis testes de armas nucleares. O mais recente ocorreu em setembro de 2017. A Coreia do Norte se declarou um Estado com armas nucleares em 2022 e afirmou que esse status é irreversível. Também declarou que não abrirá mão de suas armas nucleares.

Autoridades norte-coreanas rejeitam a autoridade da AIEA. Em uma declaração citada na pesquisa, a missão do país junto às Nações Unidas em Viena argumentou que a agência não tem o direito legal de interferir nos assuntos internos de um Estado com armas nucleares que não faz parte do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. A Coreia do Norte se retirou do tratado em 2003, após anos de disputas com os Estados Unidos e inspetores internacionais.

A AIEA e as Nações Unidas não aceitam a posição da Coreia do Norte como justificativa para ignorar as resoluções do Conselho de Segurança. Essas resoluções proíbem o país de realizar testes nucleares e desenvolver tecnologias relacionadas a armas nucleares, incluindo programas de enriquecimento de urânio e de mísseis balísticos.

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Por que as sanções não impediram a construção

A Coreia do Norte enfrenta amplas sanções internacionais por seus programas nucleares e de mísseis. As medidas restringem o comércio, as atividades financeiras, a transferência de tecnologia e o acesso a equipamentos que poderiam apoiar a produção de armas. Elas aumentaram o custo do programa, mas não impediram a construção nem as pesquisas no país.

É difícil rastrear equipamentos de enriquecimento porque os componentes das centrífugas são relativamente compactos e podem ser produzidos ou montados por meio de redes clandestinas. Os prédios também podem ser apresentados como instalações industriais civis. A capacidade da Coreia do Norte de construir novos locais enquanto limita o acesso externo mostra por que a aplicação das sanções depende do compartilhamento de informações de inteligência, de inspeções e da cooperação entre países vizinhos.

O programa nuclear também recebe prioridade em um país que enfrenta graves dificuldades econômicas. Uma estimativa de 2022 de um grupo de pesquisa sobre não proliferação nuclear calculou em cerca de US$ 640 milhões os gastos anuais da Coreia do Norte com seu arsenal nuclear. O valor exato é difícil de verificar, mas ilustra os recursos que Pyongyang continua destinando ao desenvolvimento de armas.

Para a Coreia do Sul, o Japão e os Estados Unidos, um arsenal maior pode afetar o planejamento militar e as decisões diplomáticas. Também pode aumentar o risco de erros de cálculo durante uma crise, especialmente quando testes de mísseis, exercícios militares ou tensões políticas ocorrem ao mesmo tempo.

Seul propôs negociações

Em agosto, o presidente sul-coreano Lee Jae Myung propôs negociações com a Coreia do Norte para encerrar formalmente a guerra entre os dois países. A Guerra da Coreia terminou em 1953 com um armistício, e não com um tratado de paz, o que significa que os dois lados continuam tecnicamente em guerra.

Lee afirmou que as conversas sobre o fim formal do conflito também poderiam abordar formas de interromper o avanço das capacidades nucleares da Coreia do Norte. Pyongyang não respondeu à proposta. No passado, a Coreia do Norte rejeitou negociações quando considerou que o objetivo era forçá-la a abandonar seu arsenal.

Lee também afirmou que apoiaria um acordo entre Kim e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para congelar a produção nuclear norte-coreana. Um congelamento da produção ficaria aquém do desarmamento completo, mas poderia limitar a expansão do arsenal se inspetores tivessem permissão para verificar o cumprimento dos termos.

As conclusões mais recentes da AIEA tornam esse congelamento mais difícil de negociar. Novos prédios e instalações ampliadas levantam novas questões sobre o que precisaria ser incluído, como o material existente seria contabilizado e se instalações não declaradas poderiam ser encontradas e monitoradas.

O que significam as novas instalações

O prédio de Yongbyon e o anexo de Kangson não estabelecem, por si só, o número exato de armas nucleares que a Coreia do Norte possui. As estimativas geralmente indicam que o país tem dezenas de ogivas, enquanto os cálculos da produção anual variam bastante. As novas evidências mostram que Pyongyang continua investindo na infraestrutura necessária para aumentar esse número.

Grossi afirmou que as conclusões da agência representam uma violação contínua das resoluções do Conselho de Segurança. O alerta também reflete um problema mais amplo: sem inspetores em campo, a comunidade internacional pode descobrir uma expansão apenas depois que os prédios estiverem concluídos e os equipamentos, instalados.

A decisão da Coreia do Norte de exibir partes da instalação durante a visita de Kim pode ter servido a vários propósitos. Poderia demonstrar avanços técnicos ao público interno, sinalizar força a governos estrangeiros e sustentar a afirmação de Kim de que o país pode ampliar suas forças nucleares apesar das sanções. As fotografias também forneceram aos analistas evidências valiosas que, de outra forma, não estariam disponíveis.

Espera-se que a AIEA mantenha a questão norte-coreana na pauta de sua Conferência Geral em Viena. Suas avaliações não podem interromper a construção, mas criam um registro público das atividades e ajudam os governos a avaliar a escala e a direção do programa de Pyongyang.

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Em resumo

  • A Coreia do Norte construiu uma instalação de enriquecimento de urânio de dois andares em Yongbyon.
  • O prédio pode abrigar até 28 cascatas de centrífugas, embora não se saiba quantas estão em funcionamento.
  • A AIEA encontrou sinais de que um anexo ampliado em Kangson começou a operar em janeiro.
  • Imagens de satélite e fotografias da mídia estatal são usadas porque não há inspetores da AIEA no país desde 2009.
  • Analistas estimam que a nova instalação de Yongbyon poderia produzir urânio altamente enriquecido suficiente para cerca de três ou quatro ogivas por ano.
  • A Coreia do Norte afirma que seu status de Estado com armas nucleares é irreversível, enquanto a AIEA diz que a expansão nuclear viola resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
  • A Coreia do Sul propôs negociações que poderiam incluir medidas para interromper o crescimento da produção nuclear norte-coreana.
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