Surto de leptospirose leva hospitais da região metropolitana de Manila à capacidade máxima após enchentes

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Hospitais enfrentam dificuldades com aumento de infecções relacionadas às enchentes

Hospitais da região metropolitana de Manila enfrentam um forte aumento nos casos de leptospirose após semanas de chuvas intensas e enchentes generalizadas. O Instituto Nacional de Nefrologia e Transplantes, na cidade de Quezon, limitou o atendimento de emergência por demanda espontânea porque todos os leitos estão ocupados.

Conteúdo
  1. Hospitais enfrentam dificuldades com aumento de infecções relacionadas às enchentes
  2. Por que a água das enchentes oferece risco de leptospirose
  3. Os sintomas podem começar como uma febre comum
  4. Autoridades de saúde recomendam buscar orientação médica cedo
  5. Casos são registrados em várias partes das Filipinas
  6. A leptospirose faz parte de uma crise de saúde mais ampla causada pelas enchentes
  7. Controle de enchentes e pressões climáticas agravam o problema
  8. O que os moradores podem fazer após a exposição às enchentes
  9. Principais pontos

Em um comunicado divulgado no domingo, o hospital informou que dará prioridade a pacientes que precisem de tratamento e internação urgentes ou críticos. Pessoas que procuram atendimento eletivo ou não emergencial foram orientadas a entrar em contato com seus médicos responsáveis, enquanto pacientes que possam ser tratados em outros locais foram aconselhados a procurar unidades com leitos disponíveis.

O alerta reflete a pressão sobre o sistema de saúde da capital depois que as águas das enchentes atingiram comunidades em toda a região metropolitana de Manila e nas províncias próximas. O Hospital San Lazaro, centro nacional de referência em doenças infecciosas do país, registrou 50 pacientes com leptospirose e duas mortes durante a mais recente alta de casos. A unidade abriu uma fila expressa para pessoas com suspeita da doença.

Autoridades de saúde também relataram oito novos casos em Manila em um único dia, após chuvas persistentes associadas à monção de sudoeste. Até o início de agosto, o departamento de saúde da cidade de Manila havia registrado 111 casos de leptospirose desde o começo do ano, além de milhares de casos de dengue e outras doenças associadas à estação chuvosa.

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Por que a água das enchentes oferece risco de leptospirose

A leptospirose é causada por bactérias do grupo Leptospira. As bactérias são disseminadas com frequência pela urina de ratos e outros animais infectados. Quando a água das enchentes passa por ruas, casas, áreas de descarte de lixo e sistemas de drenagem, pode levar as bactérias a locais onde as pessoas vivem e trabalham.

As pessoas podem se infectar quando água ou lama contaminadas entram em cortes, arranhões ou outras lesões na pele. Especialistas em saúde também alertam que a exposição prolongada pode permitir a entrada das bactérias pela pele amolecida, mesmo quando não há feridas visíveis. A ingestão de água ou alimentos contaminados é outra possível via de transmissão.

Em condições adequadas, as bactérias podem sobreviver na água e no solo úmido por semanas ou meses. Por isso, as enchentes podem criar um risco à saúde que persiste mesmo depois que as ruas começam a secar. Pessoas que limpam casas, manuseiam lama, trabalham em mercados alagados ou caminham por água parada podem continuar expostas durante o período de recuperação.

A doença é especialmente comum nas Filipinas durante os meses chuvosos, geralmente de junho a novembro. Os sintomas podem surgir já dois dias após a exposição ou até 30 dias depois. A maioria dos pacientes apresenta sintomas entre sete e 14 dias, embora o prazo varie.

Os sintomas podem começar como uma febre comum

No início, a leptospirose pode se parecer com gripe ou outras infecções. Entre os sintomas comuns estão febre, dor de cabeça, calafrios, dores musculares ou no corpo, náusea, vômitos, cansaço e olhos vermelhos. Alguns pacientes apresentam diarreia ou erupção cutânea.

Sinais de alerta mais graves incluem pele ou olhos amarelados, urina escura, diminuição do volume de urina, dor intensa nas panturrilhas, dificuldade para respirar e sangramentos incomuns. Esses sintomas podem indicar danos aos rins, ao fígado ou aos pulmões e exigem atendimento médico imediato.

Cerca de 5% dos casos evoluem para leptospirose grave, às vezes chamada de síndrome de Weil. Essa forma pode causar insuficiência renal, lesão hepática, sangramentos e hemorragia pulmonar. A taxa de mortalidade estimada entre os pacientes é de cerca de 10% a 15%, especialmente quando a doença grave é diagnosticada tardiamente ou o tratamento demora a começar.

Os médicos podem avaliar a doença com base no histórico de exposição do paciente, nos sintomas, no exame físico e em exames laboratoriais. Como a leptospirose pode se parecer com dengue, febre tifoide, gripe e outras infecções, é necessário procurar avaliação profissional, em vez de confiar apenas nos sintomas.

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Autoridades de saúde recomendam buscar orientação médica cedo

O Departamento de Saúde emitiu um alerta Código Branco e está monitorando o aumento esperado de casos após as enchentes. O alerta busca reforçar a preparação dos hospitais e garantir que as unidades de saúde possam responder ao aumento de pacientes que precisam de atendimento urgente.

O departamento orientou as pessoas que caminharam por água de enchente ou tiveram contato com lama a procurar um centro de saúde ou médico em até 24 a 48 horas, mesmo que se sintam bem. Um profissional de saúde pode avaliar o grau de exposição e decidir se o tratamento preventivo é adequado.

O Departamento de Saúde informou que antibióticos preventivos, muitas vezes chamados de profilaxia, podem ser considerados para pessoas em risco. A doxiciclina é comumente usada em alguns contextos após a exposição, mas deve ser prescrita ou recomendada por um profissional de saúde qualificado. Ela não é indicada para todos, incluindo algumas gestantes, lactantes e pessoas com determinadas condições médicas. Outros medicamentos podem ser considerados quando a doxiciclina não for segura.

Tomar antibióticos sem orientação médica pode causar efeitos colaterais e levar as pessoas a ignorar sintomas que precisam ser monitorados. A doxiciclina pode causar desconforto estomacal e aumentar a sensibilidade à luz solar, enquanto outros medicamentos também apresentam riscos. Os moradores devem informar aos profissionais de saúde sobre gravidez, alergias, doenças preexistentes e medicamentos que já tomam.

Quem teve contato com água de enchente deve observar se apresenta febre, dor de cabeça, dores musculares, olhos vermelhos, vômitos, pele amarelada ou diminuição da urina durante o mês seguinte à exposição. Quem apresentar sintomas graves deve procurar atendimento de emergência, sem esperar que a doença melhore.

Casos são registrados em várias partes das Filipinas

O aumento mais recente vai além da região metropolitana de Manila. Dados do Departamento de Saúde citados durante a atual resposta às enchentes apontam 3.760 casos de leptospirose em todo o país, e autoridades esperam que o número aumente à medida que pessoas expostas desenvolvam sintomas. Uma contagem separada do departamento registrou 2.396 casos entre 8 de junho e 7 de agosto, mostrando como os totais podem mudar rapidamente à medida que são adicionados os registros dos órgãos de saúde locais.

Números de datas e áreas de abrangência diferentes não devem ser somados diretamente, embora mostrem a dimensão da preocupação nacional. A região da capital concentra uma grande parcela dos casos devido à alta densidade populacional, às extensas áreas pavimentadas, à drenagem obstruída e ao contato frequente dos moradores com a água das enchentes.

A província de Iloilo registrou pelo menos 10 mortes por leptospirose nos primeiros oito meses do ano, o dobro do número registrado no mesmo período de 2025. Em Negros Occidental, autoridades relataram 90 casos e quatro mortes após enchentes associadas ao tufão Tino. As autoridades da província alertaram que o total pode aumentar.

As enchentes também atingiram a região central de Luzon, incluindo Pampanga, Bataan e Bulacan. Dezenas de cidades e municípios declararam estado de calamidade depois que a monção de sudoeste e ciclones tropicais causaram alagamentos graves. Em Pampanga, grandes áreas continuavam debaixo d’água, afetando quase um milhão de pessoas e danificando terras agrícolas. Milhares de moradores foram retirados de suas casas em Bataan.

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A leptospirose faz parte de uma crise de saúde mais ampla causada pelas enchentes

As enchentes criam condições para várias doenças ao mesmo tempo. A leptospirose está associada à água contaminada e à urina de animais. A febre tifoide pode se espalhar quando o esgoto contamina alimentos ou água potável. Os casos de dengue podem aumentar quando a chuva deixa pequenas poças onde mosquitos Aedes põem seus ovos.

Dados de saúde da cidade de Quezon citados por especialistas médicos registraram 6.981 casos de dengue entre janeiro e agosto, um aumento de 155% em relação ao mesmo período do ano anterior. Autoridades locais disseram que crianças de até 10 anos estavam entre as mais afetadas. Dados apresentados durante um debate sobre clima e saúde também apontaram 521 casos de leptospirose e 74 mortes na cidade até o fim de agosto.

Esses números podem abranger períodos de registro e definições de casos diferentes, por isso devem ser vistos como indicadores da pressão sobre os serviços de saúde locais, e não como um único total consolidado do surto. A preocupação prática é que pacientes com febre, desidratação, lesão renal ou problemas respiratórios causados por diferentes doenças podem chegar aos hospitais ao mesmo tempo.

A febre tifoide costuma causar febre alta prolongada, dor abdominal, cansaço e alterações no funcionamento do intestino. A dengue pode começar com febre, dor de cabeça e dores no corpo, antes que surjam sangramentos perigosos ou choque após a queda da febre. A leptospirose também pode causar febre e dores musculares, o que torna essencial uma avaliação médica precoce.

Os moradores devem evitar tomar aspirina ou ibuprofeno quando houver suspeita de dengue, pois esses medicamentos podem aumentar o risco de sangramento. Profissionais de saúde podem orientar sobre opções mais seguras para tratar a febre enquanto exames e observação ajudam a determinar a causa.

Controle de enchentes e pressões climáticas agravam o problema

Especialistas em saúde relacionaram os surtos recorrentes a fatores que vão além da exposição individual. O dr. Ramon San Pascual, diretor-executivo da Healthcare Without Harm Southeast Asia, descreveu o problema mais amplo durante um fórum sobre clima e saúde.

"A crise climática é uma crise de saúde", disse San Pascual.

Ele afirmou que eventos climáticos extremos e mudanças graduais no clima já afetam a saúde pública, e que as enchentes contribuem para o aumento de doenças transmitidas por animais e insetos. A leptospirose é classificada como uma doença sensível ao clima porque condições mais quentes e úmidas e chuvas intensas podem aumentar o contato entre água contaminada, roedores e pessoas.

Outros especialistas questionaram se os projetos de controle de enchentes existentes estão protegendo as comunidades de chuvas cada vez mais intensas. O dr. Alfredo Mahar Lagmay, do Instituto de Resiliência da Universidade das Filipinas, afirmou que grandes investimentos públicos em prevenção de desastres nem sempre resultaram em proteção eficaz contra alagamentos extremos.

Durante o mesmo fórum, especialistas mencionaram gastos de pelo menos 157 bilhões de pesos em prevenção e mitigação de desastres em 2021 e quase 78 bilhões de pesos em 2022. Os valores incluem diversos projetos de controle de enchentes. Desde então, o governo determinou a revisão dos projetos em meio a denúncias de corrupção, obras malfeitas e planejamento ineficaz.

Para os serviços de saúde, os efeitos incluem hospitais lotados, escassez de medicamentos preventivos e interrupções no atendimento de rotina. A dra. Annabelle Sinlao, da Faculdade de Medicina da Universidade Central de Manila, disse que os estoques de doxiciclina já ficaram escassos após grandes enchentes. A falta do medicamento pode atrasar a prevenção para pessoas expostas, especialmente em comunidades densamente povoadas.

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O que os moradores podem fazer após a exposição às enchentes

A opção mais segura é evitar a água das enchentes sempre que possível. Quem precisar entrar nela deve usar botas, luvas e roupas que cubram a pele. Cortes e arranhões devem ser cobertos com curativos impermeáveis, e as mãos e áreas expostas da pele devem ser lavadas depois com água limpa e sabão.

Os moradores devem evitar comer alimentos ou beber água que possam ter sido atingidos pela água das enchentes. A água para consumo deve vir de uma fonte segura ou ser fervida ou tratada conforme as orientações de saúde pública. As casas devem ser limpas com equipamentos de proteção, e o lixo precisa ser manuseado com cuidado, pois os ratos podem se deslocar para novas áreas depois das enchentes.

Quem teve contato com água de enchente deve procurar um centro de saúde em até 24 a 48 horas para receber orientação, mesmo sem apresentar sintomas. As pessoas devem informar a data, a duração e o tipo de exposição, se tinham feridas abertas e se engoliram água.

Os hospitais pedem que pacientes com necessidades não urgentes entrem em contato com seus médicos antes de comparecer. Isso pode reduzir a lotação e permitir que os serviços de emergência priorizem pessoas com infecções graves, problemas respiratórios, insuficiência renal ou outras complicações perigosas.

Principais pontos

  • O Instituto Nacional de Nefrologia e Transplantes, na cidade de Quezon, limitou o atendimento de emergência por demanda espontânea porque todos os leitos estão ocupados.
  • O Hospital San Lazaro registrou 50 casos de leptospirose e duas mortes durante o aumento mais recente de casos em Manila.
  • A água das enchentes pode transportar bactérias Leptospira provenientes da urina de animais infectados.
  • Os sintomas podem aparecer entre dois e 30 dias após a exposição.
  • A doença grave pode causar insuficiência renal, lesão hepática e hemorragia pulmonar.
  • O Departamento de Saúde recomenda que pessoas expostas busquem orientação médica em até 24 a 48 horas.
  • Antibióticos preventivos só devem ser usados após avaliação de um profissional de saúde.
  • A dengue e a febre tifoide também estão pressionando os hospitais após as enchentes.
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