Líder étnico de Mianmar acusa o mundo de ignorar a guerra aérea mortal da junta, enquanto civis pagam o preço

16 min de leitura
Líder étnico de Mianmar acusa o mundo de ignorar a guerra aérea mortal da junta, enquanto civis pagam o preço

Um grito vindo das montanhas: líder shan rompe o silêncio

De seu quartel-general isolado no alto das montanhas de Loi Tai Leng, situado entre colinas cobertas de florestas na fronteira com a Tailândia, o general Yawd Serk transmitiu uma mensagem contundente à comunidade internacional. O presidente do Conselho de Restauração do Estado Shan (RCSS), um dos grupos armados étnicos mais influentes de Mianmar, acusou líderes mundiais de fazer vista grossa enquanto a junta militar no poder intensifica uma campanha de ataques aéreos mortais contra a população civil. A Reuters foi o único veículo internacional presente no primeiro encontro do líder com a imprensa em anos, uma coletiva realizada poucos dias depois de os militares consolidarem seu domínio do poder por meio de eleições amplamente criticadas, realizadas em áreas limitadas do país devastado pelo conflito.

Conteúdo
  1. Um grito vindo das montanhas: líder shan rompe o silêncio
  2. A anatomia de uma guerra aérea
  3. A sombra da China sobre o estado Shan
  4. Pequim e a engenharia eleitoral
  5. O pacificador relutante: o RCSS e o cessar-fogo
  6. Um cenário fragmentado: alianças e traições
  7. A busca por responsabilização
  8. O essencial

"A população civil está sofrendo, e quero que a comunidade internacional não ignore isso", afirmou enfaticamente o general Yawd Serk. Suas palavras carregavam o peso de um conflito que consome Mianmar desde o golpe de fevereiro de 2021, que derrubou o governo democraticamente eleito da ganhadora do Nobel da Paz Aung San Suu Kyi. Os dados que sustentam sua acusação são alarmantes. Segundo o Myanmar Peace Monitor, ataques aéreos atingiram mais de 1.000 locais civis ao longo de 15 meses de intensificação do conflito. Somente desde o fim de 2024, esses ataques mataram pelo menos 1.728 civis, de acordo com registros do Ministério dos Direitos Humanos do Governo de Unidade Nacional.

O momento da manifestação do general Yawd Serk evidencia a encruzilhada crítica em que Mianmar se encontra. O Partido da União, Solidariedade e Desenvolvimento (USDP), apoiado pelos militares, reivindicou a vitória em janeiro, após eleições realizadas em etapas entre o fim de 2025 e o início de 2026, conquistando 739 das 1.025 cadeiras em disputa. As Nações Unidas e organizações internacionais de direitos humanos denunciaram a votação como uma encenação destinada a consolidar o poder militar sob uma fachada civil. Espera-se que o general sênior Min Aung Hlaing assuma a presidência. Mas, mesmo enquanto a junta encena essas manobras políticas, suas aeronaves continuam despejando destruição sobre vilarejos, escolas, edifícios religiosos e campos de deslocados.

"Hoje em dia, não conseguimos nem pensar em quem podemos confiar", acrescentou o general Yawd Serk, expressando o sentimento de abandono vivido por muitos nas regiões fronteiriças de Mianmar. O RCSS controla um território estratégico entre a China e a Tailândia, o que coloca suas forças no centro de uma disputa geopolítica que vai muito além do campo de batalha.

Publicidade

A anatomia de uma guerra aérea

A dependência da junta militar do poder aéreo representa tanto uma mudança tática quanto uma admissão do fracasso na guerra terrestre. À medida que forças pró-democracia e organizações armadas étnicas conquistam território em grandes áreas de Mianmar, o Tatmadaw (as Forças Armadas de Mianmar) recorre cada vez mais a caças, helicópteros de combate e até aeronaves de transporte adaptadas para projetar força. A junta afirma que tem como alvo terroristas, mas os locais atingidos apontam para outro padrão. Em 8 de fevereiro, caças da junta bombardearam uma igreja batista no vilarejo de Chinpiang, no município de Matupi, enquanto fiéis participavam do culto de domingo. Pelo menos três civis, incluindo uma criança, morreram e outras pessoas ficaram feridas. No mesmo dia, ataques danificaram um salão budista de Dhamma na cidade de Mindat e destruíram áreas residenciais em Kanpetlet.

Antes disso, em 8 de outubro de 2025, um ataque aéreo atingiu um monastério que abrigava civis deslocados no vilarejo de Makyikone, no município de Natogyi. Daw Kyin, de 45 anos, morreu, e pelo menos outras dez pessoas, incluindo crianças, ficaram feridas. O monastério servia de refúgio para moradores que fugiam das colunas militares que avançavam pelo centro de Mianmar. Esses episódios não são casos isolados, mas parte de uma campanha sistemática. Mesmo durante a trégua declarada após o terremoto, entre 28 de março e 9 de maio de 2025, o regime realizou 372 ataques aéreos em 13 dos 15 estados e regiões de Mianmar, matando 334 pessoas e ferindo outras 552, segundo o Governo de Unidade Nacional.

A continuidade dessa campanha aérea depende de cadeias de abastecimento estrangeiras. A Organização de Direitos Humanos Chin (CHRO) identificou carregamentos de combustível de aviação iraniano como um fator que viabiliza diretamente os ataques a comunidades religiosas e pediu sanções internacionais às cadeias de fornecimento desse combustível. Esse apoio externo permite à junta manter o ritmo das operações, apesar das perdas crescentes em terra. Analistas militares avaliam que o bombardeio de antigas bases perdidas para as forças de resistência, como o Comando de Operações Estratégicas 15, no município de Buthidaung, e várias instalações no estado de Arakan, reflete desespero estratégico, não um planejamento militar coerente. Como observou um analista militar de Arakan: "Se não pode ficar com a carne, joga areia em cima."

Publicidade

A sombra da China sobre o estado Shan

Em meio à paralisia internacional, o general Yawd Serk apontou um único ator externo que está moldando ativamente o destino de Mianmar. "Há um país que intervém em Mianmar: a China, e somente a China", disse à Reuters, sem entrar em detalhes, mas destacando o papel de Pequim como principal mediador de poder no conflito. O Ministério das Relações Exteriores da China respondeu afirmando que o país "há muito desempenha um papel construtivo no processo interno de paz e reconciliação", apoiando as partes para que fortaleçam o diálogo. No entanto, a realidade no terreno sugere que a intervenção de Pequim atende a interesses estratégicos específicos, e não a uma busca imparcial pela paz.

Os interesses econômicos da China em Mianmar são expressivos e se concentram no estado Shan e em regiões vizinhas. O Corredor Econômico China-Mianmar, parte da Iniciativa Cinturão e Rota, liga a província de Yunnan ao Sudeste Asiático e ao oceano Índico por meio de oleodutos, estradas e projetos hidrelétricos, incluindo as usinas de Upper Yeywa e Shweli-3. A Zona Econômica Especial e o porto de águas profundas de Kyaukphyu, no estado de Rakhine, dão a Pequim acesso direto ao oceano Índico e reduzem sua dependência do estreito de Malaca. Para proteger esses investimentos, Pequim passou a pressionar grupos armados étnicos a suspender ofensivas que ameaçavam a sobrevivência da junta, depois de inicialmente apoiar alguns deles.

Essa pressão foi decisiva. Durante a Operação 1027, no fim de 2023 e em 2024, a Aliança da Irmandade, formada por grupos armados étnicos como o Exército da Aliança Democrática Nacional de Mianmar (MNDAA), o Exército de Libertação Nacional Ta'ang (TNLA) e o Exército de Arakan (AA), tomou a maior parte do norte do estado Shan, incluindo a capital Lashio, e avançou até 22 quilômetros da cidade de Mandalay. Famílias de militares fugiram da cidade-guarnição de Pyin Oo Lwin quando as forças de resistência pareciam prestes a tomar a segunda maior cidade de Mianmar. No entanto, Pequim fechou as passagens na fronteira, interrompendo o fornecimento de alimentos e medicamentos aos grupos armados étnicos e impedindo a compra de armas. O Exército Unido do Estado Wa (UWSA), o grupo armado étnico mais poderoso de Mianmar, enfrentou o confisco de bens e o fechamento de fronteiras até concordar em suspender a assistência militar ao MNDAA e ao TNLA.

Em agosto de 2025, o vice-presidente do UWSA, Shao Guoan, teria dito a grupos aliados que a pressão chinesa havia criado "a pior crise de sobrevivência em nossos 40 anos de história". Diante desse cerco, o MNDAA foi obrigado a devolver Lashio ao regime em abril de 2025, após negociações de paz mediadas pela China em Kunming, embora tenha mantido o controle das áreas rurais. Em seguida, o TNLA cedeu Mogoke e Mongmit durante negociações em outubro de 2025, permitindo que as forças do regime avançassem sobre territórios controlados pela resistência no norte de Mandalay e cortassem as linhas de abastecimento dos grupos da Força de Defesa Popular (PDF). A intervenção chinesa reverteu, na prática, importantes avanços da resistência e demonstrou como as prioridades econômicas de Pequim se traduzem em resultados militares concretos.

Publicidade

Pequim e a engenharia eleitoral

O papel da China vai além da mediação no campo de batalha e chega à engenharia política. Em julho de 2024, o Partido Comunista Chinês convidou líderes de quatro partidos políticos específicos de Mianmar para Pequim: o USDP, o Partido do Povo, o Partido da Frente de Arakan (AFP) e o Partido Democrático Shan e Étnico (SEDP). Ficaram de fora a Liga Nacional pela Democracia (dissolvida pela junta) e o Governo de Unidade Nacional no exílio, que representa a administração democrática deposta. Os quatro partidos convidados estão registrados no Conselho de Administração do Estado da junta e mantêm diferentes níveis de cooperação com os militares.

Essa aproximação seletiva reflete a preferência de Pequim por estabilidade sob um governo militar ou influenciado pelos militares, em vez de transições democráticas que possam trazer incertezas. O SEDP representa os interesses shan e mantém uma relação pragmática com o regime para promover objetivos regionais, enquanto o AFP, no estado de Rakhine, tem demonstrado disposição para negociar maior autonomia com o Conselho de Administração do Estado. Ao apoiar esses partidos, a China tenta garantir a segurança de suas regiões fronteiriças para o comércio e a extração de recursos, ao mesmo tempo que evita o surgimento de estruturas de governo que possam desafiar seus interesses econômicos. Essa abordagem criou o que o International Crisis Group descreve como uma "paisagem fragmentada", que corre o risco de aprofundar as tensões enquanto estabiliza a junta o suficiente para proteger a infraestrutura chinesa.

Publicidade

O pacificador relutante: o RCSS e o cessar-fogo

A posição do general Yawd Serk nessa complexa rede desafia classificações simples. Ao contrário de muitas organizações armadas étnicas que pegaram em armas contra a junta desde o golpe de 2021, o RCSS mantém seu compromisso com o Acordo Nacional de Cessar-Fogo (NCA), assinado em outubro de 2015, mesmo condenando publicamente a conduta dos militares. Essa postura reflete tanto um cálculo estratégico quanto a experiência histórica. Yawd Serk surgiu como comandante militar no Exército Mong Tai (MTA), sob o lendário narcotraficante e empresário general Khun Sa, que declarou a independência shan em 1993 antes de se render, em 1996. Quando Khun Sa entregou milhares de soldados e armas, Yawd Serk se recusou a se render, reorganizou suas forças como Exército do Estado Shan-Sul e estabeleceu o RCSS como seu braço político em 2000.

A relação entre Yawd Serk e Min Aung Hlaing é marcada por décadas de antipatia mútua, disfarçada por encontros diplomáticos esporádicos. Reuniões de alto nível entre os dois líderes historicamente tiveram apertos de mão e sorrisos largos que escondiam o que observadores descrevem como uma "profunda antipatia" entre os dois líderes. Após o golpe de 2021, o RCSS inicialmente condenou a tomada do poder, mas logo adotou uma posição ambígua, mantendo as negociações de paz enquanto outros signatários abandonavam o NCA. Desde então, seis dos dez signatários originais do NCA retomaram a resistência armada contra a junta, entre eles a União Nacional Karen, a Frente Nacional Chin e a Frente Democrática de Estudantes de Toda a Birmânia.

Ao discursar no desfile militar de 7 de fevereiro, que marcou o Dia Nacional Shan e reuniu cerca de 7.000 pessoas, incluindo representantes de grupos rivais, o general Yawd Serk fez uma crítica contundente à liderança de Mianmar. Ele atribuiu a turbulência do país a uma "liderança movida por ego, orgulho e ganância excessivos, que coloca a vontade de um indivíduo acima dos desejos da população". Embora tenha elogiado a administração deposta de Aung San Suu Kyi, pediu que as diversas facções armadas de Mianmar construam confiança e propôs a criação de um Exército Federal para garantir a segurança nacional, uma das principais reivindicações das forças que se opõem aos militares. Ele ressaltou a importância do Acordo de Panglong de 1947, que estabeleceu a União de Mianmar como um sistema federal, com arranjos administrativos próprios para os estados étnicos, e argumentou que os líderes nacionais perderam contato com o "caminho do meio", ou moderação, necessários para a unidade.

Min Aung Hlaing respondeu com uma declaração pedindo que grupos étnicos e "terroristas" abandonem a luta armada e participem de negociações de paz. Yawd Serk descartou a mensagem como uma velha ladainha que "ninguém aceitou". Ainda assim, o líder do RCSS indicou que prefere soluções políticas a novos combates e afirmou que seu exército avaliará o novo governo por suas ações, não por suas palavras. Esse delicado equilíbrio, que combina a manutenção do cessar-fogo com críticas à brutalidade do regime, reflete a vulnerabilidade estratégica do RCSS. Expulso de territórios no norte do estado Shan por forças rivais apoiadas pela China, o RCSS agora enfrenta a expansão do UWSA, cujas divisões do sul ameaçam Loi Tai Leng e as posições fronteiriças do grupo.

Publicidade

Um cenário fragmentado: alianças e traições

O fracasso do Acordo Nacional de Cessar-Fogo em promover a paz ficou evidente quando Mianmar chegou ao décimo aniversário da trégua. O que deveria ser uma estrutura para pôr fim a décadas de conflito étnico acabou se tornando um mecanismo para administrar as hostilidades enquanto os militares mantêm a autoridade máxima. O colapso do acordo se acelerou depois que o golpe de 2021 anulou suas bases políticas. Seis signatários se retiraram oficialmente, alegando o "total desrespeito" da junta aos princípios do NCA e o uso contínuo da força contra civis. Apenas o RCSS, o Exército Democrático Karen Benevolente, o Conselho de Paz da União Nacional Karen/Exército de Libertação Nacional Karen e o Partido de Libertação de Arakan mantêm relações pacíficas com o regime. Entre eles, somente o RCSS dispõe de capacidade militar significativa.

A situação no estado Shan ilustra a complexidade das alianças após o golpe. Embora vários grupos shan tenham concordado, em princípio, com a estrutura de um futuro Estado federal, profundas divisões persistem. O Partido do Progresso do Estado Shan/Exército do Estado Shan-Norte (SSPP/SSA-Norte), que nunca assinou o NCA, mantém uma relação tensa com o RCSS, embora ambos defendam os interesses shan. A expansão do RCSS para territórios do norte do estado Shan após 2015, muitas vezes com aprovação tácita dos militares, gerou ressentimento duradouro entre comunidades ta'ang e outras comunidades não shan, levando a confrontos recorrentes e tensões entre grupos. O apelo de Yawd Serk pela unidade shan no encontro de 7 de fevereiro, que contou com a presença de antigos rivais, reconhece que o golpe alterou o equilíbrio de poder de maneiras que ameaçam todas as facções shan.

A União Nacional Karen (KNU), um dos grupos mais poderosos que combatem a junta, enviou uma carta à cerimônia do Dia Nacional Shan, em vez de comparecer pessoalmente. Saw Taw Nee, porta-voz da KNU, descreveu o momento como "crítico para construirmos unidade" e afirmou: "Temos orgulho de que nossos irmãos shan estejam tentando abrir caminho." Esse sentimento reflete uma percepção mais ampla entre organizações armadas étnicas de que a resistência fragmentada favorece a estratégia de dividir para governar da junta. Mas a desconfiança, alimentada por décadas de disputas territoriais e alianças instáveis, dificulta uma cooperação efetiva. A expansão do UWSA pelo leste do estado Shan, com o deslocamento de forças para o sul, em direção às posições do RCSS, acrescenta outra camada de complexidade e levanta a questão de se os Wa poderão acabar colocando Yawd Serk em uma situação semelhante à enfrentada por seu antigo comandante, Khun Sa, em 1996.

Publicidade

A busca por responsabilização

Com a intensificação da guerra aérea e o aumento das vítimas civis, os esforços para responsabilizar a junta por meio de mecanismos jurídicos internacionais enfrentam obstáculos significativos. O Tribunal Penal Internacional (TPI) e a Corte Internacional de Justiça (CIJ) mantêm investigações sobre crimes contra os rohingya, mas elas abrangem episódios anteriores ao golpe de 2021. Em novembro de 2024, o procurador-chefe do TPI, Karim Khan, pediu a emissão de um mandado de prisão contra Min Aung Hlaing. Mais de um ano depois, ainda não houve decisão, o que evidencia a lentidão processual do tribunal e sua limitada capacidade de fazer cumprir suas decisões.

Diante desse vazio, países menores começaram a recorrer à jurisdição universal para buscar justiça. Timor-Leste, que havia aderido à ASEAN apenas quatro meses antes, nomeou um promotor em fevereiro de 2026 para investigar a responsabilidade dos militares de Mianmar por crimes de guerra e crimes contra a humanidade. É a primeira vez que um país da ASEAN toma uma medida desse tipo contra outro membro. A denúncia, apresentada pela Organização de Direitos Humanos Chin, baseia-se no princípio de que tribunais nacionais podem julgar casos de crimes internacionais, independentemente do local em que ocorreram. Iniciativas semelhantes foram tentadas na Argentina, na Turquia e na Alemanha, mas persistem obstáculos relacionados a prisões, imunidade diplomática e às dificuldades práticas de reunir provas e depoimentos de testemunhas no exterior.

O desespero do general Yawd Serk em relação à confiabilidade da comunidade internacional ecoa pelas zonas de conflito de Mianmar. Com as potências ocidentais recorrendo sobretudo à pressão diplomática e às sanções, a ASEAN paralisada pelo princípio de não intervenção e os países vizinhos priorizando a estabilidade das fronteiras em vez de resultados democráticos, o peso da resistência recai fortemente sobre as forças locais. A recente criação, pela junta, de um Conselho Consultivo da União, destinado a supervisionar as administrações militar e civil com poderes "excepcionalmente amplos", indica que Min Aung Hlaing pretende manter o controle independentemente dos resultados eleitorais. Para os civis que se abrigam em monastérios transformados em alvos, e para as famílias deslocadas que fogem de um vilarejo a outro, a distância entre a condenação internacional e a proteção efetiva continua dolorosamente grande.

Publicidade

O essencial

  • O general Yawd Serk, líder do Conselho de Restauração do Estado Shan, acusou líderes mundiais de ignorar os ataques aéreos mortais da junta de Mianmar, que mataram pelo menos 1.728 civis desde o fim de 2024.
  • Dados do Myanmar Peace Monitor indicam que mais de 1.000 locais civis foram atingidos em 15 meses, incluindo edifícios religiosos, escolas e campos de deslocados.
  • A China é o principal ator externo a intervir no conflito: pressiona grupos armados étnicos a suspender ofensivas e estabiliza a junta para proteger investimentos em infraestrutura da Iniciativa Cinturão e Rota.
  • Cessar-fogos mediados por Pequim obrigaram o MNDAA e o TNLA a devolver territórios estratégicos, incluindo Lashio, Mogoke e Mongmit, revertendo avanços da resistência e permitindo contraofensivas da junta.
  • O USDP, apoiado pelos militares, reivindicou a vitória nas eleições de janeiro, amplamente criticadas e destinadas a consolidar o governo militar. Espera-se que o general sênior Min Aung Hlaing se torne presidente.
  • Yawd Serk mantém o compromisso do RCSS com o Acordo Nacional de Cessar-Fogo firmado com a junta, enquanto critica a liderança de Min Aung Hlaing, movida por "ego, orgulho e ganância". Ele pede a criação de um Exército Federal e a retomada do diálogo político.
  • Timor-Leste iniciou o primeiro caso de jurisdição universal de um país da ASEAN contra líderes militares de Mianmar por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
  • Importações de combustível de aviação iraniano foram apontadas como um fator que permite à junta manter sua campanha aérea, apesar das sanções internacionais.
Compartilhar esta matéria

Você também pode gostar