Busca por viagens mais silenciosas provoca debate
Taiwan está testando um novo pacto social em seus trens mais rápidos. Depois que a Taiwan High Speed Rail (THSR) implementou regras de silêncio em todo o sistema, em 22 de setembro, um representante do Ministério dos Transportes e Comunicações saiu em defesa da política diante da preocupação de pais e mães. A secretária-geral Shen Hui-hung disse que a medida tem como alvo comportamentos controláveis, como ligações telefônicas e reprodução de mídia sem fones de ouvido, e não os sons inevitáveis de bebês ou passageiros com necessidades médicas. Suas declarações vieram após a ampla repercussão do relato de uma mãe a quem funcionários pediram que fizesse os filhos falarem mais baixo, o que alimentou acusações de que as famílias estavam sendo tratadas de forma diferente.
Conteúdo
- Busca por viagens mais silenciosas provoca debate
- O que mudou nos trens
- O que dizem as autoridades
- As crianças estão sendo tratadas de forma diferente?
- Primeiros resultados da implementação
- Aplicação das regras, direitos e etiqueta
- Como outros sistemas ferroviários lidam com espaços silenciosos
- O que pode mudar a seguir
- Em resumo
As regras de silêncio valem em todos os vagões, incluindo as classes executiva, com assento reservado e sem reserva. Agora, os trens orientam os passageiros a deixar os dispositivos móveis no silencioso, usar fones de ouvido para ouvir áudio e assistir a vídeos e ir para a passagem entre os vagões ao fazer ligações. A THSR divulgou a mudança por meio de cartões ilustrados nos bolsões dos assentos, telas nos trens e avisos sonoros. No início, funcionários também seguravam placas com lembretes. Desde então, a empresa ajustou a forma de fazer os avisos, mas manteve a política.
Os dirigentes da THSR apresentam a mudança como parte de uma melhoria na qualidade da viagem. O presidente da empresa, Shih Che, disse que quer vagões adequados para descansar e ler e que os frequentes avisos pelos alto-falantes estavam se tornando uma distração. As novas regras responsabilizam os passageiros por controlar o ruído e permitem que a equipe intervenha quando necessário. A recusa reiterada em cumprir as regras pode levar ao encerramento do contrato de transporte e à retirada do passageiro do trem após advertências, medida também prevista em sistemas ferroviários do Japão e da Europa para casos persistentes de perturbação.
O que mudou nos trens
A iniciativa formaliza normas de convivência que muitos passageiros já seguem. Ela especifica quais comportamentos podem incomodar outras pessoas e onde certas atividades são permitidas, além de deixar claro que sons inevitáveis de bebês ou passageiros com problemas de saúde serão tratados com empatia.
- Mantenha celulares e dispositivos no modo silencioso dentro dos vagões.
- Use fones de ouvido para ouvir áudio ou assistir a vídeos em dispositivos pessoais.
- Vá para a passagem entre os vagões para fazer ou atender ligações.
- Fale baixo para não incomodar os passageiros próximos.
- Colabore com os lembretes da equipe. Quem ignorar as orientações repetidamente poderá ser retirado do trem após advertências.
A THSR lançou a iniciativa com um período promocional de três meses voltado à conscientização. Há informações nos cartões dos bolsões dos assentos, nos painéis de LED no alto, nas telas das estações e no site da empresa. A empresa também reduziu os frequentes avisos sonoros relacionados a ruído, que muitos passageiros consideravam contraproducentes, e ofereceu à equipe orientações claras para lidar com comportamentos perturbadores.
As autoridades ressaltam que a política diferencia sons controláveis dos que não podem ser evitados. Os funcionários devem abordar adultos que reproduzam áudio em volume alto ou falem alto, convidar quem estiver ao telefone a usar a passagem entre os vagões e oferecer ajuda a famílias ou passageiros que precisem de apoio adicional. Em trens lotados, a equipe pode sugerir que os passageiros enviem mensagens de texto em vez de ligar, para evitar aglomeração nos vestíbulos.
O que dizem as autoridades
Shen Hui-hung, secretária-geral do Ministério dos Transportes, disse que o objetivo é promover o respeito mútuo. Ela ressaltou que as regras se concentram em comportamentos que os adultos podem controlar, e não em situações inevitáveis envolvendo bebês ou pessoas com problemas de saúde. Também contou que, em uma viagem recente, as vozes das crianças não incomodaram os passageiros e que a equipe acomodou passageiros com animais de estimação dentro das regras vigentes.
A política trata de comportamentos que os adultos podem controlar, não dos sons inevitáveis de bebês ou passageiros com necessidades médicas. Pedimos que os passageiros demonstrem compreensão e cortesia uns com os outros.
O presidente da THSR, Shih Che, apresentou a política como uma melhoria na qualidade do serviço, que favorece o descanso e a leitura e desestimula o uso perturbador de dispositivos. Ele disse que a empresa quer deixar de lado os avisos repetidos e estabelecer expectativas claras de comportamento silencioso.
Esperamos criar um ambiente adequado para descansar e ler. Essas mudanças incentivam a autodisciplina para que todos possam desfrutar de uma viagem tranquila.
Shih Chung-liang, ministro da Saúde e do Bem-Estar, disse que seu ministério pediu às autoridades de transporte que supervisionem a resposta da empresa e continuem acompanhando as preocupações de pais, mães e cuidadores.
Pedimos ao Ministério dos Transportes que supervisione a empresa na condução da controvérsia e continuaremos acompanhando a situação.
As crianças estão sendo tratadas de forma diferente?
O debate público ganhou força depois que uma publicação nas redes sociais relatou o caso de uma mãe que viajava com dois filhos pequenos e a quem um funcionário mostrou uma placa pedindo que as crianças falassem mais baixo. Segundo o relato, a mãe levou uma das crianças para perto da porta e deixou a mais velha no assento, o que provocou acusações de que as regras de silêncio tornam os trens menos acolhedores para as famílias. Pais e mães disseram temer os olhares de outros passageiros quando uma criança reclama ou chora, e algumas pessoas propuseram a criação de um vagão para famílias.
A THSR afirmou que as regras não restringem crianças nem pessoas em situações especiais. A equipe pode oferecer itens simples, como adesivos ou lanches, para ajudar a acalmar crianças pequenas, e recebe treinamento para abordar essas situações com cuidado. O relato de Shen sobre uma viagem recente, em que as crianças não incomodaram os passageiros e os animais de estimação foram acomodados dentro das regras, está de acordo com a abordagem declarada pela empresa: as expectativas de silêncio se concentram em comportamentos controláveis.
Dados divulgados pela empresa mostram que os casos envolvendo bebês e crianças são raros em comparação com outras fontes de ruído. A maioria dos lembretes é direcionada a atividades controladas por adultos. Ligações telefônicas e reprodução de mídia sem fones de ouvido representam a maior parte dos problemas; uma parcela menor envolve grupos conversando alto. Esses padrões sugerem que mudanças simples nos hábitos de uso de celulares e mídia podem resolver a maioria dos incômodos.
Primeiros resultados da implementação
Os primeiros números das semanas iniciais dão uma ideia de como as regras estão sendo aplicadas. De 22 de setembro até a quarta-feira seguinte, a equipe fez cerca de 13 mil advertências, o que, segundo a empresa, representa menos de cinco por trem, em média. Quase metade envolveu passageiros falando ao telefone dentro do vagão. Cerca de um quarto foi dirigido a passageiros que reproduziam áudio ou vídeo sem fones de ouvido. O restante envolveu conversas em volume alto o bastante para incomodar outras pessoas. Os incidentes envolvendo bebês e crianças foram descritos como muito raros.
A THSR também indicou que a iniciativa conta com forte apoio do público. Os canais de opinião da empresa apontam alto apoio dos passageiros às regras de silêncio. Pesquisas citadas pela empresa mostram ampla aprovação da mudança para o uso de fones de ouvido e de ligações na passagem entre os vagões; muitos passageiros também receberam bem a redução dos avisos sonoros a bordo como uma melhoria na qualidade de vida.
O padrão revelado pelos números é importante para definir como as regras serão aplicadas. Se o principal problema são mídias audíveis e ligações, mensagens claras e lembretes consistentes podem resolver a maioria dos incômodos. A equipe pode reservar as intervenções para adultos cujas ações afetem muitas pessoas, em vez de abordar famílias que lidam com um momento de agitação ou cuidadores que acompanham um passageiro que precisa de assistência especial.
Aplicação das regras, direitos e etiqueta
As regras de silêncio fazem parte do contrato de transporte de passageiros da THSR, que estabelece direitos e responsabilidades tanto para a empresa quanto para os passageiros. Na prática, a equipe começa com um lembrete cordial. Se o passageiro não colaborar, os funcionários podem fazer novas advertências. Em caso de descumprimento repetido ou grave, a empresa pode cancelar o contrato de transporte e pedir que a pessoa desembarque na estação seguinte. Essa medida é reservada para situações em que o passageiro incomoda os demais mesmo após vários lembretes.
Quem quiser consultar o que é permitido e o que não é, inclusive as regras para animais de estimação, bagagens, instrumentos musicais e assistência especial, pode consultar o guia oficial no site da THSR. O guia de passageiros em inglês está disponível neste link: Guia de passageiros da THSR.
Para a maioria dos passageiros, alguns hábitos de etiqueta ajudam. Mantenha os alertas e toques no silencioso. Coloque os fones de ouvido antes de dar o play. Se receber uma ligação, vá para a passagem entre os vagões ou, se o trem estiver lotado, envie uma mensagem de texto rápida. Se uma criança ficar agitada, espere um momento e, se necessário, faça uma breve caminhada até a porta. A equipe pode ajudar quando solicitada. Esses pequenos ajustes contribuem para um vagão mais silencioso sem sobrecarregar as famílias ou quem precisa de cuidados.
Como outros sistemas ferroviários lidam com espaços silenciosos
A política da THSR segue práticas há muito adotadas no Japão. No Shinkansen, pede-se que os passageiros usem fones de ouvido para ouvir mídia e façam ligações no vestíbulo entre os vagões. Lembretes da equipe são comuns, mas a tranquilidade no vagão também depende da cortesia dos passageiros. Muitos serviços europeus oferecem zonas ou vagões silenciosos em determinadas rotas. A experiência mostra que o sucesso depende de regras claras, comunicação consistente e disposição da equipe para intervir quando necessário.
Essas abordagens reconhecem como os smartphones e o streaming transformaram as viagens. Um dispositivo que cabe no bolso pode encher um vagão de som. Com fones de ouvido, a mesma atividade se torna privada. A mudança não busca silenciar as conversas, mas reduzir ruídos invasivos que se propagam muito além de um único assento.
Um padrão compartilhado é mais fácil de seguir do que um baseado na tolerância individual. Quando todos sabem que as ligações devem ser feitas na passagem entre os vagões e que vídeos exigem fones de ouvido, os conflitos diminuem. Os vagões ficam mais confortáveis para quem está descansando, lendo ou trabalhando, enquanto quem precisa conversar pode fazê-lo em um espaço adequado para isso.
O que pode mudar a seguir
Parlamentares e ministérios avaliam como aperfeiçoar a abordagem. Chen Ching-hui, parlamentar do Partido Nacionalista Chinês, pediu aos ministérios dos Transportes e da Saúde que elaborem medidas mais flexíveis dentro de um mês. Chen apoiou a proposta de viagens silenciosas, mas argumentou que as interações com famílias exigem cuidado adicional para evitar estigmatização e ansiedade.
As crianças expressam suas necessidades chorando, então apenas tentar acalmá-las não basta. A aproximação dos funcionários de crianças que choram só chamaria a atenção dos outros passageiros e rotularia a família como causadora de um incômodo.
A THSR diz que está revendo a forma de fazer os lembretes. A empresa planeja manter os avisos nos trens e nas estações, atualizar os cartões nos bolsões dos assentos com gráficos mais claros e reduzir a necessidade de funcionários segurarem placas nos corredores. Alguns passageiros e comentaristas sugeriram testar um vagão para famílias em determinados serviços. Essa opção exigiria planejamento cuidadoso para evitar reforçar o estigma e, ao mesmo tempo, preservar o silêncio no restante do trem.
Em resumo
- As regras de silêncio da THSR entraram em vigor em 22 de setembro e valem para todos os vagões, incluindo as classes executiva, com assento reservado e sem reserva.
- Os passageiros devem usar fones de ouvido para ouvir áudio ou assistir a vídeos, fazer ligações na passagem entre os vagões e manter os celulares no silencioso dentro dos vagões.
- As autoridades dizem que a política tem como alvo comportamentos controláveis por adultos e não é dirigida a crianças ou pessoas com necessidades médicas.
- A equipe fez cerca de 13 mil advertências nas primeiras semanas, menos de cinco por trem, em média.
- Cerca de 49% das advertências envolveram ligações telefônicas, 24% foram por reprodução de mídia sem fones de ouvido e 27% por conversas em voz alta.
- A recusa reiterada em seguir os lembretes pode levar ao encerramento do contrato e à retirada do passageiro do trem após advertências.
- Os ministérios pediram à THSR que responda às preocupações de pais e mães e continue acompanhando o impacto da política.
- A THSR está ajustando a forma de aplicar as regras, mantendo os avisos a bordo e nas estações e reavaliando o uso de placas pelos funcionários.






