Desemprego entre jovens na China atinge maior nível em dois anos, enquanto número recorde de formandos enfrenta contratações fracas

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Desemprego entre jovens na China atinge maior nível em dois anos, enquanto número recorde de formandos enfrenta contratações fracas

Uma recuperação frágil encontra uma onda de formandos

A taxa de desemprego entre jovens urbanos da China subiu para 18,9% em agosto entre pessoas de 16 a 24 anos que não estão estudando, segundo dados oficiais. Esse é o nível mais alto desde que o governo mudou a forma de contabilizar os jovens em busca de emprego, no fim de 2023. A alta em relação aos 17,8% de julho destaca como uma onda de novos formandos encontrou um mercado de trabalho ainda pressionado pela fraca demanda e por uma longa correção no setor imobiliário.

Conteúdo
  1. Uma recuperação frágil encontra uma onda de formandos
  2. O que mudou nos dados e por que isso importa
  3. O que a taxa mede e o que não mede
  4. O cenário econômico por trás das contratações fracas
  5. Uma incompatibilidade entre diplomas e vagas disponíveis
  6. A vida na busca por emprego
  7. O avanço do trabalho por aplicativo e o risco da automação
  8. Como as autoridades tentam responder
  9. Medidas em andamento
  10. O que isso significa para o crescimento e a sociedade

A turma mais recente de formandos universitários é a maior da história da China. Cerca de 12,2 milhões de estudantes concluíram seus cursos neste verão, aumentando a pressão sobre um mercado em que muitos empregadores continuam cautelosos quanto a novas contratações. A taxa de desemprego nacional, calculada por meio de pesquisa e que abrange todas as faixas etárias, subiu ligeiramente para 5,3% em agosto. O desemprego entre jovens vinha diminuindo até o início do verão, mas voltou a subir acentuadamente quando os recém-formados começaram a buscar vagas em tempo integral.

O que mudou nos dados e por que isso importa

A China interrompeu a divulgação dos dados de desemprego entre jovens em meados de 2023, depois que a métrica anterior atingiu o recorde de 21,3% em junho daquele ano. Em dezembro de 2023, o Escritório Nacional de Estatísticas retomou a série com uma definição mais restrita. A nova medida exclui estudantes, o que reduziu a taxa no papel, mas ela continua elevada pelos padrões históricos.

O que a taxa mede e o que não mede

A taxa de desemprego entre jovens é calculada mensalmente por meio de uma pesquisa urbana que acompanha pessoas jovens disponíveis para trabalhar e que procuram emprego ativamente, mas não têm trabalho. Ela se concentra em uma parcela da força de trabalho particularmente sensível aos ciclos econômicos e às mudanças nos setores.

  • Abrange pessoas de 16 a 24 anos que não estão matriculadas em instituições de ensino e vivem em cidades e municípios.
  • Exclui estudantes em tempo integral e não estima o desemprego em áreas rurais.
  • Não contabiliza pessoas desalentadas que deixaram de procurar emprego.
  • É uma taxa, não uma contagem de pessoas, e varia de acordo com o tamanho da força de trabalho e a participação no mercado de trabalho.

O indicador reformulado ainda mostra um mercado de trabalho sob pressão para os jovens. Segundo dados oficiais, o desemprego entre jovens em 2025 começou em 16,1% em janeiro, subiu para 16,9% em fevereiro, recuou para 14,5% em junho e então saltou para 17,8% em julho, antes de chegar a 18,9% em agosto.

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O cenário econômico por trás das contratações fracas

Os indicadores de crescimento perderam força. A produção industrial cresceu 5,2% em agosto em relação ao mesmo mês do ano anterior, enquanto as vendas no varejo avançaram 3,4%. Os investimentos em ativos fixos cresceram 0,5% nos primeiros oito meses do ano, o ritmo mais fraco para esse período desde 2020. Os preços ao consumidor caíram 0,4% em agosto na comparação anual, um sinal de pressão deflacionária que tende a deixar as empresas mais cautelosas em relação a salários e contratações.

A crise imobiliária continua sendo um grande entrave. Os investimentos no setor imobiliário caíram 12,9% nos primeiros oito meses de 2025, e as vendas de novos imóveis comerciais, medidas pela área construída, recuaram 4,7%. Os setores de construção e de artigos para o lar, além das receitas dos governos locais vinculadas à venda de terrenos, sentiram o impacto. Fatores externos também aumentaram a pressão: tensões comerciais persistentes e a desaceleração dos pedidos do exterior prejudicaram fábricas em regiões muito dependentes das exportações.

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Uma incompatibilidade entre diplomas e vagas disponíveis

O cerne do problema para os formandos é uma incompatibilidade crescente. As contratações no setor imobiliário, na educação privada e em alguns segmentos de tecnologia estão limitadas desde a pandemia e as mudanças regulatórias do início da década. Muitos recém-formados buscam vagas em escritórios, com horários previsíveis e benefícios, mas o maior crescimento no número de vagas tem ocorrido em funções que exigem formação profissionalizante, experiência prática na indústria ou habilidades de vendas.

Empresas dos setores de novas energias, fabricação de equipamentos, logística e saúde estão contratando, mas muitas vezes exigem credenciais específicas ou treinamento no trabalho. Ao mesmo tempo, o mercado para vagas generalistas de escritório ficou mais exigente. Muitas posições de nível inicial pedem experiência que os recém-formados não têm. Algumas empresas reduziram o número de contratações para cortar custos, deixando um contingente de candidatos qualificados disputando menos vagas.

A vida na busca por emprego

Para muitos estudantes, os primeiros meses após a formatura têm sido uma provação. Maggie Li, recém-formada em gestão hoteleira na província de Hebei, começou a procurar emprego no início de agosto, depois que uma oferta que havia aceitado foi retirada de repente. Ela passou a se concentrar em vagas de administração e recursos humanos em Pequim. Várias entrevistas não resultaram em nenhuma oferta adequada, e duas vagas se revelaram diferentes do que havia sido anunciado.

He Yue, formada em ciência da computação e residente em Pequim, procura há mais de dois meses uma vaga compatível com suas habilidades. Ela descreveu em termos diretos o clima da busca.

O mercado está bastante difícil, disse ela.

Histórias como essas refletem uma tendência mais ampla. Alguns formandos aceitam salários menores para começar, trabalham fora de sua área ou dependem de trabalhos temporários por aplicativo enquanto continuam se candidatando. Outros prolongam os estudos à espera de um mercado melhor, adiando a renda e podendo aumentar a pressão financeira sobre as famílias.

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O avanço do trabalho por aplicativo e o risco da automação

O trabalho flexível absorveu parte do impacto. Segundo estimativas do governo, mais de 200 milhões de pessoas na China trabalham em modalidades flexíveis, incluindo entregas, transporte por aplicativo, transmissões ao vivo e outros serviços intermediados por plataformas. Para os jovens, esse tipo de trabalho pode oferecer uma forma rápida de ganhar dinheiro e servir de ponte enquanto continuam procurando vagas de longo prazo.

Esses empregos oferecem renda, mas menos estabilidade. Os benefícios são limitados, os horários podem ser imprevisíveis e a concorrência é intensa. A tecnologia também está transformando o mercado. Drones e armazéns automatizados avançam na logística, e a direção autônoma está se desenvolvendo, o que pode limitar a demanda futura por algumas funções de entrega e condução. Com isso, muitos jovens trabalhadores tentam equilibrar a necessidade imediata de renda com a aquisição de novas habilidades para migrar para áreas mais resilientes.

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Como as autoridades tentam responder

As autoridades implementaram medidas para aliviar a pressão sobre os recém-formados. Uma campanha que vai de julho a dezembro tem como alvo jovens desempregados e formados em universidades, oferecendo serviços como orientação profissional, encaminhamento para vagas e oportunidades de treinamento. Governos locais anunciaram subsídios para empresas que contratarem formandos, ampliaram programas de estágio no setor público e incentivaram vagas de prestação de serviços comunitários em cidades menores e áreas rurais. Empregadores do setor público e empresas estatais mantiveram processos de contratação, embora a concorrência seja acirrada. Em um exemplo, uma grande empresa estatal de energia recebeu mais de um milhão de candidaturas para menos de oito mil vagas.

Medidas em andamento

  • Serviços de intermediação de vagas e feiras de contratação vinculados aos meses de maior número de formaturas.
  • Vales para cursos de formação e cursos subsidiados em indústria, habilidades digitais e cuidados com idosos.
  • Incentivos para pequenas e médias empresas que efetivarem estagiários em tempo integral.
  • Apoio ao empreendedorismo, incluindo redução de impostos e simplificação do registro de empresas.
  • Ampliação das contratações no setor público, incluindo docência, apoio médico e serviços comunitários.

O desafio comum é a escala. O número de candidatos supera em muito o de vagas estáveis de nível inicial nas cidades mais disputadas. A qualidade dos cursos de formação varia, e os programas precisam corresponder às necessidades reais dos empregadores nos setores em crescimento. As empresas dizem valorizar habilidades práticas e interpessoais, como comunicação e trabalho em equipe, que nem sempre são o foco dos cursos formais.

O que isso significa para o crescimento e a sociedade

Uma crise prolongada de emprego entre os jovens pode pesar sobre o consumo. Jovens trabalhadores gastam com aluguel, viagens, refeições fora de casa e eletrônicos quando se sentem seguros. O alto desemprego reduz esses gastos e dificulta o planejamento de grandes compras pelas famílias. Isso importa para uma economia que tenta depender mais da demanda interna, à medida que o setor imobiliário e as exportações perdem força.

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