Seul bate recorde de turismo médico internacional, com gastos próximos de US$ 860 milhões

12 min de leitura
Seul bate recorde de turismo médico internacional, com gastos próximos de US$ 860 milhões

Seul registra recorde de pacientes e gastos

Seul foi o epicentro de um ano recorde para o turismo médico na Coreia do Sul: a capital concentrou o maior número de pacientes internacionais e impulsionou o aumento dos gastos com serviços médicos. Em todo o país, 1,17 milhão de pacientes estrangeiros foram atendidos em 2024, alta de 93% em relação a 2023, segundo o Ministério da Saúde e Bem-Estar e órgãos relacionados. Cerca de 85% desses pacientes receberam atendimento na região metropolitana de Seul, reflexo da densa rede de clínicas, hospitais universitários e serviços de apoio a viajantes que atende visitantes do mundo todo.

Conteúdo
  1. Seul registra recorde de pacientes e gastos
  2. Os números em perspectiva
  3. O que atrai pacientes às clínicas de Seul
  4. Beleza coreana e alta na dermatologia
  5. Atendimento de alto padrão a preços competitivos
  6. Won desvalorizado faz tratamentos parecerem mais baratos
  7. De onde vêm os visitantes e o que procuram
  8. Por dentro da economia das clínicas de Gangnam
  9. Incentivos governamentais e capacidade hospitalar
  10. Riscos, padrões e segurança dos pacientes
  11. Impacto econômico e urbano
  12. Em resumo

O crescimento é visível nas ruas. Multidões de visitantes lotam corredores comerciais de Myeong-dong a Apgujeong, muitos com folhetos de clínicas junto a sacolas de lojas duty free. A variação cambial e o apelo da beleza coreana incentivaram viajantes a agendar tratamentos de pele, cirurgias plásticas e exames de saúde abrangentes durante estadias curtas. Políticas governamentais reduziram obstáculos com vistos mais simples, atendimento multilíngue e restituição de impostos sobre procedimentos aprovados, enquanto hospitais promovem serviços de concierge que combinam cuidados médicos e passeios turísticos.

Os números em perspectiva

Dados anuais compilados pelo Instituto de Desenvolvimento da Indústria da Saúde da Coreia e pelo Ministério da Saúde mostram que 2024 estabeleceu vários recordes. O atendimento a 1,17 milhão de pacientes internacionais em todo o país elevou o total acumulado desde 2009 para pouco mais de cinco milhões. Japão e China foram os principais países de origem, seguidos por Estados Unidos, Taiwan e Tailândia. A diversidade de pacientes também aumentou, com o crescimento dos fluxos do Sudeste Asiático, da Mongólia e do Cazaquistão. As clínicas prestaram a maioria dos serviços, respondendo por mais de quatro em cada cinco atendimentos, enquanto Seul e cidades vizinhas receberam 85,4% de todos os pacientes estrangeiros.

Os gastos cresceram no mesmo ritmo. Com base em pagamentos feitos com cartões estrangeiros e registrados por processadoras coreanas, cidadãos de outros países gastaram cerca de 1,4 trilhão de wons em serviços médicos em 2024, uma média de aproximadamente 1,53 milhão de wons por pessoa. Estimativas mais amplas, que incluem dinheiro em espécie, plataformas de pagamento chinesas e despesas não médicas de acompanhantes, elevam o total para cerca de 7,5 trilhões de wons. Como a capital concentrou a maior parte dos pacientes, os gastos médicos em Seul provavelmente chegaram a quase US$ 860 milhões no ano passado. Esse valor para a cidade reflete os dados nacionais de pagamentos com cartão e a participação de 85,4% de Seul nos atendimentos, sem incluir viagens de acompanhantes nem pagamentos em dinheiro.

Publicidade

O que atrai pacientes às clínicas de Seul

Três fatores se destacam na onda mais recente. O interesse global pelas tendências de beleza coreanas transformou a dermatologia na principal porta de entrada. Grandes hospitais da capital oferecem exames de imagem avançados e opções cirúrgicas que atraem pacientes em busca de cuidados não estéticos. A desvalorização do won em relação às principais moedas tornou os tratamentos significativamente mais baratos para visitantes que pagam em dólares, euros ou ienes.

Beleza coreana e alta na dermatologia

A dermatologia se tornou a especialidade mais procurada por pacientes internacionais. Em 2024, cerca de 705 mil estrangeiros receberam atendimento dermatológico na Coreia, ou 56,6% de todas as consultas médicas de pacientes estrangeiros. Há 15 anos, a dermatologia ocupava uma pequena parcela do mercado. Hoje, é a porta de entrada para muitos visitantes, refletindo o alcance mundial dos cuidados coreanos com a pele e o destaque de bairros de Seul como Gangnam e Apgujeong, onde as clínicas se sucedem quarteirão após quarteirão.

Entre os procedimentos mais procurados estão tratamentos faciais a laser, preenchimentos e aplicações de Botox, tratamentos para cicatrizes e manchas, além de uma variedade crescente de estimuladores da pele desenvolvidos por marcas locais. Os procedimentos costumam ser organizados em pacotes que cabem em estadias de três a cinco dias, e as principais clínicas geralmente oferecem atendimento em inglês, chinês e japonês. Para pacientes que querem combinar os cuidados com compras ou passeios turísticos, a concentração de clínicas próximas umas das outras é parte do atrativo.

Atendimento de alto padrão a preços competitivos

Além dos tratamentos estéticos, hospitais universitários e centros especializados de Seul promovem sua experiência em oncologia, cardiologia, ortopedia e clínica geral. Estudos acadêmicos e rankings internacionais apontam altas taxas de sobrevida em cinco anos para os principais tipos de câncer e baixa mortalidade em comparação com instituições semelhantes. Os estabelecimentos usam recursos avançados de diagnóstico, como PET-CT, tomografia computadorizada de 64 canais e ressonância magnética de 3,0 teslas. Cirurgiões empregam equipamentos como o CyberKnife e sistemas robóticos Da Vinci. Muitos procedimentos custam menos do que na América do Norte, na Europa Ocidental ou em partes do Leste Asiático. Essa diferença atrai pacientes dos Estados Unidos, da Rússia, da Mongólia e do Cazaquistão, que frequentemente buscam atendimento clínico ou exames completos de saúde.

Hospitais e clínicas oferecem cada vez mais serviços integrados valorizados por pacientes internacionais, como traslado do aeroporto, tradução, coordenadores médicos e prontuários digitalizados para acompanhamento com médicos em seus países. O uso crescente de consultas de acompanhamento por telemedicina reduz as incertezas para quem viaja longas distâncias.

Won desvalorizado faz tratamentos parecerem mais baratos

A taxa de câmbio tem favorecido o setor. O won caiu para seu menor valor em mais de dois anos perto da virada de 2025 e continuou desvalorizado, aumentando o poder de compra dos estrangeiros. Uma pesquisa de campo da Organização de Turismo da Coreia registrou o clima entre consumidores e visitantes de clínicas.

Na pesquisa, uma viajante italiana explicou a lógica por trás dos gastos extras e dos tratamentos.

Uma viajante italiana entrevistada pela Organização de Turismo da Coreia disse: "Eu ficava convertendo os preços para euros enquanto fazia compras, e os cosméticos coreanos eram muito mais baratos do que eu esperava. Comprei muitos para dar de presente."

Uma turista coreano-americana descreveu como a moeda afetou seus gastos cotidianos.

Uma turista coreano-americana disse à KTO: "Como recebo em dólares, tudo parecia estar em promoção."

A mesma dinâmica aparece nos gastos com saúde. Entre dezembro e março, as despesas de estrangeiros com serviços médicos aumentaram cerca de 80%, chegando a quase 489 bilhões de wons em comparação com o mesmo período do ano anterior, puxadas pela dermatologia e por procedimentos estéticos. A taxa de câmbio não apenas atraiu mais visitantes, mas também incentivou gastos maiores por viagem.

Publicidade

De onde vêm os visitantes e o que procuram

O perfil dos pacientes ajuda a explicar o impulso de Seul. Em 2024, o Japão enviou cerca de 441 mil pacientes, a China, aproximadamente 260 mil; os Estados Unidos, cerca de 101 mil; Taiwan, aproximadamente 83 mil; e a Tailândia, cerca de 38 mil, segundo dados do KHIDI. Entre os visitantes japoneses, havia uma grande proporção de mulheres jovens. A demanda da Rússia cresceu apesar da falta de voos diretos, enquanto Mongólia e Cazaquistão continuaram enviando pacientes para exames e atendimentos especializados.

As preferências variam conforme a origem. Visitantes de países asiáticos vizinhos tendem a preferir procedimentos estéticos e cuidados com a pele, muitas vezes combinando tratamentos com compras e entretenimento. Pacientes dos Estados Unidos e de partes da Eurásia marcam com mais frequência consultas de clínica geral, ortopedia e exames completos, que exigem instalações maiores. As clínicas prestam a maior parte dos atendimentos em todas as categorias, respondendo por cerca de 82% das consultas em 2024.

A medicina tradicional coreana também vem atraindo atenção. Clínicas que oferecem acupuntura, terapias com ervas, terapia manual Chuna e outras abordagens holísticas ampliaram os serviços multilíngues e criaram programas personalizados para pacientes estrangeiros. Muitos buscam alívio para dores crônicas, reabilitação ou rotinas de bem-estar menos disponíveis nos sistemas de saúde de seus países.

Publicidade

Por dentro da economia das clínicas de Gangnam

Em nenhum lugar o boom é tão concentrado quanto em Gangnam, especialmente nos arredores de Apgujeong e nos quarteirões próximos à estação Gangnam. Fileiras de clínicas dermatológicas e de cirurgia plástica atendem clientes internacionais do início ao fim do dia. Placas no comércio anunciam restituição de impostos para procedimentos elegíveis. Coordenadores acompanham os visitantes durante as consultas, e muitas clínicas designam tradutores para acompanhar os pacientes da admissão à alta.

Uma auxiliar de enfermagem de uma clínica dermatológica movimentada perto da estação Gangnam contou à agência de turismo a mudança que observou no movimento diário.

Uma auxiliar de enfermagem de uma clínica perto da estação Gangnam disse: "Desde janeiro, cerca de 70% dos nossos pacientes são estrangeiros que vêm fazer preenchimentos, tratamentos a laser e Botox. A maioria é da China, do Japão e da Tailândia."

Os gastos se estendem para além das clínicas. Dados baseados em pagamentos com cartões estrangeiros mostram que lojas de departamento receberam cerca de 279 bilhões de wons desses visitantes em 2024, as lojas duty free, cerca de 188 bilhões de wons, e os restaurantes, aproximadamente 183 bilhões de wons. A Coreia processou mais de um milhão de pedidos de restituição de impostos por procedimentos de beleza e cirurgia plástica, no total de cerca de 95,5 bilhões de wons. O dado indica que os bairros de clínicas de Seul agora funcionam como ecossistemas médicos e comerciais.

Publicidade

Incentivos governamentais e capacidade hospitalar

O Ministério da Saúde atribui o crescimento acelerado a um plano setorial anunciado em 2023 para atrair mais pacientes internacionais, ampliar a qualidade dos serviços e reduzir entraves administrativos. O país superou muito antes do previsto a meta original de atender 700 mil pacientes estrangeiros até 2027: chegou a 1,17 milhão em 2024 e elevou o total acumulado desde 2009 a 5,05 milhões.

Autoridades afirmam que trabalham para tornar o ecossistema mais acessível aos visitantes e mais seguro para os pacientes. As medidas incluem simplificação de vistos, certificação de hospitais que atendem estrangeiros, fiscalização mais rigorosa de intermediários e projetos de polos de turismo médico. O ministério também ressaltou a continuidade do apoio público e a atualização de leis para manter a competitividade do setor.

Em comunicado que resumiu os resultados de 2024, o Ministério da Saúde e Bem-Estar descreveu as próximas medidas.

O ministério disse: "Vamos ampliar o apoio público para formar um ecossistema industrial sustentável e continuar simplificando leis e sistemas para gerar impacto no setor."

Os planejadores do setor veem espaço para novos avanços em 2025, com a redução das filas, o aumento da oferta de voos e a expansão dos centros internacionais dos hospitais. Representantes do KHIDI sugeriram que o número anual de pacientes pode chegar à faixa de 1,5 milhão se as viagens continuarem estáveis e as clínicas mantiverem suas equipes.

Publicidade

Riscos, padrões e segurança dos pacientes

A rápida expansão também expôs pontos fracos. Investigações documentaram a atuação de intermediários ilegais que captam clientes pela internet sem a certificação exigida e, às vezes, encaminham pacientes a clínicas que priorizam o volume de atendimentos em detrimento dos resultados. Barreiras linguísticas e culturais podem levar a um consentimento apressado ou a dúvidas sobre os cuidados posteriores. As rígidas leis sul-coreanas contra difamação pressionam pacientes insatisfeitos que querem compartilhar experiências negativas na internet, e já houve processos judiciais por avaliações críticas.

Alguns incidentes de grande repercussão, incluindo lesões e raras mortes de pacientes durante procedimentos estéticos, motivaram alertas de embaixadas estrangeiras e recomendações de cautela. Uma greve nacional de médicos em períodos recentes também causou interrupções pontuais e dificultou os cuidados pós-operatórios em algumas clínicas. Órgãos públicos e governos locais responderam com campanhas de segurança e guias para pacientes. O Centro de Turismo Médico de Gangnam, por exemplo, oferece indicações de profissionais avaliados e intérpretes credenciados para ajudar visitantes a verificar qualificações e se comunicar com médicos.

Profissionais experientes recomendam algumas precauções simples. Verifique a especialidade e a licença do cirurgião. Pergunte quem realizará o procedimento e quais cuidados posteriores estão incluídos. Reserve dias para a recuperação e confirme se haverá acompanhamento remoto depois da volta para casa. Para muitos viajantes, essas medidas fazem a diferença entre uma estadia curta tranquila e o arrependimento.

Impacto econômico e urbano

O aumento da demanda médica se tornou um dos pilares da economia de visitantes de Seul. Entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, mais de 3,5 milhões de visitantes estrangeiros entraram na Coreia, apesar da instabilidade política e dos problemas de trânsito na capital durante o período, um aumento anual de quase 20%. O won desvalorizado direcionou gastos tanto para clínicas quanto para o comércio. Myeong-dong, duramente atingido pela pandemia, recuperou o fôlego com consumidores que marcam tratamentos faciais para o mesmo dia e exames para o dia seguinte.

Além dos gastos com cartões em estabelecimentos médicos, pesquisadores estimam que pacientes estrangeiros e seus acompanhantes gastaram cerca de 7,5 trilhões de wons em 2024 em clínicas, hotéis, restaurantes e transporte. Os benefícios se concentram em polos como Gangnam, Jamsil, Hongdae e nas áreas históricas próximas aos hospitais do centro da cidade, onde os horários de consultas avançam pela noite e as lojas próximas estendem o expediente para acompanhá-los.

Em resumo

  • A Coreia do Sul atendeu 1,17 milhão de pacientes estrangeiros em 2024, o maior número já registrado, e 85,4% receberam atendimento na região metropolitana de Seul.
  • Os pagamentos com cartões estrangeiros em estabelecimentos médicos somaram cerca de 1,4 trilhão de wons em 2024, e a parcela estimada de Seul ficou perto de US$ 860 milhões.
  • A dermatologia liderou entre as especialidades e respondeu por 56,6% das consultas médicas de estrangeiros, ou cerca de 705 mil pacientes.
  • Os principais países e territórios de origem foram Japão (441 mil), China (260 mil), Estados Unidos (101 mil), Taiwan (83 mil) e Tailândia (38 mil).
  • A desvalorização do won aumentou o poder de compra e ajudou a elevar em cerca de 80% os gastos médicos entre dezembro e março, na comparação anual.
  • As clínicas realizaram a grande maioria dos tratamentos, cerca de 82% dos atendimentos, com multidões diárias concentradas nos bairros de Gangnam, em Seul.
  • O apoio governamental inclui vistos simplificados, certificação de hospitais e fiscalização mais rigorosa de intermediários; o ministério prometeu mais recursos e atualizações legislativas.
  • Entre os principais pontos de atenção estão intermediários ilegais, barreiras linguísticas, leis rígidas contra difamação e variações na qualidade do acompanhamento; centros municipais oferecem indicações avaliadas e intérpretes.
  • Os planejadores do setor esperam que o crescimento continue em 2025 se a oferta de viagens e o quadro de funcionários permanecerem estáveis.
Compartilhar esta matéria

Você também pode gostar