Sudeste Asiático se mobiliza para alimentar entregadores indonésios em meio a protestos

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Sudeste Asiático se mobiliza para alimentar entregadores indonésios em meio a protestos

Pedidos solidários aumentam enquanto a instabilidade abala a Indonésia

Em todo o Sudeste Asiático, pessoas começaram a comprar refeições e pequenos presentes para entregadores indonésios por meio de aplicativos usados no dia a dia. O gesto, simples à primeira vista, tornou-se um apoio essencial e uma demonstração de união à medida que os protestos se espalharam pelas cidades indonésias. Os manifestantes foram às ruas pela primeira vez em 25 de agosto, por causa de um novo auxílio-moradia para parlamentares em um período de dificuldades econômicas. Os protestos se intensificaram depois que dois entregadores morreram em incidentes distintos relacionados à onda de protestos. A comissão de direitos humanos da Indonésia afirma que pelo menos dez pessoas morreram, incluindo os dois entregadores, em meio a confrontos e tumultos que se espalharam por várias cidades. A polícia usou gás lacrimogêneo e jatos d’água, enquanto grupos de manifestantes danificaram propriedades e prédios do governo.

Conteúdo
  1. Pedidos solidários aumentam enquanto a instabilidade abala a Indonésia
  2. O que desencadeou os protestos
  3. Dois entregadores que se tornaram símbolos da tragédia
  4. Como as pessoas estão enviando ajuda pelos aplicativos
  5. Nas ruas, entregadores continuam trabalhando enquanto a renda diminui
  6. Governo e polícia sob escrutínio
  7. De Kuala Lumpur a Singapura e Manila, uma resposta regional
  8. Os limites da generosidade e a necessidade de um trabalho mais seguro
  9. Como ajudar com responsabilidade ao enviar uma refeição
  10. Principais pontos

A ideia de enviar ajuda pelos aplicativos ganhou força rapidamente. Usuários das redes sociais compartilharam instruções sobre como mudar a localização em aplicativos regionais e comprar refeições ou itens de primeira necessidade para os entregadores. Muitos recomendaram pontos seguros para deixar os pedidos, como o saguão de uma mesquita ou a recepção de um hotel, e lembraram as pessoas de não enviar bebidas alcoólicas ou carne de porco. O que começou como uma dica prática se transformou em uma demonstração regional de solidariedade aos trabalhadores que mantêm as cidades em movimento, mesmo diante da queda na renda e do aumento dos riscos nas ruas.

O que desencadeou os protestos

A indignação pública cresceu após notícias de que parlamentares recebiam um auxílio-moradia de 50 milhões de rupias por mês (cerca de 3.075 dólares), quase dez vezes o salário mínimo em Jacarta. A notícia veio em meio à alta dos preços, a demissões e a mudanças nos impostos. A situação se agravou ainda mais após a morte de um jovem entregador durante um confronto perto do Parlamento, em Jacarta. Os protestos foram além da questão inicial e passaram a incluir pedidos de responsabilização da polícia e de ajuda às famílias comuns que enfrentam o aumento do custo de vida.

A violência irrompeu em várias cidades durante confrontos entre a polícia e os manifestantes. As forças de segurança dispararam gás lacrimogêneo e usaram jatos d’água. Manifestantes arremessaram objetos e, em alguns lugares, incendiaram prédios e veículos. Shoppings fecharam mais cedo, trens atrasaram e o trânsito parou em partes de Jacarta e de outras cidades, enquanto a instabilidade se espalhava por Surabaya, Bandung, Makassar, Medan, Yogyakarta, Solo e outras localidades.

Dois entregadores que se tornaram símbolos da tragédia

Entre os mortos estava Affan Kurniawan, de 21 anos, entregador da Gojek em Jacarta. Segundo relatos de testemunhas e grupos de direitos humanos, ele foi atingido e atropelado por um veículo policial em 28 de agosto, enquanto fazia uma entrega. Sua morte se tornou um grito por justiça para estudantes, motoristas e defensores dos direitos humanos, que exigiram justiça e moderação das forças de segurança. O presidente Prabowo Subianto visitou a família de Affan e determinou publicamente uma investigação minuciosa. Mais tarde, a polícia informou que sete agentes haviam sido detidos por motivos disciplinares em relação ao caso.

Outro golpe veio no dia seguinte, em Makassar, onde Rusdamdiansyah, conhecido como Dandi, entregador da Grab, foi espancado até a morte por uma multidão que o acusou de ser um policial infiltrado. A Grab informou que seus dirigentes se reuniram com a família de Dandi e ofereceram apoio, enquanto representantes da Gojek fizeram o mesmo pelos parentes de Affan. Os dois jovens se tornaram símbolos da rapidez com que trabalhadores comuns podem ser atingidos por conflitos públicos.

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Como as pessoas estão enviando ajuda pelos aplicativos

A iniciativa de solidariedade ganhou força depois que uma usuária de redes sociais na Tailândia, conhecida como Yammi, publicou um passo a passo mostrando que pessoas fora da Indonésia podiam fazer pedidos para entregadores dentro do país. As publicações tiveram dezenas de milhões de visualizações e provocaram uma enxurrada de capturas de tela, com usuários da Malásia, de Singapura e das Filipinas mostrando refeições e bebidas que haviam enviado. Alguns optaram por comprar itens de primeiros socorros ou água engarrafada e pediram aos entregadores que dividissem com colegas ou familiares.

Vários recursos facilitaram a iniciativa. A opção de envio de presentes entre países da Grab, disponível desde dezembro de 2021, permite que clientes enviem presentes a destinatários em outros mercados do Sudeste Asiático. A empresa também lançou a opção “Ofereça uma refeição ao entregador” em seu aplicativo de comida, facilitando a compra de uma refeição para quem está fazendo a entrega. A Gojek oferece um recurso semelhante, chamado “Ofereça uma refeição ao seu entregador”, no GoFood. Essas ferramentas foram criadas para demonstrar reconhecimento e se tornaram canais de apoio durante uma crise.

Muitos participantes sugeriram métodos simples: mudar a localização do aplicativo para uma cidade como Jacarta ou Surabaya, informar um ponto central e seguro para a entrega, como o saguão de uma mesquita, e deixar instruções claras para o entregador. Alguns guias recomendavam dar gorjetas de até 50 mil rupias e avaliar o serviço com cinco estrelas para compensar a perda de renda. Pedidos típicos de cerca de 100 mil rupias podem alimentar um entregador e sua família. Para trabalhadores de aplicativos que dependem da demanda diária, até um pedido modesto pode fazer diferença durante uma semana de bloqueios nas ruas e tumultos.

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Nas ruas, entregadores continuam trabalhando enquanto a renda diminui

Os ganhos dos entregadores dependem dos pedidos, do tempo de deslocamento e da distância percorrida. Os protestos afetam os três fatores. Ruas são fechadas, clientes ficam em casa e aumentam os riscos para quem está de moto perto de um foco de tensão. Quando uma cidade desacelera, os primeiros a sentir o impacto são os trabalhadores pagos por corrida. Muitos entregadores ainda saem para trabalhar, equilibrando a necessidade de renda com os perigos de multidões, barreiras policiais e fumaça no ar.

Grupos de motoristas também pressionam por mudanças. Na Grande Jacarta, o Movimento de Ação sobre Duas Rodas, conhecido localmente como Garda, convocou os entregadores a desativar os aplicativos por um período determinado e participar de um protesto. Os organizadores esperavam a participação de dezenas de milhares de pessoas e apresentaram cinco exigências ao governo e às plataformas: aprovar uma lei para o transporte por aplicativos ou emitir uma regulamentação provisória; reduzir de 20% para 10% a comissão sobre corridas de passageiros; estabelecer regras claras de tarifas para a entrega de alimentos e mercadorias; auditar as práticas das plataformas; e acabar com planos de assinatura pagos que prometem prioridade nos pedidos. Essas exigências refletem preocupações antigas com justiça, transparência e remuneração líquida dos trabalhadores de aplicativos.

As plataformas e as autoridades não se comprometeram de imediato com as propostas, e os entregadores alertaram para possíveis interrupções temporárias do serviço caso os aplicativos fossem desligados nos horários de pico. O possível impacto evidencia o quanto esses serviços se tornaram essenciais para a vida nas cidades. Quando os entregadores param, restaurantes, escritórios e famílias sentem a diferença.

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Governo e polícia sob escrutínio

O presidente Prabowo Subianto pediu calma, manifestou condolências às famílias enlutadas e prometeu responsabilização. Ele visitou a casa dos pais de Affan, em Jacarta, e disse que o Estado apoiaria a família. As autoridades informaram que vários agentes ligados à morte foram detidos e interrogados. O presidente também anunciou medidas para responder à indignação pública com os benefícios dos parlamentares, incluindo planos para revogar alguns auxílios. A iniciativa não encerrou os protestos, mas mostrou que o governo estava disposto a rever decisões que desencadearam a instabilidade.

A Comissão Nacional de Direitos Humanos da Indonésia, conhecida como Komnas HAM, informou que houve dez mortes relacionadas aos tumultos, número superior às estimativas iniciais, que apontavam pelo menos seis. Defensores dos direitos humanos e líderes comunitários criticaram o uso excessivo da força e pediram moderação. A polícia defendeu suas ações como tentativas de restabelecer a ordem e abriu investigações sobre incidentes específicos. Em várias cidades, autoridades locais pediram que os manifestantes evitassem aglomerações tarde da noite, por temerem que a violência se agravasse depois de escurecer.

A dimensão dos danos variou de cidade para cidade. Em Jacarta, multidões confrontaram a polícia perto do Parlamento e em distritos centrais. Em Surabaya, manifestantes invadiram um complexo do governo. Em Bandung e Makassar, prédios de assembleias regionais foram incendiados e, em alguns lugares, veículos foram queimados nas ruas. Muitos indonésios se lembraram do trauma de tumultos passados e pediram que as manifestações fossem pacíficas.

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De Kuala Lumpur a Singapura e Manila, uma resposta regional

Mensagens de solidariedade chegaram de países vizinhos. Malaios, singapurenses e filipinos compartilharam fotos de pedidos enviados a entregadores indonésios, acompanhadas de mensagens de apoio. Usuários malaios, em especial, publicaram instruções detalhadas sobre como configurar o aplicativo para cidades indonésias e escolher pontos seguros para a entrega. Internautas indonésios agradeceram e falaram de uma união que se fortalece em tempos difíceis, mesmo que rivalidades amistosas apareçam na internet em dias normais.

A mobilização chegou a figuras públicas. O ex-governador de Jacarta Anies Baswedan agradeceu às pessoas de toda a região pela generosidade e elogiou o senso de comunidade compartilhada. A campanha transformou aplicativos de entrega em pontes informais entre cidades. Cada notificação no celular de um entregador trazia mais do que comida. Transmitia a mensagem simples de que alguém, em algum lugar, estava pensando nele.

Segundo relatos de veículos de comunicação regionais, a tendência também se espalhou para além do Sudeste Asiático, com usuários da Coreia do Sul, do Reino Unido e da Áustria fazendo pequenos pedidos para entregadores indonésios. Essa mobilização global, embora menor que a onda regional, mostra como as plataformas modernas podem conectar desconhecidos em tempo real durante uma crise.

Os limites da generosidade e a necessidade de um trabalho mais seguro

Refeições e gorjetas ajudam a tornar uma semana difícil mais suportável, mas não substituem um trabalho seguro e regras claras. Trabalhadores de aplicativos arcam com os custos de combustível, manutenção e dispositivos. Em situações tensas, também assumem riscos adicionais. Entregadores e defensores dos direitos trabalhistas pedem há muito tempo padrões de segurança, cobertura de seguro que realmente ajude em caso de acidente e estruturas de comissão mais justas. Os protestos ampliaram esse debate e chamaram mais atenção para as pessoas por trás dos aplicativos.

As medidas do governo poderiam incluir uma lei específica para o transporte por aplicativos, a fiscalização de comissões e tarifas transparentes e canais de reclamação mais eficientes e confiáveis para os motoristas. Uma atenção maior à formação e à responsabilização da polícia também ajudaria a enfrentar uma das principais preocupações levantadas nos últimos dias. Todas essas medidas buscam um objetivo simples: uma jornada de trabalho segura e com remuneração previsível, mesmo quando a cidade está sob pressão.

As plataformas também podem ajudar. Detalhamento mais claro das taxas, atendimento confiável aos motoristas e auxílio temporário durante períodos de instabilidade seriam sinais importantes. Recursos como “Ofereça uma refeição ao entregador” geram boa vontade, mas são as políticas de proteção à renda e à segurança que determinam se um entregador consegue continuar trabalhando durante uma semana difícil.

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Como ajudar com responsabilidade ao enviar uma refeição

Quem participou da campanha de solidariedade compartilhou dicas práticas que conciliam gentileza e segurança. Muitos mudaram a localização do aplicativo para uma cidade como Jacarta ou Surabaya, escolheram um ponto central e tranquilo para a entrega, como o saguão de uma mesquita ou a entrada de um hotel, e deixaram um recado para o entregador ficar com a refeição ou dividi-la com colegas. Outros recomendaram não enviar bebidas alcoólicas ou carne de porco e sugeriram dar uma gorjeta generosa e avaliar o serviço com cinco estrelas.

Apoiadores também recomendaram cautela. Evite fazer pedidos perto de postos policiais ou de grandes locais de protesto, onde os entregadores podem enfrentar atrasos ou perigo. Sempre que possível, escolha comerciantes locais, para que pequenos negócios também se beneficiem. Pequenos pedidos se acumulam. Até uma refeição simples e uma bebida podem alegrar o longo turno de um entregador.

Principais pontos

  • Os protestos na Indonésia começaram em 25 de agosto por causa de um alto auxílio-moradia para parlamentares, em meio a dificuldades econômicas.
  • A comissão de direitos humanos da Indonésia informou dez mortes relacionadas aos tumultos, incluindo dois entregadores.
  • Affan Kurniawan, entregador da Gojek, morreu em 28 de agosto, em Jacarta, e Rusdamdiansyah, conhecido como Dandi, entregador da Grab, morreu no dia seguinte, em Makassar.
  • Usuários de aplicativos da Malásia, de Singapura, das Filipinas e de outros lugares pediram comida e presentes para entregadores indonésios em uma demonstração de apoio.
  • Os recursos de envio de presentes entre países e “Ofereça uma refeição ao entregador”, da Grab, e a opção “Ofereça uma refeição ao seu entregador”, da Gojek, ajudaram a canalizar auxílio aos entregadores.
  • O grupo de motoristas Garda pediu uma desativação em massa dos aplicativos na Grande Jacarta e apresentou cinco exigências, entre elas a redução das comissões e regras para as tarifas.
  • O presidente Prabowo Subianto visitou a família de Affan, determinou investigações e sinalizou cortes em alguns benefícios parlamentares.
  • A polícia deteve vários agentes ligados à morte de Affan, enquanto grupos de direitos humanos pediram moderação e responsabilização.
  • Apoiadores compartilharam dicas para enviar pedidos úteis e com segurança, como escolher pontos tranquilos para a entrega e acrescentar gorjetas.
  • Pedidos solidários oferecem alívio, mas segurança de longo prazo, remuneração justa e regras claras continuam sendo fundamentais para os entregadores.
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