Petroglifos milenares da Coreia do Sul, às margens do riacho Bangucheon, entram para a lista do Patrimônio Mundial da UNESCO

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Inspection to add prehistoric carvings of Bangucheon to U…

Petroglifos pré-históricos da Coreia do Sul conquistam status de Patrimônio Mundial da UNESCO

Em uma decisão histórica, a UNESCO inscreveu na prestigiosa Lista do Patrimônio Mundial as gravuras rupestres pré-históricas às margens do riacho Bangucheon, em Ulsan, na Coreia do Sul. O reconhecimento, anunciado durante a 47ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO, em Paris, representa um marco importante para o patrimônio cultural sul-coreano e destaca a relevância mundial dessas antigas obras de arte.

Conteúdo
  1. Petroglifos pré-históricos da Coreia do Sul conquistam status de Patrimônio Mundial da UNESCO
  2. O que são os petroglifos do riacho Bangucheon?
  3. Petroglifos de Bangudae: o maior sítio de arte rupestre da Coreia
  4. Petroglifos de Cheonjeon-ri: um tesouro de arte pré-histórica
  5. Por que esses petroglifos são tão importantes?
  6. Desafios para preservar os petroglifos
  7. A crescente lista de sítios do Patrimônio Mundial da Coreia do Sul
  8. Entenda os petroglifos: janelas para a vida pré-histórica
  9. Reconhecimento internacional e perspectivas futuras
  10. Em resumo

O que são os petroglifos do riacho Bangucheon?

Os petroglifos, ou gravuras rupestres, foram entalhados nas faces verticais dos penhascos ao longo do riacho Bangucheon, afluente do rio Taehwa, em Ulsan, a cerca de 360 quilômetros a sudeste de Seul. Acredita-se que as gravuras remontem à pré-história, e algumas estimativas apontam que tenham sido feitas há até 6 mil anos. As imagens retratam diversas cenas, entre elas expedições de caça e animais, oferecendo um raro vislumbre da vida e das crenças dos primeiros habitantes da Península Coreana.

O bem recém-inscrito na Lista do Patrimônio Mundial é composto por dois conjuntos principais: os petroglifos de Bangudae, em Daegok-ri, e os petroglifos de Cheonjeon-ri. Ambos são considerados exemplos excepcionais das primeiras manifestações artísticas humanas no Leste Asiático e estão entre os sítios arqueológicos mais importantes da Coreia.

Petroglifos de Bangudae: o maior sítio de arte rupestre da Coreia

Os petroglifos de Bangudae, localizados em Daegok-ri, formam o maior sítio de arte rupestre da Península Coreana. O painel principal se estende por mais de 30 metros, com gravuras concentradas em uma face rochosa de cerca de 4,5 metros de altura por oito metros de largura. As imagens incluem animais marinhos e terrestres, além de cenas detalhadas de caça. O sítio apresenta, em particular, o que se acredita ser a representação mais antiga de caça a baleias já conhecida no mundo, evidenciando a apurada capacidade de observação e o talento artístico de seus criadores.

Descoberto em 1971, o painel de Bangudae foi designado Tesouro Nacional nº 285 da Coreia do Sul. Um relatório de 2023 da cidade metropolitana de Ulsan, produzido com o uso de tecnologia de escaneamento tridimensional, identificou 312 gravuras individuais no painel, ressaltando ainda mais sua complexidade e riqueza.

Petroglifos de Cheonjeon-ri: um tesouro de arte pré-histórica

Localizados a cerca de dois quilômetros do sítio de Bangudae, os petroglifos de Cheonjeon-ri foram descobertos em 1970, um ano antes de seu vizinho mais famoso. O sítio reúne mais de 620 figuras, símbolos e desenhos gravados em uma superfície rochosa de aproximadamente 2,7 metros de altura por 10 metros de largura. Os petroglifos de Cheonjeon-ri são hoje reconhecidos como Tesouro Nacional nº 147 da Coreia do Sul.

Juntos, os dois sítios oferecem informações inestimáveis sobre a vida espiritual e cotidiana das comunidades pré-históricas, bem como sobre sua relação com o mundo natural.

Por que esses petroglifos são tão importantes?

Os petroglifos do riacho Bangucheon são notáveis não apenas por sua antiguidade e qualidade artística, mas também pelas histórias que contam sobre as primeiras sociedades humanas. As gravuras retratam uma grande variedade de animais, entre eles baleias, tigres, cervos e tartarugas, além de cenas de caça coletiva e atividades ritualísticas. Essas imagens sugerem um conhecimento sofisticado do ambiente e uma estrutura social complexa entre as pessoas que as criaram.

O órgão consultivo da UNESCO, o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS), recomendou a inscrição dos petroglifos em maio, observando que eles oferecem “um testemunho excepcional de uma tradição de arte rupestre que se estendeu por cerca de 6 mil anos”. O Comitê do Patrimônio Mundial também elogiou as representações realistas e as composições singulares, afirmando que elas “destacam as habilidades artísticas das pessoas que viveram na Península Coreana”.

O comitê descreveu as gravuras como “obras-primas criadas pela criatividade dos povos pré-históricos”.

Esse reconhecimento coloca os petroglifos do riacho Bangucheon ao lado de outros sítios de arte rupestre de importância mundial, como os petroglifos de Alta, na Noruega, e do Vale do Côa, em Portugal, ressaltando seu valor universal.

Desafios para preservar os petroglifos

Apesar de sua importância cultural e histórica, os petroglifos enfrentam desafios consideráveis de conservação. Um dos problemas mais urgentes é a submersão frequente causada pelas variações do nível da água na represa de Sayeon, nas proximidades. Construída em 1965, antes da descoberta dos petroglifos, a represa deixou as gravuras debaixo d’água por uma média de 42 dias por ano na última década.

Essa submersão recorrente tem preocupado conservacionistas e autoridades governamentais quanto à sobrevivência da arte rupestre a longo prazo. A água não apenas desgasta as gravuras, mas também favorece o crescimento de algas e outros organismos que podem danificar ainda mais as superfícies de pedra.

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Entre as medidas discutidas para enfrentar esses desafios estão o ajuste do nível da água da represa e a construção de barreiras temporárias para proteger os sítios. As autoridades planejam instalar comportas no vertedouro da represa de Sayeon, o que permitiria controlar melhor o nível da água e ajudar a proteger os petroglifos de futuras inundações.

Segundo um comunicado do Comitê do Patrimônio Mundial, “recomenda-se que o governo sul-coreano informe o Centro do Patrimônio Mundial sobre o andamento das obras relacionadas à represa”.

A preservação dos petroglifos foi um fator decisivo no longo processo para obter o status de Patrimônio Mundial. O sítio foi incluído pela primeira vez na lista indicativa da UNESCO em 2010, mas foram necessários 15 anos para responder às preocupações do comitê e garantir a inscrição definitiva.

A crescente lista de sítios do Patrimônio Mundial da Coreia do Sul

Com a inclusão dos petroglifos do riacho Bangucheon, a Coreia do Sul agora tem 17 bens inscritos na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO. Os sítios vão de palácios e templos antigos a maravilhas naturais e patrimônios industriais, refletindo a história rica e diversificada do país.

Entre outros sítios sul-coreanos de destaque na lista estão o santuário de Jongmyo, o complexo do palácio de Changdeokgung, as áreas históricas de Gyeongju e a ilha vulcânica de Jeju. Cada um deles oferece perspectivas únicas sobre diferentes períodos e aspectos da civilização coreana.

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A inclusão dos petroglifos não só fortalece a presença cultural internacional da Coreia do Sul, como também renova a atenção para a importância de preservar e estudar a arte pré-histórica. É um lembrete das raízes profundas da criatividade humana e do legado duradouro de nossos antepassados.

Entenda os petroglifos: janelas para a vida pré-histórica

Petroglifos são imagens criadas pela remoção de parte da superfície de uma rocha por meio de incisões, picoteamento, entalhe ou abrasão. Eles são encontrados no mundo todo e estão entre as formas mais antigas de expressão humana. Diferentemente dos pictogramas, que são pintados sobre superfícies rochosas, os petroglifos são entalhados diretamente na pedra, o que os torna mais duráveis, mas também sujeitos à erosão e a outras ameaças ambientais.

Os petroglifos do riacho Bangucheon são especialmente importantes por fornecerem evidências diretas das crenças, dos rituais e das atividades cotidianas das comunidades pré-históricas. As representações detalhadas de animais e cenas de caça sugerem uma sociedade profundamente ligada ao ambiente e dependente do esforço coletivo para sobreviver.

Especialistas acreditam que as gravuras podem ter servido a vários propósitos, como registrar acontecimentos importantes, marcar limites territoriais ou integrar rituais religiosos ou xamânicos. As cenas de caça a baleias, por exemplo, indicam um conhecimento sofisticado da vida marinha e sugerem que os primeiros coreanos praticavam a caça organizada em grupo muito antes do surgimento dos registros escritos.

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Reconhecimento internacional e perspectivas futuras

A designação como Patrimônio Mundial da UNESCO deve atrair mais atenção internacional e visitantes para os petroglifos do riacho Bangucheon. Isso, por sua vez, pode proporcionar recursos adicionais para conservação e pesquisa, contribuindo para que essas antigas obras de arte sejam preservadas para as próximas gerações.

No entanto, o aumento do turismo também traz novos desafios, como o risco de danos físicos causados pelos visitantes e a necessidade de uma gestão eficaz do sítio. Equilibrar o acesso público e a preservação será uma tarefa fundamental para as autoridades sul-coreanas nos próximos anos.

O dr. Kim Jae-hyun, importante arqueólogo do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Ulsan, comentou: “O status de Patrimônio Mundial é um reconhecimento do valor universal desses petroglifos, mas também traz a responsabilidade de protegê-los e estudá-los. Precisamos trabalhar juntos para garantir que continuem sendo fonte de inspiração e conhecimento para as próximas gerações.”

Pesquisas em andamento, que incluem técnicas avançadas de imageamento e escaneamento 3D, continuam revelando novos detalhes sobre os petroglifos e seus criadores. Essas tecnologias permitem que especialistas documentem as gravuras em alta resolução, monitorem seu estado de conservação e desenvolvam estratégias de preservação mais eficazes.

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Em resumo

  • Os petroglifos pré-históricos às margens do riacho Bangucheon, em Ulsan, na Coreia do Sul, foram inscritos na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, em reconhecimento a seu excepcional valor cultural e histórico.
  • O sítio inclui dois conjuntos principais: os petroglifos de Bangudae, o maior sítio de arte rupestre da Coreia, e os petroglifos de Cheonjeon-ri. Ambos reúnem centenas de gravuras de animais, cenas de caça e figuras simbólicas.
  • Os desafios de preservação, especialmente a submersão causada pela represa de Sayeon, levaram a esforços contínuos para proteger as gravuras, incluindo planos de instalação de comportas e ajuste do nível da água.
  • O status de Patrimônio Mundial traz reconhecimento internacional e aumenta a responsabilidade pela conservação, pesquisa e gestão sustentável do turismo.
  • Os petroglifos oferecem um vislumbre único da vida, das crenças e das realizações artísticas das comunidades pré-históricas da Península Coreana, ampliando nossa compreensão da história humana.
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