Febre da comédia se mistura a uma estatística contestada
A ByteDance destina cerca de 10% de sua capacidade total de computação ao treinamento e à execução de modelos de geração de vídeo, afirmou Liu Xing, chefe de relações públicas do Doubao, em 19 de outubro de 2026, em resposta à alegação de que mais da metade do poder computacional da China estaria sendo usado para produzir minidramas.
Conteúdo
- Febre da comédia se mistura a uma estatística contestada
- Por que Zhao apareceu em um palco internacional
- O que os números da Chinese Online mediam
- Por que poder computacional é uma medida diferente
- O que a resposta do Doubao abrange
- Como a alegação se espalhou
- Por que dramas com IA podem exigir trabalho computacional repetido
- Uma grande audiência impulsiona a corrida por produções
- Principais pontos
A controvérsia se misturou a outra sensação da internet: vídeos de inteligência artificial que colocam o comediante chinês Zhao Benshan em palcos inspirados nas apresentações de Michael Jackson. Clipes que circularam por volta de outubro no Bilibili, no Douyin e no WeChat Channels motivaram piadas de que Zhao, sozinho, estaria consumindo metade dos recursos computacionais do país.
Por trás da piada havia um número específico, 55%, atribuído a um registro de atividades de relações com investidores da Chinese Online. A empresa afirmou, com base em pesquisas do setor, que essa era a parcela do consumo doméstico de tokens de IA destinada a minidramas com IA e à geração de vídeos. À medida que o número se espalhou, o consumo de tokens passou a ser descrito como capacidade computacional nas discussões online.
Os dois percentuais descrevem coisas diferentes. Os 55% da Chinese Online se referem à suposta parcela nacional do uso de tokens. Os cerca de 10% de Liu dizem respeito à parcela dos recursos computacionais de uma empresa dedicada a modelos de vídeo. Entender as diferenças entre as unidades e os limites dessas medidas explica como uma tendência de entretenimento virou uma discussão sobre o setor de IA da China.
O próprio Zhao não participou da produção dos clipes. Sua imagem conhecida serviu de material para os criadores, enquanto as alegações sobre computação vieram de uma discussão empresarial à parte sobre a demanda por serviços de IA.
Por que Zhao apareceu em um palco internacional
Os criadores identificaram muitos vídeos como uma turnê mundial, combinando o rosto de Zhao com a presença de palco de Michael Jackson e acrescentando referências visuais ao nordeste da China, como alho e milho. Algumas edições também incluíram Jensen Huang, fundador da Nvidia, e Elon Musk, diretor-executivo da Tesla.
O apelo de Zhao se apoia em décadas de familiaridade com a televisão. Seus esquetes de comédia no Gala do Festival da Primavera e séries como Ma Dashuai e Country Love fizeram com que ele fosse reconhecido por várias gerações. Transportar sua persona cômica rural para o cenário de uma apresentação pop internacional criou o contraste que impulsiona a piada.
Ferramentas de IA mais acessíveis, incluindo modelos amplamente disponíveis, ajudaram usuários comuns a produzir e compartilhar variações. A substituição facial altera a identidade exibida em uma imagem existente ou gerada, enquanto a geração de imagens pode criar figurinos, adereços e cenários ao redor. Os criadores podem combinar essas etapas em um videoclipe curto.
A presença repetida do mesmo rosto conhecido nos feeds deu aos usuários uma maneira simples de descrever a febre: uma quantidade enorme de poder computacional deve estar sendo usada nos vídeos de Zhao. A frase se espalhou como exagero sobre o que as pessoas estavam assistindo e, depois, ganhou uma aparente base numérica por meio da alegação não relacionada dos 55%.
O que os números da Chinese Online mediam
O registro de relações com investidores da Chinese Online atribuiu 55% do consumo doméstico de tokens de IA a minidramas e à geração de vídeos, 24% à publicidade ou ao marketing de comércio eletrônico e 15% à pesquisa e desenvolvimento. As descrições da última categoria variaram; algumas a identificaram mais especificamente como desenvolvimento de software.
A empresa também afirmou que o consumo de tokens por minidramas com IA e geração de vídeos superava em mais de duas vezes o consumo no desenvolvimento de software. Com os números informados, de 55% e 15%, a primeira categoria equivale a cerca de 3,7 vezes a segunda. Juntas, as três parcelas listadas somam 94%, deixando 6% fora dessas categorias.
Um token é uma pequena unidade processada por um modelo. Em um modelo de linguagem, pode ser uma palavra, parte de uma palavra ou um sinal de pontuação. Prompts, roteiros, descrições e legendas geram consumo de tokens, tornando a contagem útil para medir a atividade e cobrar por muitos serviços de IA.
Sistemas de vídeo também podem processar representações de imagens e outras mídias. Portanto, o trabalho computacional associado a um token depende do modelo e da tarefa. Para entender um total combinado de tokens, os leitores precisam saber quais serviços foram contabilizados e como o uso foi medido.
Por que poder computacional é uma medida diferente
Capacidade computacional descreve os recursos disponíveis para realizar cálculos, incluindo o trabalho executado por unidades de processamento gráfico, ou GPUs. Esses processadores podem treinar modelos, gerar imagens e vídeos e executar muitos outros aplicativos exigentes.
O consumo de tokens mede as unidades processadas pelos modelos. O uso computacional mede os recursos empregados no processamento das tarefas. Uma comparação útil é a diferença entre contar os pedidos enviados a uma fábrica e medir o tempo de máquina necessário para atendê-los: alguns pedidos exigem muito mais trabalho do que outros.
A geração de vídeos costuma exigir mais computação do que uma resposta em texto, pois o sistema precisa criar muitas imagens e manter a consistência dos movimentos, rostos e objetos ao longo do tempo. A duração, a resolução e a complexidade do resultado afetam a carga de trabalho.
Assim, o número de 55% diz respeito à distribuição de uma medida de uso divulgada, enquanto o de 10% se refere à alocação de recursos computacionais da ByteDance. Um cálculo direto que tratasse os dois como estimativas concorrentes do mesmo total nacional combinaria medidas e populações diferentes.
O que a resposta do Doubao abrange
Liu Xing, chefe de relações públicas do assistente de IA Doubao, da ByteDance, contestou a alegação sobre computação que circulava em sua resposta de 19 de outubro. Ele descreveu a alocação da empresa nos seguintes termos, traduzidos do chinês:
Tomando a ByteDance como exemplo, apenas cerca de 10% do poder computacional total da nossa empresa é usado para o treinamento e a inferência de modelos de geração de vídeo.
Treinamento é o processo pelo qual um modelo aprende padrões a partir de dados. Inferência é o processo de usar o modelo treinado para produzir uma resposta, imagem ou vídeo. O percentual de Liu inclui as duas atividades para modelos de geração de vídeo.
A declaração se refere à categoria mais ampla de modelos de vídeo da ByteDance, e não a uma alocação medida para os clipes de Zhao. Essa categoria pode atender a vários tipos de criadores e produções, de minidramas a outros vídeos gerados.
Vários detalhes não foram especificados quando a resposta circulou: a Chinese Online não havia publicado a metodologia da pesquisa subjacente nem esclarecido melhor seus números; Liu não havia divulgado a capacidade total da ByteDance, o período de medição ou a alocação dos cerca de 90% restantes; e não havia uma comparação nacional independente e confiável. A empresa não informou uma data para novos esclarecimentos.
Como a alegação se espalhou
A sequência reúne uma estatística empresarial, uma resposta da companhia e uma tendência de comédia no mesmo período. As datas ajudam a explicar por que as alegações foram associadas nas discussões públicas.
- Um registro de atividades de relações com investidores da Chinese Online citou uma pesquisa do setor que atribuiu 55% do consumo doméstico de tokens de IA a minidramas com IA e à geração de vídeos. As informações sobre a controvérsia não especificaram a data de publicação do registro.
- Por volta de outubro de 2026, montagens da turnê mundial de Zhao Benshan circularam no Bilibili, no Douyin e no WeChat Channels.
- Em 19 de outubro de 2026, Liu Xing afirmou que cerca de 10% da capacidade computacional total da ByteDance era destinada ao treinamento e à inferência de modelos de geração de vídeo.
- Até 8 de novembro de 2026, reportagens sobre a febre dos vídeos de Zhao descreviam como a estatística sobre tokens havia sido associada à piada de que metade do poder computacional da China estaria sendo usada.
A mudança na formulação foi importante. Um percentual apresentado como consumo de tokens passou a ser descrito como parcela do poder computacional, enquanto o tema se restringiu de minidramas e geração de vídeos em geral a clipes com um único artista.
Por que dramas com IA podem exigir trabalho computacional repetido
A Chinese Online também apontou uma razão prática para a alta demanda dos produtores de vídeo: a geração repetida. As equipes podem solicitar várias versões de uma cena antes de selecionar o material que atenda aos requisitos do diretor em relação à narrativa, aos movimentos de câmera e à aparência.
Uma versão que falha ou é rejeitada ainda consome recursos. Produzir um rosto convincente em um único quadro é uma tarefa; manter esse rosto, suas expressões e o ambiente consistentes durante toda uma tomada exige trabalho adicional. As revisões multiplicam o número de tentativas por trás do clipe finalizado.
Segundo a análise da empresa, dramas com IA que buscam uma aparência humana realista costumam consumir de duas a três vezes mais tokens do que animações feitas com IA. A empresa relacionou essa diferença às exigências mais rigorosas de número de quadros e resolução de 1080p.
Um exemplo de produção divulgado estimou em quase 200 mil yuans os custos computacionais de um drama com 12 episódios. Isso ilustra o possível custo de uma produção que envolva geração e revisão substanciais. Os orçamentos variam conforme a duração dos episódios, a qualidade visual, os preços dos modelos e o número de tentativas descartadas; por isso, os produtores enfrentam custos muito diferentes de um projeto para outro.
Uma grande audiência impulsiona a corrida por produções
Em maio de 2026, o público de minidramas na China foi estimado em 851 milhões de usuários, quase sete em cada dez pessoas que usam a internet móvel. Essa escala oferece às plataformas e aos produtores uma grande audiência potencial tanto para produções convencionais quanto para histórias geradas com IA.
Segundo os números divulgados, 430 mil minidramas foram lançados nos primeiros oito meses de 2026, cerca de 13 vezes o total de todo o ano anterior. Estimava-se que somente o Douyin tivesse adicionado 220 mil minidramas com IA no primeiro semestre de 2026. Essas contagens se referem a lançamentos, cujas produções podem variar bastante em duração e formato.
Segundo relatos, o serviço de minidramas Hongguo, da ByteDance, tinha 168 milhões de usuários ativos diários, em comparação com aproximadamente 155 milhões somados no Tencent Video, no iQiyi, no Youku e no Mango TV. Com base nesses números, a audiência do Hongguo era cerca de 13 milhões maior, ou aproximadamente 8% acima do total combinado.
Também foi informado que os usuários do Hongguo passavam cerca de 125 minutos por dia no serviço. Um tempo de audiência dessa dimensão ajuda a explicar o interesse comercial em produzir mais histórias e testar métodos de produção mais baratos.
Para os criadores, ferramentas acessíveis de vídeo facilitam transformar uma personalidade conhecida ou uma piada visual em algo que pode ser compartilhado. Para as empresas de produção, a geração repetida cria demanda por serviços de modelos e infraestrutura computacional. Essas são pressões concretas por trás do debate, embora a alocação nacional de recursos continue sendo uma questão de medição à parte.
Principais pontos
- Vídeos com IA colocaram Zhao Benshan em apresentações inspiradas em Michael Jackson, motivando piadas sobre a demanda computacional. Zhao não produziu os clipes.
- A Chinese Online citou uma pesquisa do setor que atribuiu 55% do consumo doméstico de tokens de IA a minidramas e à geração de vídeos.
- Liu Xing, chefe de relações públicas do Doubao, afirmou em 19 de outubro que cerca de 10% da capacidade computacional total da ByteDance era destinada ao treinamento e à inferência de modelos de vídeo.
- Os percentuais abrangem medidas e populações diferentes: o consumo nacional de tokens divulgado e a alocação computacional de uma única empresa.
- Tentativas repetidas, consistência visual e exigências de resolução podem encarecer a geração de vídeos, especialmente em dramas que buscam aparências humanas realistas.
- A grande audiência de minidramas na China ajuda a explicar a demanda; em maio de 2026, havia 851 milhões de usuários, segundo estimativas.






