Camboja prepara tribunal comercial para resolver disputas empresariais e atender às preocupações dos investidores

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Cambodia Prepares Commercial Court to Address Business Disputes and Investor Concerns

Tribunal especializado avança na preparação jurídica

O Ministério da Justiça do Camboja está preparando a legislação para um tribunal comercial especializado, dando continuidade ao trabalho de um comitê organizador criado em 21 de janeiro de 2021, por meio de uma lei assinada pelo ministro da Justiça, Koeut Rith. O tribunal proposto ofereceria um foro especializado para disputas empresariais em um sistema judiciário que atualmente trata de casos comerciais nos tribunais existentes.

Conteúdo
  1. Tribunal especializado avança na preparação jurídica
  2. O que o ministério e o ADB estão preparando
  3. Uma proposta com longa trajetória
  4. Que disputas seriam julgadas pelo tribunal?
  5. Por que as empresas querem juízes especializados
  6. Decisões publicadas podem facilitar a compreensão da lei
  7. O custo de levar uma disputa ao exterior
  8. O foco do ADB está em decisões confiáveis
  9. Principais pontos

O ministério rejeitou as críticas do embaixador do Canadá de que os tribunais cambojanos são ineficazes na resolução de disputas empresariais. Em resposta, apontou os preparativos para um tribunal comercial, iniciativa que conta com assistência técnica do Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB) e apoio de representantes empresariais que buscam decisões mais rápidas e previsíveis.

O trabalho vai além da criação de uma nova instituição. Autoridades e profissionais do direito discutiram quais disputas seriam julgadas pelo tribunal, quais procedimentos seriam adotados e qual experiência seus juízes precisariam ter. A publicação de decisões, a redução da duração dos processos e a possibilidade de algum uso de idiomas estrangeiros também foram mencionadas como possíveis características.

Um relato anterior sobre o processo de elaboração indicou o fim de 2023 como uma possível data de abertura de um tribunal em Phnom Penh. Os acontecimentos descritos aqui não apresentam uma data de abertura confirmada nem um texto final promulgado, portanto a situação indicada pela declaração mais recente do ministério é a preparação da legislação.

O que o ministério e o ADB estão preparando

Chiv Songhak, secretário de Estado do Ministério da Justiça, presidiu discussões com representantes do ADB, Fiona Connell e o juiz Anselmo Reyes, sobre um projeto de lei que abrange as atribuições do tribunal comercial e os procedimentos padrão. Essas regras definiriam tanto as responsabilidades do tribunal quanto o percurso de um processo, do protocolo à decisão.

Chin Malin, porta-voz do ministério e secretário de Estado, descreveu o andamento do trabalho após a reunião:

"Com a assistência do ADB, estamos na etapa de elaboração da lei",

O ministério também criou comitês distintos para os tribunais comerciais e trabalhistas. Malin relacionou os dois projetos à reforma judicial e afirmou que tribunais especializados permitiriam tratar de forma mais direcionada as disputas atualmente julgadas pelo sistema existente.

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Os preparativos incluíram estruturas processuais, jurídicas e operacionais. Um tribunal precisa de regras para apresentar ações, notificar a outra parte, apresentar provas e contestar uma decisão. Esses detalhes determinarão a utilidade da nova instituição para uma empresa que tente recuperar dinheiro ou resolver um desacordo.

Outro relato da iniciativa descreveu um memorando de entendimento assinado entre o ministério e o ADB em fevereiro, seguido pela conclusão de um projeto de lei em novembro. Mesmo concluído, o projeto ainda precisaria passar pelas etapas necessárias para que o tribunal começasse a funcionar.

Uma proposta com longa trajetória

Jay Cohen, sócio do escritório de advocacia Tilleke & Gibbins no Camboja, situou as discussões sobre tribunais comerciais pelo menos em 2003, quando o Camboja manifestou a intenção de criá-los no contexto de sua adesão à Organização Mundial do Comércio. Um projeto de Lei do Tribunal Comercial foi apresentado em 2007, mas a iniciativa perdeu força posteriormente.

Os principais marcos mostram há quanto tempo a proposta está em discussão:

  • 2003: O Camboja considerava criar tribunais comerciais no contexto de sua adesão à OMC, segundo Cohen.
  • 2007: Foi divulgado um projeto de Lei do Tribunal Comercial.
  • 21 de janeiro de 2021: O ministro da Justiça, Koeut Rith, assinou a legislação que criou o Comitê Organizador do Tribunal Comercial.
  • Fim de 2023: Um relato anterior indicou essa data como possível meta de abertura do primeiro tribunal em Phnom Penh.

O intervalo entre as discussões de 2003 e a meta de 2023 foi de cerca de 20 anos. O comitê organizador e o trabalho posterior de elaboração deram estrutura institucional à proposta, que já vinha sendo discutida havia muito tempo, enquanto o foco atual do ministério continua sendo preparar a legislação.

Que disputas seriam julgadas pelo tribunal?

Um porta-voz do Ministério da Justiça descreveu o tribunal proposto como um foro para todas as disputas empresariais, separado dos tribunais criminais. Malin também afirmou que as disputas comerciais e trabalhistas são atualmente encaminhadas aos tribunais civis, que em geral tratam de divergências sobre direitos, obrigações e indenizações.

Sin Chanthy, presidente da Associação de Logística do Camboja, afirmou que conflitos comerciais eram tratados nos tribunais criminais, cujos juízes, segundo ele, nem sempre estavam familiarizados com questões empresariais e comerciais. As duas descrições apontam para uma preocupação prática das empresas: as disputas comerciais têm sido tratadas em instituições existentes, sem um foro comercial especializado.

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Processos civis geralmente buscam uma reparação, como o pagamento de uma dívida. Processos criminais tratam de supostos delitos e possíveis punições. Uma disputa empresarial pode envolver questões contratuais e alegações de conduta criminosa, o que torna especialmente úteis regras claras sobre a competência do tribunal.

Jyotsana Varma, diretora do ADB no Camboja, levantou a questão do alcance da autoridade do tribunal proposto durante um simpósio sobre tribunais comerciais realizado em Phnom Penh em 29 de novembro. Essa questão é chamada de competência: o limite legal que define quais casos um tribunal pode julgar. Ela também perguntou se as partes deveriam poder escolher entre o tribunal comercial e outro tribunal.

Por que as empresas querem juízes especializados

Sin Chanthy apoiou a proposta do tribunal porque uma equipe dedicada poderia desenvolver maior conhecimento sobre comércio e negócios. Para as empresas, isso poderia significar menos tempo explicando práticas comerciais corriqueiras e mais atenção aos fatos e às obrigações legais centrais da disputa.

Lim Heng, vice-presidente da Câmara de Comércio do Camboja (CCC), afirmou que Kith Meng, presidente da CCC, tomou a iniciativa de propor o tribunal para fortalecer a confiança dos investidores. Segundo ele, empresas que operam no Camboja recorrem com frequência a tribunais em Singapura ou na França para resolver disputas comerciais.

Lim Heng descreveu as condições que, em sua opinião, conquistariam a confiança das empresas:

"Quando tivermos esses tribunais designados para julgar disputas comerciais [...] de maneira justa, transparente e rápida, sem corrupção, conquistaremos a confiança de investidores e empresários locais e estrangeiros, o que nos permitirá atrair mais investimentos",

O especialista em direito Sok Sam Oeun afirmou que talvez seja necessário criar uma lei empresarial específica e um código processual concebido para o tribunal. A observação diz respeito às regras que os juízes aplicariam e aos procedimentos que as partes seguiriam, ambos fatores que afetam o tempo e o custo de uma ação.

Também se espera que os tribunais comerciais e trabalhistas propostos reduzam o acúmulo de processos nos tribunais existentes. A transferência de casos pertinentes para instituições especializadas poderia garantir atenção mais direcionada a essas disputas e, ao mesmo tempo, reduzir a variedade de assuntos tratados pelos demais juízes.

Decisões publicadas podem facilitar a compreensão da lei

Cohen apontou a transparência, a previsibilidade e o tempo necessário para resolver disputas como preocupações antigas dos investidores. Segundo ele, as decisões dos tribunais cambojanos não são publicadas regularmente, o que limita o acesso das empresas às explicações sobre como os juízes interpretam a lei.

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Uma sentença publicada apresenta o que o tribunal decidiu e os motivos da decisão. Para uma empresa que esteja avaliando um contrato, decisões anteriores podem ajudar a esclarecer como as regras jurídicas foram aplicadas a disputas semelhantes. Advogados também podem usar essas decisões para orientar clientes sobre suas obrigações e os riscos de um processo.

Cohen descreveu a publicação das decisões como uma de suas expectativas para a instituição proposta:

espera-se que o tribunal comercial publique suas sentenças para que o público possa entender como os tribunais cambojanos estão interpretando a legislação do Camboja.

Ele também previu prazos menores para audiências e decisões finais, possíveis restrições aos fundamentos para recorrer e juízes cambojanos com ampla experiência comercial. Um processo de recurso mais restrito limitaria os motivos que uma parte poderia usar para pedir que um tribunal superior revisasse uma decisão.

Cohen também mencionou a possibilidade de apresentar documentos em idiomas estrangeiros e até realizar audiências em inglês. Essas eram expectativas sobre o possível formato do tribunal; as disposições detalhadas do projeto ainda não haviam sido divulgadas quando ele falou sobre o assunto.

O custo de levar uma disputa ao exterior

Cohen recordou que, quando chegou ao Camboja em 2009, algumas empresas tinham contratos que exigiam arbitragem no exterior, mas consideravam os processos caros demais para levar adiante, mesmo quando acreditavam ter reivindicações sólidas e simples. Singapura e Hong Kong estavam entre os destinos preferidos mencionados por ele.

Arbitragem é um processo no qual as partes pedem a um decisor escolhido de comum acordo, em vez de um tribunal comum, que resolva uma disputa. É comum que empresas especifiquem a arbitragem em seus contratos, inclusive o local onde o processo será realizado.

Processos no exterior podem envolver honorários advocatícios e outras despesas que pesam muito em relação ao valor que uma empresa espera recuperar. Uma empresa pode ter uma via contratual para obter uma decisão, mas concluir que recorrer a ela não faz sentido do ponto de vista financeiro.

Cohen afirmou que, se um tribunal comercial cambojano alcançasse seus objetivos de transparência e eficiência, provavelmente mais disputas envolvendo investidores estrangeiros seriam levadas a juízes no Camboja. Empresas locais também teriam um foro especializado no país, o que poderia reduzir a necessidade de buscar uma solução no exterior.

A escolha do foro importa depois que o investimento foi realizado. Uma empresa precisa de meios práticos para fazer cumprir acordos, cobrar valores devidos e resolver divergências com parceiros comerciais. O tribunal proposto aborda esse aspecto de fazer negócios.

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O foco do ADB está em decisões confiáveis

Varma disse ao simpósio de Phnom Penh que o Camboja poderia aproveitar décadas de experiência de outras jurisdições na criação e operação de tribunais comerciais. Ela afirmou que o ADB estava prestando assistência técnica para apoiar o papel do Judiciário na criação de um ambiente empresarial saudável.

Varma explicou o que as empresas precisam de um sistema de resolução de disputas:

As empresas também precisam de um sistema de resolução de disputas confiável, eficiente e transparente.

As perguntas dela foram além dos assuntos que o tribunal julgaria. Elas incluíram como os juízes poderiam compreender as questões empresariais subjacentes às disputas e como os processos poderiam ser conduzidos com eficiência, sem deixar de ser justos para todos os envolvidos.

A proposta do Camboja reúne, portanto, várias decisões interligadas: quem pode apresentar um caso, quais juízes o julgarão, com que rapidez os processos avançarão e quão abertamente as decisões serão explicadas. Para as empresas, o valor do novo tribunal dependerá de como essas regras funcionarão em conjunto quando uma disputa concreta chegar a um juiz.

Principais pontos

  • O Ministério da Justiça do Camboja afirma que um comitê está preparando a legislação para um tribunal comercial especializado.
  • O Comitê Organizador do Tribunal Comercial foi criado por meio de uma lei assinada em 21 de janeiro de 2021.
  • O ADB está prestando assistência técnica, inclusive apoiando o trabalho sobre as atribuições e os procedimentos do tribunal.
  • Representantes empresariais querem juízes especializados, decisões mais rápidas, transparência e processos sem corrupção.
  • Decisões publicadas, restrições aos fundamentos para recorrer e processos em idiomas estrangeiros foram discutidos como possíveis características.
  • Uma meta de abertura anterior era o fim de 2023; a declaração mais recente descrita aqui trata da preparação da legislação.
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