Cebu enfrenta seca de dezembro de 2026 a abril de 2027 com intensificação de El Niño muito forte

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Cebu Faces Drought From December 2026 to April 2027 as Very Strong El Niño Intensifies

Previsão de cinco meses de seca em Cebu

Cebu deve enfrentar seca de dezembro de 2026 a abril de 2027, após um período de estiagem em novembro, enquanto um El Niño muito forte ameaça o abastecimento de água, as lavouras e as comunidades nas Filipinas. O governo provincial criou uma força-tarefa de resposta e propôs ₱100 milhões para o desenvolvimento do abastecimento de água em seu orçamento de 2027.

Conteúdo
  1. Previsão de cinco meses de seca em Cebu
  2. O que as previsões para o Pacífico indicam
  3. Como um período de estiagem se transforma em seca
  4. Onde a vulnerabilidade de Cebu é maior
  5. Quem vai coordenar a resposta?
  6. Quando a escassez chega às famílias
  7. Perdas agrícolas e risco aos meios de subsistência
  8. Chuvas fortes continuam possíveis
  9. Conservar água se torna prioridade imediata
  10. Pontos principais

A Administração de Serviços Atmosféricos, Geofísicos e Astronômicos das Filipinas (PAGASA) afirmou em 5 de novembro que o fenômeno climático pode atingir sua fase mais intensa antes do fim de 2026 e continuar afetando o país durante o primeiro semestre de 2027. Para março e abril, as projeções indicam que a seca pode se estender por todo o país.

O mapeamento de vulnerabilidade de Cebu apontou 11 unidades de governo local cujas comunidades podem estar particularmente expostas. Tuburan tem o maior número de barangays potencialmente afetados entre os dados divulgados: 36. Daanbantayan e Catmon têm 20 cada.

A ameaça surge quando o Departamento de Agricultura estima em ₱8,57 bilhões os prejuízos nacionais à agricultura até 21 de outubro, com mais de 288 mil agricultores afetados. Para famílias que dependem da água da chuva, a escassez prolongada também pode significar comprar água potável cara ou viajar para outra ilha para obtê-la.

A governadora Pamela Baricuatro publicou a Ordem Executiva nº 57 em 26 de outubro, criando a Força-Tarefa Super El Niño. Suas atribuições vão da avaliação do abastecimento de água e organização da distribuição emergencial à coordenação de assistência agrícola e preparação dos serviços de saúde. Os gastos propostos e o novo órgão de coordenação colocam o acesso à água e os meios de subsistência no centro da resposta de Cebu.

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O que as previsões para o Pacífico indicam

A Atualização Climática Sazonal Global da Organização Meteorológica Mundial, para setembro a novembro de 2026, prevê uma anomalia média da temperatura da superfície do mar de cerca de 3,6°C na região Niño 3.4. Essa é uma área do Pacífico central usada para monitorar o El Niño. Uma anomalia mede quanto a água está mais quente ou mais fria do que sua temperatura habitual.

A OMM prevê que o fenômeno se intensifique até atingir o pico em novembro e dezembro. Em geral, os sistemas de previsão apontam uma faixa estreita de resultados, indicando forte concordância quanto à direção e à intensidade esperadas do evento.

O Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos emitiu um alerta de El Niño em sua Discussão Diagnóstica do ENOS de 8 de outubro. A probabilidade de condições fortes a muito fortes persistirem de janeiro a março de 2027 foi estimada em mais de 83%.

A NOAA registrou uma anomalia de temperatura de 2,1°C no Niño 3.4, com leituras de 3,0°C no Niño 3 e 3,9°C no Niño 1+2, áreas mais a leste. Partes do Pacífico equatorial oriental ficaram mais de 4,0°C acima da média. Essas observações descrevem condições já medidas; o valor de 3,6°C da OMM é uma previsão da média sazonal.

A NOAA também estimou em 54% a probabilidade de o evento superar a intensidade de episódios anteriores registrados desde 1950 no período de setembro a novembro; em 83% para outubro a dezembro; e em 70% para novembro a janeiro. O critério usado é um índice relativo de temperatura oceânica de pelo menos 2,5°C durante três meses. A próxima discussão diagnóstica estava prevista para 12 de novembro.

Como um período de estiagem se transforma em seca

As classificações da PAGASA dependem tanto do volume de chuva que deixou de cair quanto da duração da escassez. Chuva abaixo do normal significa uma redução de 21% a 60% em relação à média de uma região. Chuva muito abaixo do normal significa uma redução superior a 60%.

Um período de estiagem corresponde a três meses consecutivos de chuva abaixo do normal ou dois meses consecutivos de chuva muito abaixo do normal. Seca corresponde a três meses consecutivos de chuva muito abaixo do normal ou cinco meses consecutivos de chuva abaixo do normal. Assim, uma província pode entrar em situação de seca após meses de escassez acumulada, mesmo que ainda chova um pouco.

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A avaliação de outubro da PAGASA classificou cinco províncias em situação de seca meteorológica: Albay, Catanduanes, Negros Oriental, Samar e Siquijor. Outras 11 províncias tiveram períodos de estiagem e 10 registraram condições secas, totalizando 26 províncias com déficit de chuva nessas categorias.

Para novembro, a PAGASA prevê chuva abaixo do normal a muito abaixo do normal em grande parte das Filipinas, além de temperaturas acima da média. A previsão inclui Cebu entre as áreas que devem enfrentar um período de estiagem até o fim do mês. Entre as províncias vizinhas que devem enfrentar seca estão Negros Oriental, Siquijor, Leyte e Southern Leyte.

A previsão detalhada para Cebu indica seca de dezembro a abril. Um alerta condicional anterior havia apontado a possibilidade de seca em Cebu e Bohol até março, caso a chuva permanecesse abaixo do normal. A projeção para dezembro dá a Cebu um prazo mais antecipado para planejar a distribuição de água e o apoio às lavouras.

Onde a vulnerabilidade de Cebu é maior

O mapeamento de vulnerabilidade da província identifica comunidades que podem precisar de atenção especial à medida que o abastecimento diminui. Os números de barangays divulgados são:

  • Tuburan: 36 barangays.
  • Daanbantayan e Catmon: 20 barangays cada.
  • Carmen: 15 barangays.
  • Borbon: 12 barangays.
  • Sogod: 11 barangays.
  • Tabuelan e Bogo City: sete barangays cada.

Os números somam 128 barangays potencialmente afetados em oito unidades de governo local. A província apontou 11 unidades de governo local no total, mas não divulgou os nomes nem a quantidade de barangays das outras três.

Os 36 barangays de Tuburan representam mais de um quarto dos 128 listados. Essa concentração dá à força-tarefa um ponto de partida concreto para avaliar a disponibilidade de água, identificar famílias com poucas alternativas e coordenar a assistência com autoridades municipais.

O trabalho da força-tarefa também abrange os prestadores de serviços de abastecimento de água. A escassez pode se desenvolver de forma diferente em uma comunidade atendida por uma rede de distribuição, em uma área agrícola dependente de fontes locais de água ou em uma ilha onde a água da chuva armazenada é a principal fonte das famílias. Avaliar essas condições locais faz parte do mandato provincial.

Quem vai coordenar a resposta?

O coronel reformado Dennis Francis V. Pastor, chefe do Escritório Provincial de Redução e Gestão de Riscos de Desastres de Cebu, presidirá a força-tarefa. O administrador provincial Joseph Felix Mari H. Durano será o vice-presidente, e o escritório de desastres atuará como secretaria.

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O grupo inclui chefes de departamentos provinciais e representantes regionais do Departamento de Agricultura e do Departamento de Meio Ambiente e Recursos Naturais. A equipe coordenará com governos locais, órgãos nacionais e prestadores de serviços de água o monitoramento climático, a distribuição emergencial de água, a assistência agrícola, a preparação dos serviços de saúde e a divulgação de informações ao público.

A sequência de alertas e decisões define o período de preparação:

  • 23 de setembro de 2026: um alerta da PAGASA citado por Baricuatro informou que havia condições ativas e fortes de El Niño.
  • 8 de outubro: a NOAA emitiu seu alerta, prevendo intensificação contínua.
  • 26 de outubro: Baricuatro criou a força-tarefa provincial por meio da Ordem Executiva nº 57.
  • 5 de novembro: a PAGASA anunciou a presença de um El Niño muito forte no Pacífico tropical.
  • Novembro de 2026: a previsão indica um período de estiagem em Cebu.
  • De dezembro de 2026 a abril de 2027: a previsão para Cebu indica seca.

A proposta de orçamento provincial para 2027 inclui ₱354,82 milhões para programas voltados a agricultores e pescadores, além de ₱100 milhões para o desenvolvimento do abastecimento de água. Juntas, as dotações somam ₱454,82 milhões. São gastos propostos, cuja execução depende do processo orçamentário e dos programas financiados.

Quando a escassez chega às famílias

Na ilha de Pangan-an, experiências anteriores mostram os custos da perda de uma fonte confiável de água. Remedios Babatuan, trabalhadora da saúde na ilha entrevistada em 2024, contou que as famílias dependiam da água da chuva, de poços compartilhados e de água salobra, que contém um pouco de sal.

Babatuan explicou como a compra de água disputava espaço com os gastos com comida:

"Há momentos em que a água é cara e não temos dinheiro para comprá-la, especialmente quando o arroz está caro; então usamos a água do poço", disse ela.

A voluntária JP Rodriguez descreveu um centro de abastecimento local onde cada família podia comprar apenas dois galões por dia, e às vezes os estoques acabavam. Ela estimou que a água mineral custava cerca de ₱80 por galão, além de outros ₱80 pela viagem de barco de ida e volta a Olango. A esses preços, uma viagem para buscar um galão custaria cerca de ₱160, sem contar outras despesas.

Rodriguez lembrou que alguns moradores ficaram temporariamente em Sta. Rosa, na ilha de Olango, durante um período de estiagem difícil. Um vazamento no tanque de água da chuva havia reduzido as reservas armazenadas, e o centro local de abastecimento estava sem água.

Pangan-an conta com uma usina de dessalinização movida a energia solar, documentada em 2024. A dessalinização remove o sal da água. Para as famílias, o acesso confiável depende de a usina continuar funcionando, produzir água suficiente e disponibilizá-la a um preço acessível e em locais alcançáveis. A experiência anterior da ilha torna armazenamento, manutenção e distribuição prioridades práticas enquanto Cebu se prepara para outro período prolongado de estiagem.

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Perdas agrícolas e risco aos meios de subsistência

A estimativa de ₱8,57 bilhões em prejuízos do Departamento de Agricultura e o número de mais de 288 mil agricultores afetados mostram que as perdas agrícolas já são expressivas. No pior cenário, cerca de 4,6 milhões dos 10,4 milhões de agricultores e pescadores do país estão em risco, o equivalente a aproximadamente 44%.

O departamento informou que a assistência incluiu ₱10,81 bilhões em apoio à produção, como sementes, fertilizantes e condicionadores de solo. Também registrou ₱569,95 milhões em indenizações da Corporação Filipina de Seguro Agrícola para 68.980 agricultores. Indenização é a compensação paga por perdas cobertas por seguro.

Analiza Solis, chefe da Seção de Monitoramento e Previsão Climática da PAGASA, alertou que a escassez prolongada pode afetar a umidade do solo e as fontes de água e, por fim, comprometer a capacidade das pessoas de atender às necessidades básicas. Ela descreveu a progressão:

"Haverá um período prolongado de estiagem que levará a condições de seca meteorológica e até a outras formas de seca, como a seca agrícola e a seca hidrológica", disse Solis.

A seca meteorológica diz respeito à falta persistente de chuva. A seca agrícola ocorre quando as lavouras não recebem umidade suficiente, enquanto a seca hidrológica afeta a água em rios, reservatórios e fontes subterrâneas. A seca socioeconômica acontece quando a escassez prejudica o fornecimento de bens e serviços de que as pessoas precisam, comprometendo os meios de subsistência e as finanças das famílias.

Em Cebu, esses riscos conectam a proposta de orçamento para assistência agrícola ao desenvolvimento do abastecimento de água. Os agricultores precisam de água para manter a produção, enquanto as famílias necessitam de fornecimento confiável para beber, cozinhar e manter a higiene. Autoridades provinciais também apontaram possíveis perdas na pesca, doenças relacionadas ao calor e interrupções de serviços públicos essenciais.

Chuvas fortes continuam possíveis

A PAGASA prevê o desenvolvimento ou a entrada de dois a seis ciclones tropicais na Área de Responsabilidade das Filipinas entre novembro de 2026 e abril de 2027. Ciclones tropicais e outros sistemas climáticos ainda podem provocar chuvas fortes durante o El Niño.

A monção nordeste, a zona de convergência intertropical, onde os ventos se encontram, e os ventos de leste também podem provocar chuva. Assim, as autoridades locais enfrentam uma combinação de escassez prolongada de água e episódios ocasionais de chuva intensa, o que exige atenção tanto à conservação de água quanto à preparação para tempestades.

A previsão sazonal da OMM também indica um Dipolo do Oceano Índico positivo, com índice médio de 0,9°C entre setembro e novembro. Esse índice mede o contraste de temperatura entre as partes oeste e leste do Oceano Índico tropical, outro fator que influencia as chuvas na região. A OMM também prevê temperaturas acima da média no Atlântico Tropical Norte e Sul.

A previsão provincial da PAGASA é o guia mais direto para os preparativos de Cebu: período de estiagem em novembro, início da seca em dezembro e temperaturas mais altas em grande parte do país. A chuva trazida por um sistema climático específico pode repor parte das reservas, enquanto as classificações de seca refletem a precipitação acumulada ao longo de vários meses.

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Conservar água se torna prioridade imediata

O administrador da PAGASA, Nathaniel Servando, pediu que órgãos públicos e a população se preparem para a escassez, com atenção especial à conservação e à gestão da água:

"A população e todos os órgãos envolvidos são fortemente aconselhados a implementar intervenções setoriais adequadas, medidas de conservação e mitigação, sobretudo para conservar água e gerir os recursos hídricos de forma eficiente, a fim de minimizar os possíveis impactos do El Niño", afirmou Servando em comunicado.

Para a força-tarefa de Cebu, o trabalho designado começa pela identificação das comunidades expostas e pela verificação das reservas de água disponíveis. A distribuição emergencial, o apoio à agricultura e a preparação dos serviços de saúde fazem parte da ordem, que atribui responsabilidades específicas a órgãos provinciais e governos municipais antes do período de seca previsto.

A conservação de água nas residências pode reduzir o desperdício, mas a experiência de Pangan-an mostra por que os sistemas públicos de abastecimento são importantes. Uma família que encontra o centro de abastecimento sem água ou precisa pagar uma viagem cara de barco precisa ter acesso à água, além de receber orientações para economizá-la. A resposta de Cebu terá de garantir a disponibilidade, a entrega e o custo acessível do abastecimento durante vários meses de escassez prevista.

Pontos principais

  • A PAGASA prevê um período de estiagem em Cebu em novembro de 2026 e seca de dezembro a abril de 2027.
  • Condições de El Niño muito forte podem atingir o pico antes do fim de 2026, com efeitos que devem continuar no primeiro semestre de 2027.
  • O mapeamento de vulnerabilidade de Cebu aponta 11 unidades de governo local; Tuburan tem 36 barangays potencialmente afetados.
  • A Ordem Executiva nº 57 criou uma força-tarefa para coordenar os preparativos relacionados à água, à agricultura, à saúde e a outras áreas.
  • A proposta de orçamento provincial para 2027 inclui ₱354,82 milhões para agricultores e pescadores e ₱100 milhões para o desenvolvimento do abastecimento de água.
  • Os prejuízos agrícolas nacionais chegaram a ₱8,57 bilhões até 21 de outubro, afetando mais de 288 mil agricultores.
  • Chuvas fortes continuam possíveis, com previsão de dois a seis ciclones tropicais na Área de Responsabilidade das Filipinas ou entrando nela entre novembro e abril.
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