Pedido de Tk 30.000 se espalha por distritos industriais
Pelo menos 30 fábricas de confecção em Kathgara e arredores, em Ashulia, suspenderam as atividades no sábado, enquanto trabalhadores exigiam um salário mínimo mensal de Tk 30.000. Em Gazipur, manifestações provocaram um congestionamento de quase dois quilômetros na rodovia Dhaka-Tangail. O governo prometeu criar uma comissão salarial no domingo e pediu que os trabalhadores voltassem às fábricas.
Conteúdo
- Pedido de Tk 30.000 se espalha por distritos industriais
- Como a paralisação se espalhou por Ashulia
- Confrontos deixam feridos e mobilizam forças de segurança
- Protestos em Gazipur bloqueiam uma rodovia importante
- Trabalhadores relacionam salários maiores à manutenção do emprego
- O que faria a comissão salarial prometida
- Salários atrasados entram nas negociações
- Como a disputa se desenvolveu
- Principais pontos
O pedido elevaria o salário mínimo mensal em Tk 17.500 em relação ao atual, de Tk 12.500, segundo o líder sindical Khairul Mamun Mintu. O aumento é de 140%, e o salário proposto corresponde a 2,4 vezes o valor vigente. Os trabalhadores também reivindicaram o fim de supostas listas negras e demissões arbitrárias, levando a segurança no emprego para uma disputa que já tinha como foco o custo de sustentar uma família.
Mohammad Mominul Islam Bhuiyan, superintendente da Polícia Industrial-1 de Ashulia, confirmou o fechamento de pelo menos 30 fábricas por volta das 13h45. Outra informação atribuiu ao mesmo superintendente da polícia o número de 25 unidades fechadas. Gerentes mandavam os trabalhadores para casa à medida que as manifestações se espalhavam e aumentava a preocupação com danos a prédios e confrontos nas áreas externas.
O ministro do Trabalho e Emprego, Ariful Haque Chowdhury, disse que o governo criaria uma comissão de salário mínimo e publicaria o anúncio no Diário Oficial no domingo. O anúncio veio após conversas com líderes sindicais e representantes dos setores de confecção e malharia.
Uma nova comissão daria início ao processo de revisão dos salários. Os trabalhadores ainda buscavam um acordo sobre o valor que deveriam receber, além de medidas para solucionar atrasos salariais e problemas nas práticas de contratação e demissão.
Como a paralisação se espalhou por Ashulia
Trabalhadores da Naim Knitwear, em Kathgara, iniciaram uma paralisação dentro da fábrica na manhã de sábado, segundo a polícia. Mais tarde, foram para a área externa, fizeram uma manifestação e atiraram tijolos contra várias fábricas próximas. Em seguida, policiais e manifestantes perseguiram uns aos outros pela região.
A interrupção das atividades se estendeu por Kathgara e áreas próximas do polo industrial de Ashulia, incluindo Jirab, Narsinghpur e Amtala. Um funcionário de uma fábrica de confecção em Kathgara Amtala disse que quase todas as unidades nos arredores, com exceção de duas ou três, haviam anunciado folga. A direção avaliaria a situação antes de decidir os próximos passos.
Continental, AR Jeans e CWA estavam entre as fábricas onde foram relatados danos. Janelas da AR Jeans e da Continental foram quebradas. Vários gerentes suspenderam as atividades enquanto trabalhadores se reuniam do lado de fora e aumentava a pressão para que fábricas vizinhas interrompessem a produção.
Motoristas de autorriquixás que usavam a estrada Bishmail-Jirabo disseram que o trânsito parou depois do início dos protestos. Eles se deslocaram para locais mais seguros para evitar ficar presos nos confrontos. Assim, para trabalhadores, motoristas e empresas próximas, a interrupção imediata foi além dos portões das fábricas.
O superintendente da polícia disse que os agentes tentavam convencer os manifestantes a dispersar. Ele também manifestou preocupação de que grupos de trabalhadores reunidos em diferentes locais impedissem funcionários de outras fábricas de trabalhar.
Confrontos deixam feridos e mobilizam forças de segurança
O superintendente da polícia de Ashulia, Mominul Islam Bhuiyan, disse que um agente foi hospitalizado com um ferimento na cabeça causado por tijolos arremessados por manifestantes. O superintendente-adjunto Syed Faisal Islam também teria informado que seis policiais ficaram feridos, além de outras pessoas.
Trabalhadores e pessoas que passavam pela região estavam entre os feridos nos confrontos. A polícia usou gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral ao tentar dispersar a multidão em Nischintapur. O inspetor Abul Kalam Azad, da Polícia Industrial-1, disse que agentes de segurança adicionais foram mobilizados e que os policiais monitoravam a área industrial.
A polícia também encontrou três objetos semelhantes a bombas artesanais perto de uma fábrica em Nischintapur, na estrada Baipail-Abdullahpur. O superintendente da polícia situou o achado do lado de fora de uma fábrica do Nasa Group e disse que a Unidade Antiterrorismo da Polícia de Bangladesh havia sido informada; outra descrição localizou os objetos do lado de fora da New Age e disse que a polícia de Ashulia havia sido avisada.
Não havia confirmação sobre quem levou ou deixou os objetos, nem se continham explosivos. A polícia disse que especialistas dariam os próximos passos no local.
Protestos em Gazipur bloqueiam uma rodovia importante
Trabalhadores de várias fábricas próximas à Chandra Palli Bidyut, em Kaliakair, Gazipur, pararam de trabalhar e foram para as ruas por volta do meio-dia de sábado. Entre as reivindicações estava o mesmo salário mínimo mensal de Tk 30.000 pedido em Ashulia, além de benefícios maiores.
Funcionários de fábricas próximas se juntaram à manifestação, interrompendo o trânsito nos dois sentidos da rodovia Dhaka-Tangail. O inspetor Abdul Karim, do posto policial de Naojor, disse por volta das 16h30 que o congestionamento chegava a quase dois quilômetros e que o protesto continuava.
Por volta das 17h30, o superintendente da Polícia Industrial de Gazipur, Amjad Hossain, disse que trabalhadores de 10 a 12 fábricas de diferentes pontos de Gazipur haviam feito manifestações. Entre 18 e 20 fábricas de Kaliakair haviam decretado folga em meio à agitação.
Abdul Karim disse que trabalhadores das fábricas que fecharam à tarde também estavam aderindo ao protesto. Os fechamentos, portanto, alteraram o fluxo de pessoas pela região: os funcionários que deixaram as linhas de produção se somaram à multidão que já ocupava a rodovia.
Amjad Hossain, o principal oficial da polícia industrial responsável pela resposta em Gazipur, descreveu a atuação policial:
Estamos tentando controlar a situação.
As manifestações também chegaram a Dhaka, onde trabalhadores do setor de confecção bloquearam o cruzamento de Mirpur 10 no sábado. Assim, no mesmo dia, os protestos salariais afetaram um cruzamento urbano, as vias que atendem às fábricas de Ashulia e uma rodovia importante em Gazipur.
Trabalhadores relacionam salários maiores à manutenção do emprego
Khairul Mamun Mintu, secretário de assuntos jurídicos do Centro Sindical de Trabalhadores de Confecção e Malharia de Bangladesh, disse que os trabalhadores reivindicam há muito tempo um salário mínimo de Tk 30.000. Ele citou a alta dos preços dos alimentos, dos aluguéis, das despesas médicas e de outros custos domésticos como motivos pelos quais o mínimo atual é insuficiente.
A reivindicação salarial é um pedido para elevar o menor pagamento mensal previsto no sistema de salários. Para quem recebe Tk 12.500, o aumento solicitado de Tk 17.500 seria maior do que todo o salário mínimo mensal atual. Isso ajuda a explicar a distância entre o que os trabalhadores recebem e o que os manifestantes reivindicam.
Os trabalhadores também acusaram fábricas de demitir sem justificativa funcionários experientes e compartilhar listas negras que os impediam de conseguir outro emprego no setor de confecção. Nesse contexto, lista negra significa divulgar o nome de um trabalhador para que outros empregadores evitem contratá-lo.
As reivindicações dos protestos incluíam cancelar essas listas, interromper demissões arbitrárias, oferecer apoio aos trabalhadores demitidos e garantir condições de trabalho seguras. Um salário maior pouco ajuda uma família se quem sustenta a casa perde acesso ao emprego, o que torna essas reivindicações trabalhistas diretamente ligadas à disputa salarial.
Mintu disse que os trabalhadores esperavam o anúncio da criação de uma comissão salarial até outubro. Segundo ele, o descumprimento dessa expectativa alimentou a revolta. Em uma reunião ministerial na noite de sexta-feira, ficou acertado que o trabalho para criar a comissão começaria até domingo, mas ele disse que essa informação não chegou adequadamente aos trabalhadores.
O que faria a comissão salarial prometida
O ministro do Trabalho, Ariful Haque Chowdhury, disse no sábado que o governo criaria a comissão no domingo e publicaria a decisão no Diário Oficial. O Diário Oficial é a publicação formal do governo para decisões e comunicados legais.
O ministro fez o anúncio após reuniões com empregadores, representantes dos trabalhadores e autoridades do ministério. Segundo ele, as conversas anteriores com líderes sindicais do setor de confecção duraram várias horas. Representantes da Associação de Fabricantes e Exportadores de Roupas de Bangladesh, conhecida como BGMEA, e da Associação de Fabricantes e Exportadores de Malhas de Bangladesh, conhecida como BKMEA, haviam aceitado a reivindicação de criar uma comissão.
A estrutura da comissão salarial descrita no anúncio inclui um presidente, um membro independente, um representante dos empregadores e um representante dos trabalhadores. Quando os salários de um setor específico são analisados, representantes dos empregadores e dos trabalhadores daquele setor participam do processo.
O artigo 139 da Lei Trabalhista de Bangladesh prevê que o governo considere a fixação de salários mínimos para um setor após solicitação dos empregadores, dos trabalhadores ou de ambos. A comissão oferece a esses grupos um espaço formal para discutir o valor dos salários.
O ministro anunciou a criação da comissão, mas os Tk 30.000 reivindicados pelos trabalhadores continuavam sendo um pedido pendente de decisão. Não foi informada uma data para uma recomendação salarial definitiva, sua aprovação ou o início de pagamentos com valores revisados.
Isso deixa uma distância prática entre o compromisso imediato do governo e a mudança que os trabalhadores querem ver em seus contracheques. A publicação prometida no Diário Oficial no domingo era a próxima etapa anunciada do processo.
Salários atrasados entram nas negociações
Os salários não pagos também foram discutidos com representantes da BGMEA e da BKMEA, disse o ministro. As associações conversariam com os proprietários das fábricas e buscariam o pagamento dos valores pendentes o mais rápido possível.
As conversas incluíram a proposta de pagar os trabalhadores até o sétimo dia de cada mês. Para famílias que dependem de um salário regular, a data do pagamento determina se será possível quitar aluguel, alimentação e outras contas no vencimento, mesmo antes de qualquer novo salário mínimo ser definido.
Ariful pediu que os trabalhadores encerrassem as manifestações e voltassem ao trabalho. Ele argumentou que o fechamento de fábricas, os danos e as interrupções na produção poderiam atrasar as entregas aos compradores. Se os proprietários não conseguissem entregar as mercadorias e receber o pagamento, disse, também poderia ficar mais difícil pagar os salários.
O ministro também acusou pessoas de fora de incentivar os trabalhadores a protestar. Em suas declarações públicas, ele não identificou essas pessoas. Já representantes dos trabalhadores relacionaram a revolta aos salários, às demissões, às supostas listas negras e ao atraso no anúncio da comissão salarial.
A resposta do governo, portanto, envolvia várias tarefas diferentes: criar a comissão salarial, pressionar os empregadores a quitar os atrasados e incentivar as fábricas a retomar a produção. Cada medida aborda uma parte diferente da disputa, e a promessa de criar a comissão deixou as demais reivindicações em aberto.
Como a disputa se desenvolveu
A agitação de sábado foi precedida por vários dias de protestos salariais na área industrial de Gazipur. Os principais acontecimentos descritos por autoridades e representantes dos trabalhadores foram:
- Sexta-feira: Líderes sindicais se reuniram com o ministro durante várias horas. Mintu disse que, naquela noite, uma reunião ministerial concordou em começar até domingo o trabalho para criar uma comissão salarial.
- Sábado de manhã: Trabalhadores da Naim Knitwear, em Ashulia, pararam de trabalhar antes que as manifestações se espalhassem para fábricas próximas.
- Sábado, por volta do meio-dia: Trabalhadores perto da Chandra Palli Bidyut, em Kaliakair, foram para as ruas e interromperam a rodovia Dhaka-Tangail.
- Sábado, por volta das 13h45: O superintendente da polícia industrial de Ashulia confirmou que pelo menos 30 fábricas haviam decretado folga.
- Sábado, por volta das 16h30: A polícia disse que a fila de veículos perto de Chandra se estendia por quase dois quilômetros e que o protesto continuava.
- Sábado, por volta das 17h30: O superintendente da Polícia Industrial de Gazipur descreveu protestos dispersos envolvendo trabalhadores de 10 a 12 fábricas e o fechamento de 18 a 20 fábricas em Kaliakair.
- Domingo: O ministro prometeu criar a comissão salarial e publicar o anúncio no Diário Oficial.
O teste imediato para o governo é cumprir a etapa administrativa prometida. Para os trabalhadores, as questões centrais continuam sendo o valor final do salário, o pagamento dos valores já devidos e a possibilidade de manter ou recuperar o emprego sem serem excluídos de outras fábricas.
Principais pontos
- Trabalhadores do setor de confecção reivindicaram salário mínimo mensal de Tk 30.000, ante o mínimo atual de Tk 12.500 citado por um líder sindical.
- A polícia de Ashulia informou o fechamento de pelo menos 30 fábricas; outro relato atribuiu ao mesmo superintendente o número de 25 unidades fechadas.
- Confrontos em Ashulia deixaram policiais e outras pessoas feridas, e três objetos semelhantes a bombas artesanais foram encontrados em Nischintapur.
- Protestos em Kaliakair provocaram um congestionamento de quase dois quilômetros, e entre 18 e 20 fábricas decretaram folga.
- O ministro do Trabalho prometeu criar uma comissão salarial e publicar o anúncio no Diário Oficial no domingo, além de pedir que os trabalhadores voltassem ao trabalho.
- Os trabalhadores também reivindicaram medidas para resolver salários atrasados, supostas listas negras e demissões arbitrárias. A decisão sobre um novo salário ainda estava pendente.






