Casos aumentam 66,8% e escolas enfrentam pressão crescente
A cidade de Ho Chi Minh registrou 44.191 casos de doença mão-pé-boca até a semana 43 de 2026, um aumento de 17.705 casos, ou 66,8%, em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Centro de Controle de Doenças da cidade de Ho Chi Minh (HCDC). Cinco pessoas morreram, e as autoridades de saúde detectaram mais de 1.600 surtos, concentrados principalmente em escolas.
Conteúdo
- Casos aumentam 66,8% e escolas enfrentam pressão crescente
- Onde o aumento é mais evidente
- Por que o EV71 exige atenção especial
- Quais sintomas exigem atendimento urgente?
- Crianças podem se infectar fora da escola
- O que as escolas devem fazer até o fim do ano
- Que proteção a vacina contra EV71 oferece?
- A dengue exige outra resposta em casa
- Di An leva a campanha para casas e salas de aula
- Principais pontos
A cidade registrou 1.850 casos entre 19 e 25 de outubro. A vigilância até 18 de outubro também identificou 60 amostras positivas para enterovírus 71, conhecido como EV71, um vírus que pode causar complicações perigosas que afetam o cérebro, a respiração e a circulação.
O aumento ocorre enquanto a cidade enfrenta outra doença infecciosa: a dengue. Mais de 42.500 casos de dengue e 11 mortes foram registrados até a semana 43. Juntas, as duas doenças motivaram uma campanha que abrange residências, pré-escolas, grupos de cuidado infantil e locais de reprodução de mosquitos.
Para as famílias, as prioridades imediatas são reconhecer os sintomas cedo, manter crianças doentes afastadas de ambientes coletivos sob orientação médica e manter a higiene das mãos e a limpeza. A maioria das crianças com doença mão-pé-boca se recupera em sete a 10 dias, mas médicos alertam que algumas podem ficar gravemente doentes nos primeiros dias.
As autoridades de saúde lançaram uma campanha de prevenção no bairro de Di An em 31 de outubro, levando a resposta para os bairros e as salas de aula. A campanha combina verificações de higiene nas escolas com visitas domiciliares para eliminar água parada, já que as duas doenças se propagam de maneiras diferentes e exigem medidas distintas de prevenção.
Onde o aumento é mais evidente
Os dados do HCDC mostram que os casos de doença mão-pé-boca começaram a subir acentuadamente no início de setembro. As infecções semanais superaram a média dos cinco anos anteriores por quatro semanas consecutivas, indicando que a carga recente foi maior do que o habitual na cidade.
A comparação com 2025 é expressiva: os casos passaram de 26.486 para 44.191 no mesmo período de notificação. Isso significa que, em 2026, a cidade registrou cerca de 167 casos para cada 100 registrados um ano antes.
A Zona Especial de Con Dao, Can Gio e Binh Khanh tiveram algumas das maiores taxas de infecção registradas. As respectivas taxas foram de 883, 693 e 597 casos por 100 mil habitantes. Usar o mesmo tamanho populacional facilita a comparação entre locais com diferentes números de habitantes. Esses dados representam taxas acumuladas de infecção, e não o número de pessoas atualmente doentes.
Os principais acontecimentos se desenrolaram ao longo de várias semanas:
- Início de setembro: as infecções por doença mão-pé-boca começaram a subir acentuadamente.
- 18 de outubro: a vigilância havia identificado 60 amostras positivas para EV71.
- 19 a 25 de outubro: a cidade registrou 1.850 novos casos, elevando o total acumulado para 44.191.
- 31 de outubro: as autoridades de saúde e do bairro de Di An lançaram uma campanha conjunta de prevenção.
- Outubro e novembro: as autoridades locais devem inspecionar locais com risco de transmissão de doenças e ampliar as verificações em unidades de cuidado infantil.
- Até o fim de 2026: a cidade pretende concluir as inspeções de todas as pré-escolas e grupos de cuidado infantil previstos no plano.
Por que o EV71 exige atenção especial
A doença mão-pé-boca pode ser causada por vários enterovírus, um grupo de vírus associado ao trato digestivo. O EV71 é um deles. Outros incluem o coxsackievírus A16, o coxsackievírus A6 e os echovírus.
A médica Le Thi Giao Thi, do Sistema de Farmácias e Vacinação Long Chau, disse que a maioria das crianças apresenta sintomas leves e se recupera em cerca de sete a 10 dias. O EV71, porém, pode causar danos ao sistema nervoso central, que inclui o cérebro e a medula espinhal.
As complicações podem incluir encefalite, isto é, inflamação do cérebro, e inflamação do tronco cerebral, que ajuda a controlar funções essenciais, como a respiração. A doença grave também pode afetar a circulação, provocar acúmulo de líquido nos pulmões e levar à insuficiência respiratória.
O médico Nguyen Dinh Qui, chefe do Departamento de Planejamento Geral do Hospital Infantil 2, alertou que as infecções por EV71 podem passar despercebidas quando as crianças apresentam poucas manchas vermelhas visíveis ou quando elas aparecem em locais menos evidentes. Por isso, os pais precisam observar o comportamento, os movimentos e a respiração da criança, além de verificar se há a erupção cutânea característica.
O HCDC registrou 60 amostras positivas para EV71, mas não informou o total de amostras testadas. Portanto, não se sabe qual proporção das amostras analisadas continha esse vírus.
Quais sintomas exigem atendimento urgente?
Febre, feridas na boca e bolhas ou erupções nas palmas das mãos e nas plantas dos pés são sinais comuns da doença mão-pé-boca. A erupção também pode aparecer nas nádegas. Crianças com suspeita de sintomas devem passar por uma avaliação médica para que os responsáveis saibam como monitorá-las.
O médico Qui aconselhou os pais a levarem a criança imediatamente ao hospital se surgir algum sinal de alerta de doença grave. Sua recomendação inclui observar alterações que podem parecer pequenas no início, como tremores ao segurar um brinquedo ou ficar calada demais e sem vontade de brincar.
- Febre acima de 39 graus Celsius ou que persista por dois dias ou mais.
- Sustos ou espasmos repentinos e repetidos, especialmente quando a criança começa a adormecer.
- Tremores nas mãos, dificuldade para caminhar ou fraqueza nos braços ou nas pernas.
- Vômitos repetidos ou incapacidade de manter os alimentos no estômago.
- Sonolência incomum, letargia ou atividade muito menor que o normal.
- Respiração acelerada, dificuldade para respirar ou outra piora incomum.
O médico Du Tuan Quy, chefe do Departamento de Doenças Infecciosas e Neurologia do Hospital Infantil 1, também pediu aos pais que ajam rapidamente quando surgirem sinais de alerta. Esperar até a manhã seguinte ou o fim de um fim de semana pode permitir que uma doença de progressão rápida se torne mais perigosa.
Segundo o departamento de saúde da cidade, não há um medicamento específico que cure diretamente a doença mão-pé-boca ou a dengue. O atendimento médico continua sendo essencial para avaliar a gravidade, tratar a doença e responder a complicações.
Crianças podem se infectar fora da escola
Pré-escolas e grupos de cuidado infantil são centrais na resposta porque as crianças passam tempo juntas e compartilham brinquedos e outros objetos. Os vírus podem ser transmitidos pela saliva, pelo líquido das bolhas e pelas fezes, chegando a outra criança por meio de mãos, superfícies ou objetos contaminados.
O médico Du Tuan Quy disse que crianças que ainda não começaram a frequentar a escola também podem se infectar. Ele estimou que cerca de 10% a 20% das pessoas podem carregar o vírus sem apresentar sintomas, o que torna importante higienizar as mãos mesmo quando todos em casa parecem estar bem.
Os cuidadores devem lavar as mãos com água limpa e sabão antes de preparar alimentos ou dar comida às crianças, e depois de trocar fraldas ou limpar uma criança. O médico Quy também aconselhou os pais a lavar bem as mãos antes de cuidar dos filhos ao voltar do trabalho para casa.
Brinquedos, objetos domésticos e superfícies tocadas com frequência precisam ser limpos regularmente. Os pais devem avisar a escola da criança sobre uma suspeita de doença e mantê-la em casa até que um profissional de saúde indique que é seguro voltar.
A doença ocorre durante todo o ano, com aumentos recorrentes de março a maio e novamente a partir de setembro até os últimos meses do ano. A alta mais tardia coincide com a volta das crianças à escola, ampliando as oportunidades de contato próximo e de compartilhamento de objetos.
O que as escolas devem fazer até o fim do ano
O HCDC pediu que todas as pré-escolas, grupos de cuidado infantil e unidades de vacinação infantil façam limpeza diária e desinfecção pelo menos uma vez por semana. A frequência da limpeza e da desinfecção deve aumentar quando houver casos ou surtos.
Espera-se que as escolas verifiquem diariamente a presença e a saúde das crianças e avisem prontamente a unidade de saúde local sobre casos suspeitos. Pisos, móveis das salas de aula, brinquedos e objetos tocados com frequência estão entre os itens que precisam de atenção.
O plano de inspeção prioriza todas as pré-escolas e grupos de cuidado infantil que tenham um caso ou surto. Entre as demais unidades, as autoridades pretendem inspecionar pelo menos 50% em outubro e novembro e alcançar todas até o fim do ano.
Essas metas conectam a rotina diária das escolas à resposta mais ampla de saúde pública. Um professor que perceba uma criança doente pode avisar a unidade de saúde, enquanto os inspetores podem verificar se a escola dispõe de instalações adequadas para lavar as mãos e realiza a limpeza corretamente.
Também foi solicitado às unidades de saúde que identifiquem precocemente o agravamento dos casos, consultem outros profissionais quando necessário e providenciem transferências em tempo hábil para hospitais capazes de oferecer atendimento mais avançado. A notificação semanal deve acompanhar a execução da campanha.
Que proteção a vacina contra EV71 oferece?
O Vietnã aprovou em 2026 uma vacina contra o EV71 para crianças de dois meses a menos de seis anos. A vacina, Envacgen, tem como alvo a doença causada pelo EV71. As crianças ainda podem desenvolver a doença mão-pé-boca causada pelos outros vírus que provocam a enfermidade.
A médica Le Thi Giao Thi citou um ensaio clínico de fase III com mais de 3.000 crianças no Vietnã e em Taiwan, que constatou eficácia de 96,8% contra a doença causada pelo EV71. Ensaios de fase III testam uma vacina em um grupo maior para avaliar a proteção e a segurança antes de seu uso mais amplo.
O esquema básico descrito pela médica Thi consiste em duas doses com intervalo de cerca de dois meses, sendo o intervalo mínimo de 56 dias. Para crianças que recebem a primeira dose antes de completar dois anos, recomenda-se uma dose de reforço adicional 10 meses após a segunda dose. Os pais devem confirmar o esquema adequado com um serviço de vacinação autorizado e seguir as instruções do produto.
O médico Du Tuan Quy disse que a vacinação pode ser considerada depois que uma criança que já teve doença mão-pé-boca se recuperar. A infecção por um vírus deixa a criança vulnerável a outros vírus do grupo; portanto, ter adoecido antes não elimina a necessidade de prevenção.
A vacina é oferecida em serviços de vacinação pagos, e o custo fica a cargo das famílias. O HCDC aconselha os pais a buscar orientação de prestadores autorizados e continuar a higienização das mãos, a limpeza do ambiente e o monitoramento de sintomas.
A dengue exige outra resposta em casa
A cidade de Ho Chi Minh registrou 1.785 casos de dengue entre 19 e 25 de outubro, um aumento de 9,7% em relação à média das quatro semanas anteriores. O total acumulado de mais de 42.500 casos e 11 mortes aumenta a demanda sobre as famílias e os serviços de saúde.
A dengue é transmitida por mosquitos infectados. Por isso, a campanha de prevenção se concentra em recipientes com água e outros locais onde os mosquitos depositam ovos, e não nas medidas para evitar contato usadas contra a doença mão-pé-boca.
Os moradores estão sendo orientados a descartar objetos desnecessários que acumulem água, limpar e cobrir os recipientes de água e eliminar as larvas dos mosquitos. As larvas são a fase imatura dos mosquitos, que vivem na água antes de se desenvolverem em adultos voadores.
O HCDC pediu às autoridades locais que revisem, classifiquem e monitorem todos os locais identificados como áreas de risco para dengue em outubro e novembro. Áreas com casos ou surtos têm prioridade, e os locais que não passarem nas inspeções devem ser verificados novamente.
A aplicação de inseticidas deve seguir as orientações profissionais sobre quando, onde e como usá-los com segurança. Eliminar os focos de reprodução continua sendo necessário, pois a água deixada em recipientes pode favorecer uma nova geração de mosquitos depois da pulverização.
Di An leva a campanha para casas e salas de aula
O lançamento da campanha em 31 de outubro, no bairro de Di An, reuniu o Departamento de Saúde da cidade de Ho Chi Minh e o Comitê Popular do bairro. Huynh Minh Chin, vice-diretor do departamento de saúde, pediu prevenção rotineira, detecção precoce e ação oportuna, em vez de esperar que os surtos se ampliem.
Tran Van Dao, vice-presidente do Comitê Popular do bairro de Di An, disse que a mobilização local envolveria departamentos, organizações comunitárias e equipes de 28 bairros. As visitas domiciliares se concentrariam em eliminar recipientes com água que favorecem a reprodução dos mosquitos e em lidar com outros locais de risco.
As autoridades também inspecionaram a pré-escola Thong Nhat, verificando a higiene dos brinquedos, a desinfecção das salas de aula, as instalações para lavar as mãos com sabão e os procedimentos para identificar sinais iniciais da doença. A visita colocou as exigências de prevenção da cidade em perspectiva com as condições práticas que as crianças encontram todos os dias.
Di An mobilizou cinco veículos com alto-falantes para transmitir mensagens de prevenção em vias principais e em áreas residenciais, alojamentos alugados por trabalhadores e mercados. O esforço local reflete as duas tarefas imediatas da campanha: interromper a transmissão por contato entre crianças e reduzir a reprodução de mosquitos perto das casas.
Principais pontos
- A cidade de Ho Chi Minh registrou 44.191 casos de doença mão-pé-boca até a semana 43 de 2026, alta de 66,8% em relação ao mesmo período de 2025.
- Foram registradas cinco mortes e mais de 1.600 surtos, concentrados principalmente em escolas.
- A vigilância identificou 60 amostras positivas para EV71 até 18 de outubro.
- Sustos repetidos, sonolência incomum, tremores, dificuldade para caminhar, vômitos persistentes ou problemas respiratórios exigem atendimento médico urgente.
- A vacina contra EV71 foi aprovada para crianças de dois meses a menos de seis anos e protege contra a doença causada pelo EV71.
- As escolas devem fazer limpeza diária, desinfecção pelo menos semanal e inspeções que se estendem até o fim de 2026.
- A dengue causou mais de 42.500 casos e 11 mortes, motivando ações paralelas para eliminar água parada e larvas de mosquitos.






