BTS volta a São Paulo após sete anos, em meio a celebrações dos fãs e questionamentos sobre segurança

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BTS Return to São Paulo After Seven Years as Fan Celebrations Meet Safety Scrutiny

Um reencontro no estádio, com questões pendentes fora do palco

O BTS voltou a São Paulo em 28 de outubro de 2026, abrindo três shows com ingressos esgotados no Estádio do MorumBIS após sete anos longe do Brasil. Mais de 1,9 milhão de pessoas acessaram o sistema de venda de ingressos, com uma demanda estimada superior a 3,7 milhões de entradas. Dentro do estádio, Jimin reconheceu a espera em português. Fora do espetáculo, reclamações sobre lotação, ingressos digitais e acesso levaram a novas ações das autoridades de defesa do consumidor no Brasil.

Conteúdo
  1. Um reencontro no estádio, com questões pendentes fora do palco
  2. O significado do retorno para os fãs brasileiros
  3. Arquitetura coreana encontra o português brasileiro
  4. Por que quatro telões viraram uma questão para os consumidores
  5. Noite de abertura dá início a uma segunda investigação
  6. O que as autoridades querem saber das empresas
  7. Preparativos do transporte contrastam com uma volta para casa difícil
  8. Fãs levam a recepção às ruas e aos cinemas
  9. As datas que marcaram os shows no Brasil
  10. Principais pontos

Jimin, um dos sete integrantes do grupo, falou ao público da noite de abertura e prometeu que o reencontro seria especial:

A gente levou 7 anos pra voltar pra São Paulo de novo. Então, vamos fazer um show incrível!

A mensagem transmitiu: "Levamos 7 anos para voltar a São Paulo, então vamos fazer um show incrível!" A saudação tornou pessoal um evento realizado em um estádio lotado, conectando o retorno do grupo à paciência de sua comunidade brasileira de fãs, conhecida como ARMY.

Os shows seguintes estavam marcados para 30 e 31 de outubro. Antes dessas apresentações, a Secretaria Nacional do Consumidor, ou Senacon, exigiu que a promotora Live Nation Brasil e a vendedora de ingressos Ticketmaster Brasil respondessem em até 24 horas sobre os problemas relatados na noite de abertura.

A Live Nation afirmou que o show de 28 de outubro respeitou a capacidade de público autorizada e que todas as pessoas com ingresso oficial conseguiram entrar. Fãs relataram corredores lotados, filas confusas e dificuldade para entrar e sair do local. Esses relatos divergentes colocaram a experiência prática de assistir aos shows ao lado da celebração pelo retorno do BTS.

O significado do retorno para os fãs brasileiros

A turnê ARIRANG vem após uma pausa de quatro anos, associada ao cumprimento do serviço militar obrigatório da Coreia do Sul pelos integrantes. Para RM, Jin, Suga, J-Hope, Jimin, V e Jung Kook, as datas no Brasil também marcaram a etapa final de uma passagem pela América Latina que incluiu Colômbia, Peru, Chile e Argentina.

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A produção prioriza músicas do álbum Arirang, mas mantém sucessos mais antigos. Ao longo da turnê, o repertório segue, em grande parte, uma estrutura consistente, com duas músicas-surpresa diferentes a cada noite. Assim, quem vai a mais de um show tem algo novo sem que o formato principal do espetáculo mude.

A estimativa de mais de 3,7 milhões de ingressos demandados ajuda a explicar a intensidade em torno das três datas em São Paulo. A procura por ingressos e o público presente medem coisas diferentes: uma pessoa pode tentar comprar vários ingressos, e os acessos a um sistema de vendas indicam interesse, não o número de lugares ocupados. Os dados mostram a dimensão da corrida pela compra.

Os fãs também mantiveram o vínculo com os integrantes individualmente nos anos entre as visitas. A música solo de Jimin, Who, permaneceu por 13 semanas na Billboard's Brazil Hot 100, ilustrando como sua música continuou chegando aos ouvintes brasileiros antes do retorno do grupo reunido.

Arquitetura coreana encontra o português brasileiro

O palco foi montado para que o público ficasse ao redor do BTS, e não apenas à sua frente. O pavilhão central foi inspirado no jeongja coreano, um pavilhão tradicional, e no Pavilhão Gyeonghoeru, no Palácio Gyeongbokgung. O projeto transformou referências arquitetônicas da Coreia no centro compartilhado de um encontro em estádio.

Elementos inspirados no Taegeukgi, a bandeira da Coreia do Sul, apareceram sob os artistas. Passarelas se estendiam em várias direções, em uma configuração inspirada nos quatro trigramas da bandeira, conhecidos como Geongongamri. São grupos de linhas que fazem parte do simbolismo da bandeira.

V, outro integrante do BTS, usou uma linguagem marcadamente brasileira em sua saudação. Ele elogiou o público com gírias em português:

ARMY ARRASA! Papo reto, vocês são os melhores!

A mensagem significava: "A ARMY é demais! Falando sério, vocês são os melhores!" Ao lado do reconhecimento de Jimin pela ausência de sete anos, ela proporcionou aos fãs brasileiros uma interação ligada especificamente à cidade, dentro de uma produção que percorre vários continentes.

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Por que quatro telões viraram uma questão para os consumidores

O Procon-SP, órgão de defesa do consumidor do estado de São Paulo, registrou 518 reclamações relacionadas aos shows do BTS promovidos pela Live Nation entre janeiro e 21 de outubro. Dessas, 460 diziam respeito à estrutura do show, cerca de 89% do total.

Consumidores relataram ao órgão que shows na Ásia, na Europa e na América do Norte usaram 12 telões, em comparação com quatro telões centrais na configuração sul-americana. Fãs em setores superiores da arquibancada demonstraram preocupação especial com a dificuldade de ver o espetáculo à distância.

Um palco cercado pelo público e telões voltados para todos os lados atendem a aspectos diferentes da experiência de assistir ao show. O palco define por onde os artistas podem se movimentar; os telões permitem que quem está longe acompanhe rostos, gestos e coreografias. Por isso, o tamanho, a posição e o ângulo dos telões em relação a cada setor também importam, assim como o mapa do palco.

O Procon-SP notificou a Live Nation em 22 de outubro e estabeleceu o prazo de resposta para 23 de outubro. O órgão solicitou informações sobre o número, as dimensões, a tecnologia e a localização dos telões, comparações com produções realizadas em outros lugares, anúncios sobre os ingressos e o projeto técnico apresentado às autoridades municipais. Também perguntou sobre medidas para espectadores com deficiência ou baixa visão.

A Live Nation atribuiu a configuração regional a restrições logísticas e de cronograma. A empresa afirmou que quatro telões de LED na torre central estavam voltados para todos os lados do estádio e que o palco central e suas quatro extensões correspondiam à configuração divulgada quando os ingressos começaram a ser vendidos, em abril. Também disse que a produção de São Paulo seguiria o formato usado em outros países da América do Sul e que as datas, os setores e o mapa do evento divulgados não haviam mudado.

Noite de abertura dá início a uma segunda investigação

A atuação da Senacon começou antes do primeiro show no Brasil. Em 23 de outubro, a autoridade federal de defesa do consumidor solicitou documentos à Live Nation e à Ticketmaster sobre a produção e as informações fornecidas aos compradores, concedendo cinco dias para a resposta, incluindo feriados.

Ricardo Morishita, titular da Senacon, descreveu a questão como relacionada à venda de ingressos e à clareza das informações sobre o palco:

A questão é a forma como os ingressos foram vendidos e as informações fornecidas sobre a estrutura do palco. Os consumidores têm o direito de receber informações transparentes, precisas e claras.

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Após o show de 28 de outubro, a autoridade pediu novos esclarecimentos em até 24 horas sobre acesso, controle de público e venda de ingressos. Fãs relataram filas longas e desorganizadas, sinalização insuficiente, dificuldade para se orientar, aglomerações e falhas na entrega ou validação de ingressos digitais.

O portão 17 teria sido fechado por volta das 18h40 e reaberto cerca de uma hora depois. Pessoas com ingressos válidos disseram que ficaram do lado de fora enquanto chovia. A Live Nation afirmou que problemas pontuais no portão foram resolvidos e reiterou que todos os portadores de ingressos oficiais conseguiram entrar.

Luana Kopke, influenciadora digital que assistiu ao show da arquibancada, relatou que pessoas ocupavam corredores e rotas de acesso porque aparentemente não havia espaço suficiente nos assentos. Outros espectadores fizeram reclamações semelhantes sobre passagens lotadas. A Senacon solicitou registros que permitissem comparar o número de pessoas admitidas com a capacidade aprovada e examinar como a entrada foi organizada.

O que as autoridades querem saber das empresas

A Live Nation foi instada a apresentar o certificado de vistoria do Corpo de Bombeiros, alvarás, outras licenças e documentos que atribuam responsabilidade pelas estruturas instaladas. A Senacon também pediu o total de ingressos emitidos para cada data e setor, incluindo cortesias, credenciais e um lote colocado à venda pouco antes dos shows.

Esse lote adicional se tornou um foco específico da investigação. As autoridades queriam saber quando foi disponibilizado, quantos ingressos incluía e como as vendas se relacionavam com o público máximo autorizado.

A Ticketmaster foi instada a fornecer dados de vendas e emissão por data, setor e categoria de venda, além do número de ingressos validados nas catracas. A Senacon também solicitou detalhes sobre falhas nos ingressos digitais, clientes afetados, reclamações, pedidos de reembolso e medidas para evitar problemas semelhantes nos shows seguintes.

A Live Nation deveria explicar o fechamento do portão 17, informar quantos portadores de ingressos válidos tiveram a entrada atrasada ou impedida e descrever a assistência ou compensação oferecida. A autoridade também solicitou os planos de acesso, organização das filas e segurança.

Até a publicação do relato, em 29 de outubro, não havia sido divulgado nenhum parecer regulatório final, o total completo de público ou uma resposta detalhada das empresas a essas solicitações. O prazo imediato era a nova exigência de esclarecimentos em até 24 horas, antes dos shows restantes, em 30 e 31 de outubro.

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Preparativos do transporte contrastam com uma volta para casa difícil

A operação de transporte de São Paulo se preparou para um aumento considerável da demanda, com cerca de 90 mil pessoas esperadas no estádio a cada noite. Era uma estimativa prévia de público, enquanto o número real de pessoas admitidas estava entre os dados solicitados pela Senacon.

A Motiva, operadora da Linha 4-Amarela do metrô, manteve o embarque na estação São Paulo-Morumbi até 0h30 e disponibilizou trens de reserva e funcionários extras. A SPTrans destinou 13 linhas de ônibus ao atendimento do público dos shows nas três datas.

A estação São Paulo-Morumbi fica a cerca de 1,5 quilômetro do estádio. A operadora recomendou comprar antecipadamente a passagem de volta. As conexões pelas estações Luz, República e Pinheiros ligaram o fluxo dos shows a outras linhas ferroviárias importantes.

Apesar dos preparativos, fãs relataram esperar mais de três horas para embarcar após o show. Também disseram que uma das entradas da estação havia sido fechada, concentrando as pessoas em uma única avenida. As reclamações estenderam as dificuldades de organização da noite para além dos portões do estádio.

O recorde registrado na Linha 4 ajuda a contextualizar a demanda pelo transporte. O maior movimento desde a pandemia foi de 770.821 embarques, em 14 de maio de 2025, quando uma partida de futebol do São Paulo no MorumBIS coincidiu com um show do System of a Down em Interlagos. Só a estação Pinheiros registrou 127.275 embarques naquele dia. Não foi informado um total comparável para a noite de abertura do BTS.

Fãs levam a recepção às ruas e aos cinemas

Fãs de Jimin planejaram seis ônibus com anúncios circulando por São Paulo durante 30 dias, além de publicidade em 38 telas no Terminal Rodoviário do Tietê, de 27 a 31 de outubro. Também foi planejada uma faixa de 45 metros para os portões do estádio.

Mensagens de aniversário para Jimin, que faz aniversário em 13 de outubro, estavam previstas em pontos de ônibus perto do MorumBIS entre 22 de outubro e 4 de novembro. As iniciativas levaram a recepção para além das datas dos shows e a espaços frequentados por passageiros e visitantes que chegam à cidade.

Fãs de fora de São Paulo também puderam participar. Sessões de cinema intituladas BTS World Tour 'Arirang' in São Paulo: Live Viewing estavam programadas para 30 e 31 de outubro em Belo Horizonte e na região metropolitana.

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Entre os cinemas participantes estavam Pátio Savassi, Diamond Mall, BH Shopping, Partage Shopping Betim, Shopping Estação BH, Boulevard Shopping, Minas Shopping, Shopping Del Rey e Shopping Cidade. As sessões vieram após uma transmissão ao vivo de Buenos Aires, em 24 de outubro, e outra sessão de cinema no dia seguinte.

A recepção em São Paulo veio na esteira de homenagens em outras partes da América Latina. Em Lima, o BTS usou ponchos e chullos peruanos tradicionais, enquanto o distrito de Santiago de Surco mudou temporariamente o nome da Calle Sacramento para Avenida BTS. Em Buenos Aires, os integrantes vestiram a camisa argentina número 10 de Lionel Messi, cantaram com os fãs o hino do futebol Muchachos e receberam da Câmara Municipal o título de Hóspedes de Honra.

As datas que marcaram os shows no Brasil

A celebração e os questionamentos sobre os direitos dos consumidores avançaram juntos nas últimas semanas de outubro. A sequência mostra como as dúvidas sobre as informações divulgadas antes dos shows se ampliaram para incluir questões sobre o que ocorreu na primeira apresentação.

  • 19 de outubro: a Live Nation afirmou que São Paulo usaria o mesmo formato de produção das outras datas sul-americanas.
  • 21 de outubro: o número de reclamações registradas pelo Procon-SP chegou a 518, incluindo 460 sobre a estrutura do show.
  • 22 de outubro: o Procon-SP notificou a Live Nation e solicitou documentos sobre a produção e acessibilidade até o dia seguinte.
  • 23 de outubro: a Senacon solicitou documentos à Live Nation e à Ticketmaster, concedendo cinco dias para a resposta.
  • 28 de outubro: o BTS abriu seus shows em São Paulo; fãs relataram problemas de entrada, aglomerações e atrasos no transporte.
  • 29 de outubro: uma nova solicitação da Senacon pediu esclarecimentos sobre a noite de abertura em até 24 horas.
  • 30 e 31 de outubro: estavam programados os shows restantes no MorumBIS e as transmissões nos cinemas.

Para quem tinha ingresso e voltaria ao MorumBIS, as preocupações imediatas eram concretas: receber um ingresso válido, encontrar a entrada certa, circular pelo local, assistir ao show e voltar para casa. Essas necessidades práticas agora se somavam ao significado emocional de compartilhar novamente um estádio com o BTS.

Principais pontos

  • O BTS abriu três shows com ingressos esgotados em São Paulo em 28 de outubro, voltando ao Brasil após sete anos.
  • Jimin e V falaram com os fãs brasileiros em português durante uma produção que incorporou referências à arquitetura e à bandeira coreanas.
  • O Procon-SP registrou 518 reclamações até 21 de outubro, sendo 460 sobre a estrutura do show.
  • Antes dos shows, a Senacon pediu documentos sobre os telões e as informações sobre ingressos; depois, exigiu esclarecimentos sobre o acesso na noite de abertura, a capacidade e os ingressos digitais.
  • A Live Nation afirmou que o primeiro show respeitou a capacidade autorizada e que todos os portadores de ingressos oficiais entraram.
  • Os shows restantes estavam marcados para 30 e 31 de outubro, com transmissões nos cinemas de Belo Horizonte e cidades próximas.
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