Tribunal da Indonésia dá prazo até outubro de 2028 para que parlamentares submetam militares à Justiça comum

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Indonesia Court Gives Lawmakers Until October 2028 to Open Civilian Courts to Soldiers

Prazo para uma reforma adiada desde 2004

O Tribunal Constitucional da Indonésia deu ao governo e ao Parlamento até outubro de 2028 para reescrever a lei de justiça militar do país, estabelecendo um prazo para uma reforma aguardada desde 2004: permitir que tribunais civis julguem soldados acusados de crimes comuns.

Conteúdo
  1. Prazo para uma reforma adiada desde 2004
  2. Quais crimes cabem em cada tribunal?
  3. Por que a promessa de 2004 nunca entrou em vigor
  4. O caso de Medan por trás da ação
  5. Assassinato de jornalista expõe divisão nas investigações
  6. O ataque com ácido que renovou a pressão
  7. O que o Parlamento e o ministério estão preparando
  8. A reforma precisa ir além dos tribunais
  9. Ampliação do papel militar torna a responsabilização mais urgente
  10. Pontos principais

Os nove juízes do tribunal decidiram por unanimidade, em 15 de outubro de 2026, que a Lei nº 31 de 1997, sobre Justiça Militar, é inconstitucional sob certas condições. Nos termos da Decisão nº 260/PUU-XXIII/2025, a lei perderá sua força jurídica vinculante se os parlamentares não a alterarem em até dois anos.

A ação reuniu famílias cujas experiências mostram como a escolha do tribunal afeta o acesso à Justiça. Uma das autoras é a mãe de Michael Histon Sitanggang, um menino de 15 anos cuja agressão fatal em Medan levou um soldado a receber pena de 10 meses de prisão. Outra é Eva Meilani, cujo pai, o jornalista Rico Sempurna Pasaribu, morreu com três familiares em um incêndio criminoso em Sumatra do Norte.

Os artigos 24(1) e 28D(1) da Constituição da Indonésia de 1945 protegem a independência judicial e a igualdade perante a lei. O tribunal concluiu que o sistema de justiça militar precisava mudar para cumprir essas garantias, inclusive estabelecendo uma fronteira clara entre infrações militares e crimes comuns.

Para as vítimas, a questão prática começa antes do julgamento. Pela lei de 1997, a polícia civil geralmente não pode investigar militares na ativa. As investigações, acusações e julgamentos ocorrem, em vez disso, dentro de uma estrutura militar cujos juízes também são soldados na ativa. A reforma precisa, portanto, definir quem pode investigar uma denúncia, quem decide se ela chega ao tribunal e qual tribunal julgará o caso.

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Quais crimes cabem em cada tribunal?

A ação contestou o artigo 9(1), especificamente sua referência ampla a infrações penais, além dos artigos 43(3) e 127. Esses últimos dispositivos tratam da resolução de divergências entre promotores militares e autoridades responsáveis por encaminhar casos a julgamento.

Os autores pediram ao tribunal que restringisse o artigo 9(1), de modo que a jurisdição militar abrangesse crimes militares. Jurisdição significa a autoridade legal para investigar ou julgar um caso. O argumento foi que a condição de soldado não deveria, por si só, colocar um processo criminal comum dentro do sistema militar.

A juíza Enny Nurbaningsih explicou o risco quando a infração não tem caráter militar, mas a responsabilização continua dentro de uma estrutura baseada na hierarquia de comando militar:

há um risco estrutural de que os interesses institucionais militares entrem em conflito com a necessidade de garantir processos judiciais independentes e imparciais.

O tribunal pediu definições claras de crimes militares e comuns, limites entre os dois sistemas judiciais e um mecanismo para resolver disputas sobre a competência de cada caso. Essas regras dariam a investigadores e famílias um caminho a seguir quando as instituições discordassem, em vez de deixar incerta a responsabilidade.

Por que a promessa de 2004 nunca entrou em vigor

A Lei das Forças Armadas da Indonésia de 2004 já prevê que soldados devem ser julgados por tribunais militares por crimes militares e por tribunais civis por crimes comuns. A aplicação dessa disposição ficou condicionada à promulgação de uma nova lei de justiça militar. Governos sucessivos não concluíram a revisão necessária.

A reforma surgiu das mudanças ocorridas após o fim do governo autoritário do presidente Soeharto, em 1998. Um decreto de 2000 da Assembleia Consultiva Popular também estabeleceu a distinção entre crimes militares e crimes comuns. Em outubro de 2026, mais de duas décadas haviam se passado desde que a Lei das Forças Armadas incorporou esse princípio.

Muhammad Afif Abdul Qoyim, advogado da Fundação de Assistência Jurídica da Indonésia, instou os parlamentares a agir antes do prazo, em comunicado da Human Rights Watch de 28 de outubro:

Não há necessidade de esperar dois anos para revisar a Lei de Justiça Militar e garantir que as novas regras estejam de acordo com a decisão do Tribunal Constitucional.

A decisão transforma uma promessa legislativa adiada por muito tempo em uma obrigação com consequências: sem alterações até outubro de 2028, a lei atual perderá sua força jurídica.

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O caso de Medan por trás da ação

Michael Histon Sitanggang foi agredido em 24 de maio de 2024, perto de trilhos ferroviários entre bairros de Medan, em Sumatra do Norte, durante uma intervenção em uma briga. Sua mãe contestou a lei de justiça militar após a acusação contra o sargento Reza Pahlivi.

Segundo o relato dela registrado no documento do tribunal, investigadores militares apontaram o soldado como suspeito em 7 de janeiro de 2025. O caso chegou ao tribunal militar de Medan em 9 de julho de 2025. Ela disse que ele permaneceu em liberdade e continuou em serviço durante toda a investigação e o julgamento.

O tribunal militar impôs pena de 10 meses de prisão e determinou o pagamento de indenização de Rp12.777.100 à mãe, com três meses de detenção como pena substitutiva caso o pagamento não fosse feito. Indenização é o valor que uma pessoa condenada é obrigada a pagar à vítima ou à família da vítima. A Human Rights Watch afirmou que o crime previa pena máxima de 15 anos.

A contestação da mãe dizia respeito tanto à sentença quanto ao processo que levou a ela. A petição descreveu atrasos, a ausência de prisão preventiva e a decisão de julgar um crime comum em um tribunal militar. Essas queixas colocaram a experiência da família no centro de um argumento constitucional mais amplo sobre igualdade de tratamento.

Assassinato de jornalista expõe divisão nas investigações

Rico Sempurna Pasaribu, jornalista de 47 anos da Tribrata TV, morreu com a esposa, o filho e o neto quando sua casa em Kabanjahe, Sumatra do Norte, foi incendiada em 27 de junho de 2024. Antes do ataque, ele havia recebido ameaças e exigências para retirar reportagens sobre uma operação ilegal de jogos de azar supostamente comandada pelo cabo Herman Bukit, do 125º Batalhão do Exército.

O documento do tribunal registra que três réus civis foram condenados à prisão perpétua. A filha de Pasaribu, Eva Meilani, pediu uma investigação sobre o suposto envolvimento de militares, apresentando denúncias ao Centro de Polícia Militar do Exército em 12 de julho de 2024 e à polícia militar regional em 18 de julho.

Meilani disse ao tribunal que os investigadores militares não haviam tomado medidas investigativas substanciais e não tinham fornecido atualizações, apesar de terem recebido provas dela. A polícia militar do Comando Militar Regional I/Bukit Barisan afirmou que uma investigação sigilosa não encontrou provas suficientes para apontar Bukit como suspeito.

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas, a Free Press Unlimited e o Instituto de Assistência Jurídica de Medan pediram que a polícia provincial de Sumatra do Norte reabrisse a investigação do assassinato em seu apelo conjunto por reformas, em 26 de outubro. Também solicitaram uma investigação transparente que aplicasse as proteções pertinentes da Lei de Imprensa da Indonésia.

A Aliança de Jornalistas Independentes registrou 60 casos de intimidação envolvendo militares entre 2016 e 2025, segundo o apelo. Para jornalistas que enfrentam ameaças, a reforma mudaria quais investigadores podem apurar acusações envolvendo soldados e qual tribunal pode julgar eventuais processos decorrentes.

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O ataque com ácido que renovou a pressão

Andrie Yunus, vice-coordenador da Comissão dos Desaparecidos e Vítimas da Violência, conhecida como KontraS, sofreu queimaduras em 24% do corpo em um ataque com ácido em 12 de março de 2026. A Human Rights Watch afirmou que o ativista, de 27 anos, também corria o risco de perder a visão do olho direito.

Um tribunal militar de Jacarta condenou quatro soldados em junho, impondo penas de prisão que variaram de 18 meses a três anos e expulsão das Forças Armadas. Em 20 de agosto, um tribunal militar de apelação reduziu em seis meses cada uma das duas penas mais longas e anulou a expulsão desonrosa dos soldados. Os outros dois mantiveram as penas menores.

A Comissão Judicial apontou violações éticas pelo colegiado que julgou o caso em primeira instância. A Human Rights Watch também pediu uma investigação independente, conduzida por civis, para apurar se outras pessoas, incluindo quem ordenou ou financiou o ataque, estavam envolvidas.

O ataque e a apelação aumentaram a urgência das demandas por mudanças que abranjam desde a investigação até a sentença. A KontraS afirmou que a decisão do Tribunal Constitucional tratou de uma brecha legal que protegia soldados da aplicação da lei com responsabilização.

O que o Parlamento e o ministério estão preparando

Dave Akbarshah Fikarno, também conhecido como Dave Laksono, vice-presidente da Comissão I da Câmara dos Representantes, disse em 23 de outubro que a comissão coordenaria com o Órgão Legislativo da Câmara, conhecido como Baleg, e com o governo para incluir a revisão no Programa Nacional Prioritário de Legislação. O programa identifica os projetos de lei selecionados para tramitação prioritária.

Dave pediu que os trabalhos começassem bem antes do prazo estabelecido pelo tribunal. Ele disse que a revisão deveria proteger os direitos das vítimas e de todas as pessoas envolvidas nos processos, além de deixar clara a competência de cada tribunal. Também instou o Ministério da Defesa e as Forças Armadas, conhecidas como TNI, a preparar contribuições substantivas em coordenação com o Ministério da Justiça.

O secretário-geral do Ministério da Justiça, Nico Afinta, disse que a pasta estava analisando a decisão antes de coordenar novas medidas com o governo e o Parlamento. Nenhuma data foi anunciada para a apresentação de um projeto de lei ou a conclusão do debate parlamentar.

As principais etapas são:

  • 2004: A Lei das Forças Armadas estabelece a competência dos tribunais civis para julgar crimes comuns cometidos por soldados, condicionada a uma nova lei de justiça militar.
  • 15 de dezembro de 2025: A ação constitucional é apresentada, seguida de uma petição alterada em 20 de janeiro de 2026.
  • 15 de outubro de 2026: O Tribunal Constitucional determina que a lei seja alterada em até dois anos.
  • 23 de outubro de 2026: Dave pede que a revisão seja incluída no programa legislativo prioritário.
  • Outubro de 2028: Termina o prazo para alterar a lei antes que ela perca sua força jurídica vinculante.
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A reforma precisa ir além dos tribunais

As determinações do tribunal vão além da escolha do local de julgamento. Incluem a integração plena da justiça militar ao sistema judicial sob a supervisão do Supremo Tribunal, regras para tribunais militares em operações de combate e mudanças no processo penal.

As manifestações do governo defenderam que a justiça militar é constitucionalmente equivalente a outros ramos do Judiciário. Apontaram a supervisão já exercida pelo Supremo Tribunal sobre a atividade judicial e a administração dos processos, argumentando que regras específicas para militares e suas carreiras eram compatíveis com a independência judicial. O Parlamento também defendeu a constitucionalidade dos dispositivos contestados durante o processo.

Ainda assim, o tribunal pediu uma integração mais ampla. Os juízes militares continuam sendo soldados na ativa, e a relação entre suas responsabilidades judiciais e suas carreiras militares é central para as preocupações com a independência levantadas no caso.

A Human Rights Watch pediu que os parlamentares definissem os poderes de investigação e acusação e estabelecessem uma forma de transferir casos para o sistema civil. Na prática, investigadores precisam ter autoridade para reunir provas, promotores precisam de um caminho claro para apresentar acusações e os tribunais precisam de regras para aceitar casos transferidos. As famílias precisam saber qual instituição é responsável por agir diante de uma denúncia.

Dave, a Human Rights Watch e as organizações de liberdade de imprensa pediram participação pública. A participação de vítimas e da sociedade civil permitiria que os parlamentares tratassem dos atrasos e das disputas descritos na petição, além das estruturas institucionais discutidas pelo governo.

Ampliação do papel militar torna a responsabilização mais urgente

O governo do presidente Prabowo Subianto ampliou as possibilidades de militares na ativa ocuparem cargos civis. As alterações da Lei das Forças Armadas em março de 2025 aumentaram de 10 para 14 o número de instituições civis em que soldados na ativa podem servir, incluindo o Supremo Tribunal e o Gabinete do Procurador-Geral.

Isso representa um aumento de quatro instituições, ou 40%, em relação ao total anterior de 10. Pelo sistema de justiça militar atual, soldados acusados de crimes comuns continuam sujeitos à jurisdição militar mesmo quando servem em instituições civis.

Vítimas em Papua também têm interesse na reforma. A avaliação do CIVICUS Monitor destacou sua possível importância para pessoas que buscam responsabilização por supostos abusos cometidos por militares na região. Em 28 de setembro de 2026, a Indonésia rejeitou, na Assembleia Geral das Nações Unidas, acusações de violações sistemáticas dos direitos humanos em Papua e afirmou que denúncias críveis eram tratadas por instituições nacionais, incluindo a Comissão Nacional de Direitos Humanos.

Elaine Pearson, diretora da Human Rights Watch para a Ásia, instou Prabowo e o Parlamento a consultar vítimas e organizações de direitos humanos. Ela descreveu o que a reforma deveria garantir:

A Justiça para vítimas civis de abusos militares não deve ser impedida por um sistema de tribunais militares injusto.

O próximo passo concreto é legislativo: transformar as determinações do tribunal em regras que atribuam responsabilidades desde a primeira denúncia até a investigação, a acusação e o julgamento. O prazo de outubro de 2028 estabelece o limite máximo para concluir esse trabalho.

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Pontos principais

  • O Tribunal Constitucional determinou por unanimidade a reforma da Lei de Justiça Militar de 1997 em 15 de outubro de 2026.
  • A lei perderá sua força jurídica vinculante se não for alterada em até dois anos, até outubro de 2028.
  • A revisão deve distinguir crimes militares de crimes comuns e esclarecer a competência dos tribunais militares e civis.
  • A ação inclui famílias afetadas pela agressão fatal contra um menino em Medan e pelo assassinato incendiário do jornalista Rico Sempurna Pasaribu e de três familiares.
  • A Comissão I busca tramitação legislativa prioritária, enquanto o Ministério da Justiça analisa a decisão.
  • Grupos de vítimas e organizações de liberdade de imprensa querem uma reforma rápida, participação pública e poderes claros para investigações e acusações conduzidas por civis.
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