Uma referência comum para os dados do governo
A Câmara dos Representantes da Indonésia aprovou a Lei de Dados Unificados da Indonésia em 6 de outubro de 2026, estabelecendo uma estrutura de 20 capítulos e 141 artigos para conectar dados governamentais sem exigir que ministérios e autoridades locais transfiram suas bases de dados. Para a Agência de Informação Geoespacial (BIG), a mudança fortalece a base jurídica para tornar consistentes os mapas e as informações de localização em todo o governo.
Conteúdo
- Uma referência comum para os dados do governo
- O que muda para a BIG?
- Quem produz os mapas?
- Das deliberações da comissão à aprovação
- Sistemas conectados, não uma base de dados gigantesca
- Vilarejos passam a integrar a base de dados
- Por que a qualidade dos dados importa para os serviços públicos
- Requisitos de segurança vão além das bases de dados
- Dados pessoais e IA exigem salvaguardas próprias
- Órgão de coordenação e prazos ainda indefinidos
- Principais pontos
A lei coloca os Dados Básicos Nacionais, conhecidos pela sigla indonésia DDN, no centro do planejamento do desenvolvimento, da política fiscal, do orçamento e da distribuição de assistência social. Ela também estabelece requisitos de segurança de dados, supervisão humana da inteligência artificial e participação pública. Uma das disposições acordadas durante as deliberações da comissão exige que incidentes de dados sejam comunicados em até 24 horas.
A presidente da Câmara, Puan Maharani, presidiu a nona sessão plenária do primeiro período legislativo do ano parlamentar de 2026–2027, em Jacarta. As oito bancadas parlamentares concordaram com a aprovação. O ministro do Planejamento do Desenvolvimento Nacional e chefe da Bappenas, Rachmat Pambudy, apresentou a posição final do governo em nome do presidente, também na condição de presidente do conselho diretor de Dados Unificados da Indonésia.
A declaração da Bappenas sobre a aprovação da lei descreve a legislação como uma base jurídica mais sólida para uma política que antes era regida pelo Regulamento Presidencial nº 39 de 2019. O objetivo é produzir dados precisos, atualizados, conectados e seguros, capazes de embasar decisões públicas.
A distinção prática está entre acordar como as informações serão descritas e compartilhadas e transferir fisicamente todas as bases de dados governamentais para um único lugar. A lei adota a primeira abordagem. O papel da BIG é central porque a localização oferece uma forma comum de conectar informações sobre terras, infraestrutura, condições ambientais, desastres e serviços públicos.
O que muda para a BIG?
O presidente interino da BIG, Mohamad Arief Syafii, ressaltou a necessidade de uma referência geoespacial comum que conecte informações mantidas por ministérios, órgãos e governos locais. Um mapa-base nacional oferece a base geográfica compartilhada sobre a qual diferentes instituições podem inserir suas próprias informações, reduzindo divergências que podem levar a decisões conflitantes de políticas públicas.
Arief participou da sessão de aprovação acompanhado da secretária-geral da BIG, Belinda Arunarwati Margono, e do vice-presidente de Informação Geoespacial Temática, Antonius Bambang Wijanarto. A BIG está promovendo a gestão de dados nos níveis nacional e local, desenvolvendo nós da rede de informações geoespaciais e fornecendo dados geográficos básicos.
Essa responsabilidade não começou com a nova lei. O artigo 13(3) do regulamento presidencial de 2019 atribui a orientação central dos dados geoespaciais ao órgão governamental responsável por informações geoespaciais. O artigo 20(3) atribui a função regional correspondente a um órgão designado para administrar um nó de governo local na Rede Nacional de Informações Geoespaciais.
A distinção entre as funções é importante. O regulamento estabelece categorias distintas para órgãos que orientam os padrões de dados, instituições que produzem dados e responsáveis pela gestão de sua distribuição. Portanto, a função nacional de orientação da BIG não deve ser confundida com a propriedade de todos os mapas temáticos. A nova estrutura fortalece requisitos comuns, preservando as responsabilidades específicas dos ministérios e órgãos.
Quem produz os mapas?
Essa divisão de responsabilidades tornou-se uma questão específica durante as deliberações. Em uma reunião da comissão de trabalho realizada em Senayan, Jacarta, em 29 de setembro, Reni Astuti, integrante do Órgão Legislativo, questionou por que a BIG aparecia como produtora de dados geoespaciais na apresentação do ministro, mas não constava do dispositivo do projeto de lei em discussão.
O debate sobre produtores de dados geoespaciais da Câmara registra o pedido dela para distinguir os dados nacionais básicos das informações temáticas ou setoriais. A BIG tem autoridade sobre os dados geoespaciais básicos, enquanto outras instituições produzem mapas em suas respectivas áreas de responsabilidade.
Reni apontou o Ministério de Assuntos Agrários e Planejamento Espacial e a Agência Nacional de Terras como produtores de mapas fundiários; o Ministério do Meio Ambiente e Florestas como responsável por informações sobre áreas florestais; e o Ministério de Energia e Recursos Minerais como produtor de dados geológicos e de mineração. Os governos locais produzem informações de planejamento espacial. As Forças Armadas e a polícia também geram informações geoespaciais para defesa e segurança.
A intervenção dela destaca uma questão concreta de implementação: uma referência cartográfica compartilhada não elimina a necessidade de especificar quem cria, verifica e mantém cada conjunto de dados. As descrições públicas da aprovação não esclarecem exatamente como a redação final resolveu a omissão apontada por ela.
Das deliberações da comissão à aprovação
O projeto de lei teve origem em uma iniciativa da Câmara. O presidente da comissão de trabalho, Sturman Panjaitan, também vice-presidente do Órgão Legislativo, disse que a elaboração se baseou no mandato constitucional de proteger os cidadãos indonésios. O processo legislativo incluiu audiências públicas com especialistas, associações e grupos da sociedade civil.
A declaração de acordo da comissão da Câmara registra 1.338 pontos de discussão do governo sobre os principais dispositivos do projeto e outros 829 sobre seu texto explicativo. Ao todo, são 2.167 pontos. O relato mais breve da Bappenas cita 1.338 pontos, sem listar separadamente os itens relativos ao texto explicativo.
A sequência mostra como o acordo final da comissão antecedeu a votação em plenário:
- 23, 24, 28, 29 e 30 de setembro de 2026: a comissão de trabalho e o governo discutiram o projeto de lei.
- 29 de setembro: Reni Astuti pediu que os produtores de dados geoespaciais fossem identificados com mais clareza.
- 1º e 5 de outubro: novas deliberações concluíram o processo na comissão.
- 5 de outubro: o Órgão Legislativo e o governo chegaram ao acordo de Nível I sobre 20 capítulos e 141 artigos.
- 6 de outubro: a sessão plenária aprovou o projeto de lei.
- 7 de outubro: a parlamentar Rieke Diah Pitaloka descreveu uma abordagem de coleta de dados em vilarejos com uso de mapas espaciais.
O relato da comissão também afirma que o capítulo separado do projeto sobre proibições foi removido, e seu conteúdo, incorporado às disposições penais. Foi uma mudança na organização da legislação, não uma afirmação de que condutas proibidas ficariam impunes.
Sistemas conectados, não uma base de dados gigantesca
Em seu relato sobre a aprovação em plenário, o portal de Dados Unificados da Indonésia do governo explica que a interoperabilidade não exige a centralização física das bases de dados nem a transferência da propriedade, do controle e da responsabilidade pela gestão, que permanecem com os produtores de dados.
Interoperabilidade significa que diferentes sistemas podem trocar e usar informações de maneira consistente. Padrões compartilhados definem como os dados são estruturados. Os metadados explicam o que um conjunto de dados contém, de onde veio e como foi produzido. Códigos de referência e dados mestres ajudam diferentes órgãos a identificar o mesmo lugar, organização ou outro objeto usando referências correspondentes.
A lei abrange um catálogo nacional de dados, além de um plano diretor, uma arquitetura, uma estrutura de gestão e um ciclo de implementação. O objetivo é organizar o planejamento, a manutenção, a localização e o compartilhamento das informações, em vez de simplesmente conectar sistemas que usam definições incompatíveis.
A Bappenas também está preparando diretrizes para o compartilhamento de dados entre órgãos governamentais. Pelo mecanismo proposto, o Sistema de Catálogo Nacional de Dados daria suporte à aprovação, ao monitoramento e à auditoria do compartilhamento, além de se conectar ao Sistema de Plataforma de Serviços Governamentais, conhecido como SPLP. Trata-se de uma proposta de implementação, não de uma evidência de que o mecanismo de compartilhamento já esteja em funcionamento em todos os lugares.
Já existe uma base jurídica para facilitar o acesso. O artigo 39 do regulamento de 2019 já prevê acesso gratuito por portal para órgãos dos governos central e regionais, sem exigir memorandos de entendimento, acordos de cooperação ou documentos de declaração. Portanto, os novos mecanismos de compartilhamento precisam fazer com que os princípios de acesso existentes funcionem de maneira confiável, em paralelo a requisitos mais rigorosos de segurança e responsabilização.
Vilarejos passam a integrar a base de dados
A lei distribui responsabilidades do governo central para regiões, vilarejos e bairros urbanos. O acordo da comissão inclui deliberações sobre dados de vilarejos e bairros como fóruns participativos para chegar a um consenso sobre dados locais.
Rieke Diah Pitaloka, integrante da Comissão XIII da Câmara, disse em 7 de outubro que a coleta de dados nacionais básicos deve começar em vilarejos e bairros urbanos, com os moradores atuando como participantes, e não apenas como objetos de pesquisas. Ela descreveu uma abordagem já aplicada em colaboração com mais de 500 vilarejos.
Rieke identificou cinco tipos de mapas de trabalho: ortofotos, administração populacional, infraestrutura, uso do solo e topografia. Uma ortofoto é uma imagem aérea corrigida para que sua escala e suas posições possam ser usadas como um mapa. Esses mapas permitem que os moradores relacionem informações numéricas a locais reais.
O relato dela apresenta uma contraparte local prática para a função nacional da BIG. Referências geográficas compartilhadas podem ajudar a conectar informações dos vilarejos a sistemas governamentais mais amplos, enquanto os moradores contribuem com conhecimento sobre as condições e necessidades locais. O número de mais de 500 vilarejos se refere à colaboração que ela mencionou, não ao total de locais onde a iniciativa foi implementada no país.
Por que a qualidade dos dados importa para os serviços públicos
A intenção é que os DDN se tornem a principal referência para o planejamento do desenvolvimento, as políticas fiscais e orçamentárias, a assistência social e outras necessidades estratégicas nacionais. Rachmat associou essa base aos planos de desenvolvimento de longo e médio prazo, aos projetos estratégicos nacionais e aos planos anuais de trabalho do governo.
Sturman Panjaitan, presidente da comissão de trabalho, relacionou diretamente a qualidade dos dados à equidade nos gastos públicos e na assistência durante o processo de aprovação.
"Quando os dados são falhos, não são apenas os números que estão incorretos; a própria justiça fica comprometida. A ajuda mal direcionada, a sobreposição de programas e o uso ineficiente do orçamento muitas vezes têm uma única origem: dados mal administrados", disse.
A estrutura jurídica, por si só, não comprova que a seleção dos beneficiários da assistência ou as decisões orçamentárias tenham melhorado. Sua contribuição é estabelecer referências e responsabilidades compartilhadas que devem facilitar a identificação e a resolução de registros contraditórios.
Pratama Persadha, especialista do CISSReC, disse que os conjuntos de dados governamentais continuam inconsistentes em suas definições, formatos, períodos de atualização e precisão. Ele alertou que conectar informações imprecisas pode disseminar erros em vez de corrigi-los. Isso faz das verificações de qualidade um pré-requisito para uma integração útil, e não uma tarefa que possa ficar para depois da conexão dos sistemas.
O regulamento anterior já especifica quatro etapas: planejamento, coleta, verificação e disseminação. Também exige que os produtores coletem informações de acordo com os padrões e cronogramas de atualização acordados, acompanhadas de metadados. Mesmo com tecnologia mais avançada, ainda será necessário seguir essas práticas básicas.
Requisitos de segurança vão além das bases de dados
A lei classifica as informações como abertas, restritas ou fechadas. Segundo o acordo da comissão, ela prevê padrões de segurança definidos pela instituição responsável pela cibersegurança e pela criptografia, infraestrutura criptográfica, gestão de certificados digitais e auditorias de segurança e soberania dos dados.
Sturman apontou a Agência Nacional de Cibernética e Criptografia (BSSN) como responsável por proteger os canais nacionais de compartilhamento contra invasões e vazamentos. Isso indica uma exigência mais ampla do que proteger bases de dados armazenadas: as informações também precisam estar protegidas durante a transferência entre instituições.
A declaração da comissão especifica que incidentes devem ser comunicados em até 24 horas. Também diz que o acesso a dados fechados e sua transferência para fora da jurisdição indonésia exigem aprovação da Câmara. O acesso a dados restritos pode estar sujeito a cobranças tratadas como receitas não tributárias do Estado. Essas regras significam que conectar conjuntos de dados não torna todos os registros acessíveis ao público.
Relatos sobre as disposições penais apontam que os artigos 129–135 tratam de condutas como sabotagem, ataques cibernéticos, manipulação e tomada de centros de dados nacionais. O vice-presidente do Órgão Legislativo, Martin Manurung, descreveu penas máximas de 15 anos de prisão ou multa da categoria oito. O artigo 134 prevê aumento de um terço nas penas para funcionários públicos, enquanto o artigo 135 contém disposições para empresas.
Essas penas máximas não devem ser interpretadas como aplicáveis de maneira uniforme a todo erro administrativo ou incidente de dados. As descrições públicas não explicam todas as definições de infrações, condições ou valores monetários. A lei também prevê sanções administrativas.
Dados pessoais e IA exigem salvaguardas próprias
A Bappenas afirma que a lei abrange a proteção de dados pessoais e mantém o uso da inteligência artificial sob supervisão humana. O relato da comissão também inclui blockchain e outras tecnologias digitais, com requisitos de rastreabilidade e soberania nacional dos dados.
Pratama defendeu que a implementação esteja alinhada à Lei nº 27 de 2022 sobre Proteção de Dados Pessoais. A conexão de registros populacionais, de saúde, educação, impostos, emprego e assistência pode gerar perfis sensíveis. Os riscos incluem, portanto, o uso indevido para finalidades diferentes das originais, roubo de identidade e criação inadequada de perfis, além de vazamentos.
A abordagem recomendada por ele inclui incorporar a segurança ao projeto dos sistemas, verificar cada solicitação de acesso e registrar as atividades. Ele também defendeu o Zero Trust, segundo o qual um usuário ou sistema não deve ser considerado confiável automaticamente apenas por pertencer a um órgão governamental. Essas são recomendações dele, não uma afirmação de que todas as medidas técnicas sejam exigidas pela lei.
A supervisão humana é particularmente importante quando análises automatizadas afetam o direito à assistência ou outros direitos. Registros incorretos, modelos enviesados e alertas falsos podem levar a decisões prejudiciais mesmo quando os sistemas estão tecnicamente conectados.
A lei prevê contribuições do público, denúncias de suspeitas de uso indevido, monitoramento participativo e contribuições voluntárias de dados. As disputas devem priorizar a mediação, com prazo inicial máximo de 14 dias úteis, prorrogável por mais 14. Sturman também disse que os moradores mantêm o direito de buscar medidas judiciais caso seus dados pessoais sejam usados indevidamente ou protegidos de forma inadequada.
Órgão de coordenação e prazos ainda indefinidos
A lei prevê um administrador de Dados Unificados da Indonésia subordinado ao presidente. A comissão descreve suas funções como coordenação, definição de regras e apoio, sem concentrar o controle de todos os dados em uma única instituição. Segundo a Bappenas, a implementação não deve assumir as atribuições específicas já exercidas pelos ministérios.
Os relatos divergem quanto ao prazo para a criação do órgão. A declaração da comissão da Câmara, de 5 de outubro, diz que o administrador deve ser criado em até um ano. Um relato separado atribui a Sturman o prazo máximo de dois anos, com seis meses como prazo preferencial. Esse relato aponta o artigo 39 como base legal do órgão e diz que o presidente poderá decidir se a Bappenas exercerá a função ou se será necessário criar uma nova instituição. O prazo exato e o formato institucional precisam ser confirmados no texto promulgado e nas medidas de implementação.
O vice-ministro da Comunicação e do Digital, Nezar Patria, disse que seu ministério apoiaria a infraestrutura digital e a interoperabilidade, enquanto a Bappenas lideraria a coordenação nacional. Os relatos situam essas declarações em 7 e 10 de outubro; um deles também o chama de ministro, e não de vice-ministro. Os relatos concordam quanto à divisão de trabalho descrita por ele.
Os especialistas em administração pública Amalinda Savirani, da Universidade Gadjah Mada, e Eko Prasojo, da Universidade da Indonésia, alertaram que órgãos adicionais podem gerar sobreposição de autoridade e uma burocracia mais pesada. Eles defenderam o fortalecimento das instituições existentes e a definição mais clara de suas funções, em vez de tratar a criação de uma nova agência como solução automática.
A próxima etapa é elaborar os regulamentos de implementação. Não foi indicada uma data fixa para sua publicação. Para a BIG, o sucesso da implementação dependerá da transformação do princípio de referência compartilhada em mapas-base utilizáveis, dados temáticos compatíveis e nós locais da rede em funcionamento, mantendo responsabilidades claras pela qualidade, pelo acesso e pela segurança.
Principais pontos
- A Câmara aprovou a Lei de Dados Unificados da Indonésia em 6 de outubro de 2026, com 20 capítulos e 141 artigos.
- A função de orientação geoespacial da BIG ganha uma base jurídica mais sólida, que dá continuidade ao regulamento presidencial de 2019.
- Padrões e referências compartilhados conectam sistemas governamentais sem exigir uma única base de dados centralizada.
- Os Dados Básicos Nacionais orientarão o planejamento, o orçamento, a política fiscal e a assistência social.
- A estrutura abrange vilarejos e bairros urbanos e inclui a participação pública.
- Disposições da comissão exigem a comunicação de incidentes em até 24 horas e a aprovação da Câmara para o acesso a dados fechados e sua transferência para fora da jurisdição indonésia.
- Os relatos divergem sobre se o administrador de coordenação deve ser criado em até um ou dois anos.
- Os regulamentos de implementação, os arranjos institucionais e os controles práticos de qualidade ainda dependem de medidas adicionais.






