Uma saída para moradias com menos de cinco metros quadrados por pessoa
Hanói propõe reservar até 902 apartamentos de habitação social para famílias que vivem em moradias extremamente superlotadas na região de Hoan Kiem, permitindo que as famílias elegíveis comprem ou firmem contratos de compra parcelada sem participar do sorteio habitual de moradias. Para 2026, estão previstos inicialmente 552 apartamentos em nove empreendimentos, o suficiente para cerca de 61% das famílias identificadas.
Conteúdo
- Uma saída para moradias com menos de cinco metros quadrados por pessoa
- Por que a cidade quer que os moradores se mudem
- Quem teria acesso prioritário?
- Onde ficariam os primeiros 552 apartamentos
- Transporte e serviços influenciariam a escolha dos empreendimentos
- Como as famílias seriam classificadas sem sorteio
- Quem pagaria e o que aconteceria com as antigas moradias?
- Garantir os apartamentos é o principal desafio de execução
- Do plano de 2013 à implementação proposta
- Principais pontos
O Comitê Popular da região de Hoan Kiem contabilizou 902 famílias, que somam 3.621 pessoas, vivendo com menos de cinco metros quadrados de área útil por pessoa no Bairro Antigo e em ruas antigas. Muitas famílias têm várias gerações dividindo menos de 20 metros quadrados, além de cozinhas, banheiros e abastecimento de água compartilhados.
A proposta foi apresentada ao Conselho Popular de Hanói em sua sessão especial de 28 de outubro de 2026. Ela combina uma nova oportunidade com uma obrigação significativa: cada família participante teria acesso a um apartamento, uma única vez, e todos os seus integrantes teriam de deixar a antiga moradia e registrar residência permanente no novo endereço.
Os moradores pagariam pelos apartamentos de acordo com as regras de habitação social. O benefício proposto é o acesso prioritário sem sorteio, enquanto preços, inscrições e crédito com condições preferenciais continuariam sujeitos às normas que regem a habitação social.
Duong Duc Tuan, vice-presidente permanente de Hanói, apresentou a proposta como uma resposta a condições que as famílias dificilmente conseguem melhorar por conta própria. A cidade pretende usar empreendimentos com previsão de conclusão e oferta para venda em 2026 e no início de 2027, após um programa de reassentamento anterior ter sido paralisado por falta de moradias adequadas.
Por que a cidade quer que os moradores se mudem
A avaliação de Hanói descreve uma combinação de superlotação, deterioração dos edifícios e sérios riscos de incêndio. Muitas das propriedades afetadas são casas estreitas e compridas em becos pequenos, com rotas de fuga limitadas que podem ser compartilhadas por várias famílias.
As instalações elétricas foram modificadas em repetidos consertos, enquanto algumas famílias cozinham, moram e trabalham no mesmo espaço. As vias de acesso estreitas dificultam a chegada de veículos de combate a incêndios aos edifícios e complicam a evacuação e o resgate.
Os moradores também enfrentam falta de luz natural e ventilação, cômodos úmidos e instalações sanitárias compartilhadas. A cidade identifica crianças, idosos, pessoas doentes e pessoas com deficiência como particularmente vulneráveis aos efeitos dessas condições sobre a saúde.
Reformar é difícil por razões que vão além da renda familiar. Alguns edifícios ficam em áreas de conservação, onde ampliações e novas construções são restritas. Outros são imóveis públicos alugados a várias famílias ou edifícios com múltiplos proprietários e áreas compartilhadas, o que dificulta chegar a um acordo sobre os reparos.
A maioria das famílias identificadas pela cidade depende de trabalho informal, com rendimentos baixos e instáveis. Imóveis no mercado privado estão fora de seu alcance. No sistema atual de alocação, porém, candidatos elegíveis à habitação social ainda precisam disputar sorteios quando a demanda supera a oferta, o que impede as famílias de planejar quando poderão se mudar.
Quem teria acesso prioritário?
O programa proposto atenderia inicialmente apenas o Bairro Antigo e as ruas antigas da região de Hoan Kiem. Os candidatos teriam de cumprir todas as seguintes condições:
- Ter registro de residência permanente e efetivamente morar na área designada antes da aprovação da resolução.
- Ter área média de moradia inferior a cinco metros quadrados por pessoa.
- Cumprir os requisitos legais para comprar ou firmar um contrato de compra parcelada de habitação social.
- Inscrever-se voluntariamente e receber aprovação para inclusão em uma lista elaborada pelo Comitê Popular da região de Hoan Kiem.
A distinção entre ter registro e efetivamente morar no local é importante: a proposta exige ambas as condições. Assim, a lista da região determinaria quais famílias poderiam usar a modalidade especial de alocação, sujeita aos requisitos mais amplos da habitação social.
O anexo da proposta inclui as 902 famílias no grupo de reassentamento voluntário. Outras 478 famílias sujeitas a reassentamento obrigatório ficam fora do escopo proposto pela resolução e precisariam ser atendidas por outras medidas.
Hanói poderá considerar ampliar a política após avaliar seus efeitos e os recursos disponíveis. Na fase inicial, o limite de 902 apartamentos seria ajustado conforme o número real de inscrições elegíveis, e cada família receberia o benefício apenas uma vez.
Onde ficariam os primeiros 552 apartamentos
A alocação proposta distribui os apartamentos por nove empreendimentos, em vez de reunir todas as famílias participantes em um único conjunto de reassentamento. As localidades incluem Linh Nam, Dai Mo, Dan Phuong, Thach That, Vinh Hung, Me Linh e Phuc Thinh.
O cronograma preliminar dos empreendimentos prevê as seguintes alocações para 2026:
- Empreendimento habitacional X2, em Linh Nam: 24 apartamentos.
- Edifícios de habitação social CT1 e CT3 no empreendimento urbano DM1, em Dai Mo: 50 apartamentos.
- Empreendimento de habitação social no quilômetro 17 da Rodovia Nacional 32, em Dan Phuong: 73 apartamentos.
- Empreendimento de habitação social Dong Truc, em Thach That: 44 apartamentos.
- Empreendimento de habitação social Tan Xa, em Thach That: 20 apartamentos.
- Empreendimento de habitação social Vinh Hung, na Travessa 321 da Rua Vinh Hung: 92 apartamentos.
- Componente de habitação social do empreendimento Minh Duc, em Me Linh: 97 apartamentos.
- Componente de habitação social do empreendimento ampliado Minh Giang e Dam Va, em Me Linh: 75 apartamentos.
- Empreendimento de habitação social associado ao desenvolvimento de infraestrutura do leilão de terrenos Tuan Le, em Phuc Thinh: 77 apartamentos.
As nove alocações totalizam 552 apartamentos. Em relação ao limite proposto de 902, faltariam 350 apartamentos a serem garantidos em alocações posteriores caso todas as famílias identificadas sejam elegíveis e participem. A cidade planeja continuar organizando a oferta de moradias em 2027.
Em cada empreendimento, a alocação reservada não poderia ultrapassar 20% dos apartamentos colocados à venda, mediante acordo com o incorporador. Isso torna os acordos com os incorporadores e o andamento das obras essenciais para a execução do programa.
Transporte e serviços influenciariam a escolha dos empreendimentos
Hanói propõe selecionar empreendimentos com acesso conveniente ao transporte público, priorizando a proximidade de linhas ferroviárias urbanas. Escolas, unidades de saúde, mercados e serviços comerciais também fariam parte dos critérios de seleção.
A cidade quer apartamentos com plantas adequadas a famílias de cerca de quatro pessoas. Os prazos de conclusão precisam ser compatíveis com o programa de reassentamento, portanto a adequação de um empreendimento dependeria tanto de quando as moradias e os serviços ao redor ficariam prontos quanto de sua localização.
Para famílias que dependem do trabalho informal, a mudança envolve mais do que ganhar espaço. As conexões de transporte influenciariam os deslocamentos de volta ao trabalho, enquanto escolas, clínicas e mercados próximos afetariam as despesas e a rotina diária. Essas necessidades ajudam a explicar por que a proposta inclui infraestrutura social, além do número de apartamentos.
Antes da abertura das inscrições, a cidade teria de divulgar os empreendimentos, a quantidade e os tipos de apartamentos e os prazos de entrega. Os apartamentos sem candidatos elegíveis até o prazo estabelecido poderiam então ser vendidos ou oferecidos por meio de compra parcelada a outros candidatos elegíveis à habitação social.
Como as famílias seriam classificadas sem sorteio
As famílias ainda passariam por um processo de seleção se mais pessoas escolhessem determinado empreendimento do que o número de unidades reservadas comportasse. A minuta propõe classificar os candidatos primeiro pela menor área média de moradia por pessoa.
Em seguida, teriam prioridade as famílias com idosos ou pessoas com deficiência, além das classificadas como pobres ou quase pobres. O tempo de inscrição seria o critério seguinte. As famílias que não conseguissem um apartamento no empreendimento preferido seriam encaminhadas a outro projeto dentro do conjunto de moradias reservadas.
Tran Hop Dung, presidente da Comissão de Assuntos Urbanos do Conselho Popular, afirmou durante a análise que o critério da ordem de inscrição precisava ser revisto. Pessoas com menos acesso à informação, candidatos idosos, pessoas com deficiência e moradores sem acesso a canais online poderiam ser prejudicados por uma regra que favorece quem se inscreve primeiro.
A comissão também pediu que fosse apresentada a justificativa para o limite de menos de cinco metros quadrados por pessoa, além de dados sobre as famílias que vivem pouco acima desse patamar. Um limite rígido poderia deixar famílias com condições de moradia muito semelhantes em lados opostos da linha de elegibilidade.
A comissão apoiou a prioridade às famílias mais vulneráveis e pediu que a cidade avaliasse a situação dos excluídos, incluindo inquilinos e trabalhadores migrantes sem registro de residência permanente. Também solicitou que fossem consideradas medidas de proteção relativas a candidatos que já possuem imóveis em outras partes de Hanói.
Quem pagaria e o que aconteceria com as antigas moradias?
As famílias participantes pagariam pela compra ou pela compra parcelada conforme os preços regulamentados da habitação social. A compra parcelada permite que uma família faça pagamentos ao longo de um período acordado até adquirir o imóvel, em vez de pagar o valor total de uma só vez.
A proposta não prevê repasse direto do orçamento público aos beneficiários para a compra ou aquisição das novas moradias. Empréstimos com condições preferenciais, preços, documentação e procedimentos seguiriam as normas vigentes para habitação social. Para famílias com rendimentos irregulares, o cronograma de pagamentos e o acesso ao crédito disponível continuariam sendo questões práticas importantes.
A mudança exigiria que todos os integrantes da família deixassem a antiga moradia e registrassem residência permanente no novo endereço dentro do prazo definido pela cidade. Famílias que alugam imóveis públicos teriam de encerrar os contratos e devolver o espaço à autoridade responsável pela gestão habitacional.
As moradias particulares seriam administradas segundo um plano municipal destinado a impedir que novos ocupantes recriassem a superlotação no espaço desocupado. A medida detalhada para esses imóveis ainda não foi especificada, uma questão que se torna mais complexa quando proprietários, inquilinos e pessoas que já se mudaram mantêm direitos distintos.
A Comissão de Assuntos Urbanos pediu princípios claros para proteger esses interesses. Também solicitou esclarecimentos sobre os gastos com levantamentos das famílias, listas de candidatos, divulgação de informações e gestão das moradias desocupadas. Essas tarefas administrativas exigem recursos, embora os beneficiários não recebam pagamento direto para a compra dos imóveis.
Garantir os apartamentos é o principal desafio de execução
Duong Duc Tuan disse ao conselho que a política anterior de reassentamento do Bairro Antigo de Hanói não chegou a ser implementada principalmente porque as moradias adequadas não estavam prontas. A nova proposta busca superar esse obstáculo identificando apartamentos em empreendimentos de habitação social já previstos para entrar no mercado.
A Comissão de Assuntos Urbanos, ainda assim, solicitou um mecanismo para proteger a oferta de moradias caso os empreendimentos atrasem ou não seja possível chegar aos acordos necessários. Também pediu um cronograma e medidas para outras famílias da região que enfrentam dificuldades habitacionais.
Tran Duc Thang, secretário do Partido em Hanói, pediu que a cidade calculasse a oferta de habitação social em conjunto com a política e garantisse que os beneficiários previstos pudessem de fato conseguir moradias. Sua preocupação relaciona as regras de alocação à disponibilidade concreta de apartamentos.
A proposta habitacional foi uma das 22 resoluções analisadas em quatro grupos de políticas na sétima sessão especial do conselho. Phung Thi Hong Ha, presidente do Conselho Popular, afirmou que alguns documentos haviam sido concluídos pouco antes da abertura, exigindo que as comissões os analisassem durante a noite, e pediu uma avaliação cuidadosa da competência legal, dos recursos e da viabilidade.
A cidade vinculou a política de reassentamento ao Artigo 22 da Constituição de 2013, que trata do direito à moradia legal, e à visão de planejamento diretor de Hanói para os próximos 100 anos. Ao apresentar a proposta, a administração também citou os poderes previstos na Lei da Capital de 2026. A tarefa imediata é concreta: transformar um direito proposto em apartamentos concluídos que as famílias elegíveis possam pagar e ocupar.
Do plano de 2013 à implementação proposta
O esforço de Hanói para reduzir a superlotação no Bairro Antigo abrange várias etapas de políticas públicas. As principais datas e medidas previstas são:
- 9 de janeiro de 2013: A cidade publicou a Decisão nº 168, que acompanhava o programa anterior de reassentamento do Bairro Antigo, posteriormente paralisado principalmente por falta de moradias.
- 28 de outubro de 2026: O Conselho Popular analisou a nova proposta em sua sétima sessão especial.
- Durante 2026: A alocação inicial proposta inclui 552 apartamentos em nove empreendimentos de habitação social.
- No início de 2027 e ao longo de 2027: A cidade pretende utilizar outros empreendimentos concluídos e continuar organizando a oferta de apartamentos.
A proposta ainda depende da decisão do conselho, e não foi informado se será aprovada. Se receber aprovação, a administração municipal elaborará listas de beneficiários, identificará e divulgará o conjunto de moradias disponíveis e publicará regras e planos de implementação.
A participação de todas as 902 famílias identificadas retiraria aproximadamente 3.621 moradores de imóveis superlotados. Essa redução dependeria da entrega dos apartamentos, de condições de pagamento acessíveis e do cumprimento da exigência de que todas as famílias deixem suas antigas moradias.
Principais pontos
- Hanói propõe acesso prioritário a até 902 apartamentos de habitação social para famílias elegíveis da região de Hoan Kiem, sem sorteio.
- Um levantamento da região identificou 3.621 pessoas vivendo com menos de cinco metros quadrados de área útil por pessoa.
- O plano inicial reserva 552 apartamentos em nove empreendimentos em 2026, com novas alocações previstas para 2027.
- As famílias pagariam conforme as regras de habitação social e todos os seus integrantes deixariam a antiga moradia.
- A análise do conselho se concentrou nos critérios de elegibilidade, na classificação justa, na garantia da oferta e no destino dos imóveis desocupados.
- As 478 famílias do grupo de reassentamento obrigatório ficam fora do programa proposto.






