32 dos 74 artigos deixam detalhes para regulamentação posterior
A proposta de revisão da Lei de Segurança Alimentar do Vietnã deixaria 32 de seus 74 artigos dependentes de futuras regulamentações do governo ou dos ministérios. Diante disso, o presidente da Assembleia Nacional, Trần Thanh Mẫn, pediu que as principais reformas, os prazos e as responsabilidades sejam definidos diretamente na lei.
Conteúdo
- 32 dos 74 artigos deixam detalhes para regulamentação posterior
- Um ministério líder, mas quem responde por cada tarefa?
- Por que parlamentares querem as principais regras na lei
- Inspeções devem acompanhar os riscos, não apenas a documentação
- Propostas de renovação revelam a dimensão do trabalho
- Refeições escolares e hospitalares precisam de responsáveis definidos
- Vendedores online, aplicativos de entrega e anunciantes terão novas obrigações
- Rastrear um produto dos ingredientes ao recolhimento
- Penalidades mais rigorosas, com proteção para empresas que cumprem as regras
- Principais pontos
Durante debates em grupos parlamentares em 24 de outubro de 2026, Mẫn também propôs alertas obrigatórios entre duas e seis horas após a detecção de um surto de intoxicação alimentar. Ele questionou os recursos previstos para um sistema de dados sobre segurança alimentar que custaria cerca de 1,6 trilhão de dong vietnamita e defendeu a designação de um órgão regulador líder com autoridade suficiente para responder por falhas.
O debate coloca no centro da revisão duas questões práticas: quem deve agir quando aparece um alimento inseguro e com que rapidez os fiscais conseguem identificá-lo e retirá-lo de circulação. Para as famílias, as propostas dizem respeito à alimentação escolar e hospitalar, a produtos lácteos e às compras por aplicativos de entrega. Para as empresas, envolvem custos de registro, cronogramas de inspeção e responsabilidade quando algo dá errado.
A ministra da Saúde, Đào Hồng Lan, apresentou o projeto na manhã de sábado. Ela descreveu cinco mudanças principais: controlar os alimentos ao longo de toda a cadeia de abastecimento, reduzir procedimentos administrativos, digitalizar informações, regulamentar o comércio de alimentos em plataformas eletrônicas e estabelecer uma autoridade única de coordenação.
Mẫn elogiou o governo e o Ministério da Saúde por incorporar cerca de 70% das observações feitas na análise preliminar. No entanto, criticou o envio tardio do dossiê legislativo e o fato de os projetos de regulamentação que o acompanhavam estarem desatualizados ou ausentes.
A preocupação dele abrange quase 43% do projeto, proporção calculada a partir dos 32 artigos que exigem regulamentação posterior, de um total de 74. Mẫn quer que a lei e as normas para sua implementação entrem em vigor ao mesmo tempo, em vez de deixar empresas e fiscais à espera de instruções depois da aprovação da legislação principal pelo Parlamento. A discussão não especificou a divisão definitiva de responsabilidades, as datas de implementação nem o calendário de votação da lei.
Um ministério líder, mas quem responde por cada tarefa?
O Ministério da Saúde se tornaria a autoridade nacional de coordenação, substituindo um arranjo em que os ministérios da Saúde, da Agricultura e Meio Ambiente e da Indústria e Comércio dividem a fiscalização conforme as categorias de alimentos e as etapas de produção ou distribuição.
As responsabilidades especializadas continuariam distribuídas entre outros seis ministérios. Mẫn alertou que nomear um coordenador sem esclarecer os limites de atuação poderia permitir que os órgãos transferissem responsabilidades uns aos outros, sobretudo quando os produtos passam pela produção, pelo processamento, pela importação e pelo varejo.
O vice-presidente da Assembleia Nacional Nguyễn Hồng Diên apontou uma tensão específica no projeto. O inciso 2 do artigo 63 designa o Ministério da Saúde como órgão líder, mas mantém a gestão especializada a cargo dos outros ministérios. O artigo 64 permite que o Ministério da Saúde inspecione alimentos sob a responsabilidade desses ministérios quando necessário.
Diên pediu que as responsabilidades sejam explicitadas nos pontos em que as atribuições se cruzam, incluindo produção primária, processamento inicial, abate, mercados atacadistas, importação e circulação. Mẫn propôs atribuir cada tarefa e estabelecimento regulado a um único órgão responsável, conferir poderes reais ao regulador líder e exigir que o governo apresente relatórios anuais à Assembleia Nacional.
O primeiro-ministro Lê Minh Hưng apoiou uma estrutura liderada pelo Ministério da Saúde, com os departamentos provinciais de saúde encarregados das responsabilidades locais. No nível das comunas, os departamentos de Cultura e Assuntos Sociais receberiam mais especialistas. Lan explicou que o Ministério da Agricultura e Meio Ambiente continuaria supervisionando a produção primária, incluindo agricultura, pecuária e produtos químicos agrícolas, enquanto o Ministério da Saúde controlaria os limites de contaminação que afetam a saúde humana.
Por que parlamentares querem as principais regras na lei
Mẫn quer que o Parlamento defina o conteúdo das principais reformas, em vez de delegá-lo. Ele apontou a falta de clareza nos cronogramas para boas práticas de higiene, sistemas avançados de gestão, análise de riscos e inspeções de alimentos importados.
Decretos e circulares ministeriais fornecem instruções detalhadas para aplicar uma lei. Mẫn defende que a própria lei identifique quem deve cumprir as regras, quais são os requisitos básicos e qual o prazo de cada mudança. Ele citou a suspensão do Decreto 46/2026/NĐ-CP como um alerta e mencionou a Diretriz 17-CT/TW do Secretariado, que pede uma gestão unificada da segurança alimentar do governo central ao local.
Hưng também pediu que menos questões sejam deixadas para regulamentação do governo. Segundo ele, os direitos e deveres das empresas, assim como as condições de segurança aplicáveis aos estabelecimentos de alimentos, devem ser especificados diretamente na legislação. Ele pediu uma revisão das leis relacionadas à qualidade dos produtos, à área veterinária, à agricultura, à pesca, à publicidade, ao comércio eletrônico e à defesa do consumidor, para evitar exigências duplicadas.
Inspeções devem acompanhar os riscos, não apenas a documentação
A proposta de transferir o foco das inspeções para o período posterior à entrada dos produtos no mercado permitiria que muitos alimentos fossem comercializados por meio de procedimentos de declaração. Os órgãos reguladores usariam amostragens, testes e registros de conformidade das empresas para decidir onde é necessário um controle mais rigoroso.
A análise de riscos consiste em avaliar a probabilidade de um alimento causar danos e a gravidade desses danos. Os ingredientes de um produto, o público a que se destina, as condições de produção e as infrações anteriores podem ajudar a determinar a frequência das inspeções.
Hưng pediu critérios claros para a frequência das inspeções e das amostragens. A deputada por Hải Phòng Phạm Thu Xanh propôs revisar o artigo 57 para exigir amostragens programadas por grupo de risco, inspeções-surpresa após alertas ou indícios de irregularidades, prazos para agir e divulgação das conclusões das investigações.
A deputada por Hanói Trần Thị Nhị Hà apontou um possível obstáculo no inciso 2 do artigo 51. Segundo ela, o texto exclui os resultados da análise de riscos como critério para decidir quais produtos precisam de procedimentos de declaração e quais estabelecimentos necessitam de certificados de segurança alimentar. Ela propôs que esses resultados sejam considerados junto com as características do produto, o uso previsto, os grupos de consumidores, o porte da empresa e seu histórico de conformidade.
A Comissão de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente da Assembleia Nacional, presidida por Nguyễn Thanh Hải, defendeu menos inspeções para produtos que apresentem baixo risco e estabelecimentos com bom histórico. Xanh ressaltou que a redução da frequência das inspeções não significa que as empresas deixarão de ser fiscalizadas.
Frutas e hortaliças frescas poderiam ser dispensadas da declaração de produtos, pois sua curta vida útil dificulta a aplicação de procedimentos padronizados. Categorias mais sensíveis continuariam sujeitas a controles mais rigorosos. Xanh defendeu o registro controlado de produtos de nutrição médica, alimentos para crianças pequenas e produtos com recomendações de saúde, além de medidas que permitam a hospitais usar produtos nutricionais declarados sob supervisão médica, sem procedimentos duplicados.
Propostas de renovação revelam a dimensão do trabalho
Lan disse que o projeto estabelece validade de cinco anos para os certificados de registro de declaração de produtos. A renovação seria automática pelo sistema de informações sobre segurança alimentar, e as empresas poderiam continuar produzindo e vendendo enquanto enviam seus documentos eletrônicos.
A deputada por Ho Chi Minh Phạm Khánh Phong Lan levantou outra preocupação: a repetição de procedimentos após 24 meses. Ela disse que a cidade registrou mais de 300 mil produtos autodeclarados desde a entrada em vigor do Decreto 15/2018/NĐ-CP, o que tornaria um pedido amplo de novos registros uma carga de trabalho considerável.
Mẫn propôs a renovação automática pela internet dos registros elegíveis, sem nova solicitação nem taxa de protocolo quando nada que exija avaliação tiver mudado. Ele também quer que o comprovante de entrega de uma declaração sirva como registro para futuras inspeções, em vez de ser uma condição para a circulação do produto. Segundo ele, o registro obrigatório deve se limitar a produtos que realmente apresentem alto risco, com salvaguardas contra conflitos de interesse no licenciamento e na certificação.
Refeições escolares e hospitalares precisam de responsáveis definidos
A deputada por Hanói Nguyễn Thị Thu Dung propôs incluir na lei as responsabilidades dos dirigentes de escolas e hospitais, sobretudo seus deveres na escolha e no acompanhamento de fornecedores de refeições. Uma única cozinha pode atender muitas pessoas ao mesmo tempo, o que torna especialmente urgente uma falha do fornecedor quando crianças, pacientes ou idosos dependem das refeições.
Para Dung, os contratos de fornecimento devem especificar as obrigações de rastrear ingredientes, guardar amostras dos alimentos, realizar verificações, comunicar incidentes, cooperar com investigações e pagar indenizações. As amostras retidas permitem que os investigadores testem alimentos servidos quando há casos de doença.
Mẫn disse que algumas investigações sobre intoxicação alimentar em escolas demoraram demais para identificar a causa, desperdiçando um tempo valioso de resposta. A proposta dele exigiria um alerta pelo sistema entre duas e seis horas após a detecção de um surto de intoxicação alimentar. O alerta daria início à resposta enquanto os investigadores apuram a causa.
A capacidade dos laboratórios e a disponibilidade de pessoal local são essenciais para que esse prazo seja útil. Mẫn questionou se os recursos para testes foram avaliados adequadamente e se as comunas dispõem de pessoal e conhecimento técnico suficientes. Ele também pediu um plano claro de financiamento e investimento para o sistema de dados proposto, que custaria cerca de 1,6 trilhão de dong vietnamita.
Lan disse que os preparativos incluíram a reorganização dos órgãos responsáveis e a designação de especialistas no nível das comunas. Ainda assim, a avaliação da comissão pediu que os requisitos de implementação levem em conta as diferenças locais de pessoal, equipamentos e capacidade de realizar testes.
Vendedores online, aplicativos de entrega e anunciantes terão novas obrigações
Os vendedores de alimentos pela internet teriam de publicar informações sobre os produtos e fornecer documentos pertinentes, incluindo certificados de registro ou dossiês de declaração. Quando aplicável, também seria exigida a confirmação de que o conteúdo publicitário foi aprovado.
Os marketplaces e serviços de redes sociais que apoiam o comércio de alimentos precisariam de mecanismos de revisão de conteúdo e teriam de solicitar aos vendedores os documentos exigidos por lei antes de anunciar produtos individualmente. Essas obrigações criariam controles no momento em que os consumidores veem anúncios de alimentos e páginas de venda.
Dung propôs exigências adicionais para aplicativos de entrega: exibir a identidade do estabelecimento de alimentos e sua situação de conformidade, guardar os registros dos pedidos, aceitar alertas e suspender anúncios de estabelecimentos sujeitos a medidas de fiscalização. Ela também pediu regras sobre higiene, prazo de entrega e temperaturas adequadas para o transporte.
Xanh citou o caso publicitário dos doces de vegetais Kera, em 2025, que envolveu alegações exageradas promovidas em transmissões ao vivo por celebridades. Ela pediu obrigações específicas para anunciantes, influenciadores e plataformas, incluindo guardar registros de vendedores e anúncios, remover ou ocultar conteúdo quando houver motivos para isso e preservar provas para ações de fiscalização.
Mẫn propôs esclarecer as responsabilidades por indenizações no comércio de alimentos pela internet, inclusive a responsabilidade solidária quando os requisitos legais forem atendidos. Essa regra permitiria que mais de um participante responsável compartilhasse o dever de indenizar pessoas prejudicadas por produtos inseguros.
Rastrear um produto dos ingredientes ao recolhimento
Lan disse que o banco de dados proposto registraria o histórico de conformidade e de infrações das empresas, ajudando os órgãos reguladores a ajustar a frequência das inspeções, emitir alertas e recolher alimentos inseguros. Dung propôs o princípio de declarar as informações uma única vez para que vários órgãos possam usá-las, com identificadores para estabelecimentos e produtos.
Xanh pediu que os identificadores também abranjam lotes individuais. Um lote identifica produtos fabricados em conjunto e permite que os investigadores rastreiem os itens afetados por fabricantes, importadores, distribuidores e lojas. Ela propôs um cronograma para a adoção obrigatória da rastreabilidade eletrônica de produtos de maior risco, com deveres e prazos claros para atualizar os registros.
Dung também pediu que haja tratamento separado para informações públicas, registros regulatórios, dados pessoais e segredos comerciais. A comissão propôs garantir ao consumidor o direito de obter informações sobre a origem dos alimentos, além de esclarecer os requisitos de rotulagem, reembalagem de alimentos para venda no varejo, conservação de registros de rastreabilidade e recolhimento de produtos.
As propostas para a cadeia de abastecimento abrangem também os ingredientes. Elas incluem controles de resíduos de medicamentos veterinários, pesticidas e contaminantes após a colheita, a pesca, a coleta e o abate. Hà disse que o projeto ainda precisa de regras mais fortes para o cultivo e a produção pecuária. A comissão também pediu uma avaliação cuidadosa do alcance e dos efeitos sobre a saúde da fortificação obrigatória de alimentos com micronutrientes, isto é, da adição de determinadas vitaminas ou minerais.
Penalidades mais rigorosas, com proteção para empresas que cumprem as regras
Mẫn citou grandes operações de venda de leite e suplementos alimentares falsificados como exemplos de produtos que passaram por falhas de fiscalização. Xanh mencionou um caso de leite em pó envolvendo 573 rótulos de produtos, que ilustra a dimensão do desafio de rastreamento e fiscalização.
A comissão propôs considerar a divulgação pública dos nomes dos infratores e a suspensão temporária ou permanente de licenças. Mẫn pediu que pessoas responsáveis por infrações intencionais particularmente graves sejam proibidas de atuar, temporária ou permanentemente. Segundo ele, infringir as regras precisa custar mais do que cumpri-las.
A deputada Nguyễn Thị Mai Thoa pediu fundamentos legais precisos para lacrar alimentos ou suspender vendas e publicidade. Ela propôs o uso dessas medidas quando testes indicarem substâncias proibidas ou contaminação perigosa, ou quando houver provas que liguem diretamente um estabelecimento a um caso agudo de intoxicação alimentar. Também pediu indenização com base na lei de responsabilidade civil do Estado quando medidas preventivas ilegais causarem danos.
Alguns acontecimentos anteriores ajudam a contextualizar o debate de outubro:
- 2018: O Decreto 15/2018/NĐ-CP introduziu procedimentos de autodeclaração para muitos alimentos comuns.
- 2025: O caso publicitário dos doces de vegetais Kera passou a ser citado como exemplo nas cobranças por controles mais rigorosos de promoções e influenciadores.
- Manhã de 24 de outubro de 2026: Lan apresentou o projeto revisado, e Nguyễn Thanh Hải apresentou a avaliação da comissão.
- Tarde de 24 de outubro de 2026: Grupos parlamentares examinaram responsabilidades, registros, inspeções, cozinhas coletivas e vendas de alimentos pela internet.
A escolha central por trás dessas propostas é como reduzir declarações repetitivas e, ao mesmo tempo, direcionar mais esforços para testes, rastreamento e intervenção rápida. Os parlamentares buscam um sistema em que empresas em conformidade enfrentem menos procedimentos desnecessários, produtos inseguros provoquem ação imediata e um órgão identificado responda por cada etapa.
Principais pontos
- Mẫn quer que as principais reformas e os prazos de implementação sejam incluídos na lei; 32 dos 74 artigos do projeto dependem de regulamentações posteriores.
- O Ministério da Saúde lideraria a gestão da segurança alimentar, enquanto parlamentares pedem que as atribuições entre ministérios, províncias e comunas sejam esclarecidas.
- As propostas incluem alertas entre duas e seis horas após a detecção de surtos de intoxicação alimentar e responsabilidades explícitas para dirigentes de escolas e hospitais.
- Os planos de inspeção considerariam os riscos dos produtos, os resultados de testes e o histórico de conformidade das empresas para definir o nível de fiscalização.
- Plataformas online, anunciantes e serviços de entrega poderiam ter exigências mais rigorosas de documentação, rastreamento e resposta.
- Financiamento, laboratórios, pessoal especializado e penalidades aplicáveis são questões centrais para o funcionamento do sistema revisado.






