Uzbequistão avança com usina nuclear de US$ 9,5 bilhões e cidade para quase 33 mil moradores

10 min de leitura
Uzbekistan Advances $9.5 Billion Nuclear Plant and Town for Nearly 33,000 Residents

Fundações do reator e nova cidade ganham forma em Jizzakh

O Uzbequistão trabalha para concluir, até o fim de 2026, a primeira laje de fundação de reator da usina nuclear planejada, avaliada em US$ 9,5 bilhões, enquanto constrói nas proximidades uma cidade projetada para quase 33 mil moradores. Os projetos combinam geração de eletricidade, formação especializada e uma ampla expansão da infraestrutura de transporte, água e energia no distrito de Farish, na região de Jizzakh.

Conteúdo
  1. Fundações do reator e nova cidade ganham forma em Jizzakh
  2. O que torna esta uma usina nuclear integrada?
  3. Qual será a geração de eletricidade prevista?
  4. Quais são os próximos marcos da construção?
  5. Uma cidade para trabalhadores e suas famílias
  6. Água, estradas e eletricidade além do local do reator
  7. Formação de profissionais para operar a usina
  8. Um projeto de US$ 9,5 bilhões com ambições mais amplas
  9. Cooperação também abrange medicina e materiais
  10. Principais pontos

O presidente Shavkat Mirziyoyev se reuniu com Alexey Likhachev, diretor-geral da estatal russa de energia nuclear Rosatom, em Tashkent, em 23 de outubro de 2026. Segundo a administração presidencial uzbeque, as conversas abordaram a construção da primeira usina nuclear integrada do país, a continuidade dos trabalhos de projeto e a infraestrutura necessária para dar suporte à instalação.

Planejada para ficar perto do lago Tuzkan, a usina combinará dois grandes reatores VVER-1000, cada um com capacidade elétrica de 1.000 megawatts, e dois reatores menores RITM-200N, cada um com produção de 55 megawatts. Juntas, as quatro unidades terão capacidade instalada de 2.110 megawatts.

A Rosatom afirma que serão necessários cerca de 10 mil metros cúbicos de concreto para a laje de fundação do primeiro compartimento de reator. A concretagem começou em junho, e a conclusão está prevista para o fim de dezembro de 2026. O início da operação técnica do primeiro reator pequeno está programado para 2029, seguido pela primeira unidade grande em 2033.

A reunião de outubro ocorreu após uma visita à área de construção, em 22 de outubro, por delegações da agência de energia nuclear do Uzbequistão, a Uzatom, e da Rosatom. A inspeção abrangeu tanto a usina quanto o empreendimento residencial, onde as obras de moradia e infraestrutura já estão em andamento.

Publicidade

O que torna esta uma usina nuclear integrada?

O Uzbequistão planeja instalar dois tipos diferentes de reatores em um mesmo local. O projeto é descrito como a primeira combinação planejada no mundo de duas unidades VVER-1000 e duas RITM-200N em uma única usina.

Um reator fornece calor, usado para produzir vapor e acionar equipamentos que geram eletricidade. Uma unidade de geração inclui o reator e os equipamentos associados necessários para produzir energia. Neste projeto, o termo integrada se refere à instalação conjunta das unidades grandes e pequenas no mesmo local.

Os reatores grandes representam 2.000 megawatts dos 2.110 megawatts planejados, ou cerca de 95% da capacidade total. As duas unidades menores contribuem com os 110 megawatts restantes, cerca de 5%. Embora o primeiro reator pequeno esteja programado para começar a operar antes, a maior parte da capacidade de geração final da usina virá das unidades maiores.

A Atomstroyexport, divisão de engenharia da Rosatom, é a empreiteira geral. Suas responsabilidades na construção fazem parte de uma parceria mais ampla, que também inclui a formação de profissionais uzbeques e o desenvolvimento do assentamento destinado a abrigar trabalhadores e suas famílias.

Qual será a geração de eletricidade prevista?

As estimativas de geração anual de eletricidade variam de até 15 bilhões de quilowatts-hora a cerca de 17,2 bilhões de quilowatts-hora quando toda a usina estiver em operação. A diferença é de 2,2 bilhões de quilowatts-hora, por isso a produção anual prevista continua sendo um dado importante a esclarecer no planejamento.

Megawatts indicam quanta energia uma usina pode produzir em determinado momento. Quilowatts-hora medem quanta eletricidade ela gera ao longo do tempo. A produção anual de uma usina depende de quanto tempo suas unidades operam e em que nível de produção, incluindo períodos em que os equipamentos são parados para manutenção.

Os 2.110 megawatts planejados entrarão em operação por etapas, não de uma só vez. O cronograma do Uzbequistão prevê o início da operação técnica do primeiro reator pequeno em 2029, vários anos antes da primeira unidade grande. A conclusão total do projeto está prevista para 2034–2035.

Publicidade

Quais são os próximos marcos da construção?

A meta imediata da Rosatom é concluir a laje de fundação do compartimento do reator da primeira unidade pequena de geração. A laje compõe a base de sustentação do edifício do reator. Segundo a administração presidencial, os trabalhos avançam paralelamente ao projeto mais amplo da usina.

A cronologia do projeto inclui as primeiras obras no local, a fabricação de equipamentos e, posteriormente, o lançamento presidencial da construção da primeira unidade de geração. Esses marcos correspondem a diferentes etapas do empreendimento:

  • Abril de 2025: começaram as atividades de construção no local.
  • Maio de 2025: a Rosatom começou a fabricar equipamentos para o projeto.
  • 4 de junho: Mirziyoyev e o presidente russo Vladimir Putin lançaram a construção da primeira unidade de geração.
  • Junho de 2026: começou a concretagem da laje de fundação da primeira unidade pequena.
  • 22 de outubro de 2026: delegações da Uzatom e da Rosatom inspecionaram a usina e a área de construção da cidade.
  • 23 de outubro de 2026: Mirziyoyev e Likhachev avaliaram o andamento do projeto em Tashkent.
  • Fim de 2026: prazo previsto para concluir a laje de fundação do primeiro compartimento de reator.
  • 2029: início da operação técnica do primeiro reator pequeno, previsto.
  • 2033: início da operação técnica da primeira unidade grande, previsto.
  • 2034–2035: conclusão total do projeto, prevista.

O início da operação técnica é uma etapa do processo para colocar um reator em funcionamento, que envolve testes e comissionamento. O cronograma descreve, portanto, uma sequência de marcos de construção e entrada em operação que se estende por vários anos, com o reator menor previsto para chegar primeiro a essa etapa.

Uma cidade para trabalhadores e suas famílias

A Uzatom afirma que o novo assentamento está sendo construído em uma área de 200 hectares, com cerca de 10 mil apartamentos planejados para quase 33 mil moradores. A Rosatom descreve de forma mais ampla a população prevista como mais de 30 mil especialistas e familiares.

Considerando a população informada, o plano habitacional corresponde a cerca de 3,3 moradores por apartamento. O empreendimento foi concebido como uma comunidade permanente, com escolas, creches, unidades de saúde, instalações esportivas e culturais, áreas de lazer e espaços verdes.

Mirziyoyev e Likhachev discutiram a cooperação em moradias com uso eficiente de energia e nos serviços necessários aos moradores. A combinação de habitação, educação e saúde dá ao projeto uma dimensão de desenvolvimento local, além das metas de geração de eletricidade.

Publicidade

Água, estradas e eletricidade além do local do reator

A descrição da infraestrutura externa feita pela Uzatom mostra como a construção se estende para além dos edifícios dos reatores. As obras incluem conexões elétricas, sistemas de água separados, estradas e ligações ferroviárias que atendem ao empreendimento mais amplo.

  • 388 quilômetros de redes de eletricidade.
  • Uma subestação que opera a 110 quilovolts.
  • 21 quilômetros de tubulações de água potável.
  • 120 quilômetros de tubulações de água para uso técnico.
  • 39,5 quilômetros de estradas.
  • 11 quilômetros de ferrovia.

A água para uso técnico é destinada a atividades industriais e outras operações, e não ao consumo humano. A rede planejada para esse tipo de água terá quase seis vezes a extensão da rede de água potável, o que ilustra a dimensão das obras de infraestrutura associadas ao local.

O plano da cidade também inclui redes inteligentes de eletricidade, centros de dados e sistemas de armazenamento de energia. As redes inteligentes usam monitoramento e controles para gerenciar o fluxo de eletricidade, enquanto os sistemas de armazenamento guardam energia para uso posterior. Durante a visita de 22 de outubro, as delegações deram atenção especial à segurança, à qualidade da construção e às normas ambientais, segundo a Uzatom.

Formação de profissionais para operar a usina

Mirziyoyev e Likhachev deram atenção especial à preparação de profissionais qualificados por meio da filial em Tashkent da Universidade Nacional de Pesquisa Nuclear MEPhI e de instalações da Rosatom. O objetivo vai além de concluir a construção: o Uzbequistão precisará de profissionais capazes de operar e manter a usina durante toda a sua vida útil.

A cooperação em formação inclui planos para estudos de pós-graduação em áreas nucleares e oportunidades para estudantes uzbeques realizarem estágios em empresas da Rosatom na Rússia em 2026. Os estudos acadêmicos e os estágios práticos devem conectar o aprendizado em sala de aula à experiência em instalações da indústria nuclear.

Em julho, uma delegação uzbeque liderada pelo vice-primeiro-ministro A. Ramatov visitou a usina nuclear russa de Novovoronezh. A visita incluiu os reatores de Geração III+, os sistemas de segurança, a infraestrutura de apoio e a cidade residencial nas proximidades. Geração III+ é uma classificação usada para projetos modernos de reatores com recursos de segurança adicionais.

Os dois lados também concordaram em realizar reuniões operacionais mensais no local de construção no Uzbequistão. Esse mecanismo oferece um espaço regular para avaliar o andamento do projeto enquanto a construção dos reatores, as obras de infraestrutura, as moradias e a preparação da força de trabalho avançam em conjunto.

Publicidade

Um projeto de US$ 9,5 bilhões com ambições mais amplas

O custo estimado da usina integrada é de US$ 9,5 bilhões. Os comunicados sobre a reunião de outubro não detalharam as condições de financiamento, a distribuição dos custos entre os reatores e o desenvolvimento de apoio, nem o preço futuro da eletricidade gerada.

A Rosatom traz para a parceria uma ampla estrutura industrial. Fundada em 2007, a estatal russa reúne mais de 400 organizações, segundo seus relatórios corporativos. Suas atividades incluem mineração e enriquecimento de urânio, produção de combustível nuclear, projeto e construção de reatores, geração de eletricidade e gestão de resíduos radioativos.

Mirziyoyev também afirmou que o Uzbequistão está avaliando a construção de uma segunda e uma terceira usina nuclear e pretende discutir essas possibilidades com novos parceiros e investidores. Essas ambições ampliariam o programa nuclear do país para além do empreendimento de Jizzakh, atualmente em construção.

Os marcos concretos continuam concentrados no primeiro local: concluir a laje de fundação inicial em 2026, preparar os profissionais e avançar rumo ao início da operação técnica do primeiro reator pequeno em 2029. As unidades de geração maiores e a conclusão total vêm mais adiante no cronograma.

Cooperação também abrange medicina e materiais

As conversas de outubro também abordaram possíveis parcerias em medicina nuclear e manufatura aditiva. A medicina nuclear usa substâncias radioativas para diagnóstico ou tratamento médico. A manufatura aditiva produz objetos pela deposição de material em camadas sucessivas, em vez de cortar uma forma final a partir de uma peça maior.

Conversas anteriores sobre cooperação incluíram um possível projeto médico-piloto na região uzbeque de Fergana, além de armazenamento de energia e materiais compósitos. Materiais compósitos combinam diferentes substâncias para obter propriedades úteis, como resistência com menor peso. As partes concordaram em elaborar um roteiro que identifique áreas prioritárias e projetos conjuntos propostos.

A Rosatom afirmou que Likhachev confirmou a disposição da empresa de ampliar a cooperação e cumprir seus compromissos em projetos estrategicamente importantes no Uzbequistão. Além do programa de reatores, as conversas sobre medicina, materiais e formação mostram a variedade de atividades consideradas na parceria.

Em Jizzakh, as mudanças mais concretas já ganham forma nas fundações, nas moradias e na infraestrutura de conexão. O próximo marco previsto para avaliar o andamento do projeto é a conclusão da laje de fundação do primeiro compartimento de reator até o fim de 2026, antes da sequência mais longa que levará à operação total em 2034–2035.

Principais pontos

  • Mirziyoyev e Alexey Likhachev, chefe da Rosatom, avaliaram o projeto nuclear em Tashkent em 23 de outubro de 2026.
  • A usina, avaliada em US$ 9,5 bilhões, combinará dois reatores grandes e dois pequenos, com capacidade total de 2.110 megawatts.
  • A Rosatom prevê concluir a laje de fundação do primeiro compartimento de reator até o fim de 2026.
  • Está prevista a construção de uma cidade próxima, com cerca de 10 mil apartamentos para quase 33 mil moradores.
  • O empreendimento inclui ampla infraestrutura de eletricidade, água, estradas e ferrovia, além de formação especializada.
  • O início da operação técnica do primeiro reator pequeno está previsto para 2029, e a conclusão total do projeto é esperada para 2034–2035.
Compartilhar esta matéria

Você também pode gostar