Proibição temporária abrange lojas, vendedores on-line e usuários
A província paquistanesa de Punjab proibiu por 30 dias o uso e a operação de óculos inteligentes com recursos de gravação ocultos, além de câmeras minúsculas escondidas em objetos do cotidiano. A ordem também impede que varejistas, atacadistas, comerciantes e distribuidores vendam os dispositivos ou os ofereçam para venda, tanto em lojas quanto on-line.
Conteúdo
- Proibição temporária abrange lojas, vendedores on-line e usuários
- Quais dispositivos estão incluídos?
- Por que aeroportos, hospitais e centros de exames são mencionados
- Como a decisão se tornou uma ordem em vigor
- Por que o caso no Tribunal Superior de Lahore é importante
- Dados sobre proteção infantil mostram a dimensão mais ampla dos abusos
- As vítimas precisam de proteção depois que uma gravação é feita
- Outros países adotam restrições diferentes
- O que a fiscalização precisa alcançar
- Principais pontos
O secretário do Departamento do Interior de Punjab impôs a restrição com base na Seção 144 do Código de Processo Penal de 1898. A medida entrou em vigor imediatamente, após uma decisão do gabinete provincial em 19 de outubro de 2026 e um anúncio feito no dia anterior à publicação da ordem formal. Em seguida, a ministra-chefe Maryam Nawaz determinou que a polícia assegurasse o cumprimento da medida em toda a província.
Mulheres e crianças estão no centro das preocupações declaradas pelo governo. O Departamento do Interior afirma que dispositivos de gravação ocultos podem ser usados para assédio, chantagem e vigilância não autorizada, além de colocar em risco informações confidenciais e instalações protegidas.
A medida de Punjab reúne duas questões relacionadas: como impedir que pessoas sejam gravadas secretamente e como regulamentar dispositivos que combinam funções comuns de consumo com câmeras e microfones. Um processo separado no Tribunal Superior de Lahore examina a importação e a venda sem regulamentação de óculos inteligentes.
A restrição não abrange laptops, tablets portáteis, celulares e equipamentos terminais aprovados pela Autoridade de Telecomunicações do Paquistão. Agentes autorizados de aplicação da lei também estão isentos. Para consumidores e vendedores, a mudança imediata diz respeito aos produtos de gravação oculta especificados na ordem, e não a uma proibição geral de dispositivos com câmeras.
Quais dispositivos estão incluídos?
A ordem tem como alvo óculos inteligentes com câmera e capacidade de gravação oculta, além de câmeras minúsculas disfarçadas de objetos comuns, como canetas e chaveiros. O anúncio mais amplo do governo também mencionou relógios de pulso equipados com câmeras ocultas ou aparelhos de gravação.
Óculos inteligentes podem tirar fotos, gravar vídeos, fazer chamadas, tocar música, traduzir textos e se conectar a assistentes de inteligência artificial. A restrição de Punjab se concentra em óculos com recursos de gravação ocultos. Câmeras escondidas em objetos conhecidos criam uma preocupação semelhante com a privacidade, pois alguém por perto pode ver uma caneta ou um relógio comum, e não um aparelho de gravação.
O Departamento do Interior descreveu dispositivos capazes de capturar, processar e transmitir fala, imagens, vídeos e sons. Em termos simples, a preocupação vai da gravação secreta ao envio desse registro para outro lugar.
A restrição de vendas abrange tanto ofertas quanto transações concluídas. Assim, um anúncio on-line de um dispositivo proibido se enquadra nas condutas descritas na ordem, assim como uma oferta no balcão de uma loja. Um porta-voz do Departamento do Interior também alertou que haverá medidas legais rigorosas contra a compra, o uso e a venda, embora as disposições operacionais citadas proíbam expressamente o uso e a operação dos dispositivos, bem como sua venda ou oferta para venda.
Por que aeroportos, hospitais e centros de exames são mencionados
O Departamento do Interior apontou aeroportos, centros de exames, instalações governamentais protegidas, unidades de saúde, shopping centers e tribunais como locais que exigem atenção especial. A restrição vale em toda Punjab, e não apenas nesses locais.
Essa lista reflete vários tipos de risco. Uma câmera oculta pode registrar uma interação privada, captar informações dentro de um edifício protegido ou transmitir material de uma instituição com acesso controlado. A ordem menciona tanto a dignidade pessoal quanto a segurança de dados e instalações sensíveis.
Os centros de exames e as instituições governamentais também aparecem entre as preocupações do departamento com a integridade institucional. Esse termo se refere à capacidade de uma instituição de realizar seu trabalho com segurança e imparcialidade. Captar ou transmitir material protegido em segredo pode interferir nesse trabalho.
Ao explicar o objetivo de sua ordem preventiva, o Departamento do Interior de Punjab afirmou:
É necessária uma ação preventiva imediata para garantir a segurança pública, a integridade e a dignidade das pessoas, especialmente mulheres e crianças, e a manutenção da ordem na província,
O governo alertou que as violações resultarão em medidas legais. A ordem prevê duração de 30 dias, salvo revogação antecipada; as determinações de aplicação não indicam uma data de término no calendário nem a data de uma próxima audiência judicial.
Como a decisão se tornou uma ordem em vigor
O anúncio de Punjab, a notificação formal e as instruções posteriores de aplicação são etapas diferentes da mesma medida. Quando o gabinete aprovou a restrição pela primeira vez, o secretário do Interior, Dr. Ahmad Javed Qazi, disse que uma notificação seria publicada em poucos dias. Posteriormente, o secretário do Departamento do Interior emitiu a ordem, com efeito imediato.
Os principais acontecimentos se desenrolaram da seguinte forma:
- 15 de outubro de 2026: O Tribunal Superior de Lahore determinou que autoridades federais encaminhassem ao gabinete federal o caso separado sobre importação e venda de óculos inteligentes.
- 19 de outubro: O gabinete de Punjab, presidido por Maryam Nawaz, aprovou restrições a dispositivos de gravação oculta. A ministra da Informação e Radiodifusão, Azma Bokhari, anunciou a decisão.
- Na terça-feira seguinte: O secretário do Departamento do Interior emitiu a ordem com base na Seção 144, impondo a restrição por 30 dias, com efeito imediato.
- 22 de outubro: Foi noticiada a determinação de Maryam Nawaz para que a polícia garantisse o cumprimento da proibição.
A Seção 144 permite que as autoridades imponham restrições preventivas por meio de uma ordem administrativa. Neste caso, Punjab a utilizou para limitar temporariamente o uso e a venda de dispositivos específicos. O processo federal trata de como os óculos inteligentes entram no Paquistão e são vendidos no país, uma questão regulatória mais ampla que continua em paralelo à restrição provincial.
Por que o caso no Tribunal Superior de Lahore é importante
O Tribunal Superior de Lahore está analisando uma petição de interesse público que questiona a importação e a venda sem regulamentação de óculos inteligentes equipados com câmeras e microfones. A petição levanta preocupações sobre privacidade, dignidade pessoal e segurança nacional.
O advogado do autor da petição disse ao tribunal que óculos inteligentes da Meta estavam amplamente disponíveis em plataformas on-line e lojas de Lahore, embora o Paquistão não constasse oficialmente como mercado do produto. Isso coloca vendedores on-line e canais de varejo locais no centro da disputa.
O tribunal determinou que o governo federal encaminhasse ao gabinete federal um resumo sobre importações e vendas. Um resumo é um documento formal que apresenta uma questão ao gabinete para análise e possível decisão.
Com sua ordem temporária, Punjab pode agir contra usos e vendas específicos dentro da província. A análise federal trata das regras que regem o fornecimento desses produtos ao Paquistão. Portanto, os dois processos alcançam partes diferentes do mesmo mercado: os dispositivos já oferecidos localmente e os canais por meio dos quais chegam ao país.
Dados sobre proteção infantil mostram a dimensão mais ampla dos abusos
Um estudo de setembro de 2026 do Escritório de Estratégia e Evidências–Innocenti, do UNICEF, da ECPAT Internacional e da Interpol estimou que cerca de 1,5 milhão de usuários paquistaneses da internet, com idades entre 12 e 17 anos, sofreram alguma forma de exploração ou abuso sexual envolvendo tecnologia ao longo de um ano.
O estudo descreveu riscos relacionados a imagens compartilhadas sem consentimento, ameaças e chantagem. A tecnologia pode permitir que um agressor continue pressionando a vítima depois de um incidente inicial, por exemplo, ameaçando divulgar uma imagem privada.
A Sahil, organização paquistanesa que monitora casos de abuso infantil, documentou 3.630 casos noticiados em 2025 e 1.914 nos primeiros seis meses de 2026. Os números se baseiam em notícias de jornais e abrangem categorias como agressão sexual, sequestro e casamento infantil. Os primeiros seis meses de 2026 corresponderam a cerca de 53% do total registrado em todo o ano de 2025.
A estimativa da parceria do UNICEF diz respeito a abusos envolvendo tecnologia, enquanto a Sahil contabiliza casos noticiados em jornais em várias categorias. Não se sabe quantos envolvem câmeras ocultas. A resposta de Punjab mira um dos meios de gravação de pessoas dentro de um problema muito mais amplo de proteção infantil.
As vítimas precisam de proteção depois que uma gravação é feita
Agha Zamin Abbas, coordenador de mídia da Sahil, elogiou as restrições, mas pediu controles mais rigorosos sobre importações e vendas on-line, investigações eficazes e ajuda rápida para crianças afetadas. Ele também pediu que os pais prestem atenção às atividades digitais dos filhos.
Abbas disse que a proteção da privacidade deve preservar o acesso legítimo à tecnologia, inclusive para educação e saúde. Sua posição relaciona as restrições do governo aos dispositivos ao desafio prático de combater abusos sem impedir o acesso a ferramentas úteis.
Syed Jowdat Nadeem, ativista dos direitos digitais e integrante da Comissão de Direitos Humanos do Paquistão, pediu canais confidenciais para denúncias, perícias digitais mais robustas e remoção rápida de material de exploração. Perícia digital é o exame de dispositivos e registros eletrônicos para recuperar evidências e entender o que aconteceu.
Nadeem descreveu os riscos de que vítimas, especialmente mulheres e crianças, enfrentem estigma, culpabilização, restrições à liberdade ou represálias após uma gravação não autorizada. A ameaça de divulgar imagens pode dar ao agressor poder contínuo sobre alguém que teme as consequências em casa ou na comunidade.
As medidas propostas por ele incluem assistência jurídica, apoio psicológico e proteção contra represálias. Ele também alertou que controles frágeis sobre importações e mercados on-line podem permitir que produtos proibidos migrem das prateleiras das lojas para vendedores na internet.
Saeedain Khan, advogado sênior da unidade de Rawalpindi do Tribunal Superior de Lahore, concentrou-se na prevenção. Ele defendeu que as crianças aprendam a reconhecer abusos e possam denunciar comportamentos inadequados sem medo de punição, descrédito ou represálias, inclusive quando o adulto envolvido ocupa uma posição de confiança.
Outros países adotam restrições diferentes
A preocupação com gravações clandestinas também se espalhou para além do Paquistão. No Reino Unido, uma petição pediu a proibição da venda de óculos inteligentes após relatos de mulheres e meninas gravadas secretamente. Em agosto, uma adolescente de 17 anos contou que foi abordada por um homem que gravou a interação sem que ela soubesse.
Oslo proibiu óculos inteligentes nas escolas, enquanto a autoridade francesa de proteção de dados, CNIL, pediu vigilância. Segundo relatos, a Meta está desenvolvendo um recurso de reconhecimento facial, o que amplia as preocupações sobre os tipos de informação que os óculos poderão eventualmente associar às pessoas que registram.
O estado de Victoria, na Austrália, definiu uma política mais detalhada para as escolas. No anúncio sobre dispositivos nas escolas, publicado em 21 de outubro de 2026, o governo estadual afirmou que estudantes de escolas públicas, católicas e independentes deverão desligar e guardar dispositivos eletrônicos pessoais, inclusive óculos inteligentes, durante o horário escolar e as atividades escolares a partir do início do ano letivo de 2027.
Nas escolas públicas, a restrição a óculos inteligentes e dispositivos de gravação clandestina também se aplica a adultos, incluindo professores, pais e voluntários. Ela abrange as dependências escolares e atividades organizadas fora da escola, como acampamentos e excursões. As exceções para óculos inteligentes se limitam a adaptações relacionadas a deficiências, quando não houver alternativa adequada.
Gabrielle Williams, vice-premiê de Victoria e ministra da Educação, declarou a posição do governo:
Óculos inteligentes não têm lugar em nossas salas de aula nem nas dependências escolares.
Victoria afirmou que estender a restrição aos adultos a escolas fora da rede pública exigiria uma lei sob um governo trabalhista de Carroll reeleito. A medida anunciada por Punjab tem alcance geográfico e comercial mais amplo, abrangendo dispositivos específicos em toda a província e sua venda, mas dura 30 dias. A abordagem anunciada por Victoria se concentra no ambiente escolar e no ano letivo de 2027.
O que a fiscalização precisa alcançar
A ordem de Punjab abrange tanto as pessoas que operam dispositivos de gravação oculta quanto as empresas que os oferecem para venda. A determinação de Maryam Nawaz mobiliza a polícia para fazer cumprir a restrição, enquanto as exceções preservam o uso de celulares comuns, computadores e equipamentos terminais aprovados.
A disponibilidade on-line é uma questão prática central, pois os mesmos dispositivos podem ser anunciados para além das lojas físicas. Abbas e Nadeem pediram atenção aos mercados digitais e às importações, além de investigações e apoio às vítimas. Suas propostas abordam como os dispositivos chegam aos compradores e o que acontece depois que alguém denuncia um abuso.
A restrição de 30 dias e o encaminhamento ao gabinete federal agora coexistem. Uma medida altera imediatamente o que pessoas e vendedores podem fazer em Punjab. A outra leva a importação e a venda de óculos inteligentes aos responsáveis pelas decisões federais. Para quem é alvo de gravações secretas, canais confidenciais de denúncia, coleta de provas e remoção de material abusivo continuam sendo necessidades concretas, além da proibição.
Principais pontos
- Punjab impôs uma restrição de 30 dias ao uso e à operação de óculos inteligentes com recursos de gravação oculta e câmeras disfarçadas de objetos do cotidiano.
- Varejistas, atacadistas, comerciantes e distribuidores não podem vender nem oferecer os dispositivos proibidos em lojas ou on-line.
- Laptops, tablets portáteis, celulares, equipamentos terminais aprovados pela PTA e agentes autorizados de aplicação da lei estão isentos.
- O governo cita riscos à privacidade, além de assédio, chantagem e ameaças a informações sensíveis, com preocupação especial com mulheres e crianças.
- O Tribunal Superior de Lahore determinou que o governo federal analise a questão separada da importação e da venda de óculos inteligentes.
- Defensores da proteção infantil e dos direitos digitais pedem investigações mais robustas, canais confidenciais de denúncia e apoio às vítimas, além de restrições aos dispositivos.






